Compartilhar

Capítulo 3

Autor: Rafa
last update Data de publicação: 2023-07-14 19:17:46

Por doze anos estive presa em um relacionamento que achava que duraria toda a eternidade e por três anos me vi presa na rotina do meu exaustivo trabalho. Perdi algumas, ou pior, perdi várias apresentações e momentos importantes da vida do meu próprio filho por estar constantemente presa no trabalho fazendo exaustivas horas extras para não deixar nada faltar. Eu sabia que ele ficava magoado com isso, mas ele sempre corria para me abraçar e dizer que estava tudo bem e que o importante era que eu o amava, aquilo apertava meu coração todas às vezes que eu pensava naquilo. Mas eu faria de tudo para mudar aquilo e recompensar meu filho pela minha ausência durante quase 4 anos da vida dele.

Durante aqueles meses eu seguia uma rotina com ele, o levava até a escolinha e depois ia entregar milhares de currículos pela cidade. Minha poupança não duraria tanto tempo, eu precisava mais do que nunca achar um emprego bom e que não me privasse de viver os momentos do meu filho.

No fim da tarde buscava Tom e sempre fazia algo com ele, fosse ir um pouco no parque, ou até mesmo fazer uma pipoca salgada e o ajudar com suas lições de casa.

Nos finais de semana eu o deixava escolher o que queria para comer, segundo ele era melhor ficar em casa e comer da minha comida do que gastar na rua. Meu peito se apertava, pois eu sabia que ele apenas estava evitando me fazer gastar dinheiro para que durasse mais e eu demorasse mais para sair.

Quando recebi a intimação para comparecer ao tribunal, entrei em choque, mas estava confiante. Apenas arrumei Tom e o coloquei no carro, na noite anterior eu havia conversado com ele e explicado o que aconteceria, mas ele apenas sorriu e disse que confiava em mim, que sabia que eu iria ganhar.

— Senhorita Rebecca Clifford, estamos aqui para prosseguir com o pedido que o senhor James Williams fez sobre a guarda de Tom Clifford Williams. — Meu coração batia aceleradamente e minhas mãos suavam frias, eu imaginava de tudo, menos que um dia nós fossemos estar sentado diante de um juiz para decidir quem seria o tutor de Tom. — O mesmo afirma que você está impossibilitada de cuidar do filho de vocês por estar sem trabalho e por isso quer a guarda do menor.

Dois meses haviam se passado desde aquele fatídico dia, mas eu nunca havia imaginado que ter expulsado James de casa iria ferir tanto o seu orgulho que ele recorreria a um tribunal para tirar o MEU filho de mim. A vontade naquele momento era abraçar meu filho e fugir com ele para o mais longe possível, mas eu estava esperançosa que conseguiria a guarda de meu filho, o sorriso fraco de meu advogado me deixava ansiosa, mas ainda tentava me manter calma.

— Certo... Eu... — James mantinha um olhar superior e a única coisa que eu pensava era como eu poderia voar em seu pescoço e estapeá-lo na primeira oportunidade, quando não tivesse nenhuma autoridade nos olhando. Aquele olhar me incomodava, era como se ele estivesse escondendo uma carta na manga. — Eu sei que estou desempregada no momento, mas posso manter meu filho, tenho um carro e a minha casa. Posso vender o carro e encontrarei um emprego o mais rápido possível, manter uma vida confortável para o Tom não será difícil. — Engoli em seco e respirei fundo, dando um sorriso confiante. — Além disso, ainda tenho uma poupança que herdei dos meus pais, apenas ela pode me ajudar a manter o Tom de forma confortável por mais uns seis meses sem um emprego.

— Eu discordo. — James me lançou um olhar debochado e um sorrisinho me fazendo ficar vermelha de raiva, mas eu via a raiva dele fuzilando seu olhar, ele não sabia sobre a herança, foi um acordo que eu havia feito com meus pais anos antes deles morrerem que nunca contaria sobre o dinheiro para que eu tivesse um conforto em caso de emergência. — Eu tenho um trabalho estável no momento, posso cuidar do Tom. Além de que a Rebecca nunca sequer foi há uma única apresentação do meu filho porque vivia no trabalho! Quem não me garante que meu filho não vá ficar sozinho porque ela estava trabalhando até tarde, sabe-se lá no quê?

