เข้าสู่ระบบCaio Silva Rocha Nunca tinha sentido tanta raiva na minha vida. Estava jogado no sofá da sala da mansão, com uma garrafa de cerveja na mão e os olhos fixos em algum ponto da parede. Ao meu lado, Luan parecia tão furioso quanto eu. Já Patrick estava sentado na poltrona à nossa frente, bebendo calado, como se ficar de boca fechada fosse resolver alguma coisa. O relógio da parede marcava quase duas da manhã. Peguei mais uma cerveja no balde de gelo, arranquei a tampinha com os dentes e dei um gole longo enquanto lembrava em como Bruna tinha sido fria. Tão fria que parecia outra pessoa. Aquela coelinha que a gente conhecia, que sempre olhava pra gente com carinho, simplesmente não estava mais ali. — A gente perdeu. Perdermos a nossa Coelhinha... — falei, olhando pro teto e soltando uma risada seca, cheia de raiva. — Eu não vou suportar isso. Vou enlouquecer. Não tô brincando. Luan balançou a cabeça, encarando o n
Bruna Marques Assim que o Patrick passou pela porta da sacada e desapareceu na escuridão da árvore junto com Luan e Caio, me aproximei da porta de vidro com as mãos tremendo. Girei a tranca com pressa e fechei as cortinas. Minhas pernas perderam a força. Levei as mãos à boca, mas não consegui segurar o choro. Caí de joelhos ao lado da cama, sentindo toda aquela dor que eu vinha tentando engolir desabar de uma vez. Estava com tanta raiva, tanto medo, mas a verdade mais dolorosa de todas era que ver os três ali, de tão perto, tinha reacendido uma chama que eu estava tentando apagar a todo custo. Eu ainda amava aqueles três idiotas. Enxuguei as lágrimas com as costas das mãos, tentando respirar fundo enquanto os soluços altos e descontrolados saíam da minha boca. — Por que tinha que ser tudo tão difícil? — Bruna? — A voz abafada do tio Miguel veio do outro lado da porta, acompanha
Patrick Silva Rocha A noite finalmente chegou, mas a nossa cabeça já estava uma bagunça completa. Depois de virar algumas garrafas de bebida pra tentar anestesiar a dor da culpa, nós três fomos direto para a casa dos tios da Bruna. A gente sabia o caminho de cor. O problema foi subir naquela maldita árvore; com o álcool pesando no sangue e as pernas meio trôpegas, quase fomos pro chão umas duas vezes. Mas a necessidade de ver o rosto dela era maior do que qualquer tombo. Luan quase caiu ao pousar na grama do quintal e soltou um xingamento baixo. — Cala a boca, porra — sussurrei, puxando ele pelo casaco. Subi primeiro, segurando nos galhos grossos. Meus pés escorregaram duas vezes na casca da árvore por causa do álcool, mas alcancei a grade do balcão da sacada e me puxei pra cima. Caio veio logo atrás, e Luan subiu por último, resmungando o tempo todo. A porta de vidro da sacada estava encostada, empurrei devagar. O quarto dela estava no breu absoluto. Entramos os três na pon
Luan Silva Rocha Girei a chave na fechadura e empurrei a porta pesada da entrada. Assim que pisei no hall com o Caio do meu lado, senti algo diferente no ar. Um cheiro forte de uísque. Era nem cinco da tarde e o Patrick já estava acabado no sofá da sala, com a garrafa pela metade na mesa de centro e um copo na mão. — Puta que pariu, Patrick. Cinco da tarde e você nesse estado? — Caio resmungou, jogando o paletó no braço da poltrona. Patrick nem se mexeu direito. Só levantou os olhos vermelhos, encarou a gente com um sorriso amargo e deu mais um gole longo. Depois, apontou com a cabeça pro chão perto do tapete. — Pedido de divórcio. — a voz dele saiu arrastada, grossa por causa do álcool. — Ela já assinou. A Bruna assinou. Tá tudo terminado, caralho. Eu travei no meio da sala, Caio parou do meu lado, o olhar fixo naqueles papéis no chão. Por mais que a gente soubesse que as coisas tinham ido pro buraco, ouvir aquilo com todas as letras doeu de um jeito desgraçado. A nossa Coelhi
Patrick Silva Rocha A mansão estava num silêncio incômodo quando desci para a sala de estar. O relógio no corredor já marcava dez da manhã. Luan e Caio haviam saído para a empresa mais cedo, deixando para trás aquele clima pesado que tinha virado rotina entre a gente desde que tudo fugiu do controle. Fui até a cozinha para pegar um café, mas a campainha da entrada me fez parar no meio do caminho. Fui até a entrada da mansão, onde o carteiro do condomínio me esperava, aquele mesmo que sempre passava no mesmo horário fazendo as entregas das casas. — Bom dia, Sr. Patrick. Tenho uma correspondência para o senhor. Preciso da sua assinatura aqui, por favor — disse, me entregando a prancheta com a caneta. Assinei o comprovante sem dar muita atenção, pegando o envelope pardo pesado com o carimbo oficial. Assim que li o remetente e o timbre da vara de família, meu estômago deu um nó. Rasguei o papel de qualquer jeito e tirei as folhas dali de dentro. Quando vi o título em destaque no t
Bruna Marques Mais um dia começava exatamente do mesmo jeito. Me levantei devagar, tomei banho e vesti uma saia longa de tecido grosso, pus a blusa fechada até o pescoço e amarrei o cabelo num coque bem firme. Não tinha opção. Sob o olho clínico do meu tio Miguel, até um fio de cabelo solto podia virar motivo para uma bronca sobre modéstia e vaidade. Desci as escadas para a sala de jantar achando que seria só mais uma manhã normal, pronta para aguentar aquela oração interminável antes do café. Mas, assim que pisei no último degrau, notei que o clima estava estranho. Meus tios já estavam à mesa, mas acompanhados por um homem que nunca tinha visto antes. Ele vestia um terno impecável e segurava uma pasta de couro preta. — Bom dia — falei baixinho, abaixando a cabeça para não encarar ninguém direto. — Bom dia, Bruna. Sente-se — o tom do tio Miguel veio firme, sem espaço para pergunta







