LOGINAluna exemplar de dia, camgirl à noite. À primeira vista, Iris Williams tem tudo: inteligência, beleza, uma bolsa de estudos e uma reputação limpa e respeitável na Hawthorne College. Mas, à noite, ela se transforma na Musa Mascarada, uma camgirl que faz transmissões para um misterioso benfeitor cujos generosos pagamentos a ajudam a se manter… e despertam um desejo perigoso em seu coração. Iris ouve por acaso Caleb Sterling —o garoto de ouro e playboy da Hawthorne— falando sobre a cruel aposta que fez com o namorado dela para sair com ela. Naquele instante, todos os sentimentos que ela tinha por ele se despedaçam. Ela jamais esperava encontrar Dmitri, o tio de Caleb e o frio, porém fascinante, professor do campus, muito menos revelar acidentalmente sua outra identidade. Mortificada, ela foge, mas aquele momento muda tudo. Porque logo descobre que o professor frio e enigmático diante dela é justamente o benfeitor com quem vinha fantasiando.
View MoreIris
— Então, Caleb, e a aposta? Já conseguiu pegar aquela metidinha?
Aquelas palavras me paralisaram no corredor. Uma luz escapava pela fresta da porta do auditório, onde ele e os amigos estavam, enquanto o restante da sala de aula permanecia vazio. Meros segundos atrás, eu estava prestes a entrar e anunciar minha presença.
Agora, eu permanecia imóvel do lado de fora da porta da sala vazia, escondida pelo batente entreaberto.
A risada familiar de Caleb ecoou.
— Ainda estou trabalhando nisso, cara. Mas confia em mim, ela está quase lá. Essas alunas de honra bancam as metidas, mas são as mais fáceis quando você consegue quebrá-las.
Mais risadas surgiram, seguidas de assobios e gritos. Meu estômago se revirou com aquelas palavras. Prendi a respiração enquanto me aproximava, o coração disparado.
— Caralho, você trabalha rápido. Acho que nem a “princesa de gelo” é páreo para você. Mas não se esqueça: cinco mil ainda estão na mesa se você realmente fizer Iris Williams abrir as pernas — disse outra voz, com diversão escorrendo de cada palavra. — A maioria de nós achou que você já teria fracassado a essa altura. Ela vem se fazendo de difícil há anos.
— Difícil? Por favor. — Caleb bufou. — Ela é chata pra caralho. Rosto bonito, corpo gostoso, mas sem fogo nenhum. Com todo aquele mistério, ela é chata pra porra. Se não fosse pela aposta, eu diria que ela não vale a pena. Juro, metade do tempo que passo com ela fico pensando em como seria muito mais fácil pegar uma garota qualquer numa festa de fraternidade. Pelo menos elas sabem gemer direito.
As risadas explodiram dentro da sala. Meus dedos apertaram a alça da minha bolsa até os nós dos dedos doerem.
Aquele apelido me perseguia, em diferentes versões, havia três anos, desde que entrei na Universidade de Hawthorne. Como bolsista em período integral numa universidade da Ivy League cheia de elites, eu não tinha ilusões sobre meus objetivos. Eu estudava muito, tentando ser uma aluna de honra, e mantinha distância das pessoas, exceto quando necessário. Isso, aparentemente, era considerado uma ofensa por aqueles que me achavam arrogante, rendendo-me diversos apelidos. Eu ignorava todos.
Então Caleb Sterling, o playboy garoto de ouro de Hawthorne, entrou na minha vida. Apesar de estarmos no mesmo ano, a vida dele era completamente diferente da minha. Ele era um garoto rico, nascido na influente família Sterling e, desde o início, estava no topo da cadeia alimentar. Ele começou a me perseguir dois anos atrás, e eu nunca lhe dei a mínima atenção. Recentemente, porém, ele pareceu mudar, deixando de andar cercado de garotas. Muitos ficaram surpresos, e rumores se espalharam de que ele tinha mudado, de que o garoto mau finalmente estava sendo domado pela garota boa. Muitos até afirmavam que ele ficava de coração partido a cada rejeição.
Apesar da minha indiferença em relação à opinião pública, eu acreditei neles, e a culpa começou a se infiltrar em mim. Foi por isso que, depois de dois anos ignorando suas investidas antes arrogantes, finalmente deixei que ele se aproximasse.