O olhei incrédula e, ao mesmo tempo, recebi um olhar intimidador do juiz como se estivesse esperando o momento certo para me dar qualquer advertência, eu sabia que os dois eram conhecidos e que no fim eu sairia perdendo daquela audiência. Mas eu precisava tentar, afinal era a guarda do meu filho que estava em jogo! 

— E você James? Você teve um caso com a babá do Tom durante um ano, quem não me garante que você não terá outro casinho e acabará esquecendo meu filho por algum rabo de saia? Não acho que seja saudável meu filho ficar com você e correr o risco de alguém lhe fazer mal com você levando diversas mulheres para dentro de casa. Aliás, Excelência, se me permite, James é um pedófilo, esteve em um relacionamento extraconjugal com uma menor de idade, isso não é cadeia na certa? — Vi o juiz suspirar e olhar James, um resquício de sorriso ousou surgir em meus lábios, mas foi apenas por um milésimo de segundo antes do juiz me olhar novamente.

— Meritíssimo Juiz, tenho algo aqui. — Smith, seu advogado, pigarreou mudando de assunto e entregou uma pasta para o juiz. — A senhorita Clifford não possui provas que meu cliente teve um caso extraconjugal com uma menor de idade, além disso, dentro desta pasta há documentos que constam que um ano atrás, a senhorita Clifford passou a casa para o nome de James Williams e o carro está em nome de Tom Clifford Williams.

— IMPOSSÍVEL! — Arregalei os olhos e me levantei ficando alterada. — Isso é falso, eu nunca passaria a casa que meus pais deixaram para mim para o nome de James! É FALSO!

— Senhorita Clifford, diminua o tom de voz, por favor. — O juiz me olhou rispidamente e entregou os documentos na mão do meu advogado. — O documento é verdadeiro, sua assinatura está aí, como me provará que isso é falso? Você não pode acusar ele sem uma prova concreta.

Enquanto pegava os documentos meus olhos se enchiam de lágrimas, foi só então que a ficha caiu. Não era falso, minha assinatura realmente estava ali. As imagens começaram a rondar a minha mente me deixando zonza, meu advogado colocou a mão no meu ombro e suspirou. 

Tinha sido um golpe e eu só fui perceber naquela hora. Um ano atrás, James disse que eu precisava assinar o papel para o passeio de Tom e eu apenas concordei, sem ao menos ler. Eu estava tão cansada que nem sequer percebi nada, além do papel, estar parcialmente dobrado. Ele havia escolhido muito bem o dia em que eu estaria cansada fisicamente e exausta mentalmente. Devia estar se preparando há dias para "dar o bote".

— Foi um golpe! — Me levantei gesticulando enquanto sentia as lágrimas escorrerem. — James me aplicou um golpe! 

— Posso muito bem processar você por calúnia. Esqueceu que você passou a casa para o meu nome, Becca? — Ao ouvir como ele havia pronunciado meu apelido, apenas me deixei levar pela raiva e parti para cima dele desferindo um tapa em seu rosto.

— Senhorita Clifford! — O juiz berrou e só voltei a mim quando senti as mãos do meu advogado em meu braço me puxando para longe. — Além de desempregada, sem um teto para amparar o filho, ainda é descontrolada! A guarda de Tom Clifford Williams ficará com o pai, James Williams, até segunda ordem!

Minhas pernas bambearam indo direto com o chão gelado da sala de audiência enquanto eu via James e Smith comemorarem. O choro entalou em minha garganta e eu senti que tinha perdido tudo naquele momento. Como Tom ficaria? Como eu pude deixar as coisas saírem do controle daquela forma?

— Tom. — Murmurei me levantando rapidamente e saindo da sala com aquelas pessoas indo direto para a sala de espera onde Tom estava sentado nos esperando. — Tom! — Gritei seu nome assim que o vi, o menino me olhou esperançoso e agitado.

— Mamãe! — Correu em minha direção com um olhar animado, mas ao me ver com lágrimas nos olhos seu semblante se tornou preocupado, tornando aqueles doces olhos em uma carranca de medo. — Mamãe? O... O que aconteceu?

