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Capítulo 9

Author: Lykke
last update publish date: 2026-10-28 05:18:14

E, pela primeira vez, começou a suspeitar que o homem que havia ido até sua casa não estava apenas procurando por seu pai.

Estava procurando por alguma coisa que Alberto havia perdido.

Ou, talvez, por algo que nunca deveria ter pegado.

Lucia permaneceu no sofá por um longo tempo naquela noite.

O notebook havia ficado sobre a mesa, esquecido. Ela até tentou voltar ao trabalho, mas não conseguiu manter a atenção por mais de alguns minutos. Toda vez que começava a ler alguma coisa, a voz do leitor
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    — Isso parece um plano muito elaborado para encontrar o Instagram de alguém.— Você quer ou não quer saber quem ele é?Lucia demorou um pouco para responder.A verdade era que queria. Não sabia se por causa da situação com Alberto, pela maneira como Vincenzo parecia saber muito mais do que dizia ou simplesmente porque começava a achar as conversas com ele interessantes. Talvez fosse uma mistura das três coisas.Mas havia também algo que a incomodava: ela não queria descobrir informações sobre ele apenas para satisfazer uma curiosidade passageira. Se Vincenzo continuasse aparecendo, talvez acabasse contando alguma coisa por vontade própria.— Quero saber um pouco mais — admitiu.Clara soltou um som de satisfação.— Sabia!— Mas não vou ficar interrogando o homem.— Não precisa. Você só conversa. É muito boa nisso quando quer.— E você vai ficar esperando meu relatório?— Com certeza. Quero saber até o que ele pediu para beber.— Ele sempre pede café.— Então já temos uma informação imp

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    Lucia estava sentada no sofá, com as pernas dobradas sobre a almofada e o celular apoiado entre as mãos. O notebook permanecia fechado sobre a mesa de centro. Tinha terminado o trabalho mais cedo do que esperava e, depois de alguns minutos tentando decidir o que fazer com o restante da noite, acabou pegando o telefone para conversar com Clara.A amiga atendeu na terceira chamada.— Olha só quem resolveu aparecer! — Clara falou, animada. — Pensei que você tivesse sido sequestrada pelo seu computador.— Ainda não. Mas ele está fazendo um esforço considerável para isso acontecer.— Você precisa mesmo comprar outro.— Eu sei. Não precisa se juntar a ele para me pressionar.Clara riu do outro lado.— Tudo bem. E como você está?— Estou bem. Na verdade, queria te perguntar uma coisa.— Isso nunca começa de um jeito inocente.Lucia sorriu.— Como você faz para encontrar alguém no Instagram quando não sabe o sobrenome completo?— Depende. Você tem o nome?— Tenho.— Então é fácil. Qual é?Luc

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    Vincenzo descobriu que ela gostava de ouvir música enquanto caminhava, mas preferia deixar os fones guardados quando estava no café. Também soube que Clara, sua amiga, costumava insistir para que ela saísse mais de casa, embora Lucia considerasse que já saía o suficiente.— Sua amiga parece se preocupar bastante com você — comentou.— Ela se preocupa. Às vezes, até demais.— Isso incomoda?— Não quando ela pergunta antes de decidir o que é melhor para mim.Vincenzo reconheceu o recado, mesmo que ela não tivesse dirigido a frase diretamente a ele.— Entendi.— Ótimo.Ela voltou a sorrir e, dessa vez, colocou o fone novamente.— Preciso terminar esse trabalho antes que meu computador resolva se aposentar de vez.Vincenzo olhou para o aparelho antigo.— Ele está tão ruim assim?— Hoje está de mau humor. Amanhã talvez esteja melhor.— Você pretende continuar usando?— Até que ele pare de funcionar completamente ou até eu conseguir comprar outro.— Não seria melhor trocar antes disso?Luci

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    Lucia reconheceu a voz e sorriu discretamente.— Então é você.— Isso parece uma acusação.— Ainda estou decidindo.Vincenzo puxou a cadeira à sua frente, mas esperou um instante antes de se sentar.— Posso?— Pode. Mas não garanto que a conversa seja interessante. Estou trabalhando.— Vou tentar não atrapalhar.— Você diz isso como se fosse uma promessa fácil de cumprir.Ele se sentou.Lucia colocou o fone sobre a mesa e ajeitou o notebook. Não parecia surpresa por encontrá-lo ali, embora houvesse uma satisfação discreta em sua expressão.— Pensei que talvez você aparecesse hoje — comentou.Vincenzo apoiou uma das mãos sobre a mesa.— Por quê?— Porque você disse que voltaria.— E você acreditou?— Não exatamente. Mas achei que seria interessante descobrir se você costuma cumprir o que diz.Ele observou o sorriso que acompanhou a resposta.— E qual é o resultado?— Ainda estou avaliando.Uma atendente se aproximou para anotar o pedido de Vincenzo. Ele pediu um café sem consultar o ca

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