MasukEla nasceu em berço de ouro. Ele aprendeu a conquistar tudo à força. E agora ela pertence ao único homem que deveria temer. Sofia Montenegro sempre teve tudo o que o dinheiro podia comprar. Protegida atrás dos muros da mansão da família, jamais imaginou que as pessoas que mais amava seriam capazes de destruí-la. Até descobrir que o sobrenome Montenegro não vale tanto quanto ela pensava. Afundado em dívidas, seu pai faz um acordo desesperado com Dante Ferraz, o homem mais temido do morro. O preço para salvar a família é justamente o que Sofia mais quer proteger: sua liberdade. Um casamento. Arrancada da vida que conhece, Sofia passa a dividir o teto com um homem que não se curva a ninguém e parece sentir prazer em desafiá-la. Quanto mais ela tenta odiá-lo, mais difícil se torna ignorar a atração entre os dois. Mas por que Dante a escolheu? E o que ele realmente quer dela? Dante guarda segredos que podem mudar tudo. E, quando a verdade vier à tona, Sofia talvez descubra que o homem que a obrigou a se casar com ele não é o único que mentiu. Ela entrou nesse casamento sem amor e sem escolha. Mas sair dele pode custar muito mais do que a liberdade.
Lihat lebih banyak— Daqui a algumas horas, eu já vou estar longe daqui.
Sofia olhou para a pequena mochila sobre a cama. Era estranho pensar que algumas roupas, seus documentos e um pouco de dinheiro seriam tudo o que levaria para começar uma vida completamente diferente. O celular vibrou em sua mão. Gabriel. Ela atendeu imediatamente. — Oi, amor. — Oi, princesa. Está sozinha? — Estou. Acabei de acordar. Sofia se sentou na cama e abraçou um travesseiro, tentando conter o nervosismo. — Estou com medo, Gabriel. — Eu também. Não preguei o olho a noite inteira. Ela soltou uma risadinha nervosa. — Lembra daquela vez em que você disse que, se um dia eu precisasse ir embora, iria comigo para qualquer lugar? — Lembro. — Na época, achei que você estava falando só para me consolar. — Eu estava falando sério, Sofia. Sempre estive. Ela apertou o travesseiro contra o peito. Queria acreditar que tudo daria certo, mas abandonar a própria casa, a família e a vida que conhecia era muito mais assustador do que imaginara. — Você ainda pode desistir — ele disse. Sofia franziu a testa. — É isso que você quer? — Não. Só quero ter certeza de que você está fazendo isso porque me ama, não porque está tentando fugir do seu pai. — Gabriel... — Você me ama, Sofia? — Você sabe que sim. — Quero ouvir você dizer. Sofia soltou o ar devagar. — Eu te amo, Gabriel. — E não vai desistir de nós? — Não. Eu escolhi você. Houve uma breve pausa do outro lado. — Então hoje começa a nossa vida, princesa. Às dez horas, no lugar combinado. Não importa o que aconteça, esteja lá. — Eu estarei. — Promete? — Prometo. — Ótimo. Não me faça esperar, Sofia. Eu não suportaria descobrir que você mudou de ideia depois de tudo o que estamos fazendo. O sorriso dela se alargou. — Eu te amo. — Também te amo, princesa. Até daqui a pouco. Sofia encerrou a ligação e deixou o celular sobre a cama. Por alguns segundos, ficou olhando para a mochila aberta. Conferiu os documentos, o dinheiro e o carregador. Depois daquela manhã, não teria como voltar para buscar o que faltasse. Abriu a gaveta da cômoda, pegou uma escova de cabelo e acrescentou uma blusa, uma calça e o nécessaire pequeno que havia separado na noite anterior. Não era muito, mas teria de servir. Fechou o zíper e passou a mão pela alça. A decisão estava tomada. Agora só precisava conseguir sair daquela casa. Aproximou-se da janela e olhou para o jardim. Não havia ninguém por perto. Com cuidado, lançou a mochila para baixo e acompanhou sua queda até desaparecer atrás dos arbustos. Prendeu a respiração. Um instante depois, ouviu passos no corredor. — Sofia? Você já acordou? A voz da mãe a fez se afastar rapidamente da janela. — Já, mãe! Estou me arrumando! Ela pegou o celular e fingiu estar ocupada quando a porta se abriu. Helena Montenegro apareceu usando um conjunto elegante, os cabelos impecáveis e uma expressão que não combinava com a hora da manhã. — Seu pai está esperando por você para o café. — Já estou indo. A mãe olhou ao redor do quarto antes de voltar a atenção para ela. — Espero que tenha dormido direito. Não tenho paciência para o seu mau humor logo cedo, especialmente hoje. Sofia ajeitou o cabelo atrás da orelha. — Dormi mal, só isso. — Pois trate de melhorar esse humor. Hoje temos coisas importantes para resolver. Helena saiu sem esperar uma resposta. Sofia respirou fundo, conferiu mais uma vez se não havia deixado nada fora do lugar e foi lavar o rosto. Pouco depois, desceu para tomar café com os pais e a irmã. Assim que ela se sentou, Laura a observou por alguns segundos. — Você