FAZER LOGINLucretia foi ajudada a se levantar por uma ômega, que tinha uma toalha em mãos e a cobriu mais. Assim, ela não se sentiu tão mal ao sair daquela sala, dando as costas para aqueles machos.
Por um momento, Lucretia pensou que talvez as coisas poderiam não ser tão ruins. Se ela ao menos conseguisse falar com Rhys, ela talvez pudesse convencê-lo de que ela não era uma ameaça! E que ele definitivamente não precisava puni-la. Ela nem mesmo queria ficar no bando dela, ela estava apenas de passagem!
Enquanto andava, Lucretia percebeu que a packhouse deles era imensa. Ela virava e virava em corredores, até chegar a um salão mais amplo e lá havia uma escadaria que se bifurcava no topo.
“Pelo menos esse bruto tem bom gosto”, ela disse a si mesma. O candelabro no meio do grande salão era proporcional ao tamanho do ambiente e, Lucretia apostaria, era feito de cristal. “E também gosta de ostentar!”
[“Talvez já estivesse aqui quando ele nasceu. A mãe dele está viva ainda, não?”]
Pelo que Lucretia sabia, sim, Kaya Jarsdel estava viva, ainda. Ela não foi morta no ataque.
— Senhorita, por favor, por aqui. — A ômega que havia lhe entregado a toalha disse, suavemente.
— Pra que essa delicadeza? Não vê que ela não é uma convidada? — a outra, que se manteve calada até o momento, finalmente falou, revirando os olhos. — Ela não passa de uma escrava. Está até mesmo abaixo de nós!
Lucretia não gostou do que ouviu.
— Eu não sou escrava. — Ela negou. — O Alfa vai conversar comigo e vamos resolver esse… mau-entendido.
A segunda ômega soltou uma risada da desdém e olhou por sobre o ombro, para Lucretia.
— Vocês mataram o nosso Alfa. Causaram a morte de muitos membros desse bando, incluindo o meu irmão mais velho. — O semblante dela mudou na mesma hora. — O Alfa é digno e leal. Ele não deixaria que alguém como você saísse ilesa! Agora anda logo!
Ela estalou os dedos e acelerou o passo. Lucretia queria retrucar, porém, achou mais inteligente ficar calada. Não a ajudaria em nada arranjar uma confusão com um membro do bando. Até então, a única transgressão dela foi pisar no território sem permissão, nada mais. Ela não machucou ninguém — pelo contrário — e era melhor que as coisas continuassem assim, se ela tinha qualquer intenção de sair viva daquele bando!
Ao chegarem a um quarto, Lucretia percebeu que era minimalista, mas não era um quarto realmente simples. A mobília era bonita, escura, e as roupas de cama ela nem mesmo precisava tocar para saber que tinham qualidade.
— O banheiro fica ali. Você tem meia-hora para se lavar! — a ômega desagradável disse, como se estivesse dando ordens. — Quando voltarmos com as suas roupas, vista-as e a levaremos ao quarto do Alfa!
Lucretia apertou os dedos contra as palmas das mãos, sentindo as unhas machucando a pele, mas ofereceu um sorriso educado. A ômega a olhou com desprezo e saiu. A outra a olhou com pena, suspirou, e saiu correndo.
Sozinha no quarto, Lucretia primeiro olhou as janelas e não havia jeito de sair. Não quando lá embaixo havia dois lobisomens fazendo guarda, bem debaixo de onde era aquele quarto. Ela amaldiçoou internamente e olhou para o banheiro.
O estado de Lucretia não era o melhor, então, um banho não seria nada mal. Uma vez que a água quente tocou em sua pele, ela sorriu e queria ficar ali por mais tempo, mas lembrou-se do que a ômega tinha dito: meia-hora.
Assim que saiu, enrolada em uma toalha, enquanto com outra secava os cabelos, Lucretia viu o que parecia ser um conjunto de roupas e uma bota de cano longo. Ela levou um susto, afinal, aquele calçado não era muito comum, ainda mais acima dos joelhos!
