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A Vilã Quer o Divórcio
A Vilã Quer o Divórcio
Autor: Redleaves

Capítulo 1

Autor: Redleaves
Três dias antes de eu despertar para toda aquela verdade, Renato parou de comer os cafés da manhã que eu preparava.

A desculpa dele era sempre a mesma: estava atrasado.

Eu não pensei muito nisso. Continuei preparando tudo como de costume. Depois de três anos de casamento, aquilo já havia se tornado um reflexo.

Agora eu sabia o motivo da pressa.

Ele estava economizando tempo para tomar café da manhã com Noemi.

Noemi Vessi, a heroína de "Sunshine Donna".

Ela era o tipo de mulher que iluminava qualquer ambiente: vibrante, calorosa, transbordando vida por todos os lados.

Na manhã em que compreendi tudo pela primeira vez, acompanhei Renato até a porta e observei seu carro sair da garagem. Dei um passo à frente, levei as mãos à boca e gritei:

— Renato, eu te amo!

Ele apenas acenou sem olhar para trás e acelerou.

Nada.

O vento levantado pelos pneus espalhou folhas secas pelo asfalto, como se ecoasse um pensamento que jamais fora dito em voz alta.

Ele havia mudado.

Fiquei ali, sob a luz do sol, sentindo-me completamente vazia.

Eu tinha apenas três anos quando o vi pela primeira vez.

Foi como ser atingida por um raio.

Naquele mesmo dia, o segui até sua casa e fiz uma cena tão grande que nossas famílias riram daquilo durante anos.

Passei toda a infância correndo atrás dele como uma segunda sombra.

Quando tinha dez anos, gastei três mil dólares em um leilão beneficente apenas para me sentar à sua frente durante uma hora.

Aos treze, convidei-o para o baile da primavera.

Ele aceitou.

Fiquei uma semana inteira sem conseguir dormir.

Aos dezoito, na noite do baile de formatura, depois de tanta insistência que até eu mesma sentia vergonha, finalmente consegui beijá-lo.

Aos vinte e cinco, ficamos diante de Deus e fizemos nossos votos.

Todos diziam que éramos o casal perfeito.

A união entre a família Gatti e a família Milano.

Duas das linhagens mais poderosas da Costa Leste.

Eu acreditava nisso.

Acreditei até o instante em que despertei dentro daquela história e finalmente compreendi a verdade.

Sempre foi um amor unilateral.

Tudo o que Renato sentia por mim não passava de hábito.

De responsabilidade.

Do tipo de sentimento que cresce no espaço onde o amor verdadeiro nunca se deu ao trabalho de aparecer.

Ele era um navio sem motor.

E eu fui o vento que o empurrou para frente durante vinte e cinco anos.

Então Noemi apareceu.

E mudou tudo.

Ela trabalhava no clube dele.

Era bartender.

Suas habilidades chamaram a atenção de Renato.

Sua energia o fascinava.

A admiração transformou-se em atração.

A atração transformou-se em algo ainda mais profundo.

Mesmo assim, Renato permaneceu fisicamente fiel a mim.

O que compartilhava com Noemi era apenas um amor platônico.

Mas toda grande história de amor precisa de uma vilã para alimentar as chamas.

E essa vilã era eu.

Gianna Milano.

O enredo exigia que eu descobrisse aquele caso emocional e declarasse guerra a Noemi.

Pequenas crueldades.

Explosões de ciúme.

Humilhações sucessivas.

Tudo para fazer Noemi parecer ainda mais brilhante em comparação.

O desprezo de Renato por mim aumentaria pouco a pouco até que ele próprio me entregaria os papéis do divórcio.

Então eu recorreria ao meu pai e tentaria usar o poder da família para separá-los.

Renato me derrotaria em cada movimento.

Desmantelaria a organização dos Milano.

E pronunciaria pessoalmente minha sentença final.

Uma bala.

Bem no centro da testa.

Depois disso, ele e Noemi viveriam felizes para sempre.

Voltei a mim e pressionei os dedos contra a testa.

Uma dor fraca e fantasmagórica surgiu naquele ponto, como se a bala já tivesse escolhido seu destino.

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Último capítulo

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    Oito meses depois, dei à luz uma menina.Meu pai a segurava com as duas mãos, como se ela fosse feita de algo extremamente frágil.Seus olhos estavam suaves.De um jeito que eu só havia visto quando ele olhava para mim.Observei os dois.Aquele homem que carregava tantas décadas de vida.E aquela pequena recém-chegada ao mundo.Então senti meu coração se encher de uma felicidade simples e genuína.Eu havia mudado o final.Saí da trajetória daquela bala.Salvei minha filha.A vida é assim.Às vezes, a coragem é o preço da sorte.E até mesmo das feridas podem nascer asas.Meu pai devolveu a bebê para meus braços.Os dedinhos dela se fecharam em torno dos meus.Um gesto instintivo.Um reflexo natural.O menor aperto possível.Então ela sorriu.Aquele sorriso enrugado, desajeitado e absolutamente sincero de um recém-nascido.Inclinei-me e encostei minha bochecha na dela.No canto da visão, por um breve instante, percebi uma figura parada na porta.Quando tentei olhar

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