Eu tinha ido surpreendê-lo depois da última aula dele. Ele vinha me mandando mensagens a manhã inteira, insistindo para sairmos e dizendo que queria me levar para um encontro à noite. Depois de dias recusando, organizei minha agenda para hoje, resolvendo todas as minhas tarefas e obrigações, só para surpreendê-lo com um encontro. No fim, fui eu quem acabou sendo surpreendida.
Que surpresa, de fato.
Uma decepção amarga se instalou pesadamente no meu peito. Não era um coração partido. Eu não deixava mais ninguém se aproximar o suficiente para isso. Mal estávamos namorando havia um mês, e eu era cautelosa demais para me jogar de cabeça em tudo.
Mas eu tinha considerado. Naquela noite, a caminho de surpreendê-lo, decidi que aquela seria a noite em que eu baixaria a guarda com Caleb. Depois de tudo o que tinha passado, eu queria acreditar que havia algo bom na minha vida. Que alguém me via como mais do que a “princesa de gelo”, a bolsista mestiça de Hawthorne.
Acontece que eu era apenas uma aposta. Uma piada.
— E pensar que ela se acha a rainha do gelo. — A voz que reconheci como a de Brayden, o capanga de Caleb, falou. — Eu nunca consegui suportá-la, de qualquer jeito. Toda aquela arrogância, quando ela está tão fora da nossa liga. Caralho, mal posso esperar para ver a cara dela quando você terminar com ela.
— Tanto faz — Caleb continuou, com a voz preguiçosa e arrogante. — Vou pegá-la logo. Aí eu recebo o dinheiro e sigo em frente. Ela nem vale a pena manter por perto depois disso.
Eu já tinha ouvido o suficiente.
Virei-me, mantendo meus passos silenciosos e controlados. Duvidava que eles os notassem, de qualquer forma. As risadas ecoando provavam isso.
Eu me sentia entorpecida e fria, com tudo dentro de mim em carne viva e ardendo, mas era só isso.
Meu coração não se despedaçou. Ele apenas ficou mais frio. Mais duro. Eu tinha sobrevivido a coisas piores do que o jogo cruel de um garoto rico. Sobreviveria a isso também.
Era bom ter descoberto a verdade e, como sempre, eu cortaria minhas perdas cedo.
O caminho até a saída estava próximo quando meu celular vibrou em minha mão, e um som familiar chegou aos meus ouvidos. Ao pegá-lo, vi na tela uma notificação sobre minha transmissão ao vivo programada para aquela noite. O lembrete se instalou dentro de mim como um peso.
Vários dias antes, eu também havia me sentido culpada por essa parte da minha vida por causa dele. Eu nunca misturava negócios com minha vida pessoal, mas a ideia de continuar enquanto Caleb era bom para mim parecia errada. Por um breve momento, eu até tinha pensado em parar.
Agora, zombei internamente dessa ideia.
Respirando fundo, avancei para silenciá-lo enquanto dobrava a esquina em direção à saída do prédio, quando colidi com uma parede sólida.
Tropecei para trás com o impacto, meu celular voando da minha mão antes de eu ouvi-lo bater no chão de azulejos. Antes que eu pudesse cair, recuperei o equilíbrio rapidamente, percebendo pelas pernas à minha frente que eu não tinha batido em uma parede, mas em uma pessoa.
— Desculpe, eu não—
As palavras morreram na minha garganta quando ergui os olhos.
Ele era alto. Impossivelmente alto. Maçãs do rosto marcadas, cabelos pretos perfeitamente arrumados e olhos cinzentos que pareciam cortar direto através de mim. Eu o reconheci imediatamente.
Dmitri Sterling, o professor de Literatura da Universidade de Hawthorne.
Ele também era tio de Caleb.
Sua reputação o precedia de muitas maneiras. Ele não era apenas um dos professores mais jovens de toda a universidade, como também era absurdamente rico por ser membro da prestigiosa família Sterling. Rumores diziam que ele estava destinado a assumir o império da família, mas escolhera deixá-lo para trás, seguindo a carreira acadêmica e, por fim, vindo parar ali para lecionar. Eu não sabia o quanto disso era verdade — duvidava que alguém soubesse. De qualquer forma, o nome dele já bastava.