Ao se aproximar da cama, Lucretia deixou a toalha em suas mãos cair. O que era aquilo?! Ela pegou o primeiro pedaço de pano — literalmente, um pedaço. Ela não conseguia aceitar que aquilo era um top! — e abriu a boca, virando a roupa, como se aquilo fosse mudar alguma coisa.
O próximo pedaço era similar, mas claramente uma saia. Não era nem um pouco melhor. Além de curta ao ponto de provavelmente não cobrir o importante, ainda era aberta dos lados, com cadarços cruzados. Lucretia engoliu em seco. Ela colocou as roupas de lado e foi até a porta e tentou abri-la. Trancada. Ela puxou novamente.
— A senhorita já se trocou? — a ômega perguntou. Lucretia queria xingar, mas respirou fundo e contou até dez.
— Eu acho que tem um problema com a roupa. — Lucretia disse e ouviu a chave sendo girada. Ela se afastou e a ômega entrou.
— E qual é o problema?
Lucretia andou até a cama e pegou a roupa, sacudindo-a.
— Não posso vestir isso aqui. Não cobre nada!
A ômega cruzou os braços na frente do corpo, olhando-a com deboche.
— Então está perfeita. Foi escolhida pelo próprio Alfa. Você não vai querer desobedecer, vai? Ou prefere ir reclamar com ele? Agora?
Lucretia apertou os lábios, segurando todas as palavras “feias” que ela queria dizer.
— Se quer um conselho, e veja como eu estou sendo generosa: não desafie o Alfa. Se você acha que tem qualquer chance de viver, aqui, é melhor fazer o que ele manda. — Ela apontou para a roupa. — Isso não é nada comparado ao que a sua família deve.
A ômega virou-se para sair e parou com a mão na maçaneta.
— Assim que colocar a roupa, bata aqui e vamos te levar até o Alfa.
Lucretia assim o fez e, poucos minutos depois, estava puxando a saia para baixo, mas não tinha jeito: ela não cobria o que deveria!
“Que humilhação!”
indo até a porta, ela fez o que foi mandado e, como dito, foi levada ao Alfa. O quarto dele ficava no andar de cima. Elas pararam em frente à porta dupla. A ômega bateu ali e esperou pela autorização do Alfa.
— Anda, entra! — ela rosnou para Lucretia, que fechou os olhos e entrou. Não havia ninguém à vista, mas a porta do banheiro estava aberta e a luz ligada. Ela limpou a garganta.
Nenhuma resposta, mas pelos pequenos sons, ela sabia que o Alfa tinha ouvido muito bem. Ele não demorou a aparecer, porém, estava vestindo apenas um roupão, e nem bem fechado este estava. Lucretia virou o rosto, constrangida.
Enquanto Lucretia evitava olhar para ele, Rhys não fazia o mesmo. A intenção dele era, como Lucretia bem sabia, humilhar a lobisomem. Ele queria que ela se sentisse no fundo do poço, abaixo de qualquer um no bando. No entanto, ao ver o corpo dela, o dele próprio começou a reagir. Ela era, em outras palavras, fisicamente perfeita para ele: a cintura fina, com uma bela comissão de frente, os quadris mais largos, ideais para atividades que não paravam de aparecer na mente dele. E algo que Rhys nunca notou muito em fêmeas, mas Lucretia tinha os tornozelos delicados. Tudo em absoluta harmonia.
Mesmo olhando para o lado, ele podia ver o desenho da boca dela, levemente cheia, como se fizesse um constante biquinho natural. Os cabelos estavam úmidos, penteados de maneira simples, mas davam a ela um charme impressionante.
[“Cara, ela é gostosa!”], Embry disse, assobiando dentro da cabeça de Rhys. [“A loba dela é linda… Eu acho que tô apaixonado!”]
[“Pode tirar esse tipo de ideia dessa sua cabecinha, Embry. Ela é a nossa inimiga. Esqueceu?”]
[“Inimiga? Mas… não significa que não podemos passar um bom tempo com ela… qual é Rhys?! Olha só pra ela! E nem vem me dizer que você não gosta do que vê, porque você tá mais duro do que uma rocha!”]
