FAZER LOGINPOV Evelyn
Ouvir Damien dizer, com tanta frieza, que a esposa dele não significava nada foi o ápice do meu divertimento na noite. Ele estava encurralado entre o meu corpo e a mesa de maquiagem, com os olhos injetados de luxúria, completamente cego pela ilusão de cabelos prateados que eu tinha criado. Ele achava que estava traindo a esposa pacata com uma stripper perigosa; mal sabia que estava se humilhando e gastando uma fortuna pela mesma mulher que ignorou no altar algumas horas antes.
— Uma resposta previsível de um homem casado — sussurrei contra o maxilar dele, deslizando minhas mãos pelo seu pescoço. — Mas já que você pagou tão caro pelo meu tempo... acho justo que eu dê a você o que veio buscar.
Eu não ia apenas dançar para ele hoje. Eu queria esticar a corda até quase arrebentar.
A música de jazz que tocava ao fundo parecia ditar o ritmo lento do meu quadril contra o dele. Damien soltou um gemido abafado quando me inclinei para trás, apoiando as mãos na mesa de maquiagem e arqueando o corpo. Dei total liberdade para ele. Como ele tinha deixado uma mala de dinheiro na entrada, hoje as regras da casa seriam ligeiramente flexibilizadas. Eu queria ver até onde o controle do grande CEO de Montreal aguentava antes de virar pó.
— Toque — ordenei em um sussurro rouco, perto do ouvido dele. — O que você quer fazer, Damien?
Ele não precisou ouvir duas vezes. As mãos grandes e quentes dele, que antes estavam hesitantes, agarraram a minha cintura com uma força possessiva que me fez arrepender as costas. Ele apertou os meus quadris, puxando-me com força contra a sua braguilha, onde a rigidez dele era quase violenta. Damien enterrou o rosto no meu pescoço, respirando fundo, distribuindo beijos sôfregos na minha pele enquanto subia as mãos pela renda do meu espartilho.
— Você é um demônio, Alaska... — ele arfou, a voz completamente destruída pelo desejo. Os dedos dele subiram pelas minhas costelas, apertando os meus seios por cima do tecido cravejado de cristais. Um calafrio real subiu pela minha espinha. A pegada dele era bruta, firme, o toque de um homem que estava faminto há anos.
Eu queria mais. Queria que ele ficasse tão obcecado a ponto de não conseguir respirar sem pensar em mim.
Segurei o rosto dele com as duas mãos, enterrando os meus dedos em seus cabelos loiro-escuros, e puxei a cabeça dele para cima. Prendi o olhar dele ao meu por trás da máscara. Os lábios de Damien estavam entreabertos, os olhos totalmente nublados. Sem dar tempo para ele processar, eu o beijei.
Não foi um beijo casto. Foi um ataque.
Inundei a boca dele com o meu sabor, prendendo os seus lábios entre os meus, usando a língua para ditar um ritmo urgente e profano. Damien soltou um rugido baixo contra a minha boca e me prensou com força total contra a mesa de maquiagem. Os vidros de perfume e os pincéis chacoalharam atrás de mim. Ele assumiu o controle do beijo, me devorando com uma agressividade que fez minhas pernas tremerem. Uma das mãos dele desceu rapidamente pela minha coxa, rasgando levemente a borda da minha meia 7/8 para sentir a minha pele nua. Os dedos dele subiram perigosamente, apertando a minha intimidade por cima da calcinha de renda.
Eu soltei um gemido genuíno contra os lábios dele. O calor daquele camarim era sufocante. Damien estava completamente descontrolado; ele me apertava como se quisesse me fundir ao corpo dele, as mãos mapeando cada curva minha com uma urgência doentia. Ele desceu o beijo para o meu pescoço, mordendo de leve a minha pele enquanto uma de suas mãos tentava abrir o fecho lateral do meu espartilho.
Aquele era o limite. Se ele abrisse o espartilho, veria a marca de nascença que eu tinha logo abaixo do seio esquerdo — a mesma marca que ele veria se um dia olhasse para a sua esposa sem sal na luz do dia.
Com um esforço enorme de vontade, segurei as mãos dele e quebrei o contato. Usei toda a minha força para empurrá-lo um passo para trás.
Damien cambaleou, respirando como se tivesse corrido uma maratona. O batom vermelho-escuro estava todo borrado ao redor da boca dele, os cabelos bagunçados e o terno completamente amassado. Ele parecia um homem saído de um confronto, de joelhos diante do meu altar de mentiras.
Olhei para o relógio na parede. Onze e meia da noite. O tempo dele tinha estourado, e o meu prazo de fuga estava correndo.
Caminhei até a porta do camarim com as pernas ainda bambas, mas mantendo a postura firme de Alaska. Girei a chave e abri a porta de uma vez, apontando para o corredor iluminado.
— Acabou por hoje, Sr. Blackwood — disse, com a voz arrastada, limpando o canto da minha boca com o polegar de forma provocante.
— Alaska... não — ele deu um passo na minha direção, os olhos suplicantes, a calça visivelmente marcada. Ele estava sofrendo com o tesão acumulado. — Eu não vou embora assim.
