LOGINDepois se levantou.Dessa vez, quando a beijou, não havia pressa.Não havia segredo.Não havia vergonha.Havia escolha.E isso fez toda a diferença.O casamento aconteceu três meses depois.Não em Manhattan.Não em uma catedral cheia de investidores.Não em um salão onde Richard pudesse transformar presença em poder.Foi em Maple Creek, no jardim atrás da livraria de Hannah.Havia flores silvestres, cadeiras de madeira, luzes penduradas entre árvores e uma pequena mesa de livros onde os convidados escreviam mensagens para Grace ler no futuro.Emma usou um vestido simples, de renda delicada, com mangas leves e um véu curto. Grace, no colo de Olivia, usava um vestido branco e uma expressão desconfiada diante de tanta atenção.Alexander esperou no fim do corredor improvisado entre as cadeiras.Quando viu Emma, chorou.Sem tentar esconder.Ryan, ao lado dele como padrinho, murmurou:— Controle-se. As fotos vão ficar caras.Alexander respondeu:— Cale a boca.Mas sorria.Emma caminhou até
— Você comprou uma casa em Maple Creek.Alexander parecia quase nervoso.— Sim.— Sem me perguntar?Ele respirou.— Comprei para mim. Não para você. Não espero que more aqui. Não é pressão. É apenas... quando venho, quero ficar em um lugar que não seja hotel. E quero que Grace tenha um quarto aqui, se você permitir.Emma olhou para a casa.Era bonita.Simples.Humana.— Sem quarto de princesa exagerado?— Sem. Hannah supervisionou.— Isso explica o papel de parede com estrelas?— Ela disse que era obrigatório.Emma sorriu.— É bonito.Alexander relaxou um pouco.— Você pode entrar se quiser. Ou não.Emma olhou para ele.Depois para Grace.— Vamos entrar.A casa cheirava a madeira antiga e tinta nova. Havia livros nas estantes, uma cozinha clara, uma sala com tapete macio e, no quarto de Grace, o livro do urso e da estrela em cima de uma cômoda branca.Emma tocou o berço.— Você está criando raízes aqui.Alexander ficou perto da porta.— Estou tentando não arrancar as suas.Ela virou-s
Quando chegaram à casa de hóspedes, havia flores na varanda.Não rosas brancas.Não arranjos caros.Flores silvestres em potes de vidro, colocadas por vizinhos que Emma mal conhecia, mas que haviam decidido adotar Grace como bebê oficial da rua principal.Mrs. Avery deixara um bilhete:Para Grace Collins Blackwood: sua carteirinha da biblioteca estará pronta quando conseguir sustentar a cabeça.O padeiro deixara pão fresco.A dona da farmácia deixara chá para amamentação, com uma anotação dizendo “verifique com sua médica, não com a internet”.Emma leu tudo com Grace nos braços e começou a chorar.— Hormônios? — perguntou Hannah, emocionada também.— Talvez — disse Emma. — Ou talvez seja só bonito.Alexander estava alguns passos atrás, segurando a bolsa do hospital e olhando para a varanda como se aquela pequena casa fosse mais imponente do que qualquer mansão que já possuíra.— Eles gostam de você — disse ele.Emma enxugou o rosto.— Acho que gostam dela.— Também. Mas gostam de você
As palavras atingiram Emma com força.Eu sou seu pai.Não herdeiro.Não legado.Não Blackwood.Pai.Alexander continuou, a voz quebrada:— Eu vou errar. Provavelmente muito. Mas vou aprender. E sua mãe... sua mãe é a pessoa mais corajosa que eu conheço. Você vai saber disso todos os dias.Emma virou o rosto para a janela, chorando silenciosamente.Ele não estava falando para impressioná-la.Estava falando com a filha.E, por isso, importava mais.Quando Grace adormeceu nos braços dele, Alexander finalmente olhou para Emma.— Obrigado.Ela estava cansada demais para fingir não entender.— Por ela?— Por ela. Por me deixar estar aqui. Por não ter desistido de si mesma. Por... tudo que não sei dizer sem parecer pequeno.Emma observou o rosto dele.O homem de meses atrás teria tomado aquele momento como posse.Este parecia recebê-lo como presente.— Você foi bem hoje — disse ela.Ele soltou uma risada baixa.— Eu fiquei apavorado.— Eu também.— Você foi extraordinária.— Eu xinguei você.
— Batimentos do bebê estão bons — disse Marissa.Emma fechou os olhos.Batimentos bons.Aquelas duas palavras valiam mais do que qualquer fortuna.— Alexander chegou? — perguntou Emma.Hannah olhou o celular.— Ainda não. Vinte minutos.Emma assentiu, mas o rosto dela se contraiu.Não queria precisar dele.Mas queria.Queria desesperadamente que ele estivesse ali.Olivia chegou primeiro.Entrou no quarto molhada de chuva, cabelo bagunçado, jaleco jogado sobre o braço e olhos cheios de lágrimas.— Eu cheguei — disse, como se tivesse atravessado uma guerra.Emma chorou ao vê-la.— Você veio.— Claro que vim. Eu disse que não perderia minha chance de gritar instruções.Olivia abraçou Emma com cuidado, depois avaliou a situação com olhar clínico.— Você está indo muito bem.— Eu estou morrendo.— Não está. Mas está autorizada a dizer isso.A contração seguinte arrancou um gemido mais forte.Olivia segurou sua mão.— Respira. Isso. Olha para mim. Você consegue.Emma quis dizer que não cons
Alexander.Emma colocou a mão sobre a barriga no instante em que pensou nele.O bebê se mexeu, como se reconhecesse o nome não dito.— Eu sei — murmurou.Hannah, organizando livros na vitrine, olhou por cima do ombro.— Falando com minha funcionária mais jovem?— Com seu futuro cliente mais exigente.— Excelente. Crianças que crescem em livraria têm bom gosto e pouca paciência para gente idiota.Emma sorriu.Lá fora, o céu estava escuro, pesado, ameaçador. A chuva começara fina pela manhã e se transformara em tempestade no meio da tarde. O vidro da vitrine vibrava com o vento. As ruas de Maple Creek brilhavam sob a água, e os poucos pedestres corriam com sacolas sobre a cabeça.— Você deveria ir para casa antes que piore — disse Hannah.Emma olhou para a pilha de notas.— Só vou terminar isso.Hannah virou-se totalmente.— Emma.— O quê?— Você está grávida de quase nove meses, durante uma tempestade, tentando organizar nota fiscal de marcador de página. Em qualquer romance, isso é pr







