Mag-log inO telefone por satélite ainda vibrava contra a palma da mão de Valentina, mas o som parecia ter se distanciado, soterrado pelo zumbido ensurdecedor que de repente invadiu seus ouvidos. Dentro do utilitário blindado, o barulho do trânsito da cidade sumiu por completo. As palavras de Dona Rosa continuavam ecoando, flutuando no ar como estilhaços de vidro: Atiraram na minha perna... Levaram a sua mãe.
Valentina permaneceu estática no banco de trás, com os olhos fixos no painel do carro. O mundo ao redor desbotou por um segundo inteiro, mas foi o tempo necessário para que o choque inicial paralisasse seus pulmões antes que o instinto de sobrevivência, moldado por anos no submundo do Cartel dos Sóis, assumisse o controle total. Ela não gritou. Não chorou. Só sentiu uma fúria fria e calculista substituiu o sangue em suas veias.
Pelo retrovisor interno, Mateo notou a mudança imediata na postura da patroa. O capanga, que dirigia calmamente em direção à casa da mãe de Valentina, piscou os olhos e franziu o cenho ao ver o rosto dela empalidecer através do espelho.
— Dona Valentina? — Mateo perguntou, diminuindo a velocidade do veículo próximo a um cruzamento. — Aconteceu alguma coisa com a sua mãe?
Ela não respondeu imediatamente. Valentina desligou o aparelho com um clique seco, guardou-o no bolso do casaco e respirou fundo, forçando o ar a entrar em seus pulmões novamente. O braço que havia sido picado pela agulha na clínica de exames de sangue ainda latejava, uma dorzinha incômoda que ela simplesmente ignorou.
— Dê a volta, Mateo — ela ordenou, a voz saindo perfeitamente linear, fria e desprovida de qualquer tremor, embora seus dedos estivessem cravados no tecido do banco. — Volte para a fazenda. Agora.
Mateo não fez perguntas. No submundo, aquele tom de voz significava que perguntas eram perigosas. Ele esterçou o volante com força, jogando o utilitário blindado por cima do canteiro central da avenida e cantando os pneus na pista oposta, acelerando de volta em direção às montanhas de San Miguel. Durante os vinte minutos de retorno, Valentina permaneceu em silêncio, digitando uma mensagem rápida para Salvador pelo canal criptografado: Nueva Alianza pegou minha mãe na praça. Rosa está baleada no hospital. Estou chegando.
Quando o carro finalmente cruzou os portões de ferro e freou no cascalho do pátio principal da fazenda, Salvador já cruzava a porta de mogno da casa. Ele descia os degraus da entrada com o paletó escuro já aberto e o semblante fechado de quem havia recebido o alerta. Ao olhar para o rosto de Valentina assim que ela saltou do veículo, o líder do cartel parou abruptamente. O maxilar dele se travou de tal forma que os músculos da face desenharam uma linha rígida. Ele a conhecia bem demais; sabia ler o silêncio calculista da esposa melhor do que qualquer um dos seus soldados.
— O Reyes se moveu — Salvador disse, a voz saindo como um rosnado baixo, sem precisar que Valentina pronunciasse uma única sílaba para chegar à conclusão exata. — Ele quer as rotas do leste.
— Eles cercaram a praça central — Valentina respondeu, caminhando a passos largos em direção a ele. — Atiraram na perna da Rosa. Arrastaram minha mãe para um carro. O Reyes não quer apenas negociar, Salvador. Ele quer me usar para fazer você ceder às fronteiras sem precisar gastar os homens dele em uma guerra aberta.
Salvador segurou os ombros de Valentina com suas mãos grandes, apertando a carne com uma firmeza que buscava trazê-la de volta para o eixo, os olhos dele faiscando em uma mistura de promessa de morte e pânico velado pela segurança dela.
Nesse momento, Valentina desabou, colocou para fora o choro que tanto segurava. Achou no marido um consolo que só ele podia dar, e Salvador a envolveu em um abraço protetor, apertando-a contra o peito e acalentando seu corpo trêmulo. Ele sabia que Valentina, apesar de assustadoramente forte, precisava se sentir protegida e escolhida exatamente naquele segundo de vulnerabilidade.
— Mateo, cancele a reunião de hoje a noite. Valentina, você fica aqui na fazenda. — ele ordenou, afastando o rosto apenas o suficiente para encará-la, a autoridade pesando em cada palavra. — O Mateo vai reforçar a segurança dos portões com os soldados do perímetro. Eu vou com os homens até a cidade buscar informações e resolvo isso.
— Eu vou com você — Valentina rebateu, dando um passo para trás e saindo do aperto dos braços dele. Ela bateu de frente contra o peito de Salvador, sem desviar o olhar altivo.