— Você vai — sorri com escárnio por trás da máscara. — O seu tempo acabou. E você tem uma esposa esperando por você na mansão, lembra? Vá para casa, Damien.
Ele travou o maxilar de um jeito que achei que os dentes dele fossem quebrar. Ele olhou para mim, depois para a porta aberta, sabendo que Roman e mais três seguranças da boate estavam do lado de fora caso ele tentasse fazer alguma loucura. Damien limpou a boca com as costas da mão, encarando o batom vermelho na sua pele como se fosse uma marca de guerra.
— Isso não vai ficar assim — ele sibilou, a voz rouca de ódio e luxúria. — Eu vou comprar este lugar se for preciso, mas eu vou ter você por uma noite inteira.
— Boa sorte tentando — dei de ombros, fria como o gelo.
Damien saiu pisando firme pelo corredor. No momento em que ele dobrou a esquina em direção ao lounge, vi Roman fazer o sinal com a cabeça para os homens da recepção. O plano de atraso estava em ação. Eles iam trancar Damien em uma burocracia de conferência de conta VIP por exatos trinta minutos.
Eu não perdi um segundo. Bati a porta do camarim e voei.
***
Arranquei a peruca prateada, joguei a máscara na mesa e usei um lenço com demaquilante para esfregar o meu rosto com força, tirando qualquer vestígio do batom vermelho e da maquiagem pesada. Tirei o espartilho, vesti a minha calça de moletom cinza e o suéter largo de tricô. Prendi o meu cabelo no coque bagunçado e joguei os itens de Alaska na bolsa com fundo falso. Peguei a maleta de dinheiro, dei uma boa quantia ao meu segurança, que sorriu e me deu uma piscadela.
Saí correndo pelas portas dos fundos do Le Mirage, onde o frio congelante de Montreal me atingiu como um tapa. Entrei no meu carro velho e discreto, dando partida e pisando fundo na neve. Minhas mãos ainda estavam tremendo no volante, o gosto de Damien ainda vivo na minha boca.
Dirigi como uma louca pelas ruas desertas e escorregadias até os portões de Westmount. Passei pelos seguranças da guarita da mansão, estacionei nos fundos e entrei pela porta de serviço da ala leste às onze e cinquenta e cinco da noite.
Corri para o quarto de hóspedes, joguei a bolsa no fundo do closet, deitei na cama e puxei as cobertas até o queixo. Tentei desacelerar a minha respiração, fechando os olhos e fingindo o sono mais profundo do mundo.
Exatamente às meia-noite e vinte, o som do motor potente do carro de Damien ecoou na garagem da mansão.
Segurei o lençol com força embaixo das cobertas. Ouvi os passos pesados dele subindo as escadas. Ele não foi direto para a ala oeste dele. Os passos dele mudaram de direção e começaram a vir na direção da ala leste. Na direção do meu quarto.
A maçaneta da minha porta girou devagar. Damien abriu a porta em silêncio.
Pela fresta dos meus olhos quase fechados, vi a silhueta dele contra a luz do corredor. O terno dele estava desalinhado, e ele ainda exalava uma aura de pura frustração e raiva. Ele ficou parado na porta por quase dois minutos, olhando para mim, para a minha figura "inocente, sem sal e adormecida" debaixo das cobertas.
Ele soltou uma risada nasalada, cheia de desprezo. Damien achava que eu era patética. Um estorvo que estava dormindo feito um anjo enquanto ele queimava no inferno por causa de uma stripper.
Ele fechou a porta com força e bateu o pé em direção ao seu quarto na ala oeste.
Soltei o ar que estava prendendo, abrindo os olhos na escuridão do quarto. Um sorriso enorme e vitorioso brotou nos meus lábios. Morda o anzol, Damien. Morda com força. Porque a sua esposa sem sal acabou de colocar você de joelhos.
