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Capítulo 3

Penulis: Crystal K
A coleira era uma lembrança constante da minha vergonha. Minha loba estava sendo suprimida pela prata; eu mal conseguia respirar. Aquela sensação sufocante de estar presa me invadiu novamente.

Lutei contra a vontade de vomitar e sussurrei:

— Eu entendo. Eu farei isso.

Eles não me deixariam ir. Eu sabia disso agora. No entanto, eu precisava encontrar uma maneira de escapar. Enquanto eu tentava bolar um plano, Tristan entrou novamente. Não. Aquele cheiro fraco e estranho... era Ronan.

Ele tinha tomado um bloqueador de odor novamente e sorriu enquanto caminhava em minha direção. Seus olhos pousaram na coleira. Seu olhar escureceu e, por um segundo, vi um lampejo de arrependimento.

— Sinto muito, Lucia. Você provavelmente não sabe que crescemos com Arabella. Ela é como uma irmã para nós. Você sofreu.

Então ele pegou minha mão, com o rosto transformado em uma máscara de afeto.

— Afinal, ainda precisamos experimentar nossas roupas de cerimônia juntos. Não fique triste, ok?

Eu não sabia por que Ronan estava agindo assim. Ambos claramente me desprezavam. No segundo seguinte, quando senti a mão dele vagar pela minha cintura, tentando tirar minha roupa, eu entendi. Exatamente como ele disse: ele gostava do meu corpo. Ele só queria sexo.

Minha expressão congelou e eu o empurrei instintivamente.

— Vamos esperar pela cerimônia, ok? Eu não estou brava. Se é isso que a Bella quer, eu vou cooperar.

Minha obediência fingida pareceu agradá-lo. Ele beijou minha orelha.

— Tudo bem, querida. Vejo você daqui a três dias.

Ele saiu, mas a fome predatória em seus olhos prometia que ele voltaria para buscar mais. Eu, porém, estava focada no que ele tinha dito: experimentar as roupas de cerimônia. Sim. Talvez eu pudesse escapar durante a prova.

No dia seguinte, estilistas fervilhavam ao meu redor, segurando o vestido branco puro da cerimônia de Luna. Deixei que me movessem como uma boneca. A coleira em meu pescoço era dolorosamente óbvia sob as luzes brilhantes do camarim.

Os estilistas trocavam olhares nervosos, mas ninguém se atrevia a perguntar.

— Perfeito — disse a estilista-chefe com um sorriso forçado. — Você será a Luna mais linda.

A piada mais linda, pensei.

Assim que eu estava prestes a me trocar, a porta do camarim foi aberta. Tristan entrou, com Arabella agarrada ao seu braço como uma cobra venenosa. Ela havia mudado para um vestido dourado pálido que a fazia brilhar, como se fosse ela quem mandasse ali.

— Tristan — ela ronronou, puxando o braço dele. — A exibição de joias está prestes a começar. Você prometeu que me ajudaria a escolher um colar.

Tristan nem sequer olhou para mim. Ele gentilmente alisou o cabelo dela.

— Claro. Apenas as joias mais preciosas são dignas de você.

— Nesse caso, eu quero o Colar da Deusa da Lua — a voz de Arabella ficou ainda mais doce.

O Colar da Deusa da Lua. O artefato sagrado usado por cada Luna em sua coroação. Era inestimável, um símbolo de poder supremo. Fiquei ali parada, um palhaço em um traje ridículo, observando meu companheiro predestinado se preparar para entregar minha honra a outra mulher.

— Mas... a Lucia ainda está experimentando o vestido dela — disse Arabella com falsa preocupação, seus olhos cheios de provocação.

— Ela não importa.

Tristan me deu as costas, com a voz fria. Este era o Tristan que eu reconhecia. Eu costumava me perguntar por que ele era tão apaixonado na cama, mas tão frio durante o dia. Achei que fosse apenas sua autoridade de Alfa. Nunca imaginei que fossem duas pessoas diferentes.

Mas eu não tinha tempo para decepções amorosas. Um sorriso tocou meus lábios enquanto eu fingia obediência.

— Arabella acabou de voltar. Você deveria passar mais tempo com ela.

Tristan assentiu, satisfeito, e saiu com ela. O sorriso falso em meu rosto desapareceu. Toda a alcateia estava ocupada com a cerimônia, a apenas dois dias de distância. O Alfa tinha saído. Esta era minha chance de correr.

No segundo em que a prova terminou, corri para o meu quarto, peguei as chaves do carro e abandonei minha mala. Corri para a garagem. Tristan nunca me proibiu de fato de sair. Se eu conseguisse colocar o carro na estrada, ninguém me impediria.

Assim que saí do quarto, meu celular acendeu. Era uma foto de Arabella, um post em uma rede social. O próprio Tristan estava prendendo o reluzente colar da Deusa da Lua no pescoço dela. Eles pareciam tão íntimos. Como verdadeiros companheiros.

"Parece que seu companheiro predestinado só ama a mim, pequena curandeira. Estou ansiosa pela sua cerimônia de união. O que quer que você tenha descoberto, você não pode escapar."

Eu zombei. Que os bastardos ficassem um com o outro. Isso não tinha mais nada a ver comigo. Mas, no segundo seguinte, meu telefone vibrou violentamente. Número desconhecido.

— É a senhorita Lucia? Aqui é do Sanatório St. Mary.

A voz frenética do outro lado me atingiu como um martelo no peito.

— Os sinais vitais de sua mãe estão falhando! A alma lupina dela está desaparecendo! Os médicos dizem que ela não passará da noite! Você precisa vir imediatamente!

Mãe. Minha única família neste mundo. Na minha vida passada, eu estava presa no porão e nunca cheguei a vê-la uma última vez. Não. Isso não vai acontecer de novo!

Saí voando do meu quarto, não mais como uma pessoa, mas como um animal primordial lutando por sua cria. Rasguei o espartilho, joguei um casaco e desci as escadas correndo. Eu precisava de um carro. Eu rastejaria até o sanatório se precisasse.

Invadi a garagem e encontrei meu carro velho. Mas, no momento em que apertei o botão de destravar, o desespero me lavou como uma maremoto. Todos os quatro pneus estavam completamente vazios. Eles haviam sido cortados com uma lâmina afiada, a borracha enrolada em um sorriso grotesco.

Preso na janela do motorista, havia um post-it rosa. Um rosto sorridente estava rabiscado com a caligrafia dela: "Cachorrinhos bons não podem fugir, você sabe."

— Não... Não!

O pesadelo de Arabella voltou com tudo. Era a Academia tudo de novo. Ela saboreava cada momento do meu tormento. Eu tive medo de que ela fosse direto falar com Tristan sobre o escritório, mas agora eu entendia: ela tinha certeza de que eu não poderia escapar e queria o prazer de me quebrar só para ela.

Lutar de volta só alimentaria sua crueldade. Caí de joelhos, um grito cru rasgando minha garganta enquanto o céu se abria em uma chuva impiedosa. Sem carro. A casa da alcateia ficava em uma montanha remota. Era quase impossível conseguir um táxi.

Mas eu não podia parar. Minha mãe estava esperando. Limpei a chuva do rosto, levantei-me, transformei-me em minha forma de loba e avancei na noite escura e tempestuosa. Mesmo que eu morresse no caminho, eu tinha que vê-la.
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