— Eu te amo. — Eu o abracei fortemente enquanto chorava. Meu corpo tremia e minha cabeça girava, a única coisa que pensava era "desculpe, desculpe por falhar. Eu fui uma péssima mãe". — Mamãe irá conseguir sua guarda novamente. — Me afastei um pouco e segurei seu rosto entre as mãos enquanto via seus pequenos olhinhos se encherem de lágrimas. — Não chora, meu amor, a mamãe promete que dará um jeito, huh? Por enquanto você vai ficar com o seu pai, ok?

— Eu quero ficar com você! — Grudou em meu pescoço, começando a chorar desesperadamente. — Mamãe, não quero ficar com o papai! Por favor! Me deixe ficar com você, por favor mamãe, eu quero você.

— Venha Tom. — James o puxou de forma bruta para longe, me fazendo levantar de abrupto.

— Vai machucá-lo seu irresponsável de merda! — O mesmo pegou Tom no colo de qualquer forma e não falou nada, apenas o levando para longe.

— Mamãe! — Tom esticou os braços na minha direção e quando ponderei caminhar até ele, alguns policiais se colocaram na minha frente, evitando com que eu desse um passo.

Eu estava paralisada, não conseguia sentir nada além de uma crescente angústia em meu peito. A imagem de Tom carregado para longe de mim sem eu ao menos poder fazer nada para impedir me fazia pensar o quão impotente eu era. Eu não conseguia me mover, mesmo os policiais me chamando e pedindo para que eu pegasse minhas coisas.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • A Secretária do CEO   Capítulo 67

    Passou-se um tempo desde o nascimento de Sophie, e a vida dos quatro estava mais doce do que nunca. Era um Natal especial, e eles decidiram passá-lo na casa de campo de Edward, longe da agitação da cidade, longe dos fogos de artifício. A atmosfera calma e tranquila da zona rural era o cenário perfeito para umas festas de fim de ano memoráveis. — Tom, não fique jogando até tarde, daqui a pouco terá a ceia e poderemos abrir os presente. — Rebecca se aproximou do filho e acariciou os seus cabelos. — Mamãe, a Sophie também ganhará presente? — Tom desviou o olhar da TV e olhou a mãe com curiosidade. — Ainda não, príncipe. — Rebecca disse com calma enquanto sorria para o filho. — Sophie ainda é pequena, ela não pode brincar com brinquedos. Mas quando ela tiver idade o suficiente, você pode dividir os seus com ela, e até mesmo escolher brinquedos só para ela. — Eu vou comprar um monte de ursinhos para ela! — Tom disse animado e então voltou a atenção para o videogame. — Mamãe, posso jogar

  • A Secretária do CEO   Capítulo 66

    Rebecca ficaria pouco tempo no hospital por ser um parto normal e hoje seria o dia de finalmente sair, mas durante todos aqueles dias lá, Edward foi ainda mais atencioso do que o normal dele. Ele a ajudou a tomar banho, se vestir, qualquer esforço ele que fazia para não cansá-la, ajudava a ninar a bebê e a permitia dormir e descansar o quanto fosse necessário. A loira se sentiu extremamente aliviada por aquilo, em sua primeira gravidez, James a deixou sozinha e ela teve que se virar sozinha, e apesar de ter conseguido lidar sozinha, tinha ficado cansada e se sentia constantemente uma péssima mãe para Tom. — Será que Tom sentirá ciúmes? — Rebecca perguntou enquanto alimentava Sophie. — Sinto medo dele não se sentir amado, ou sentir que estamos dando atenção apenas para Sophie, eu e ele sempre fomos muito apegados, não poder dar colo para ele por estar amamentando a bebê, talvez o deixe triste. — Amor, o Tom entende isso. E você não deixará de amá-lo. — Edward se sentou na poltrona ao

