MasukTento organizar os pensamentos, falho em encontrar as palavras certas, como vou contar ao meu colega que eu tive um filho com um dos criminosos que estamos investigando e ainda manter o meu emprego? Ou manter essa amizade estranha que estou construindo com Eric? Eu sei que palavras dizer, mas elas continuam presas na minha garganta.Como se uma parte de mim ainda estivesse desesperadamente à procura de um motivo para permanecer em silêncio. Mas agora que enunciei, já não posso mais fugir dessa conversa. — Estou a ouvir. As palavras dele deixam-me sem escapatória. Durante dias inteiros imaginei este momento. Imaginei mil formas de começar essa conversa. Agora que finalmente estamos sentados frente a frente, nenhuma delas parece adequada. Baixo os olhos para o menu apenas para ganhar alguns segundos. As letras estão diante de mim, mas sou incapaz de ler uma única linha. O empregado regressa nesse instante. Agradeço mentalmente pela interrupção. — Já decidiram? — Sim — respo
Os olhos dele estudam a minha expressão durante um instante. Ele parece não compreender porque o estou a tratar daquela forma, mas estamos diante de outras pessoas. O meu coração continua a falhar batidas.Mas preciso de fazer isto. Preciso de tirar este peso dos ombros. Eric pode ser o aliado ideal para me ajudar a sair desta confusão.— Aconteceu alguma coisa?Engulo em seco.— Precisamos de conversar, mas não aqui.Eric permanece em silêncio por um segundo antes de fazer um leve aceno de cabeça.— Certo.— Vamos para o meu gabinete — sugiro.— Podemos sair para almoçar? Estou faminto.Pego na pasta em cima da mesa e sigo atrás dele. A cada passo, sinto o peso da decisão que estou prestes a tomar, porque, dentro de poucos minutos, vou admitir algo que escondi durante uma década, e tenho a estranha sensação de que, depois desta conversa, nada voltará a ser igual.Eric abre a porta da sala de reuniões e faz um gesto para que eu passe primeiro, dou apenas um passo para fora da sala ant
Aproximo-me do armário e introduzo a chave com mãos mais trémulas do que gostaria de admitir. A fechadura roda sem dificuldade e, quando abro a porta, encontro a pasta exatamente onde a deixei. Solto o ar lentamente, sentindo um breve alívio percorrer-me o corpo, mas a sensação dura apenas alguns segundos, porque a pasta continuar ali não responde à pergunta mais importante. Ainda me pergunto, como é que Diane soube da reunião? O conteúdo daquele encontro é confidencial e apenas um número reduzido de pessoas tem acesso às informações da operação. Eu, Aubrey, os agentes federais e alguns superiores diretamente envolvidos na investigação. Mesmo assim, Diane sabia que eu tinha participado naquela reunião e sabia que tinha sido chamada para integrar a equipa. Fecho a porta do armário e permaneço imóvel durante alguns instantes, a olhar para o vazio. Quanto mais penso nisso, mais desconfortável me sinto, não parece uma mera coincidência. Diane não está habilitada para ter acesso
Passei a noite inteira acordada a pensar no meu próximo passo e ainda não decidi o que fazer para me livrar desta situação. Ryan é um Westie. Um mafioso. Sou muito grata por ele ter saído da minha vida. Não acredito que alguma vez tenha questionado o motivo. Regressar ao trabalho hoje tem uma sensação diferente. O meu corpo parece mais pesado a cada passo que dou e, quanto mais me aproximo do gabinete, mais o meu coração acelera. Hoje não sou recebida pela Aubrey. A secretária dela está vazia. Provavelmente anda a distribuir processos. Ao aproximar-me da minha porta, percebo que está aberta. Alguém entrou e não a fechou. Apresso imediatamente o passo. Será que alguém mexeu nas minhas coisas? Será que guardei a pasta secreta ontem? Ou o embate que sofri foi suficiente para me fazer esquecer? Empurro a porta com pressa e, para minha surpresa, encontro uma mulher sentada na minha cadeira. Diane. Está calmamente a remexer nos papéis em cima da minha secretária, como
Como é que ele me diz uma coisa dessas? Como ele sabe disso? Eu tenho tantas perguntas, mas não sei em que ordem começar. Então a minha saída na vida da Kallie teve mais estragos que eu pensava. — Desde quando você sabe? Como? — Eu conheci ele. Eu deixo meu corpo deslizar e sentar no sofá, enquanto meu corpo segura um turbilhão de emoções e minha cabeça é inundada por pensamentos. — Mas tá, como você sabe que ele é meu? — Eu vi ela grávida quando você saiu da vida dela. — Mas porque você nunca me disse nada? — Sinceramente eu não sabia que era teu filho até ter conhecido ele. Foi só olhar para ele e eu soube. — Mas você devia ter me dito alguma coisa! — Ryan, me entenda vocês ficaram juntos seis meses, eu nem sabia a importância que ela teve na tua vida. — Ela foi importante sim eu que escondi e evitei falar dela ou reconhecer o impacto que ela teve na minha vida — digo — mas ter um filho meu muda tudo, eu me encontrei com ela ontem, tudo o que eu sentia por
Não acredito que estou tão ansioso por saber mais sobre o que aconteceu na vida dela desde que saí da dela. Devia ser indiferente. Dez anos são suficientes para apagar qualquer expectativa, para aceitar que duas pessoas seguiram caminhos diferentes. Mas basta ouvir o nome de Kallie para perceber que algumas coisas nunca desapareceram verdadeiramente.Eddie ergue uma sobrancelha e pergunta:— É sobre aquela garota?Tony acena afirmativamente.Tony abriu a pasta e retirou dela várias folhas soltas e anotações cuidadosamente organizadas. Durante alguns segundos, limitou-se a alinhá-las sobre a mesa, como se procurasse a melhor forma de apresentar a informação. Havia uma hesitação invulgar nos seus movimentos, uma cautela que raramente demonstrava.Mas acabou por reparar na forma como eu o observava, na impaciência que já não me esforçava por esconder.— Chega. Fale logo.Nem sequer tento esconder a curiosidade.Tony consulta as notas.— Kalliope Shinoda. Trinta anos. Atualmente trabalha







