FAZER LOGINLucretia demorou ainda alguns segundos para que seu corpo reagisse. Ela estava olhando para Rhys, absorta naqueles olhos incrivelmente azuis. Ele levantou uma sobrancelha e ela moveu-se, porém, sua mão escorregou e ela ia enfiar o rosto na água, não fosse o Alfa segurando-a pelos ombros.
A garganta dele subiu e desceu enquanto engolia a saliva, tentando se controlar. Aquela fêmea estava testando todos os sentidos e controle dele! Com um empurrão forte, Rhys tirou Lucretia de cima dele. Ela caiu no chão, mas não se machucou. — Fora daqui. — Rhys rosnou e ela não esperou por uma segunda ordem, engatinhando como pôde para fora do banheiro. Lucretia só conseguiu respirar quando a porta do banheiro se fechou. “Minha Selene!”, ela exclamou internamente. [“Ele é bonito…”], Kali comentou, fingindo indiferença. [“Pode tirar qualquer esperança desse seu coco vazio, Kali. Rhys Jarsdel é o nosso algoz. Ele vai acabar conosco se pensar que estamos tentando seduzí-lo!”] [“Ora, mas eu não disse nada…”] Lucretia conhecia Kali muito bem. Ela nunca foi muito ligada ao lobo de Kolby, e mais de uma vez, disse que ele não era bom o suficiente. Mas Lucretia estava apaixonada e imaginou que, uma vez que ele a mordesse e marcasse, Kali e Jax, o lobo do ex-noivo, se entenderiam e seriam felizes. Como ela seria com Kolby. Ela queria rir de si mesma. Lucretia olhou em volta. Ela estava vestida como uma prostituta barata, ferida e humilhada, no território inimigo. E tudo porque confiou na pessoa errada! [“Acha que eles virão atrás de nós?”], Kali perguntou. [“Digo, o seu pai e os outros membros de alto ranking do bando?”] [“Sim. Eu sou a herdeira Alfa. Estou sumida… não creio que Rhys irá manter o meu paradeiro em segredo por muito tempo. Vai querer nos usar como isca.”] E aquilo machucava Lucretia. Ela poderia ser a causa da destruição de todo o clã dela. Não… não era ela. Era Kolby! Ele queria tomar tudo para ele e, para isso, pisou em Lucretia. Claro, ele queria tudo, menos ela. Dentro do banheiro, Rhys estava inquieto. A mão de Lucretia chegou muito perto da intimidade dele e… e ele gostou. Normalmente, ele se mantinha distante das fêmeas. Raramente procurava alguma. Preferia se manter mais focado no bando e nas necessidades internas do que em procurar romance ou problema — algumas fêmeas não entendiam o “apenas uma noite” e buscavam acasalar. Se fosse outra, ele teria sido muito mais incisivo, porém, lhe custou empurrar Lucretia, quando o que ele queria era puxá-la para si. [“Você está atraído por ela…”], Embry comentou. [“Eu gosto da loba dela. É… interessante.”] Rhys fechou os olhos e deslizou mais para dentro da banheira, apenas seu rosto permaneceu fora da água. Devido à maldição, ele não encontraria o amor, e, se ele um dia teve escrito no destino que seria abençoado com uma predestinada, essa ideia estava completamente perdida. Sem querer pensar mais nisso, Rhys terminou o banho dele e, ao sair, viu uma Lucretia sentada no chão, com a cabeça apoiada na parede perto da porta. Os cabelos ruivos caiam em cascata, cobrindo-lhe o rosto. Ela estava dormindo? Ele se aproximou e a cutucou com o pé. Lucretia soltou um resmungo. Rhys estreitou os olhos e a cutucou com mais força. Não foi um chute, mas o suficiente para que o corpo dela não mais se apoiasse direito e deslizasse para o chão. Ela acordou de pronto, assustada. Ao levantar a cabeça, viu o rosto de Rhys, os cabelos escuros molhados, agora com mechas mais longas caindo pelo rosto e pingando água. Gotículas emolduravam os olhos bonitos, descendo pelo nariz de ponta fina, os lábios bem desenhados, caindo no peitoral. Lucretia abriu a boca e seus olhos desceram pelo abdômen nu, parando no início da toalha, que pairava perigosamente baixa. Ela podia ver um volume, ali. Mordeu os lábios. — Quer uma foto? — ele perguntou e só assim ela se deu conta de que estava encarando como uma depravada. — Ou um babador? Rhys torceu o nariz. — Eu disse pra cair fora, não foi? — ele perguntou e colocou a mão na toalha. Lucretia virou o rosto a tempo e não viu nada. — Se não quer dividir a minha