— De jeito nenhum, Valentina! — Salvador deu um soco contra a coluna de madeira da varanda, fazendo a estrutura antiga vibrar. — O Reyes quer você. Se você cair nas mãos da Nueva Alianza, eu perco o meu chão. Você está fraca, seu corpo ainda está se recuperando da perda do nosso bebê. Você fica!
— Ela é a minha mãe, Salvador! — O grito dela finalmente rompeu a barreira de gelo, ecoando pelo pátio silencioso da propriedade. Valentina segurou a lapela do paletó do marido, puxando-o para perto com força. — O Reyes matou meu pai anos atrás. Não vou deixar que ele tire a única mãe que me resta. Eu vou. E se você tentar me trancar aqui, eu pego um cavalo e cruzo essa fronteira sozinha.
Salvador fitou os olhos determinados da esposa. Ele sabia que discutir com Valentina quando ela estava sob aquela fúria fria era um desperdício de tempo precioso, e tempo era a única coisa que o Cartel dos Sóis não possuía naquele minuto. Ele soltou o ar pesadamente pelo nariz, assentindo uma única vez com a cabeça.
— Quinze minutos — Salvador rosnou, virando-se em direção a um de seus homens para pegar o rádio para acionar o galpão de armas. — Vista a sua roupa tática.
Valentina correu para o quarto principal. Desfez-se das roupas civis com movimentos brutos, deixando o tecido cair pelo chão. Do fundo do armário embutido, puxou a calça tática preta e justa e as botas de cano curto que não usava desde antes da primeira gestação interrompida. Prendeu o cabelo escuro em um rabo de cavalo firme, alto, o suficiente para não atrapalhar sua visão se precisasse mirar no alvo. Ajustou o coldre de polímero na coxa direita e encaixou a pistola Glock customizada, puxando o ferrolho para trás para garantir que a primeira bala já estivesse na agulha. Ao se olhar no espelho, a imagem da mulher fragilizada havia sumido; ali estava o cérebro militar do Cartel.
Quando desceu para o pátio traseiro, a noite já havia engolido as montanhas, trazendo um vento denso. Ela percorreu a vista e então viu Dona Conceição, que estava perto do utilitário, com as mãos entrelaçadas e feição de preocupação. Valentina se aproximou e a beijou na testa, consolando a grande amiga de sua mãe e sua guardiã desde pequena.
Salvador não havia chamado o exército da fazenda. Ele operava com inteligência: muita gente chamaria a atenção da Polícia Federal nas estradas e postos de controle. Ele havia reunido apenas o seu irmão mais novo, Alfonso, e Mateo, os dois homens de elite mais letais da organização
Alfonso estava encostado na lateral de um utilitário, blindado e sem placas, limpando a lente de sua arma com a calma assustadora de quem havia sido jogado naquela vida de sangue cedo demais para ainda sentir qualquer tipo de medo.
— O informante da cidade confirmou o sinal há dois minutos — Mateo anunciou assim que Valentina se aproximou, abrindo a porta traseira do veículo. — Levaram ela para um prédio abandonado, a quarenta minutos daqui. O Reyes está lá com apenas dois capangas. É uma escolta pequena porque eles acham que nós vamos demorar para reagir.
Valentina entrou no banco de trás, desdobrando o mapa físico sobre os joelhos. Salvador sentou-se logo em seguida, colado a ela, o calor do corpo dele e o cheiro forte de pólvora e couro preenchendo o espaço fechado. Alfonso assumiu o volante, arrancando com o utilitário em silêncio, mantendo os faróis apagados até cruzarem os limites da estrada de terra da fazenda. Enquanto Mateo, no banco do passageiro, buscava mais informações nas ruas, através do telefone não rastreável.
Durante o trajeto de quarenta minutos pela estrada sinuosa e deserta, ninguém pronunciou uma única palavra. O silêncio dentro do carro era denso, quase sólido. Pelo retrovisor interno, Valentina conseguia ver o olhar de Salvador fixo nela. Havia uma excitação agressiva na forma como ele a vigiava, um desejo primitivo de protegê-la misturado ao orgulho de ver sua rainha armada ao seu lado. Ele estendeu a mão esquerda, cobrindo os dedos de Valentina que seguravam o papel, apertando-os em um pacto silencioso de sangue.
Valentina fechou os olhos por um breve instante, focando na respiração, trazendo à mente as últimas palavras que a mãe havia dito ao telefone sobre ela ser a cabeça fria daquela fazenda. Ela precisava manter a mente congelada. Mas a lógica da emboscada não fechava na sua cabeça. Como o Reyes sabia o horário exato? O plano mudou na última hora.
Um estalo de lucidez a fez abrir os olhos em pânico. Valentina se esticou para a frente e gritou:
— Para!
Alfonso parou imediatamente, sem refutar.
— Por que paramos, Valentina? — perguntou Salvador.
— Temos um informante. Como sabiam onde minha mãe estaria... O plano era me pegar junto. Ou só me pegar.