  • A Secretária do CEO   Capítulo 65

    — O que acha de passarmos o natal com a família naquela sua casa de campo? — Rebecca perguntou se sentando na cama com certa dificuldade devido à barriga e as dores nas costas e nos pés. — Claro! Até lá nossa pequena Sophie terá nascido. — Edward disse com um sorriso encantador enquanto se ajoelhava em frente a sua esposa com delicadeza para ajudá-la a tirar os sapatos de salto baixo. — Seu pé está inchado, amor. — Edward suspirou olhando Rebecca. — Eu disse para você não usar salto, se não iria se esforçar demais. — Está tudo bem, amor. — Rebecca deu uma leve risada. — O importante é que nosso casamento foi maravilhoso e deu tudo certo. — Mesma assim. — Edward bufou se levantando. — Vou esquentar uma água e chamar Tom para me ajudar a fazer massagem em seus pés. E nem pense em negar! — Tudo bem, tudo bem. — Rebecca balançou a cabeça e respirou fundo enquanto encarava a barriga e Edward saia do quarto indo em direção ao quarto de Tom. — Seu papai é um homem muito mandão e coruja, p

  • A Secretária do CEO   Capítulo 64

    Dois meses haviam se passado desde o alegre chá de bebê, e agora, Rebecca estava no seu oitavo mês de gravidez. Sua barriga estava visivelmente maior, e o peso já começava a deixá-la cansada, os pés inchados e a sensibilidade maior, coisa que deixava Edward ainda mais apaixonado. O tempo voou desde que Edward a pediu em casamento, e agora, o dia do casamento havia chegado. O casal estava animado e ansioso para começar a próxima fase de suas vidas juntos. A manhã do casamento começou com um céu claro e um sol radiante. Rebecca acordou com um sorriso, sentindo o bebê chutar em sua barriga. Ela acariciou sua barriga carinhosamente e pensou no que o futuro reservava para eles. Estava feliz por estar em um relacionamento amoroso, e por mais que eles tivesse há um pouco mais de um ano juntos, tudo o que tinham construído até aquele momento não chegavam aos pés do que Rebecca teve em seu antigo relacionamento. Enquanto Rebecca se preparava para o grande dia, Edward estava ocupado ajustando

  • A Secretária do CEO   Capítulo 63

    A casa de Edward e Rebecca estava cheia de expectativa naquela ensolarada tarde de primavera. O casal aguardava ansiosamente o chá revelação que haviam planejado com tanto carinho, um momento que compartilhariam com familiares e amigos mais próximos. Edward estava diante de um espelho, ajustando a camisa de botões de linho azul-clara que realçava seus olhos. Seu olhar refletia a ansiedade que sentia, misturada com uma pitada de excitação. Ele imaginava como seria ser pai de uma menina, embora também tivesse uma queda por ter outro filho com quem pudesse compartilhar as atividades de pai e filho. Rebecca, por outro lado, circulava pela casa com seu vestido longo e fluído cor-de-rosa, destacando sua figura grávida. Seus cabelos dourados caíam em ondas suaves, realçando sua beleza natural. Ela estava radiante, com um sorriso que iluminava o ambiente. Sua barriga, com seis meses de gestação, era uma demonstração visível do milagre da vida que crescia dentro dela. — Você acha que vai ser

  • A Secretária do CEO   Capítulo 62

    — Não podemos sair assim. — Disse Rebecca com a voz falha. — Pare de ser teimosa, amor. — Edward suspirou cansado. — Pega seus documentos, vou avisar o pessoal lá fora. — Edward encarou a mesma e quando ela pensou em retrucar, o mesmo fez uma careta. — Nosso filho e a sua saúde em primeiro lugar. Vou pedir para Arthur cuidar de Tom e tirar a doida da Elizabeth daqui. Edward saiu do quarto irritado com sua mãe, estava pronto para xingá-la quando Tom correu até ele preocupado. — Papai, a mamãe está bem? — Tom estava com os olhos marejados de preocupação, aquilo fez a irritação de Edward diminuir, ele não queria assustar o pequeno. — Papai?! — Elizabeth repetiu a palavra com desdem e nojo carregados em sua voz e expressão. — Aquela desgraçada tem um filho? — Caminhou até Edward apontando o dedo para Tom, que ficou assustado. — Ela tem um filho e você o aceitou?! Eu não te criei assim! — JÁ CHEGA ELIZABETH! — Edward gritou assustando a mãe e a todos naquela casa. — Tom é meu filho,

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status