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A Rainha Cativa Dele
A Rainha Cativa Dele
Nadia Vane

Capítulo 1: Levaram Minha Mãe

last update Veröffentlichungsdatum: 29.08.2026 19:52:37

O dia mal havia raiado sobre as montanhas de San Miguel, mas o ar dentro da suíte principal já carregava aquela quietude silenciosa e carregada que antecedia o calor do meio-dia. Valentina acordou devagar, sentindo o lençol de algodão deslizar contra a pele enquanto se virava na cama. Antes mesmo de abrir totalmente os olhos, sentiu uma trilha de calor queimar a parte de trás do pescoço. Salvador já estava acordado. Tinha acabado de sair do banho; o cabelo curto e escuro ainda pingava, deixando pequenas marcas molhadas em seus ombros largos.

Lentamente, ele se deitou atrás dela, puxando o corpo dela contra o seu peito. Sem pressa, Salvador começou a traçar beijos pelas costas de Valentina, baixando a alça da camisola e deixando a pele à mostra. Ele não se contentava só em olhar, precisava tocar, e foi o que fez. Sua boca subiu pela coluna, dente por dente, até que ela mordeu o lábio inferior para conter um gemido. Valentina conhecia bem demais aquela atração. Era o toque de um homem que comandava um império de milhões de dólares e controlava as rotas mais valiosas da região, mas que ainda carregava a postura firme e as palmas levemente calejadas de quem trabalhava debaixo de motores de trator, percorria cercas na fronteira e resolvia todo problema com as próprias mãos.

Os músculos do peito dele pressionavam as costas dela, despertando uma fome familiar e urgente que sempre existira entre os dois. Salvador mordeu o pescoço dela enquanto uma das mãos percorria seu seio, deixando o mamilo rígido. Então a mão desceu, sobre o quadril, os dedos deslizando para baixo da cintura da calcinha de renda, encontrando-a já molhada e o desejando. O toque era quente, possessivo. Valentina gemeu baixinho, do fundo da garganta. Mas uma pontada aguda e incômoda no fundo da barriga a fez contrair as pernas. Salvador percebeu a mudança na respiração dela de imediato. Retirou a mão devagar, levou o dedo à própria boca com um olhar escuro e pesado, e pressionou em um beijo rápido e frustrado na testa dela, quebrando o momento. Ambos sabiam que precisavam parar. O corpo de Valentina ainda se recuperava do segundo aborto, de apenas algumas semanas, e o médico havia sido firme: repouso total, sem estresse, para se recuperar, se quisessem ter alguma chance do milagre de um herdeiro outra vez.

— Salvador, não... — murmurou Valentina, a voz rouca, ainda meio dormindo e carregada da excitação que pairava no ar. Ela se virou devagar para encará-lo, puxando o lençol sobre o peito. — O médico disse que precisamos de tempo. Meu corpo ainda dói.

Ele cerrou o maxilar, os olhos fixos nela, misturando adoração e uma frustração mal contida.

— Eu sei, mi amor. Vou cuidar de você — murmurou ele, a voz grave e baixa no silêncio do quarto. — Não vou arriscar nosso sangue por algo que eu quero.

— Algo que nós queremos — disse Valentina, suspirando com um meio sorriso.

Ele se levantou da cama num único movimento fluido e caminhou até o closet sem olhar para trás, deixando-a sozinha com o eco da frustração que compartilhavam.

Uma hora depois, a atmosfera suave do quarto deu lugar ao ritmo rígido do trabalho na ala oeste da propriedade. A fazenda dos Sóis era vasta, uma estrutura que equilibrava a imponência de vigas sólidas de madeira com paredes de pedra escura talhadas à mão. O escritório de Valentina ocupava uma ampla seção no fim da casa, revestido do chão ao teto por vidro à prova de balas. De lá, ela via as pastagens se estendendo até onde a vista alcançava, palmeiras balançando ao vento e os seguranças patrulhando o perímetro. Era a forma física do poder deles. Debruçada sobre planilhas financeiras e mapas de satélite abertos na tela do notebook, Valentina franziu a testa, batendo a ponta da caneta contra o vidro da mesa.

— Perdemos dois quilômetros da rota leste — anunciou ela, sem tirar os olhos dos gráficos que acompanhavam as vendas de terras ao longo da fronteira. — A Nueva Alianza está comprando os guardas do posto quatro. O Reyes quer nos encurralar por fora.

Salvador apareceu na porta de mogno, ainda abotoando os punhos de uma camisa social branca. O paletó escuro já caía perfeitamente sobre seus ombros. Ele atravessou a sala com passos firmes e parou atrás da pequena poltrona de couro dela. Se inclinou e suas mãos pousaram na cintura de Valentina, apertando com um peso possessivo, antes de ele apoiar o queixo no ombro dela. O perfume dele se misturava ao cheiro forte do café que ela mantinha ao lado. 

Isso lhe dava paz.

— Quanto vai custar para comprar de volta esses oficiais federais? — A voz de Salvador chegou bem junto ao ouvido dela.

— Menos do que vai custar comprar o silêncio deles, e perder a rota de vez se não pagarmos — respondeu Valentina, inclinando levemente a cabeça para descansar contra o peito de Salvador por um instante.

