LOGINInês Porto Avelar sempre pleiteou por seus objetivos. É uma jovem Delegada Civil de 29 anos, decidida, de personalidade forte, autoconfiante, reservada e pragmática. Anda sempre com uma postura impassível e não tolera lacunas, é exigente e meticulosa. Ela não se dispõe a viver novas experiências e muito menos que ninguém se aproxime de seu coração, é muito racional e objetiva, pois já se decepcionou com quem julgou ser a pessoa ideal. Mas, muita coisa irá mudar quando Arthur cruzar seu caminho e ameaçar tirá -la da sua zona de proteção... Arthur Moraes Castelo Branco é um médico nefrologista de renome conhecido por suas habilidades no hospital e que se considera casado com o trabalho. Aos 34 anos vive de acordo com suas próprias regras e sabe aproveitar a vida e se divertir como ninguém, adora as mulheres, sexo fácil e desapego é o seu lema. Ele não se imagina em um relacionamento, pois se acha incapaz de conseguir ficar com uma só mulher e gosta de diversificar, sem complicações. Mas o destino lhes reserva surpresas... Um esbarrão, um olhar e suas vidas não serão mais as mesmas. Uma vez que com apenas um olhar, terá despertado sentimentos e sensações até então nunca vivenciados por ambos. Eles serão surpreendidos e se verão envolvidos. Mas será ele capaz de penetrar a armadura existente em volta do coração dela? E estará ela preparada e apta para domar o coração dele, fazendo assim o que nenhuma outra fora capaz ?
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2 (dois) anos antes... Acordo olhando para o teto. Depois, faço uma vistoria ao meu redor. Ainda não me acostumei com meu novo lar; a ficha está demorando para cair por completo. Abro um sorriso daqueles que demonstram toda a alegria e satisfação possíveis de se estampar na cara de uma pessoa. Espreguiço o corpo, a fim de jogar fora toda a fleuma existente nele, para, automaticamente, ir ao banheiro em busca de fazer minha higiene matinal. Ao término, encaro o espelho e constato minha cara de boboca cansada, mas muito feliz. Em seguida, conduzo-me, com toda a graça e elegância agraciadas por Deus, até a singela cozinha do meu novo e recém-adquirido apartamento. Tomo um café reforçado, com pães — pães no plural mesmo — e um café com leite bem forte. Após lavar a louça suja, sigo para a sala e me jogo no sofá. Pego uma almofada, coloco-a embaixo da cabeça como apoio e, instantaneamente, fecho os olhos por breves instantes. Tão logo, sou tomada por divagações da minha mente, que fazem uma retrospectiva dos últimos acontecimentos da minha nada mole vida. Inicialmente, lembro-me de que, há alguns meses, eu era apenas uma simples advogada que se matava para captar clientes e pagar as contas em dia. Ser advogada, para mim, era um suplício. Não vou negar que tenho muita admiração pela profissão, mas não era a minha praia. Trabalhava em casa, onde também tinha meu escritório, mas rodava Beberibe inteira. Inclusive, ia para a capital, Fortaleza, todinha, resolvendo coisas. Era uma espécie de clínica geral da advocacia na minha cidade natal, meu Nordeste amado. Eu tinha uma vida estável, um trabalho em partes prazeroso, porém não era o objeto de desejo para uma vida toda. Eu almejava ser autoridade policial. Tracei essa meta e cá estou eu, depois de muito esforço, dedicação, renúncias e noites insones, que foram validados com a minha conquista: lograr êxito e passar no concurso público dos meus sonhos. Agora, sou Delegada de Polícia Civil, assim como tanto ansiei. Para isso, tive que deixar tudo para trás e vir morar em outra cidade. Abri mão da convivência com familiares e amigos para trabalhar no que realmente amo. Estou explodindo de felicidade, pois daqui a três dias é a minha formatura no Curso de Formação e, dentro de pouco menos de um mês, será minha posse no cargo de Delegada de Polícia Civil do Estado de Santa Catarina. — Consegui! É... Às vezes, eu ainda não consigo acreditar. Pareço estar sonhando acordada. Minha vida deu um giro de 180° nos últimos tempos, mais precisamente nos últimos sete meses. Mas a vida tem dessas: te surpreende. Ano passado, prestei concurso na minha cidade e não consegui passar. Tenho a intuição de que, de certo, aqui é o meu lugar. A vida tem dessas. Nem tudo é exatamente como desejamos, certo? Devemos nos ajustar às mudanças que