LOGINNo quarto do hospital, impregnado pelo cheiro de antisséptico e pelo som suave e ritmado do equipamento de infusão, Angelina estava sentada ao lado da cama. Com delicadeza, alimentava Hans com uma colher, enquanto ele se mostrava muito mais manhoso do que de costume. Dez minutos antes, os pais de Hans haviam acabado de deixar o quarto, dando aos dois um momento a sós.Hans sorriu fracamente, mas ainda encontrou forças para provocá-la.— Veja só, nem consigo comer sem a sua ajuda — disse ele, apertando firmemente a mão de Angelina.Embora ainda tivesse uma agulha de soro inserida na mão, seu toque era quente, fazendo o coração de Angelina estremecer suavemente.— Então, trate de se recuperar logo, para que eu não precise mais alimentá-lo — respondeu Angelina baixinho, tentando esconder o rubor em suas bochechas.Hans a encarou profundamente. Aquele olhar fez o tempo parecer parar.— Angelina, o que você sentiu... quando eu estava entre a vida e a morte? — perguntou ele, com uma voz sua
Na imponente sala de estar da família Almero, Axton estava sentado ao lado de Hana, tentando parecer tranquilo. No entanto, os movimentos inquietos de suas mãos e o sorriso forçado em seu rosto deixavam claro que ele estava nervoso. O olhar penetrante da avó parecia atravessá-lo, como se fosse capaz de enxergar todas as mentiras que ele escondia.— Diga-me, Axton. O que aconteceu desde que fui embora? — perguntou Hana, com uma voz serena, mas carregada de pressão.A pergunta fez Evelyn engolir em seco. Ela mudou de posição no sofá várias vezes, tentando disfarçar o nervosismo que mal conseguia esconder.— Aconteceram... muitas coisas, Hana — respondeu Axton lentamente, deixando o olhar perdido por um instante, como se estivesse se lembrando de algo doloroso.— Não vi Angelina desde que cheguei. Onde está aquela garota? — perguntou Hana novamente, dessa vez em um tom suave, porém penetrante.— Angelina não mora mais aqui, mamãe — respondeu Evelyn rapidamente, poupando Axton de ter que
Na residência da família Almero, o ambiente naquela tarde estava tão silencioso que até o tique-taque do relógio na parede podia ser ouvido com clareza. Evelyn permanecia imóvel diante da senhora idosa que agora estava elegantemente sentada no sofá da sala de estar. Suas mãos tremiam, e sua respiração estava entrecortada. Repetidas vezes, ela tentava confirmar o que seus olhos viam, com medo de que tudo aquilo não passasse de uma ilusão.— Evelyn, por que está me olhando desse jeito? Não sou um fantasma, não precisa ter medo! — resmungou Hana, lançando à filha um olhar penetrante, embora com um toque de ternura. — Sente-se ao meu lado. Tenho muitas coisas para lhe perguntar.Aquela voz... era tão familiar. Evelyn engoliu em seco, sentindo os olhos arderem.— Mamãe... mas naquela época...Sua voz falhou. Ela não conseguiu terminar a frase. Todos sabiam que a morte de Hana havia sido amplamente divulgada pela mídia de Washington. O carro que ela dirigia caíra em um desfiladeiro, e as no
Embora a situação de Angelina fosse tensa, ela ainda tentava manter a calma. Sua respiração estava pesada, mas seu rosto permanecia impassível, como se não houvesse o menor sinal de medo tomando conta dela.— Acha que pode me ameaçar, Axton? — perguntou Angelina despreocupadamente, olhando diretamente para o homem que agora estava de pé, com uma arma apontada para ela.Axton não se moveu. Seu olhar era penetrante, carregado de um ódio acumulado ao longo dos anos.— Se você acha que esta arma é uma ameaça, está muito enganada, Angelina. Na verdade, ela representa a dura realidade do fim da sua vida.A voz de Axton era fria. Seus dedos pressionaram levemente o gatilho, mas ainda não o suficiente para disparar.— Se eu morrer pelas suas mãos — disse Angelina, com a voz tranquila, embora seus olhos estivessem cheios de cautela —, então sua próxima morada será a prisão.Ela estava provocando deliberadamente as emoções daquele homem, na esperança de que Axton não agisse por impulso.— Nenhu
Naquela tarde, o ambiente do escritório parecia tranquilo. O único som que se ouvia era o dos saltos de Angelina ecoando pelo piso de mármore enquanto ela caminhava em direção à sua sala. Alguns funcionários que passavam por ela chegaram a cumprimentá-la com sorrisos educados. Angelina retribuiu brevemente, limitando-se a um pequeno aceno de cabeça, sem dizer muita coisa.Quando estava a apenas alguns metros da porta da sala da diretoria, uma voz apressada vinda de trás a fez se virar.— Senhorita Angelina, espere um momento! — chamou sua secretária, quase sem fôlego.Angelina parou de caminhar.— Sim, o que aconteceu? — perguntou, em tom indiferente.A secretária parecia nervosa.— Na sala de reuniões... está o Sr. Axton.As sobrancelhas de Angelina se franziram imediatamente.— Axton? Temos alguma reunião agendada hoje com a empresa Laga Group? — perguntou, tentando se lembrar, mas não encontrou aquele nome em sua agenda.— Não, senhorita. Mas o Sr. Axton insistiu em falar com a sen
O ambiente do quarto do hospital estava tomado pela tristeza. Hans ainda permanecia deitado na cama, fraco e pálido, sem recuperar a consciência. O soro estava conectado à sua mão, e a Sra. Wilona não conseguia conter as lágrimas. O Sr. Carlos estava ao lado da cama, com os olhos vermelhos, observando seu filho tão querido em um estado de completa vulnerabilidade.— Meu Deus, como isso pôde acontecer? — murmurou a Sra. Wilona, enquanto segurava a mão de Hans.Angelina estava alguns passos atrás deles, com a cabeça baixa. Ela sabia que, mais cedo ou mais tarde, a família Derox certamente faria perguntas. E, como era de se esperar, o Sr. Carlos lançou-lhe um olhar investigativo.— Angelina — chamou ele, em voz baixa, mas firme. — O que realmente aconteceu ontem? Como Hans acabou nessa situação?Angelina respirou fundo e explicou tudo: o episódio aterrorizante ocorrido quando voltavam da residência dos Derox, como Hans tentara protegê-la e a luta intensa contra os dois homens misteriosos