Mas o principal motivo pelo qual todos o conheciam era muito mais simples. Porque ele era gostoso. Gostoso de um jeito que deixava as garotas — e alguns garotos — idiotas, enquanto o restante ficava fervendo de inveja. Todo mundo, independentemente da idade, já tinha fantasiado com ele pelo menos uma vez. As garotas praticamente lotavam suas aulas, independentemente do curso, só para poder olhar para ele.
Eu não era uma dessas pessoas. Administração não tinha nada a ver com Literatura, e eu mantinha minhas disciplinas eletivas práticas, sem deixar espaço para encontros. Eu só o tinha visto indiretamente, fosse de longe ou pelos fóruns que minha colega de quarto enfiava na minha cara em meio aos seus ataques de fangirl. Aquela era a primeira vez que eu realmente tinha contato com ele.
Vendo-o de perto, agora eu conseguia entender todos os elogios. As fotos não faziam justiça a ele. Ele era DEVASTADOR. O tipo de bonito que fazia sua respiração falhar, querendo você ou não. Mesmo sob as luzes fracas do corredor, ele parecia uma obra de arte. Caleb era conhecido pelo rosto bonito, mas Dmitri era muito mais bonito. Ele era…
Ele estava olhando para baixo?
No meio do meu exame descarado, percebi tarde demais que ele não estava respondendo. Nem sequer estava olhando para mim. Por quê?
Franzi a testa e segui seu olhar. Então meu sangue gelou.
Meu celular, que acabara de cair, estava virado para cima entre nós, a tela ainda brilhando intensamente. Como um farol enfraquecendo, a página inicial de uma plataforma de camgirls encarava nós dois.
IrisRespirando fundo, eu me preparei.Após pensar um pouco durante o planejamento, eu agendei a transmissão ao vivo para sábado, apenas um dia depois. Fazia todo o sentido, já que as minhas contas já estavam no vermelho e isso coincidia com a minha rotina normal.Agora, a hora estava se aproximando.Respirei fundo e lutei contra a vontade de me mexer inquieta, meu pulso batendo em ondas.A transmissão ao vivo em si não era difícil. Depois de anos, eu estava acostumada com os movimentos, mas me sentia nervosa. O primeiro motivo era o mais óbvio, o efeito que a minha ausência havia causado e o fato de eu não fazer isso há um bom tempo.
IrisAh.Merda.Meu rosto desabou, e minha mente ficou completamente em branco de choque. Agora eu entendia por que ela estava daquele jeito.A expressão no meu rosto devia estar mais do que evidente. Jean recuou, cobrindo o rosto com as mãos e soltando um gemido agudo.— Eu sinto muito pra caralho. — Ela choramingou. — É oficial, eu sou a pior. Por favor, não me mata. Eu mesma já estou pensando em fazer isso.O choque passou, e eu olhei para ela. Ela estava genuinamente angustiada com aquela situação. Respirei fundo e dei um leve toque nela.
IrisFiquei encarando o espaço vazio do teto do meu quarto no dormitório, completamente perdida.Passei pelo restante das aulas da manhã à base de pura força de vontade antes de voltar para o dormitório no meio da tarde. Jean ainda não tinha voltado, e eu não teria aula por mais algumas horas.O que, infelizmente, me deixava com tempo de sobra para pensar.Ergui a mão até o campo de visão, segurando o objeto que ele havia colocado discretamente em minhas mãos. O cartão preto e brilhante se destacava contra o teto, refletindo a luz do sol da tarde. As letras douradas gravadas nele fizeram meu estômago se revirar.
DmitriOs grandes da literatura teriam sua própria perspectiva sobre eventos semelhantes a este. Alguns chamariam de reviravolta do destino. Alguns acreditariam ser uma comédia de erros e outros, um presságio de tragédia.Mas Deus me ajude, por todo o meu amor pela arte, eu não estava me fodendo nem um pouco para o que os grandes pensavam.Um bom homem teria recuado de horror diante das circunstâncias e tentado escapar, deletando sua conta e renunciando a toda obsessão por sensibilidade moral. Um professor de verdade teria entendido o conflito de interesses e rejeitado a inscrição ou reatribuído as turmas para manter distância. Um homem mais culpado teria escondido sua identidade, forçando-se a enfrentá-la como professor enquanto mantinha o anonimato






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