acontecem no decorrer dela e entender que tudo tem seu preço. Preço este que paguei para ver. Mesmo eu sempre sendo uma aluna dedicada e esforçada, tive que, aos poucos, ir abdicando da minha vida social em prol das minhas conquistas. Porém, tentei ao máximo não deixar que o meu foco afetasse minha relação com minha família e com aqueles que eu considerava amigos verdadeiros — que, com isso, ficaram reduzidos a uma quantidade que se pode contar nos dedos das mãos. Deixei de badalar, mas nunca deixei de me divertir. Uma vez aqui, outra ali. Não foi nada fácil. Tive diversas vezes vontade de parar e deixar as coisas como estavam. Mas fui mais forte. Venci minhas próprias barreiras. E, felizmente, faço parte de uma família nada normal: muito barulhenta, incentivadora, animada e, acima de tudo, unida. Uma família que me apoia incondicionalmente. Só de pensar já sinto saudades... Nossa! É difícil. É, mas é a vida. Já no quesito relacionamentos, mais precisamente namoro, eu nunca tinha tido lá muitas emoções até algum tempo atrás. Em uma das minhas saídas com os amigos, conheci o babaca do meu ex, que foi o único ser que conseguiu me conquistar, mas também o único a conseguir me desapontar, assolando a minha esperança de existirem homens fiéis e relacionamentos eternos. E pior de tudo é que isso refletiu tanto em mim que me fechei completamente para o amor. Simplesmente não consigo! O infeliz conseguiu me marcar, deixando uma cicatriz no meu ego e, provavelmente, no coração. Ser traída por alguém em quem você acredita ser seu match é uma pancada forte que só quem recebe sabe a intensidade de quanto dói. Até então, você acha que, se acontecer com você, vai virar a página e seguir em frente. Sinto te informar, mas as coisas não funcionam assim. Não quando há sentimento envolvido. Principalmente se o cara for igual a tudo o que você tinha idealizado: perfeito, romântico, carinhoso, compreensivo, companheiro e incentivador. Aquele que te entendia como ninguém... Arg! Pura enganação! É lamentável, mas é a realidade. Pior ainda é sentir esse sentimento de nostalgia que me toma a mente às vezes, relembrando momentos bons vividos juntos, os planos e tudo mais. Meu cérebro é traidor. Tanto que ele me remete a esses pensamentos justamente nos meus momentos de felicidade, festividades e comemorações de conquistas, quando eu deveria estar em puro êxtase. Eu sinto como se faltasse algo. Seria ele? Não. Não pode ser. Sei lá... Parece que não estou completa. Sinto um vazio se formar e um aperto no peito, uma dor que vai apertando silenciosamente o meu coração. Que ódio! Sei lá... Deve ser carência. Só pode. Ego massacrado... Mas, graças a Deus, meu juízo e meu orgulho têm sido mais fortes. — Uma hora eu esqueço! — Droga! Faz tanto tempo... São quase dois anos depois de todo o pesadelo. Meus muros e defesas foram ativados. Tornei-me uma pessoa praticamente cética em relação aos homens. Só não digo que sou completamente porque tenho pai e irmão. Confesso que, iludida com essa possibilidade, até tentei namorar, mas não consegui levar nada adiante. Sempre me vem à mente a imagem dele beijando aquela mulher e suas palavras, que ecoam até hoje na minha mente. — Amor, não é nada disso. Ela me agarrou... — E te forçou a vir para cá também foi? Não era para estar viajando? — Tá bom, eu confesso, mas era só sexo. Quem eu quero é você, não ela. Você é a mulher da minha vida. Me perdoa! Dei-lhe um tapa bem dado, mas que não foi suficiente para expurgar a dor que eu sentia. Fiquei arrasada. Chorei na escuridão do quarto. E pus uma máscara. Fiz-me forte. Ergui muros ao redor do meu coração e abri os olhos para a realidade lamentável de que homens raramente se envolvem verdadeiramente e se entregam por inteiro, assim como nós. Eu era tão romântica que estava vendada para a realidade lastimável que é a vida real. Eu nunca viveria um conto de fadas fora dos livros. Ah! Como eu era ingênua! — Preste atenção: era. Fui. Do tempo passado. Deixei todas as lágrimas e fraquezas no mar há muito tempo, quando saí daquela boate. Prometi a mim mesma que iria me amar e ser suficiente para mim. Naquele dia, acabei indo me acalmar na praia e, olhando para a imensidão das águas do mar, fiz uma promessa: Nunca, jamais, de modo algum, deixaria um homem sequer se aproximar do meu coração. Não derramaria uma lágrima de sofrimento por nenhum outro. Seria dura e implacável com esses pulhas que pensam e sentem só com a cabeça de baixo! — Em tempo algum irei me apaixonar novamente! — Jamais cairei nessa armadilha! — Jamais direi "eu te amo" novamente.INÊS PORTO— Inezita, estou tão feliz de estar aqui com você! Quero que seja sincera e me diga se realmente não vou atrapalhar você em nada! — diz Melissa.