Se connecterCAPÍTULO 79 – O PARAÍSO DE BRANCO E AZUL FelipeA estrada serpenteava entre montanhas altas, cobertas de pinheiros que pareciam tocar o céu azul de Santa Catarina, e eu olhava de vez em quando para Kamila ao meu lado no banco do passageiro. Ela não parava de olhar pela janela, com a mão apoiada suavemente na barriga, os olhos brilhando de curiosidade e alegria, parecendo uma criança vendo o mundo pela primeira vez. O ar ali era mais fresco, cheirava a pinho e terra úmida, e cada curva revelava uma paisagem mais bonita do que a anterior: vales profundos, rios que corriam claros como vidro, e no alto das montanhas, manchas brancas de neve que brilhavam sob o sol.Passamos dois dias na estrada, dormimos noite passada em um hotel e valeu a pena.— Olha só, Lipe! — exclamou ela, apontando para um pico coberto completamente de branco — É tão branca, tão perfeita... eu nunca pensei que veria neve de verdade.Eu sorri, apertei a sua mão que estava sobre a alavanca de câmbio.— Espere até se
CAPÍTULO 78 – O DIA QUE SEMPRE SONHEIKamilaO ar no camarim estava cheio do perfume das flores, do som baixo da música que escolhemos, mas o meu coração batia tão forte que eu quase não conseguia ouvir mais nada. As mãos tremiam quando eu passava elas sobre o tecido leve do vestido sobre a barriga que já começava a se curvar, mostrando o Pyetro crescendo ali dentro. Eu respirei fundo, ajustando o tecido devagar, e um nó se formou na minha garganta: E se não fechar? E se eu tivesse escolhido um modelo que não cabia mais, agora que a barriga estava maior? E se alguma coisa desse errado no dia que eu esperei a vida inteira?Letícia e Leandra estavam ao meu lado, ajustando o véu, sorrindo, mas quando eu virei o rosto elas viram que os meus olhos já se enchiam de lágrimas. Tentei segurar, mas foi mais forte do que eu: as lágrimas rolaram quentes pelas minhas bochechas, borraram o rímel que elas tinham feito com tanto cuidado, e eu me sentei na cadeira, cobrindo o rosto com as mãos.—
CAPÍTULO 77 O DIA QUE SEMPRE FOI NOSSO Felipe O vento soprava suave, e a luz do sol já começava a descer no horizonte, tingindo o céu de tons dourados, alaranjados e roxos, exatamente como ela sempre disse que queria. Estávamos na capela, decorada com as margaridas brancas que ela amava. Ao meu lado, o Rapha segurava firme o meu ombro, e eu sabia que se não fosse ele, eu provavelmente já teria desabado de emoção ali mesmo. Olhei para os rostos ali reunidos: meus pais, com os olhos cheios de lágrimas, sentados na primeira fileira; a mãe dela, Joana, sorrindo com todo o orgulho do mundo; Letícia e Danilo, com os filhos que já estavam sentados quietos, segurando as plaquinhas que diziam “aqui vem a nossa tia”. Leandra e Ana, com os vestidos claros, acenando devagar pra mim; todos os amigos, todos os parentes, cada pessoa que fez parte da nossa história, todos ali para ver o momento que eu esperei a vida inteira. E então a música começou. Virei o rosto devagar para o corredor e o c
Capítulo 76 O SONHO NA ESCURIDÃO KamilaO sol ainda não tinha pintado o céu de todo, só apareciam os primeiros tons alaranjados atrás das montanhas, quando senti o movimento ao meu lado. O Felipe acordou agitado, deu uma mexida forte no lençol, respirou fundo como se estivesse voltando de um lugar muito distante, e levantou devagar da cama sem fazer barulho. Eu abri os olhos bem devagar, não quis chamar ele, só fiquei observando ele sair do quarto, passando a mão no rosto, parecendo ainda perdido nos próprios pensamentos.Fiquei ali mais uns minutos, ouvindo os passos calmos dele pela casa, pensei que ele logo voltaria para a cama. Alguns minutos depois, quando percebi que ele não iria voltar, fiquei preocupada, me levantei também e fui atrás dele. Quando cheguei na cozinha, ele já estava de pé olhando para fora pela janela grande que dava de frente para a uma paisagem de campo aberto, a montanha alta aparecendo lá no fundo, coberta de névoa fina da manhã. Ficou apoiado na beirada
Capítulo 75 O banho relaxante KamilaA água quente ainda escorria pelo meu corpo quando Felipe me puxou de novo contra o peito dele sob o chuveiro.Eu estava mole, satisfeita, o corpo ainda formigando de leve do orgasmo e do carinho que veio depois. A barriga de cinco meses se encaixava perfeitamente entre nós, e o bebê se mexia de vez em quando, como se também gostasse do calor e da proximidade. Felipe deslizava as mãos pelas minhas costas molhadas em movimentos longos e lentos, como se estivesse memorizando cada vértebra.— Você está tremendo um pouco — observou ele, a voz baixa perto do meu ouvido.— É de felicidade — respondi, sorrindo contra a pele molhada dele. — E de alívio. E de tudo.Ele riu baixinho e beijou a curva do meu pescoço, onde a água se acumulava. Depois pegou o shampoo e começou a lavar meu cabelo com uma delicadeza que quase me fez chorar mais. Os dedos longos massageavam o couro cabeludo, desciam pela nuca, voltavam a subir. Eu fechava os olhos e deixava a cab
Capítulo 74 O silêncio que curaFelipeEu ainda estava dentro dela quando o mundo voltou a girar devagar.O peito de Kamila subia e descia contra o meu, o suor esfriando entre nossos corpos, o coração dela batendo forte demais para alguém que acabou de se entregar por completo. Eu me retirei com cuidado, devagar, e imediatamente a puxei para mim, deitando-a de lado, a barriga acomodada entre nós. Minha mão grande cobriu o volume redondo por reflexo, o polegar desenhando círculos lentos sobre a pele quente.Ela soltou um suspiro longo, quase um gemido de alívio, e enterrou o rosto no meu pescoço. O cheiro dela aquele perfume suave, um aroma que só pertencia a Kamila, me encheu os pulmões misturado com o aroma do sexo recente. Eu fechei os olhos e respirei fundo, como se pudesse guardar aquele momento dentro do peito para sempre.— Você está bem? — perguntei baixo, a voz ainda rouca.Ela assentiu contra minha pele.— Melhor do que bem. Inteira. Finalmente inteira.Eu beijei a testa d