(POV EVELYN)O sol da manhã nas Ilhas Turcas e Caicos era de um dourado reluzente, aquecendo a areia branca de Grace Bay e fazendo a água do Caribe brilhar como uma imensidão de diamantes líquidos. Da varanda privativa da nossa casa de praia, o barulho suave das ondas quebrando na areia parecia a melodia perfeita para abafar o passado e celebrar o presente que construímos a quatro mãos.Dois anos se passaram desde a noite em que queimamos os papéis do divórcio e assinamos a fusão da Blackwood Enterprises. Vinte e quatro meses desde que a terra molhada do cemitério cobriu o caixão do velho Richard, levando embora os segredos e as disputas que quase destruíram as nossas vidas.Muita coisa mudou desde então. A "Alaska" deixou de existir em definitivo no escuro de Montreal. Tornei-me a sócia-majoritária oculta do Le Mirage, transformando a boate em um negócio ainda mais lucrativo sob a minha gestão discreta. Noah formou-se em Toronto com honras e já caminhava firmemente com as próprias pe
(POV DAMIEN)A boca de Evelyn tinha o gosto doce do suco tropical misturado com o sal da maresia, uma combinação que me deixava completamente tonto. Puxei o corpo dela para cima pelo quadril, sentando-a no corrimão de madeira da varanda, abrindo as pernas dela para me encaixar no meio.O contraste da pele clara dela contra o tom dourado que o sol do Caribe começava a dar às suas curvas me deixou cego. Deslizei a minha mão por baixo da seda transparente do vestido dela, arrancando a peça em um único movimento ríspido e jogando-a no chão da varanda. Ela ficou apenas de biquíni branco sob a luz forte da tarde.— Damien... aqui fora? — ela arqueou as sobrancelhas, os olhos castanhos brilhado com o desafio e a excitação de quem nunca se esquivou do perigo.— A praia é privada, a ilha é nossa e eu não vou esperar mais um segundo para estar dentro de você — rosnei contra os lábios dela, puxando a fita lateral do biquíni dela até soltar o nó.Desloquei o tecido fino para o lado. Evelyn já est
(POV EVELYN)O ruído distante das turbinas do jato executivo foi gradativamente substituído pelo som ritmo e compassado das ondas do mar do Caribe quebrando contra as rochas de coral.O trajeto de Montreal até as Ilhas Turcas e Caicos pareceu uma travessia entre duas realidades completamente opostas. Deixamos para trás a neve cinzenta e espessa que começava a cobrir a Província do Quebec, a fachada corporativa da Blackwood Enterprises e o mito da Alaska que ainda pairava sobre os camarotes da boate Le Mirage. A transição do cinza-chumbo da alfaiataria para o linho leve e os tecidos fluidos era quase libertadora, mas a intensidade do homem ao meu lado continuava exatamente a mesma.A nossa propriedade privada em Grace Bay erguia-se em uma colina suave sobre a areia branca. Era uma construção moderna de pedra calcária e paredes de vidro de fora a fora, projetada para que a luz do sol inundasse cada cômodo ao longo do dia.Assim que a equipe de recepção e os funcionários da mansão termin
(POV EVELYN)Um ano. Doze meses inteiros se passaram desde que a terra molhada do cemitério de Westmount cobriu o caixão de Richard Blackwood e, com ele, enterrou os segredos e as disputas que quase destruíram a Blackwood Enterprises.Muita coisa mudou em Montreal desde aquela tarde cinzenta. Adrian foi exilado definitivamente do conselho, enviado para gerenciar uma filial sem expressão na Europa, longe o suficiente para nunca mais tentar cruzar o nosso caminho. Noah estava bem em Toronto, caminhando com as próprias pernas, completamente saudável. E eu... bom, eu finalmente assinei o contrato mais importante da minha vida, mas este não tinha cláusulas de rescisão ou prazos de validade. Era o pacto silencioso que Damien e eu renovávamos a cada amanhecer.Mas a maior mudança de todas aconteceu no escuro da noite de Montreal.A "Alaska" deixou de existir exatamente na madrugada em que o velho Richard morreu. Naquela mesma semana, usei parte dos meus rendimentos para comprar a cota de Mad
(POV EVELYN)O outono em Montreal trouxe a calmaria que vínhamos buscando há mais de um ano. Com Noah completamente instalado em Toronto e cursando o segundo ano de medicina com notas excelentes, e a Blackwood Enterprises atingindo lucros recordes, Damien e eu finalmente conseguimos desacelerar a máquina.Eu passava a maior parte das minhas tardes na estufa de vidro da mansão, aquele mesmo espaço onde um dia usei Julian para provocar ciúmes no meu marido. Hoje, o local virou o meu refúgio pessoal de escrita.Comprei um notebook novo e passei a digitar cada detalhe da nossa jornada: o contrato de casamento, a vida secreta no Le Mirage, as chantagens, a fúria no camarim, a descoberta da bolsa e o amor visceral que nasceu do nosso choque de egos.Certa tarde, Damien entrou na estufa usando uma camisa de linho branca de mangas dobradas. Ele trazia duas xícaras de café quente.Pousou uma das xícaras ao lado do meu computador e se inclinou por cima do meu ombro, lendo o título temporário do
POV EVELYNEle não desceu as escadas. Não esperou a passagem. Ele simplesmente saltou os três metros de altura, caindo no chão do salão como um predador que finalmente abandonou a emboscada.As pessoas se afastaram, abrindo caminho para ele.Eu ainda estava de joelhos no palco, o peito ofegante, o batom levemente borrado, o olhar fixo nele.Ele subiu os degraus do palco como um homem possuído. Sua mão agarrou meu braço com força, puxando-me para cima, e antes que eu pudesse respirar, seus lábios estavam nos meus.O beijo era feroz. Castigador. Uma punição por tê-lo provocado daquela forma, por tê-lo feito perder o controle na frente de todo o clube. Mas também era adoração — uma devoção selvagem que me fez gemer contra sua boca.— Você não tem ideia do que fez comigo — ele rosnou contra meus lábios, a voz rouca, trêmula. — Você vai pagar por cada movimento, Evelyn. Cada olhar. Cada respiração que você roubou de mim.— Me faça pagar, então — respondi, mordendo o lábio inferior dele. —