Rhys o mandou se calar e o empurrou para o fundo da mente. Tudo bem, ele admitiria que ela o deixava… inquieto, mas isso não era nada!
— O que faz parada aí? Vá preparar o meu banho! — Rhys rosnou e Lucretia assentiu de má-vontade. O pé dela ainda não tinha se recuperado dos machucados que ela adquiriu enquanto fugia. Por isso, mancava um pouco. Ela se recusava a expressar dor. Não na frente daquele lobo.
Ela foi até o banheiro, passando por Rhys, que inspirou discretamente o perfume do corpo de Lucretia. Ela moveu o pescoço de um lado para o outro, como se afrouxasse uma gravata invisível.
Ela se abaixou e começou a encher o restante da banheira, acertando a temperatura da água. Sem esperar, ele apareceu e tirou o roupão. Lucretia fechou os olhos, sem ver nada e suspirou aliviada. Após ouvir o corpo dele entrando na água, ela resolveu levantar e sair dali.
O problema foi o ferimento no pé. Assim que o pé dela tocou no chão, a dor irradiou para cima e a fez perder o equilíbrio. Lucretia não teve tempo de pensar rápido, ela simplesmente caiu. A água inundou o rosto dela imediatamente.
Uma das mãos dela segurou-se na beirada da banheira, mas a outra… algo quente, macio e duro ao mesmo tempo… Lucretia abriu os olhos e ela estava com o corpo colado ao de Rhys, e a mão dela estava no…
— Quanto tempo mais vai ficar me tocando? — ele perguntou com a voz fria.
Mesmo na pouca iluminação, era possível ver as manchas que brilhavam contra a luz que entrava pela porta. As manchas estavam em todos os lugares, até mesmo no teto. — Como isso aconteceu? — Rhys perguntou. O corpo de Jamil estava a um canto, ou o que parecia ser os restos dele. Alguns membros da parte legista estavam ali. — Alfa, não temos ideia. Ninguém entrou ou saiu daqui, exceto para entregar a comida. E nem mesmo entra na cela para isso — Martin respondeu, seriamente. — Invadiram como fizeram quando ajudaram Jeane Bellanti a fugir. Não há sinais de arrombamento, nada. Rhys mostrou os dentes, sem emitir qualquer som. Ele não conseguia acreditar que ainda estavam usando magia contra eles. Só podia ser magia. Como alguém entraria ali sem isso? Ninguém é invisível. E se a porta fosse aberta, um dos guardas teria visto. — E o que os guardas disseram? Não sentiram o cheiro de sangue? — ele perguntou, então, apontou para o entorno. — Isso aqui não aconteceu em um segundo. Martin so
— Você quer mesmo ajudar? — ela perguntou e viu que ele ficou surpreso, mas logo, algo se acendeu nos olhos de Ben. — Sim! Eu quero! Só precisa me dizer o que quer que eu faça!Lucretia assentiu. — Muito bem. Vamos nos sentar em algum lugar para conversar. Mais tarde, quando Rhys voltou para o quarto, cansado, ele viu Lucretia muito tranquila. Ao mesmo tempo que ele achava isso ótimo, havia alguma coisa nela que estava diferente. Ele aproximou-se e a abraçou, beijando-lhe a testa. Lucretia fechou os olhos e inspirou fundo, sorrindo, pois o cheiro de Rhys a deixava tão confortável! — O que a minha adorável esposa andou fazendo? Lucretia levantou as duas sobrancelhas e se afastou um pouco, encarando o marido que estava de pé. — Fala como se eu estivesse aprontando algo. Rhys colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha dela. — Ah, mas eu sei que está. Você está com um olhar… — ele sorriu. — Se não quer me contar, tudo bem. Mas admita. Lucretia revirou os olhos. — Talvez eu est
