INICIAR SESIÓNArthur MontenegroAlguns anos se passaram desde aquela noite em que tudo pareceu finalmente se encaixar. E, de certa forma, se encaixou mesmo. A vida não ficou perfeita, nunca fica, mas encontrou um equilíbrio que, por muito tempo, eu achei que não existia para mim. Hoje, quando acordo, não estou mais com o peso de resolver o mundo antes do café. É com o som da casa viva, minha princesa Lavínia e Theo tomando café e procurando meias pela casa. Ele nunca sabe onde estão.Lavínia chora no quarto ao lado, exigindo atenção com a autoridade de quem acabou de chegar ao mundo e já entende que é o centro dele. Theo, agora um adolescente, reclama do barulho enquanto tenta manter a pose de quem já cresceu, mas ainda desce para o café com o cabelo bagunçado e a mesma mania de falar demais.E a Lívia… A Lívia escolheu desacelerar.Não foi uma decisão impulsiva, nem fácil. Eu vi o quanto ela pensou, o quanto pesou cada detalhe antes de decidir se afastar da empresa. Mas, quando ela finalmente diss
Lívia RochaEu nunca tive tanto medo de uma resposta quanto naquele dia em que voltei para casa com Arthur ao meu lado. O caminho parecia mais curto do que antes, mas a urgência dentro de mim fazia tudo acelerar, e mesmo com a mão dele firme segurando a minha, havia algo que eu sabia que precisava enfrentar por conta própria. Quando paramos em frente à casa, ele me olhou por um segundo e disse em voz baixa: — Eu tô aqui, independente do que vier.Eu apenas assenti, porque qualquer palavra naquele momento parecia pequena demais. Quando a porta se abriu, minha mãe não sorriu, e aquilo foi suficiente para me preparar para o que viria.— Oi, filha… — ela disse com a voz baixa — como foi lá?A mansão parecia menor, mais silenciosa, como se estivesse carregando tudo o que ainda não tinha sido dito, parecia não caber nós três no mesmo espaço. Sentamos e Arthur ficou mais ao fundo, atento, mas respeitando o momento, e minha mãe respirou fundo antes de começar.— Eu não vou esconder nada de vo
Capitulo 66Lívia RochaEu não sabia que o silêncio podia ser tão barulhento até entrar naquela delegacia. O cheiro de café velho, papel e tensão grudava na pele. Cada passo que eu dava parecia ecoar mais alto que o normal, como se o lugar inteiro soubesse exatamente por que eu estava ali. Arthur caminhava ao meu lado, firme, mas eu conhecia aquele silêncio… não era calma.— Fica perto de mim — ele disse baixo, sem me olhar.Assenti, mas a verdade é que eu já estava perto demais de tudo aquilo. Fomos levados até uma sala de espera fria, com cadeiras duras e luz pálida. O tipo de luz que não acolhe, mas expõe. Um investigador se aproximou, falando com Arthur em tom técnico, direto, cheio de termos que deveriam me tranquilizar, mas faziam o oposto.— Conseguimos mais do que o esperado — ele disse — mas ele… não está colaborando.Claro que não. Lauro Montenegro nunca colaborava. Ele controlava.— Eu quero vê-lo — falei, antes mesmo de pensar.Arthur virou o rosto na minha direção, o olha
Lívia RochaA viagem de volta foi silenciosa. Diferente da ida… minha mente não estava mais em desespero, mas também não estava em paz. Era como se eu tivesse recolhido pedaços importantes, mas ainda não soubesse exatamente onde encaixá-los. Quando o ônibus finalmente parou, meu coração apertou de um jeito estranho.E então eu o vi Arthur encostado no carro, postura firme, olhar atento, como se estivesse ali há horas. Assim que me viu, ele se endireitou e naquele instante tudo em mim relaxou. Desci com a mala pequena na mão, mas antes mesmo de dar dois passos, ele já estava na minha frente sem dizer nada me puxou para um abraço forte, seguro e necessário. Fechei os olhos por um segundo, sentindo o cheiro dele, o calor, a presença.
Lívia RochaDepois que minha mãe saiu daquela forma, a casa nunca mais pareceu a mesma. O silêncio ganhou outro significado, não era mais apenas ausência de som… era ausência dela e, ainda assim, a vida não parou. Talvez essa tenha sido a parte mais estranha de tudo. Mesmo com o caos emocional, com a tensão ainda pairando entre nós, com a sombra de Lauro Montenegro rondando nossos pensamentos… a rotina continuou. Arthur continuou indo para a empresa todos os dias. Eu continuei cuidando da casa, de Theo, das finanças, tentando manter tudo em ordem como se aquilo fosse suficiente para segurar o mundo no lugar. E Theo…Theo era o nosso respiro, a nossa âncora. Naquela semana, ele falava de uma coisa só, a formatura.&md
Lívia RochaDepois que minha mãe saiu daquela forma, a casa nunca mais pareceu a mesma. O silêncio ganhou outro significado, não era mais apenas ausência de som… era ausência dela e, ainda assim, a vida não parou. Talvez essa tenha sido a parte mais estranha de tudo. Mesmo com o caos emocional, com a tensão ainda pairando entre nós, com a sombra de Lauro Montenegro rondando nossos pensamentos… a rotina continuou. Arthur continuou indo para a empresa todos os dias. Eu continuei cuidando da casa, de Theo, das finanças, tentando manter tudo em ordem como se aquilo fosse suficiente para segurar o mundo no lugar. E Theo…Theo era o nosso respiro, a nossa âncora. Naquela semana, ele falava de uma coisa só, a formatura.&md







