MasukQuando volto a erguê-los para o palco, vejo que Preston ainda está com o olhar fixo em mim, ignorando o restante da plateia.
— Talvez exista aqui uma variável fundamental que as nossas pesquisas laboratoriais mais avançadas ainda não consigam medir ou quantificar adequadamente através de dados estatísticos, acrescenta ele com a voz pausada que ressoa pelas caixas de som. — O vínculo afetivo, ou se me permitirem utilizar uma palavra muito menos científica e muito mais humana dentro deste congresso acadêmico, o amor pelo animal. O meu sorriso ressurge nos meus lábios antes mesmo que eu consiga ter qualquer controle racional sobre ele. — O amor, senhorita Christ, continua sendo uma das poucas e mais poderosas variáveis da vida que a ciência ainda não foi capaz de decifrar ou engarrafar completamente. A salva de aplausos se intensifica por todo o auditório principal, marcando o encerramento da apresentação. Olivia se inclina rapidamente na minha direção, com os olhos arregalados de puro choque e uma expressão incrédula no rosto. — Madison, você tem noção de que acabou de entrar em uma discussão conceitual pública com o Preston Lawson na frente de centenas de especialistas do mundo inteiro? — Eu não entrei em discussão nenhuma com ele, Olivia, apenas respondi com sinceridade à pergunta que ele mesmo fez para a plateia. — Madison, pelo amor de Deus, ele passou praticamente a segunda metade inteira da palestra olhando quase que exclusivamente para você depois que você falou tudo aquilo. — Por favor, pare de dizer esse tipo de bobagem. — Eu estou falando absolutamente sério, você precisa ver a cara dele. Eu finjo voltar a minha atenção concentrada para as folhas do meu caderno, tentando rabiscar algo, embora a minha mente esteja tão acelerada que eu não consiga escrever absolutamente nada que faça sentido naquele papel. — Quando a sessão da palestra finalmente se encerra por completo, o imenso auditório se transforma em um verdadeiro mar agitado de pessoas se movimentando em todas as direções. — Vários participantes entusiasmados tentam se aproximar das escadas do palco na esperança de conseguir falar com o palestrante, jornalistas cercam os organizadores locais em busca de entrevistas e pequenos grupos de especialistas começam a debater acaloradamente sobre os temas científicos que foram apresentados durante a manhã. —Olivia acaba se dispersando de mim e desaparece por alguns minutos no meio do fluxo de pessoas, seguindo duas pesquisadoras prestigiadas que ela havia conhecido na recepção no dia anterior, enquanto eu decido caminhar sozinha na tentativa de localizar a área reservada aos estandes dos expositores comerciais. — Naturalmente, devido à minha falta de familiaridade com o mapa do complexo, eu acabo escolhendo o corredor completamente errado para caminhar. Eu ando por vários minutos por uma galeria silenciosa até começar a perceber que os estandes movimentados e os painéis publicitários desapareceram por completo e que o fluxo de pessoas diminuiu drasticamente naquela ala do edifício. — E estou prestes a dar meia-volta no calcanhar para refazer o meu caminho quando avisto uma janela panorâmica gigantesca localizada logo no final daquele corredor isolado. — E vejo a silhueta de um homem sozinho parado diante do vidro, contemplando a paisagem externa. Eu o reconheço instantaneamente mesmo estando de costas. — Preston está ali parado. — Por um breve segundo de hesitação, eu considero seriamente a possibilidade de me virar de mansinho e ir embora sem fazer barulho, imaginando que ele provavelmente deve ter compromissos importantes agendados, reuniões executivas e dezenas de pessoas influentes querendo um minuto da sua atenção. No entanto, antes que eu possa dar o primeiro passo para trás, ele vira ligeiramente o rosto para o lado e os seus olhos encontram os meus através do reflexo no vidro. — A minha presença já foi inevitavelmente descoberta. Sem ter como recuar de forma educada, eu me aproximo lentamente dele pelo corredor silencioso. — Senhor Lawson. Ele se vira completamente na minha direção, cruzando as mãos atrás do corpo com uma postura impecável. — Senhorita Christ. — O fato de ele se lembrar com tanta precisão do meu sobrenome depois de tudo me causa uma agradável surpresa interna. — Eu acho que acabei entrando pelo corredor completamente errado tentando achar a feira. — Com certeza a senhorita entrou no caminho errado. Eu olho curiosa para os dois lados da galeria totalmente vazia. — Bom, pelo menos isso explica a ausência total