— Mel, sua boba! Você nunca vai me atrapalhar. Você é minha irmã, eu te amo e fico feliz que venha morar comigo e seguir seus planos, assim como eu fiz! Eu estou orgulhosa de você! E não me chame assim, você sabe que eu detesto.Melissa tem 23 anos, é médica e veio para cá fazer sua residência em um dos melhores hospitais do Brasil. Fiquei muito feliz quando, há alguns meses, ela me contou que gostaria de vir para cá e que pretendia tentar uma vaga aqui. E que bom que ela conseguiu!Vai ser maravilhoso tê-la por perto. Ela, além de irmã, é minha amiga, confidente e porto seguro. Apesar de nossa diferença de idade ser de três anos, sempre fomos unidas e companheiras.— E para de toda essa lenga-lenga de que não quer me atrapalhar! — respondo.Ela me abraça e diz:— Eu também te amo, delegada mandona!Caímos na gargalhada.E, ao cont
ARTHUR CASTELO— Desculpa, eu estava tão distraído que nem olhei para a frente. Foi sem querer, me desculpe! — digo.Ela dá um aceno com a cabeça e, de forma ríspida e seca, diz:— Ok, tanto faz. Da próxima vez, olha por onde anda!E, assim que olho para quem esbarrei, fico hipnotizado, fazendo uma avaliação completa dos pés à cabeça. Ela é uma morena linda, com olhos verdes expressivos, uma boca sensual e um corpo de tirar o fôlego.Sinto meu corpo todo enrijecer e cada fio de cabelo se arrepiar.Poxa! Essa mulher é uma visão dos deuses!Vejo que ela deixou a bolsa cair com o impacto e logo em seguida se abaixa para apanhar algumas coisas que caíram no chão. É quando avisto algo que chama minha atenção.Ela tem um par de algemas na bolsa que parecem ser bem reais.Alcanço o objeto e o recolho do chão. Penso que ela deve ser alguma espécie de dominatrix e, só de imaginar, sinto uma onda de desejo. Quando percebo, já externei meus pensamentos.— Eu adoro mulheres que gostam de dominar
ARTHUR CASTELO O avião acabou de pousar no Aeroporto Internacional de Florianópolis. Acabo de chegar das minhas merecidas férias em Ibiza. Decidi tirar apenas uns quinze dias. Não consigo ficar mais tempo do que isso longe do meu trabalho, se bem que não foi lá nenhum sacrifício. Realmente, estava precisando curtir novos ares, e essas foram férias maravilhosas...Ah! Que lembranças! Muita festa, diversão, mulheres bonitas, desinibidas e despretensiosas, prontas para a ação!E são essas lembranças que me fazem, mais uma vez, pensar e refletir sobre a vida e me questionar: por que, sendo eu um cara bonito, solteiro, bem-sucedido, boa-pinta, livre e desimpedido, cogitaria ter outra vida?Ah! Lógico que não!Sabe a quantidade de mulheres que me aparece? E poder usufruir dessa quantidade boa, tendo sexo casual facilmente garantido, estando totalmente livre e desimpedido para a próxima?Então, com a quantidade de adjetivos e qualidades que possuo, é impossível que as mulheres resistam. E
INÊS PORTOEstava tão compenetrada no trabalho, terminando de avaliar provas para finalizar um inquérito, que nem vi o tempo passar. Só percebi que finalmente meu turno havia acabado quando o delegado de plantão, Ventana, bateu à porta.— Olá, Dra.! Como anda sua excelência? Cada dia mais bela, se permite — diz Ventana.Como sempre, ele é bem galanteador. Às vezes fico sem graça, mas não vou ser hipócrita e dizer que não gosto.Pois bem, eu gosto. Faz-me sentir desejada e, é claro, alimenta meu ego. Sei que sou uma mulher bonita e tenho lá meus atributos, mas é sempre bom ouvir isso de outras pessoas e receber elogios. Qual mulher não gosta, não é mesmo?Mas, ao mesmo tempo, fico em alerta e não me deixo levar por galanteios, ainda mais no meu ambiente de trabalho.— Obrigada, Ventana! Estou bem e sem muito tempo para conversar no momento. Agradeço seu elogio, mas permaneço igualzinha à última vez que nos vimos. Acredito que sejam seus olhos.Sei que fui um pouco áspera ao dar minha r









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