Masuk— E eu posso ao menos saber o nome de quem vai me matar? — Lucretia perguntou, fazendo um biquinho desdenhoso. A bruxa mostrou os dentes, mas inflou o peito. — Medea — a bruxa disse com orgulho. — Depois que você se for, todos saberão esse nome. Todos se curvarão perante a mim! Medea sorriu, triunfante. Depois de todos aqueles anos cultivando e manipulando tudo ao redor dela, finalmente ela teria o reconhecimento, alcançaria o patamar mais alto e jamais a olhariam com desprezo ou com desgosto. Ninguém poderia dizer que ela não era a mais forte, a mais esperta, aquela que correu atrás. Sempre tiveram línguas para reclamar. Se você nascia com poderes, não era merecedor de brilhar porque não lutou por aquilo, tudo lhe foi dado de mãos beijadas; se não nascia poderosa, era uma vergonha, alguém que não era digno de pena, mas sim de ser excluído como se carregasse consigo a própria peste; se era esperto demais e não possuía força, era visto como traiçoeiro e não confiável; se era forte, m
As sobrancelhas de Lucretia quase se juntaram. A bruxa revirou os olhos. — Não sou tão burra! Acha que eu deixaria você alcançar o ápice do seu poder? Por favor, né? — ela perguntou e sacudiu a cabeça de um lado para o outro. — É realmente ofensivo. Se bem que eu não duvidaria que pensou isso mesmo. Francamente, vocês “mocinhos” são uns idiotas, mesmo. — Pense como quiser, de mim, ou dos meus, mas isso não vai mudar o seu destino — Lucretia disse. — Ah, é mesmo? — A bruxa soltou uma risada de desdém. — Você vai me dizer que seria você acabando comigo? Os bons vencendo no final? Ela abanou a mão em um movimento brusco, como se afastasse aquela possibilidade. — Sim. E não é? O bem sempre vence — ela falou e umedeceu os lábios. Precisava se acalmar, ou a bruxa acabaria percebendo o que ela estava fazendo. — Como conseguiu se infiltrar nos nossos territórios? — Pois você me toma como tonta, mesmo. Por que eu iria contar? Lucretia deu de ombros. — Se você acha que vai vencer, que
Não era a primeira vez que a linhagem de Lucretia era trazida à tona. Durante o julgamento, isso também aconteceu. — Seja lá o que for, eu quero que pare com essa merda. Fala logo o que exatamente você quer de mim, e depois, dê o fora das nossas vidas! — ela exclamou, esticando o dedo em direção à bruxa. — Você está atrás de algo há anos. O que é? Lucretia nunca tinha visto aquela mulher em sua vida, não havia qualquer memória sobre ela, mas isso não importava. A única coisa que valia a pena pela qual ansiar era a liberdade de ter uma vida feliz e tranquila com o marido, com o novo bando e, ainda que o pai dela tenha causado muitos problemas e sido motivo de tristezas, ela o queria bem. — Você realmente não tem ideia do poder que possui, não é? — a mulher mais velha perguntou, inclinando a cabeça para o lado enquanto seus olhos mantinham a atenção total em Lucretia. — Esse tempo todo, você esteve ajudando Rhys Jarsdel a alcançar o poder total do Supremo, porém… A bruxa soltou uma
Se a caverna estivesse tomada por esporos mofados ou miasma mágico, a única coisa mantendo-a de pé seria aquela defasagem tóxica. Ela deu um passo à frente, mas a voz do bom senso implorava cautela. Se enlouquecesse como Rhys e os outros, quem os salvaria? Decidida a não arriscar a sanidade por um palpite incompleto, ela contornou os cogumelos e arrancou um pedaço do pano de sua blusa, cobrindo o nariz e a boca. O silêncio absoluto continuava a esmagar seus tímpanos; o som do tecido rasgando ocorreu apenas dentro de sua cabeça.Com o coração martelando contra as costelas, Lucretia cruzou o limiar da caverna.A passagem era estreita, com paredes frias e úmidas que vertiam uma água densa e inodora. Conforme se aprofundava, a claridade da estrela azulada sumia atrás de si, mas uma luz diferente começava a emergir das entranhas da montanha: uma luminescência violeta, bruxuleante e doentia.O ar ali dentro era pesado. Ela sentiu uma queimação nos olhos e uma leve tontura, percebendo que o
A mente de Martin estava dando nó! Ele a apertou com as mãos, como se isso pudesse de alguma forma impedir que aquelas palavras continuassem a entrar na mente dele. “E por acaso é mentira? É só prestar atenção aos detalhes! Elas armaram tudo desde o início. Devem estar com a bruxa!” A voz continuou. “Uma vez que tenham o poder, vão se livrar de vocês dois e tomar o ShadowBlood de uma vez!”Enquanto ele estava ouvindo isso, Haylie ouvia algo diferente. A voz tentava convencê-la de que Martin tinha planos diferentes. Ele era fiel a Rhys, e estava duvidando tanto dela quanto de Lucretia. E que, quando chegasse o momento, se tivesse que empurrá-la para o abismo, ele o faria. O laço entre eles não era forte o bastante. Rhys também não estava imune. Da mesma forma que a voz tentava persuadir Martin, estava fazendo com ele. “Ela apareceu assim, do nada, dizendo que foi atacada. Mas foi mesmo? Ela pode até ter sido traída pelo ex, porém, por que escolheu justamente o seu bando? O ShadowBl
Uma luz surgiu, iluminando o corredor. — Vem da floresta — Martin falou, cobrindo os olhos. Mesmo nessa distância, era muito forte. — Está acontecendo algo ali. Ou ela quer que a gente vá por lá. As duas opções não eram muito boas. De todo jeito, eles estariam indo para uma armadilha. Porém, se era lá que a bruxa estava, era para lá que eles iriam.A luz diminuiu um pouco, mas um ponto permaneceu no céu, como uma estrela. Eles saíram da packhouse e seguiram para lá. Não havia viva alma pelo caminho, mas os quatro permaneciam em alerta. Eles avançavam em fila indiana, os pés afundando no musgo úmido que parecia respirar sob as solas. Não havia corujas, não havia insetos. Essa ausência sonora era desconcertante. Lobisomens ouviam muito bem, e a floresta era um local no qual se sentiam sempre muito bem. Eles preferiam isso à cidades. No entanto, aquele lugar quentinho no coração deles que soltava faíscas quando pisavam na relva, não estava ali. Apenas uma pressão sufocante em seus co