Lucretia estava no quarto, lendo um pouco para espairecer. Ela não tinha muita vontade naquele momento de fazer nada, sentia-se exausta. Rhys a proibiu de ir atrás de Jeane, ou de Deidra, o que a deixou ainda mais para baixo. Segundo ele, ela precisava descansar. Mas Lucretia sabia que agora que eles haviam confirmado que ela era a predestinada dele, Rhys ficaria ainda mais protetor. Ela sorriu de leve e tocou a marca no pescoço. Dessa vez, não havia sumido e ela sabia que não sumiria nunca mais. Lucretia fechou os olhos e deixou-se relembrar aquele momento em que ouviram os lobos se reconhecendo, porém, alguém bateu na porta e a trouxe de volta à realidade. — Luna, tem uma visita para a senhora. — A voz de uma ômega soou do outro lado da porta. — E quem é? — O senhor Ben Duran. Lucretia franziu a testa. O que Ben ainda queria? Ele tinha sido libertado, e mandado de volta para o LongFang. Corrado não o expulsou do território, deixando-o continuar ali, mais afastado, como um ômeg
— Quem tá aí? — ela perguntou, com a voz rouca, fraca, e arranhando. A sensação era de um resfriado que se prolongava e deixava aquela secura inconveniente. Deidra queria levar a mão à garganta, mas não conseguiu. Estavam presas. — Quem tá aí?! Eu quero ir embora! Deidra estava apavorada. Onde ela estava e quem a tinha levado até ali? — Eu só quero ir embora, okay? Seja lá o que você quiser, podemos negociar. Meu marido é um Alfa! Ter casado com Kolby tinha que servir para alguma coisa. No entanto, uma risada estridente a fez sentir suas esperanças estilhaçando-se. — Parece que a minha querida filha não consegue nem mesmo sentir o meu cheiro! A própria mãe!Os olhos de Deidra se arregalaram e ela olhou com mais afinco para onde tinha ouvido o som, como se isso a fosse fazer enxergar melhor. — M-Mãe? — ela perguntou e então, sacudiu-se, querendo soltar-se. — Por que estou presa? Me tira daqui! Jeanie apareceu das sombras, no entanto, ela não parecia exatamente com ela mesma. Seus
Rhys estava furioso. Primeiro, Jeane, e agora, Deidra. Para ele, era evidente que as duas estavam juntas. Segundo o Alfa Sheffer, a jovem estava adormecida quando a mãe foi levada, o que significava que havia ou voltado para pegar a filha, ou alguém a moveu.— Não há qualquer sinal delas dentro do nosso território, até agora — Martin falou e soltou um suspiro. — Ninguém vira poeira desse jeito! — E Jamil ainda permanece onde estava, do mesmo jeito. Os guardas disseram que ele não se move, não fala. — Lucretia cruzou os braços e apoiou-se na mesa com o quadril. — Não acredito que ele não saiba de nada. Todos os que foram à julgamento na Reunião, incluindo Ben, tiveram uma conversa com Rhys. Porém, sem qualquer bom resultado. O pai de Lucretia já havia partido para o LongFang e tinha dado as ordens para que Jeane e Deidra fossem procuradas por lá, também. Corrado Bellanti sentia uma vergonha absurda, pois não só tinha sido feito de idiota, mas por uma bruxa, o que piorava tudo. Se o
— Ei! — Garret reclamou, mas Martin lhes deu um olhar de quem sabia o que estava falando. — Nunca se sabe quem está ouvindo. Por isso, é melhor vocês manterem a boquinha fechada. Agora, levantem esses rabos preguiçosos e vamos colocar esses corpos para funcionar! Os três soltaram um muxoxo, mas seguiram Martin até onde Larry e Barry estavam. Kolby andava de um lado para o outro. Deidra estava dormindo, em um sono que não parecia normal. Desde que ele chegou no dia anterior, ela não acordou. Imaginou que ela estivesse tendo um dia difícil, afinal, a mãe dela tinha sido presa. E isso porque ainda nem sabia que a mulher seria sentenciada à morte — ele não tinha ideia de que Jeane tinha fugido. Agora, Deidra continuava a dormir. Já era quase hora do almoço e não havia qualquer sinal de movimento. Ela permanecia no mesmo lugar, na mesma posição. Ele verificou o corpo dela, e não parecia ter nada de errado. Ela respirava, de maneira calma, realmente como se estivesse apenas cochilando