está com uma cara péssima. Parece que vai para um funeral. — Bom dia para você também — respondeu Sofia. — Laura! — Helena repreendeu. — Em vez de implicar, devia estar feliz pela sua irmã. Não é todo dia que uma moça tem a oportunidade de se casar com alguém como Dante Ferraz. Laura soltou uma risadinha enquanto passava manteiga na torrada. — Alguém como Dante Ferraz? Engraçado. A gente fala desse homem como se ele fosse um príncipe, mas ninguém aqui sequer sabe como ele é. — Laura — advertiu Augusto. — O quê? Estou mentindo? O papai nem conhece o sujeito. Fez um acordo com um capanga dele e pronto. Isso mostra a importância da Sofia para ele. — Você não sabe do que está falando — respondeu o pai, endurecendo a voz. Laura ergueu as sobrancelhas, fingindo surpresa. — Ah, desculpa. Mas ele deve ser um velho careca, barrigudo, de sessenta anos. Como ninguém viu a cara dele, qualquer coisa é possível. — Chega, Laura! A voz de Augusto fez a irmã mais nova conter o sorriso, embora ainda parecesse se divertir com a própria provocação. Sofia permaneceu calada, mexendo no café. — Não sei por que vocês estão fazendo tanto drama — comentou Helena, ajeitando o guardanapo sobre o colo. — Dante aceitou o acordo e vai resolver os problemas desta família. Isso deveria ser motivo de comemoração, não de reclamação. — Para você, talvez — respondeu Sofia, sem erguer os olhos. — Não seja insolente, Sofia. Ela respirou fundo antes de encarar a mãe. — Sou eu quem vai se casar com um homem que nunca vi na vida. — E vai se casar daqui a uma semana — Augusto lembrou. — Não há mais tempo para esse tipo de discussão. — Eu sei, papai. Não precisa me lembrar. — Então espero que pare de agir como se estivesse sendo condenada. Você terá uma vida confortável, não vai precisar se preocupar com dinheiro e... — E se eu não quiser essa vida? O silêncio caiu sobre a mesa. Augusto pousou a xícara no pires. — Sofia, eu sei que você está chateada. — Eu entendo que temos dívidas, papai. Só não entendo por que preciso pagar por elas. O rosto dele se contraiu por um instante. — Eu errei, e agora preciso consertar as coisas antes que seja tarde demais. — Casando sua filha com um desconhecido? Ele demorou a responder. — Você precisa confiar em mim. Um dia vai entender. Sofia baixou os olhos para a xícara. Queria dizer que não precisava de dinheiro, de vestidos caros ou de uma casa maior. Mas ficou calada. Aquilo não adiantaria. — Está bem, papai. A resposta pareceu aliviá-lo. Augusto estendeu a mão sobre a mesa e cobriu a dela. — Eu sei que não é o que você queria. Mas tudo o que faço é pensando em vocês. Sofia sentiu a garganta apertar. Por mais que estivesse magoada, ainda amava o pai. E isso tornava a partida ainda mais difícil. — Eu te amo, papai. Ele sorriu de leve e apertou os dedos dela. — Também te amo, minha filha. Helena consultou o relógio. — Espero que essa conversa tenha terminado. Sofia, você precisa estar pronta para sairmos às duas e meia. A prova do vestido está marcada para as três, e não vou admitir atrasos. — Na verdade, mãe, eu vou sair agora. Helena ergueu os olhos. — Para quê? — Vou encontrar a Carol. Quero conversar com ela e fazer as unhas. A mãe soltou um suspiro impaciente. — Você realmente acha que este é o momento para se preocupar com unhas? — Helena — Augusto interveio. — Deixe a menina sair um pouco. Ela não pode passar o dia inteiro dentro de casa. Sofia lançou ao pai um olhar agradecido. — Prometo que volto a tempo. — É bom mesmo — respondeu Helena. — Não quero chegar atrasada ao ateliê. Sofia terminou o café sem pressa, embora cada minuto parecesse uma eternidade. Quando se levantou, Augusto também ficou de pé e a acompanhou até a entrada da sala. — Filha, eu sei que está sendo difícil. Ela parou diante dele. — Está tudo bem, papai. Ele pareceu querer dizer alguma coisa, mas apenas a puxou para um abraço. Sofia fechou os olhos e o abraçou também. Por um instante, teve esperança de que ele desistisse daquela decisão e de que ela não precisasse fugir daquela maneira. Ela se afastou e tentou sorrir. — Preciso ir. — Volte logo. — Eu volto. A mentira pesou mais do que ela esperava. Sofia beijou o rosto dele, pegou a bolsa e saiu pela porta da frente. Contornou a casa quase correndo. A mochila estava onde a tinha deixado, úmida de orvalho. Colocou-a no banco do carro e entrou em seguida. Antes de ligar o motor, olhou uma última vez para a mansão. Não sabia quando voltaria a vê-la, nem se algum dia sentiria saudade daquele lugar. Então deu partida e saiu pelo portão. A praça ficava no fim de uma rua tranquila, com um coreto descascado e dois bancos de ferro. Nada ali lembrava a vida que ela conhecia. Talvez fosse justamente por isso que, ao