cama essa noite, é melhor ir embora, Lucretia Bellanti. Hoje eu vou deixar você ir. Lucretia engoliu em seco e se levantou, o pé doendo. Rhys franziu a testa. — Eu devo ir para onde? — ela perguntou, abaixando a cabeça. Assim, não viu o olhar frio dele. — Alguém virá lhe buscar. Só… saia da porra do meu quarto! Lucretia o fez e não demorou nem dois minutos para alguém aparecer e a levar para um quarto atrás da cozinha. Pequeno, mas limpo. Era claramente mais uma dispensa do que tudo. — Amanhã, esteja de pé quando o Sol raiar. — A ômega falou. — Mas… — a mulher parou, sem se virar, e Lucretia continuou falando. — Como vou saber as horas? Não tenho relógio. A ômega revirou os olhos. — Se não consegue saber a hora, então não durma! Mas alguém virá buscá-la na hora certa! E assim, ela saiu. O desprezo dos membros do ShadowBlood para com ela era evidente. Não foi nem que Lucretia quisesse seguir o conselho da ômega, mas ela simplesmente não conseguiu realmente dormir e, quando alguém apareceu, ela estava acordada. Uma mulher de meia-idade, com os cabelos presos em um coque a olhou. Estendeu então uma sacola. — Tem algumas roupas, aí. Vista-as. — Ela falou e olhou para o que Lucretia levava no corpo. — Não aconselho que saia assim na frente dos outros machos. — Obri…— as palavras foram interrompidas pelo baque da porta — … gada pelas roupas. A saia longa e a blusa de algodão eram simples, surradas, mas úteis. Lucretia percebeu que nem mesmo as ômegas usavam aquilo, porém, ela não reclamaria. De fato, era melhor do que andar com um palmo de roupa cobrindo-lhe quase nada. A cozinha estava movimentada, e Lucretia nem teve tempo de dizer nada, quando uma travessa fumegante foi empurrada para as mãos dela. — Ande! Leve isso para a mesa! Lucretia ia perguntar onde era, quando uma ômega — a mesma de antes, a que não foi malvada com ela — fez sinal com a cabeça para que Lucretia a seguisse. A moça andava rápido na frente, e Lucretia não tentou puxar assunto. Porém, assim que chegou na sala de refeições, repleta de lobisomens, ela se sentiu nervosa. “Calma, Luci. Isso vai passar!”, ela disse a si mesmo, como encorajamento, e seguiu andando. — Veja só quem chegou! A vadia que traiu o noivo!Mesmo na pouca iluminação, era possível ver as manchas que brilhavam contra a luz que entrava pela porta. As manchas estavam em todos os lugares, até mesmo no teto. — Como isso aconteceu? — Rhys perguntou. O corpo de Jamil estava a um canto, ou o que parecia ser os restos dele. Alguns membros da parte legista estavam ali. — Alfa, não temos ideia. Ninguém entrou ou saiu daqui, exceto para entregar a comida. E nem mesmo entra na cela para isso — Martin respondeu, seriamente. — Invadiram como fizeram quando ajudaram Jeane Bellanti a fugir. Não há sinais de arrombamento, nada. Rhys mostrou os dentes, sem emitir qualquer som. Ele não conseguia acreditar que ainda estavam usando magia contra eles. Só podia ser magia. Como alguém entraria ali sem isso? Ninguém é invisível. E se a porta fosse aberta, um dos guardas teria visto. — E o que os guardas disseram? Não sentiram o cheiro de sangue? — ele perguntou, então, apontou para o entorno. — Isso aqui não aconteceu em um segundo. Martin so
— Você quer mesmo ajudar? — ela perguntou e viu que ele ficou surpreso, mas logo, algo se acendeu nos olhos de Ben. — Sim! Eu quero! Só precisa me dizer o que quer que eu faça!Lucretia assentiu. — Muito bem. Vamos nos sentar em algum lugar para conversar. Mais tarde, quando Rhys voltou para o quarto, cansado, ele viu Lucretia muito tranquila. Ao mesmo tempo que ele achava isso ótimo, havia alguma coisa nela que estava diferente. Ele aproximou-se e a abraçou, beijando-lhe a testa. Lucretia fechou os olhos e inspirou fundo, sorrindo, pois o cheiro de Rhys a deixava tão confortável! — O que a minha adorável esposa andou fazendo? Lucretia levantou as duas sobrancelhas e se afastou um pouco, encarando o marido que estava de pé. — Fala como se eu estivesse aprontando algo. Rhys colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha dela. — Ah, mas eu sei que está. Você está com um olhar… — ele sorriu. — Se não quer me contar, tudo bem. Mas admita. Lucretia revirou os olhos. — Talvez eu est