Salvador trancou o maxilar e juntou as sobrancelhas.
— Quem está agindo estranho ultimamente? Quem de nossos homens é novo na operação? — Valentina indagou.
Salvador mudou o semblante na hora, a mente de chefe do cartel pescando a linha de raciocínio. Ele olhou para Mateo pelo retrovisor. Mateo ligou rapidamente para a fazenda:
— José, você está na sala de controle da fazenda? — perguntou Mateo, colocando o telefone no viva-voz.
— Sim, Mateo, o que aconteceu?
— Veja quem fez alguma ligação estranha nesses dias, quem se ausentou do posto.
— Tá, mas pode demorar.
— Vamos esperar. E José!
— Sim.
— Não comenta nada com ninguém. — Mateo desligou.
Enquanto esperavam no carro, Valentina não se segurou. Abraçou Salvador novamente, mostrando o quanto ele era seu pilar. Salvador retribuiu, enquanto mantinha o olhar sério no horizonte.
Até que o telefone toca.
— Alô, Mateo, peguei uma ligação do Juan muito estranha essa manhã, vou te enviar a gravação.
Mateo desligou, e logo em seguida recebeu o áudio: É o Juan. O garoto da guarita leste. Você me perguntou qual dia vai ter pão fresco e será hoje, hoje o pão sai do forno.
— Mateo, mude a rota. Vamos para a fazenda. Tenho certeza que ele está tentando fugir pelo desvio da represa. — Salvador ordenou, a voz assumindo uma calmaria assassina, digna das organizações paramilitares mais sangrentas.
O carro cortou os arbustos e encurralou um jipe menor logo depois na beira da estrada de terra. Mateo e Alfonso desceram armados, arrancando o jovem Juan pelo colarinho e jogando-o no chão de terra batida sob os faróis do carro. O garoto tremia, com o rosto colado na poeira.
— O informante da cidade é provavelmente uma pista falsa. — Valentina disse.
Salvador desceu calmamente do veículo, parando o corpo imponente acima dele. Ele não levantou a voz. Apenas engatilhou a arma perto do ouvido do garoto.
— Para onde o Reyes levou Dona Piedade? — Salvador perguntou, o tom de voz gélido prometendo um massacre.
— No... no galpão de secagem de tabaco abandonado, após a curva velha da represa — o informante soluçou, sentindo o cano de metal frio pressionar sua nuca. — Por favor, chefe... Ele ameaçou minha família...
Valentina desceu do banco de trás, a calça marcando seus passos firmes. Ela olhou para o traidor com um desprezo profundo, contendo a fúria de justiceira em seus olhos, mantendo sua postura de liderança. Salvador guardou a pistola, olhou para Mateo e deu o comando silencioso com a cabeça.
— Reze para a mãe dela estar bem e viva quando chegarmos lá — Salvador sussurrou no ouvido do garoto, a voz carregada com o peso das execuções que já fez. — Porque se ela morrer, ou se tiver um único arranhão, você e o rato que nos passou a rota errada, vão junto para a vala.
Salvador se levantou. — Mateo, acabe com isso se ouvirmos um tiro.
— Tem mais! — Juan gritou enquanto Salvador se afastava. — O plano era pegar a Dona Valentina, mas como a Dona Piedade estava sozinha na praça, ela foi a melhor chance. Com isso, o plano mudou: usar o sequestro da Dona Piedade como distração e ir atrás da Dona Valentina na fazenda. Mas ela insistiu em vir com o senhor, senhor Salvador!
Os olhos de Valentina e Salvador se encontraram, deixando nítido a raiva de ambos crescendo contra o Reyes.
— Ele me queria para usar de troca pelas fronteiras do leste. — Valentina afirmou.
— Sim, mas também ia fazer de escrava! Eu ouvi, ouvi quando disseram que a senhora ia pagar pelos negócios do cartel que o seu Salvador prejudicou!
Salvador deu um chute no estômago de Juan, o fazendo se curvar de dor.
— Merda! — ele grita e desfere um soco na porta do carro. — Precisamos resolver isso. Eles estão com poucos homens porque sabem que seriam informados dos nossos passos, nos jogando de um lado para o outro atrás de pistas erradas.
Mateo arrastou o informante para o porta-malas do jipe para mantê-lo sob custódia armada enquanto o grupo seguia. O utilitário preto voltou para a estrada principal, avançando de faróis apagados em direção à mata fechada que cercava a represa.
Salvador mudou de postura. Antes calmo, disposto a resgatar Dona Piedade, agora tinha os punhos fechados com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Um músculo pulsava na mandíbula travada, e a respiração saía curta pelo nariz, contida, como quem segura um grito. Valentina reconheceu aquele silêncio — sabia que era mais perigoso do que qualquer grito que ele pudesse soltar, e que ele também era uma bomba-relógio.