Uma risada curta, sem um traço de humor, escapou dele. Seus lábios roçaram o pescoço dela antes dele se endireitar. Dez anos de casados, e ele ainda a olhava do mesmo jeito que no início: Valentina era a mente fria e calculista da organização. Ela colocava números, diplomacia e lucro na mesa antes que qualquer soldado pensasse em alcançar uma arma. Os homens do Cartel dos Sóis às vezes se irritavam em receber ordens diretamente de uma mulher, mas Valentina nunca lhes dava espaço para hesitação. Simplesmente repetia a ordem, mais devagar, sustentando o olhar deles até que entendessem que resistir não era uma opção saudável.

— Hoje à noite temos a reunião com os distribuidores locais — disse Salvador, ajustando o coldre escondido sob o paletó e voltando à postura do homem perigoso que comandava aquele território. — Você estará à mesa comigo?

— Estarei. Mas antes disso, preciso ir à clínica na cidade fazer meu check-up. O médico quer testar meus níveis de ferro. E tenho que levar minha mãe à consulta dela, o joelho voltou a incomodá-la desde ontem à noite.

O corpo inteiro de Salvador mudou, os olhos se estreitando, a estrutura ficando rígida.

— Valentina, se eu pudesse, eu mesmo te levaria à cidade. Mas você sabe que a situação com a Nueva Alianza está no limite por causa do território leste. Este rancho é nosso esconderijo por um motivo, sou um homem procurado, caçado pela polícia e pelos nossos rivais. Não posso ser visto atravessando a cidade em plena luz do dia. Você não vai. O médico vem até nós. Pagamos o que for preciso.

— Salvador... como um médico vai trazer todo o equipamento até aqui? Este rancho fica tão longe que mal pega sinal. — Valentina insistiu.

— Já tivemos essa conversa antes, sobre você sair por aí.

— Nada vai acontecer. Tem estado tudo quieto ultimamente.

— É exatamente isso que me preocupa. Você vai levar o Mateo, já que eu não posso ir — disse Salvador.

Valentina estudou a expressão tensa do marido e assentiu sem dizer mais nada. Ela conhecia o peso que o nome de Salvador carregava no México; um passo em falso na rua podia significar um banho de sangue.

Às nove da manhã, enquanto Valentina terminava de organizar os últimos papéis antes de sair, o telefone via satélite em sua mesa vibrou. Era a mãe dela. Valentina atendeu rápido, e a mãe avisou que o ortopedista havia cancelado a consulta em cima da hora. Valentina bateu os dedos na testa, refazendo os planos, já que ainda precisava ir ao próprio check-up, só que dessa vez sem a mãe.

— Mãe, a gente ia junto, ia fazer companhia uma para a outra — disse Valentina, prendendo o telefone contra o ombro enquanto pegava a bolsa. — Posso mandar um dos homens do rancho te buscar. Ele te traz aqui, e você vai comigo, toma um ar fresco.

— Não, querida, está tudo bem. Você sabe que não gosto de homens armados andando atrás de mim. Eu vou ao mercado, e quando você terminar com o médico, passa aqui. Vou fazer aquele bolo que você ama. Vá fazer seu exame e se cuide — respondeu a mãe, a voz suave mas firme, carregando aquela sabedoria teimosa que só uma pessoa mais velha poderia ter.

— Tem certeza, mãe? Eu poderia faltar à minha própria consulta e ir direto para a sua casa, te fazer companhia. O Salvador anda tão tenso com o lado leste, seria bom para nós duas apenas conversar.

— Querida, venha tomar um café comigo, mas fique ao lado do seu marido, Valentina. Se dependesse dos homens, este país inteiro já teria virado cinzas há muito tempo. Eles só sabem resolver as coisas com balas. Você é a cabeça fria dessa fazenda, e eu tenho orgulho da sua mente. Mesmo rezando toda noite para que você use essa mente para sair desta vida. Já perdi seu pai para esta guerra. Não quero te enterrar também.

— Mãe... já conversamos sobre isso.

— Tudo bem, não vou insistir. Não se preocupe, estou bem. Só vou caminhar até a praça principal e depois passar no mercado, nada mais.

Valentina soltou o ar devagar, desaprovando.

— Peça para a Dona Rosa ir ao mercado por você.

— Prefiro ir eu mesma. Quero andar um pouco pela praça, ver as pessoas por aí. E se te deixa mais tranquila, a Rosa vai comigo, não vou estar sozinha.

Valentina se despediu com um suspiro e desligou. Não havia motivo para preocupação. A mãe fazia aquela mesma caminhada toda semana, atravessando em paz a histórica praça da cidade, cumprimentando todos que conhecia.

Valentina terminou de se arrumar, desceu os degraus de pedra e entrou no SUV blindado, com Mateo ao volante, os olhos fixos nos retrovisores durante todo o trajeto até a clínica.

O exame de sangue demorou mais do que o esperado. Valentina passou o resto da tarde com o braço dolorido e o humor instável, o corpo ainda lidando com as consequências hormonais da gravidez que havia perdido. Foi só no início da noite, logo depois de cruzar a cidade a caminho da casa da mãe, que o telefone em seu bolso vibrou insistentemente.

Valentina atendeu no primeiro toque, reconhecendo o número da mãe, esperando ouvir a voz calma dela dizendo que já estava em casa, esperando com o bolo. Em vez disso, o que a recebeu do outro lado foi o bipe agudo de monitores cardíacos de hospital e um choro desesperado e em pânico. Era a voz trêmula de Dona Rosa, ligando direto do pronto-socorro:

— Dona Valentina... levaram ela. Meu Deus, os homens da Nueva Alianza cercaram a praça principal. Eu tentei, eu tentei segurar sua mãe com todas as minhas forças, mas eles atiraram na minha perna e a arrastaram para um carro preto. Levaram a sua mãe, Dona Valentina!

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