Lucretia estava no quarto, lendo um pouco para espairecer. Ela não tinha muita vontade naquele momento de fazer nada, sentia-se exausta. Rhys a proibiu de ir atrás de Jeane, ou de Deidra, o que a deixou ainda mais para baixo. Segundo ele, ela precisava descansar. Mas Lucretia sabia que agora que eles haviam confirmado que ela era a predestinada dele, Rhys ficaria ainda mais protetor. Ela sorriu de leve e tocou a marca no pescoço. Dessa vez, não havia sumido e ela sabia que não sumiria nunca mais. Lucretia fechou os olhos e deixou-se relembrar aquele momento em que ouviram os lobos se reconhecendo, porém, alguém bateu na porta e a trouxe de volta à realidade. — Luna, tem uma visita para a senhora. — A voz de uma ômega soou do outro lado da porta. — E quem é? — O senhor Ben Duran. Lucretia franziu a testa. O que Ben ainda queria? Ele tinha sido libertado, e mandado de volta para o LongFang. Corrado não o expulsou do território, deixando-o continuar ali, mais afastado, como um ômeg
— Quem tá aí? — ela perguntou, com a voz rouca, fraca, e arranhando. A sensação era de um resfriado que se prolongava e deixava aquela secura inconveniente. Deidra queria levar a mão à garganta, mas não conseguiu. Estavam presas. — Quem tá aí?! Eu quero ir embora! Deidra estava apavorada. Onde ela estava e quem a tinha levado até ali? — Eu só quero ir embora, okay? Seja lá o que você quiser, podemos negociar. Meu marido é um Alfa! Ter casado com Kolby tinha que servir para alguma coisa. No entanto, uma risada estridente a fez sentir suas esperanças estilhaçando-se. — Parece que a minha querida filha não consegue nem mesmo sentir o meu cheiro! A própria mãe!Os olhos de Deidra se arregalaram e ela olhou com mais afinco para onde tinha ouvido o som, como se isso a fosse fazer enxergar melhor. — M-Mãe? — ela perguntou e então, sacudiu-se, querendo soltar-se. — Por que estou presa? Me tira daqui! Jeanie apareceu das sombras, no entanto, ela não parecia exatamente com ela mesma. Seus
Rhys estava furioso. Primeiro, Jeane, e agora, Deidra. Para ele, era evidente que as duas estavam juntas. Segundo o Alfa Sheffer, a jovem estava adormecida quando a mãe foi levada, o que significava que havia ou voltado para pegar a filha, ou alguém a moveu.— Não há qualquer sinal delas dentro do nosso território, até agora — Martin falou e soltou um suspiro. — Ninguém vira poeira desse jeito! — E Jamil ainda permanece onde estava, do mesmo jeito. Os guardas disseram que ele não se move, não fala. — Lucretia cruzou os braços e apoiou-se na mesa com o quadril. — Não acredito que ele não saiba de nada. Todos os que foram à julgamento na Reunião, incluindo Ben, tiveram uma conversa com Rhys. Porém, sem qualquer bom resultado. O pai de Lucretia já havia partido para o LongFang e tinha dado as ordens para que Jeane e Deidra fossem procuradas por lá, também. Corrado Bellanti sentia uma vergonha absurda, pois não só tinha sido feito de idiota, mas por uma bruxa, o que piorava tudo. Se o
— Ei! — Garret reclamou, mas Martin lhes deu um olhar de quem sabia o que estava falando. — Nunca se sabe quem está ouvindo. Por isso, é melhor vocês manterem a boquinha fechada. Agora, levantem esses rabos preguiçosos e vamos colocar esses corpos para funcionar! Os três soltaram um muxoxo, mas seguiram Martin até onde Larry e Barry estavam. Kolby andava de um lado para o outro. Deidra estava dormindo, em um sono que não parecia normal. Desde que ele chegou no dia anterior, ela não acordou. Imaginou que ela estivesse tendo um dia difícil, afinal, a mãe dela tinha sido presa. E isso porque ainda nem sabia que a mulher seria sentenciada à morte — ele não tinha ideia de que Jeane tinha fugido. Agora, Deidra continuava a dormir. Já era quase hora do almoço e não havia qualquer sinal de movimento. Ela permanecia no mesmo lugar, na mesma posição. Ele verificou o corpo dela, e não parecia ter nada de errado. Ela respirava, de maneira calma, realmente como se estivesse apenas cochilando