estacionar, Sofia conseguiu sorrir. Eram 9h40. Chegara cedo. Deixou a mochila no banco do passageiro, levou apenas o celular e se sentou em um dos bancos, sob a sombra rala de uma árvore. Fechou os olhos por alguns instantes. O sol da manhã aquecia sua pele, e o vento trazia o cheiro de grama cortada e o som distante da cidade despertando. Pela primeira vez em meses, o peso em seu peito tinha desaparecido. Quando abriu os olhos, voltou a olhar para a esquina, ainda sorrindo. Pouco depois, o sino da igreja começou a tocar ao longe. Dez horas. O horário combinado. Sofia conferiu o celular. Nenhuma mensagem. Qualquer carro que surgisse naquela esquina poderia ser o de Gabriel. Ou não.O carro seguiu pelas ruas enquanto Sofia tentava prestar atenção ao caminho. Sob a renda do vestido, podia sentir o contorno do celular que escondera ali antes da cerimônia, preso à cintura. Era a única coisa que ainda a ligava ao que tinha deixado para trás.No início, tudo parecia familiar. Prédios, avenidas movimentadas e estabelecimentos comerciais passavam pela janela. Ela imaginou que Dante a levaria para alguma mansão afastada ou um condomínio de luxo.Mas, depois de alguns minutos, o cenário começou a mudar.As ruas ficaram mais estreitas. Os prédios deram lugar a casas construídas muito próximas umas das outras, algumas empilhadas nas encostas do morro. Fios atravessavam as ruas de um lado a outro, pequenos comércios ocupavam as esquinas e músicas diferentes vinham de casas próximas. O cheiro de fritura e de roupa recém-lavada entrava pela fresta da janela. Havia crianças brincando nas calçadas, moradores conversando nas portas e motocicletas passando pelos becos.Sofia olhou
Augusto segurou a mão de Sofia por um instante antes de colocá-la sobre a de Dante.Ela sentiu os dedos do pai se afastarem. Por um momento, teve vontade de olhar para trás, como se ainda existisse alguma possibilidade de voltar pelo mesmo caminho.— Sofia — Dante chamou, em voz baixa.Ela voltou os olhos para ele.— Dante Ferraz. Embora imagine que já saiba disso.Sofia sustentou seu olhar por um instante.— Seria difícil não saber. Meu casamento inteiro foi organizado em torno do seu nome.Um breve movimento surgiu no canto da boca dele, quase um sorriso.— Justo.Ela não esperava aquela resposta. Muito menos a tranquilidade com que ele a recebeu.Dante ofereceu o braço.— Vamos?Sofia hesitou antes de aceitá-lo.Só então conseguiu observá-lo melhor. Ele era alto, tinha ombros largos, cabelos escuros cuidadosamente arrumados e um rosto de traços marcantes. O terno preto parecia feito sob medida. Havia algo em sua postura que transmitia autoridade, como se não precisasse levantar a v
Sofia mal conseguia prestar atenção ao vestido que estava escolhendo. Seus pensamentos continuavam presos a Gabriel e ao silêncio que se seguira à tentativa frustrada de fuga.— Esse vestido serve — disse Sofia, saindo do provador.Helena ergueu os olhos e examinou a filha de cima a baixo.— Você nem olhou direito para ele.— Não preciso olhar. Está bom.— Sofia, você vai se casar amanhã! Poderia ao menos demonstrar algum interesse!— Isso faria alguma diferença, mãe?Laura soltou uma risadinha, acomodada no sofá de veludo do ateliê.— Deixa ela, mamãe. Parece que não está nem um pouco feliz por ajudar a família. Que ingrata!Sofia lançou um olhar duro à irmã.— Não estou com paciência para você, Laura.— E eu só estou tentando ajudar. Afinal, não é todo dia que alguém consegue um marido rico sem precisar fazer o menor esforço.— Já chega, Laura — repreendeu Helena, voltando a atenção para a filha mais velha. — Gostei desse modelo. O caimento está bonito, e a renda combina com você. V
Sofia ligou o carro e deixou a praça para trás, contendo a angústia que ameaçava dominá-la. Tinha saído da mansão naquela manhã acreditando que finalmente conseguiria escapar do casamento arranjado. Agora, estava voltando sozinha.Quando chegou à garagem da propriedade, permaneceu alguns segundos com as mãos firmes no volante, olhando para a entrada imponente da mansão. Respirou fundo, forçou uma expressão tranquila, pegou a bolsa e a mochila no banco do passageiro e saiu do veículo.Ao entrar em casa, encontrou uma das funcionárias organizando alguns vasos de flores no aparador do corredor.— Já voltou, senhorita Sofia? — perguntou a mulher, erguendo os olhos.— Já. Resolvi voltar mais cedo...A resposta saiu rápida demais, mas a funcionária apenas assentiu e não fez outras perguntas.Sofia aproveitou a oportunidade para subir as escadas, tentando manter a postura tranquila até alcançar a segurança de seu quarto. Assim que fechou a porta e girou a chave na fechadura, largou a bolsa s


















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