— Temos que chamar mais gente. — disse Valentina, olhando o horizonte.
— Alfonso, manda um rádio para a fazenda, quero metade dos meus homens rodando a cidade, indo para a rota que nos passaram, mas nos carros escuros, para não saberem exatamente onde Valentina e eu estamos. Vamos deixar que pensem que caímos em seu plano.
— Ok.
Assim que o rádio foi passado, eles seguiram para o local certo. O utilitário parou a quinhentos metros do galpão, camuflado entre as árvores secas da beira da represa. O local parecia morto por fora: o telhado de zinco estava enferrujado, as paredes de concreto estavam descascadas e não havia nenhuma lâmpada acesa no pátio. Mas Valentina sabia ler o ambiente. A ausência de insetos perto da entrada e a calmaria e silêncio ao redor mostravam que o perímetro estava vigiado.
— Você fica atrás de mim e do Alfonso — Salvador sussurrou, abrindo a porta blindada milimetricamente, a submetralhadora já engatilhada em suas mãos. — O Mateo cobre a retaguarda.
— Eu vou na frente com você, Salvador — Valentina respondeu em um sussurro cortante, destravando a própria pistola. — Se eu ficar atrás, o Reyes usa a minha mãe antes de você ver o alvo.
Antes que Salvador pudesse segurá-la pelo braço para impor sua autoridade, Valentina deslizou para fora do carro, movendo-se como uma sombra preta em direção à lateral do galpão abandonado. Salvador praguejou baixo entre os dentes, mas colou seu corpo ao dela, os dois avançando em sincronia perfeita, prontos para estourar o cativeiro.
A madeira velha da porta lateral do galpão não cedeu com um estalo; ela explodiu sob o impacto do chute de Salvador, projetando farpas e poeira escura para dentro do ambiente abafado.Lá dentro, o cheiro de tabaco seco e mofo foi imediatamente sufocado pelo odor acre de pólvora queimada. Três homens armados da Nueva Alianza ocupavam o centro do espaço. Dois deles ainda tentavam se levantar das cadeiras de ferro, pegos completamente de surpresa pela velocidade da invasão, mas Valentina não deu tempo para que encontrassem o equilíbrio. O corpo dela agiu antes que a mente terminasse de calcular a distância exata. Ela ergueu a Glock com as duas mãos firmes e puxou o gatilho duas vezes.O som dos disparos ecoou de forma ensurdecedora contra as paredes de zinco enferrujado. O primeiro soldado do Reyes caiu para trás, o peito perfurado antes mesmo de conseguir erguer o cano do próprio rifle. Os outros dois se jogaram com desespero atrás de grandes caixas de madeira empilhadas no canto, revid
O telefone por satélite ainda vibrava contra a palma da mão de Valentina, mas o som parecia ter se distanciado, soterrado pelo zumbido ensurdecedor que de repente invadiu seus ouvidos. Dentro do utilitário blindado, o barulho do trânsito da cidade sumiu por completo. As palavras de Dona Rosa continuavam ecoando, flutuando no ar como estilhaços de vidro: Atiraram na minha perna... Levaram a sua mãe.Valentina permaneceu estática no banco de trás, com os olhos fixos no painel do carro. O mundo ao redor desbotou por um segundo inteiro, mas foi o tempo necessário para que o choque inicial paralisasse seus pulmões antes que o instinto de sobrevivência, moldado por anos no submundo do Cartel dos Sóis, assumisse o controle total. Ela não gritou. Não chorou. Só sentiu uma fúria fria e calculista substituiu o sangue em suas veias.Pelo retrovisor interno, Mateo notou a mudança imediata na postura da patroa. O capanga, que dirigia calmamente em direção à casa da mãe de Valentina, piscou os olho
O dia mal havia raiado sobre as montanhas de San Miguel, mas o ar dentro da suíte principal já carregava aquela quietude silenciosa e carregada que antecedia o calor do meio-dia. Valentina acordou devagar, sentindo o lençol de algodão deslizar contra a pele enquanto se virava na cama. Antes mesmo de abrir totalmente os olhos, sentiu uma trilha de calor queimar a parte de trás do pescoço. Salvador já estava acordado. Tinha acabado de sair do banho; o cabelo curto e escuro ainda pingava, deixando pequenas marcas molhadas em seus ombros largos.Lentamente, ele se deitou atrás dela, puxando o corpo dela contra o seu peito. Sem pressa, Salvador começou a traçar beijos pelas costas de Valentina, baixando a alça da camisola e deixando a pele à mostra. Ele não se contentava só em olhar, precisava tocar, e foi o que fez. Sua boca subiu pela coluna, dente por dente, até que ela mordeu o lábio inferior para conter um gemido. Valentina conhecia bem demais aquela atração. Era o toque de um homem q