de estandes e expositores por aqui. O canto da boca dele se ergue novamente naquele seu sorriso discreto e contido. — Os estandes comerciais ficam exatamente na ala oposta deste andar do prédio. — Ótimo saber disso, significa que eu caminhei bastante na direção oposta. — Não se sinta mal por isso, esse tipo de confusão acontece com bastante frequência com quem não conhece a arquitetura deste lugar. — O senhor está me dizendo isso apenas para fazer com que eu não me sinta uma pessoa completamente perdida? — Eu estou dizendo isso com absoluta sinceridade porque eu também consegui me perder completamente nesses mesmos corredores no dia de ontem. Eu deixo escapar uma pequena risada relaxada ao ouvir a sua confissão informal. — Por algum motivo que não consigo explicar racionalmente para mim mesma, conversar a sós com ele ali naquele corredor tranquilo parece ser algo completamente diferente e infinitamente mais humano do que observá-lo enquanto ele estava sobre o palco iluminado do auditório. — Eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para agradecer pessoalmente pela palestra de hoje, olhando diretamente nos seus olhos. — Ela foi realmente inspiradora sob todos os aspectos técnicos e filosóficos. Ele mantém o seu olhar escuro e atento fixado no meu rosto, sem demonstrar pressa para encerrar o contato. — E eu faço questão de agradecer sinceramente pelas suas intervenções e observações feitas durante a apresentação. — Elas foram extremamente inteligentes, profundas e refrescantes para este meio. — O meu pai provavelmente merece uma grande parte do crédito por tudo o que eu disse lá dentro. — Ele também trabalha ativamente com a criação e seleção de cavalos no Texas? — Sim, ele dedica a vida inteira a isso. A nossa família possui um pequeno haras em Silver Creek e nós ainda estamos no início de uma nova etapa de estruturação do negócio, principalmente quando nos comparamos a propriedades de porte gigantesco e de tecnologia de ponta como Ravenstone Valley. — Contudo, o meu pai conhece a alma dos cavalos infinitamente melhor do que muita gente renomada que eu já tive a oportunidade de encontrar dentro de salas de aula na universidade. Preston ouve cada palavra com atenção e assente lentamente com a cabeça, demonstrando concordância plena com a minha afirmação. — O diploma universitário e o conhecimento prático verdadeiro não são, necessariamente, termos sinônimos na vida real. — O meu pai ficaria extremamente orgulhoso e feliz se pudesse ouvir o famoso Preston Lawson dizendo essa frase com tanta clareza. — E quanto a você, Madison? A pergunta feita por ele me pega completamente de surpresa pela sua objetividade direta. — Quanto a mim o quê? — A senhorita ficou feliz com o que ouviu na palestra de hoje? Eu sorrio suavemente, encarando a provocação amigável da pergunta dele. — Eu ainda estou em processo de avaliação interna para decidir isso com certeza. — Afinal, eu jamais imaginei que o famoso Rei dos Garanhões fosse falar de maneira tão aberta sobre conceitos como confiança humana e amor diante de uma plateia acadêmica tão exigente.O DIA EM QUE APRENDI A SER LUZOLIVIAA prefeitura ainda desperta quando chego naquela manhã fria.— O sol mal toca os degraus de pedra da entrada, a cidade de Silver Creek respira devagar, e o silêncio do prédio é interrompido apenas pelo eco distante de passos apressados dos primeiros funcionários e pelo canto tímido dos pássaros nas árvores da praça principal.— Sento-me atrás do balcão da recepção, ajeito os papéis organizadamente sobre a mesa, ligo o computador e respiro fundo.—: Nesse tempo de trabalho honesto, alguma coisa dentro de mim já mudou profundamente e sem volta. Não sou mais aquela jovem impulsiva, movida pela inveja doentia, pelos impulsos egoístas e pelas rivalidades idiotas que durante tanto tempo alimentei na minha juventude. —A dor do confronto, a vergonha pública e as consequências graves que vivi me moldaram de uma maneira que nem eu mesma sei explicar completamente. — Tenho um arrependimento sincero na minha alma, a culpa pelo mal que causei à Madison e ao
A FAMÍLIA QUE O AMOR CONSTRUIUMADISONO tempo passa tão intensamente quanto as estações transformam os campos abertos do Aras Lawson, trazendo força, beleza e mudanças a cada nova colheita e a cada flor que desabrocha na primavera. —Ethan, agora com seus quinze anos bem vividos, está alto, forte e ostenta uma postura firme e confiante, muito semelhante à de Preston quando anda pela propriedade. — Seu olhar profundo e escuro reflete exatamente a mesma determinação e honra que sempre reconheço em seu pai, mas ele continua dono daquele coração sensível, puro e extremamente atento aos sentimentos das pessoas que ama, principalmente das irmãs gêmeas e do pequeno Hector.Loren e Lauren, aos nove anos de idade, são duas meninas vibrantes, inteligentes e completamente cheias de energia para gastar pelo rancho. — Elas passam horas a fio explorando cada canto do Aras entre risadas altas, pequenas discussões bobas e travessuras inocentes, inseparáveis como sempre foram desde a barriga, embora
NOSSA FAMÍLIA ESTÁ COMPLETAMADISONAs manhãs no Aras Lawson se transformam com uma beleza serena ao longo dos anos. — O tempo passa suavemente e de forma generosa para quem planta raízes sólidas no solo, sem pressa alguma, mas deixando marcas profundas de amor em cada canto do rancho. —:Minhas filhas gêmeas, agora com três aninhos de idade, correm felizes pelo gramado verdejante como duas pequenas e adoráveis tempestades de pura alegria, tropeçando nas próprias pernas, disputando brinquedos coloridos e, poucos segundos depois, abraçando-se novamente com carinho como se absolutamente nada tivesse acontecido entre elas. — Ethan, aos nove anos, está visivelmente mais alto, forte e atento a tudo o que acontece ao seu redor, contudo continua com aquele coração gigante de sempre e com a firme certeza de que é o grande responsável por organizar a vida amorosa e a felicidade de toda a nossa família.Estou confortavelmente sentada na varanda de madeira da casa principal, embalando o meu be
O PEQUENO CUPIDO ATACA NOVAMENTEMADISONOs meses correm como o vento que balança os campos ao redor do Aras. — Minhas meninas já não são aqueles pequenos pacotinhos frágeis que acompanhei com o coração apertado dentro das incubadoras. — Loren e Lauren crescem saudáveis e cheias de personalidade, e agora engatinham pela sala da mansão, disputam brinquedos, derrubam almofadas e espalham pela casa aquelas gargalhadas cristalinas que se transformaram em uma das minhas músicas preferidas.— Preston observa tudo com aquele sorriso tranquilo de quem ainda parece se surpreender, todos os dias, com a própria felicidade.Em uma dessas tardes ensolaradas, estendo uma manta no chão da sala para as meninas brincarem. Loren imediatamente tenta alcançar um brinquedo que Lauren segura, enquanto a irmã se afasta engatinhando, claramente decidida a não compartilhar sua conquista. — Estou prestes a interferir na pequena disputa quando Ethan surge ao meu lado com aquela expressão séria que conheço m
A CHEGADA DAS PRINCESASPRESTONPrendo a respiração por alguns segundos, sentindo o peito arder de pura emoção enquanto observo a Madison reunir as últimas forças do seu corpo para continuar. — Seguro a mão dela com extrema firmeza, permaneço o mais próximo que consigo do seu rosto e tento transmitir toda a segurança do mundo através do meu olhar, embora o meu próprio coração esteja completamente disparado contra o peito.— Força, meu amor! Só mais um pouco de esforço! Eu estou aqui com você e definitivamente não vou sair do seu lado por nada neste mundo!Madison fecha os olhos com força, concentra-se inteiramente nas orientações calmas da equipe médica e faz a força necessária no momento da contração.,— Por um segundo infinito, um silêncio denso e tenso domina toda a sala de parto. — Então, um choro forte, estridente, lindo e cheio de vida rompe o ambiente, arrancando de mim uma emoção tão avassaladora e visceral que preciso respirar profundamente várias vezes para não desabar no
Outra contração forte começa no meu ventre, e dessa vez não tenho mais a menor dúvida de que tudo mudou.— Chama o Preston, mamãe, chama o Preston agora mesmo, as meninas querem nascer hoje!— Respiro profundamente enquanto seguro a barriga com as duas mãos.— Graças a Deus eu consegui chegar às trinta e seis semanas completas.— Minha mãe está visivelmente assustada com a rapidez, mas reage rapidamente como uma mulher de fibra. — Pega o telefone celular no bolso enquanto me ajuda com cuidado a sair do banheiro e sentar na cama.— Vou avisar o Preston agora mesmo e mandar preparar o carro com o motorista. Precisamos levar você com urgência para a maternidade.Seguro o braço dela com firmeza.— E o Ethan, mamãe? Ele está na escola essa hora, alguém precisa buscá-lo na saída.— Depois nós resolvemos isso com calma, minha filha. Primeiro precisamos colocar você com segurança no carro e chegar à maternidade.Concordo com a cabeça, embora imediatamente pense no pequeno Ethan chegando da e







