INICIAR SESIÓNNoah Hampton olhou confuso para a camareira que o acordara com um grito.
Que espécie de hotel era aquele em que os funcionários entravam nos quartos dos hóspedes e os acordavam daquela maneira?
Ele iria demitir o gerente.
Isso, se o hotel fosse um dos seus.
Sua cabeça doía, e o gosto amargo em sua boca só podia significar que ele havia passado dos limites na noite anterior.
E ele nunca passava.
Era um homem responsável e, definitivamente, ficar embriagado não fazia parte do seu perfil.
O que havia acontecido?
- Desculpe... Eu não queria acordá-lo.
- O que faz no meu quarto? Por que entrou aqui quando havia um hóspede? Vou falar com seu gerente!
- E-eu... Não entrei no seu quarto...
- Você está aqui agora! Vá embora e me deixe em paz!
- Sim... Mas... você é o meu marido?
- Que palhaçada é essa? É louca, por acaso?
- N-não. Eu...
Ela olhou para o papel que tinha nas mãos e voltou-se para ele.
- Você é Noah Hampton? Se for, você é o meu marido, e eu não consigo entender nada disso.
Ele puxou o papel de suas mãos e encarou a certidão de casamento com incredulidade.
Que raios havia acontecido?
Como ele poderia estar casado com a camareira?
Sua cabeça, que já estava doendo, piorou ainda mais.
Ele apertou os olhos enquanto tentava se obrigar a lembrar.
Aquilo devia ser uma pegadinha.
Justin armou alguma brincadeira com ele?
Abrindo os olhos, viu a camareira com lágrimas escorrendo pelo rosto.
Aquilo não parecia brincadeira; parecia sério.
Real.
O medo do que poderia ter acontecido surgiu, e ele inspirou profundamente.
- Certo. Eu sou Noah, e você deve ser Catarina Sullivan. Explique-me que brincadeira é essa?!
- Eu não sei! Não sei quem é você nem o que estou fazendo aqui! Essa nem é minha roupa! Eu acordei, e não parecia ser real. Deve ser um sonho louco. Eu devo ainda estar dormindo.
- Sonho para você e pesadelo para mim!
Ela se encolheu em seu canto, e ele sentiu culpa por falar duramente com alguém que parecia tão assustada quanto ele.
Ele a observou.
Era uma loira sem graça. Alta, quadris largos.
Rosto comum e um horrível óculos tomando conta do rosto.
A roupa realmente não parecia ser dela.
A parte superior estava muito folgada, o que indicava a falta de seios fartos para preenchê-la.
Em contrapartida, a parte inferior parecia tão justa que se rasgaria a qualquer instante.
Uma mulher comum, sem dúvidas, e sem nada que pudesse atraí-lo.
Sua mente voltou para sua noiva, Vivian.
Onde ela estava, para que uma estranha invadisse seu quarto?
E o que aquela certidão significava?
Seria real ou apenas uma brincadeira de mau gosto por parte de alguém?
- Quem a mandou aqui?
- Eu não sei. Não sei como vim parar neste quarto. Acordei com você, e eu não sei que lugar é este. Onde eu estou?
- Como você não sabe? Que teatro é esse agora?
- Eu não sei! Tudo o que sei é que acordei com um estranho que me estuprou em algum momento!
- De que merda você está falando?
Agora ela chorava com vontade, e ele se viu em meio àquela loucura.
Ele não era um estuprador e não faria isso com ninguém.
Aquela mulher era louca.
Tinha que ser.
Ele não podia aceitar aquela acusação!
- Quem a mandou vir aqui?
- Eu não sei! Eu não lembro de nada!
Ele também não conseguia se lembrar.
E não conseguia aceitar a situação.
Fazendo um esforço maior do que sua condição física permitia naquele momento, levantou-se da cama, e então sua cabeça pareceu girar junto com tudo à sua volta.
Agarrou-se à cama e tentou se acalmar.
Foi então que seus olhos captaram o sangue nos lençóis.
A certeza de que não era um criminoso caiu por terra.
Ele ficou apavorado.
Equilibrando o corpo trêmulo, caminhou até o banheiro.
A camareira ainda estava chorando no canto, e ele não teve coragem de dizer mais nada.
Aquele era seu pior pesadelo.
Lavou o rosto e tentou fazer as ideias clarearem, mas havia apenas um borrão.
Qual era sua última lembrança?
Continuou jogando água fria no rosto até que uma vaga lembrança de estar saindo para fechar um negócio em Vegas surgiu.
Era meio vaga, mas era provável que estivesse na terra do pecado e tivesse cometido a maior loucura de sua vida.
Como suas pernas já estavam mais firmes, decidiu tomar um banho e esperar que novas lembranças surgissem.
Esfregou o rosto inúmeras vezes, mas sem resultado.
Precisava descobrir o que acontecera na noite anterior e precisava descobrir se a mulher que afirmava ser sua esposa estava envolvida naquela trama diabólica.
- Catarina?
- Oi?
- O que você lembra?
- Nada! É isso que não entendo. Por que não consigo lembrar de nada?
- Provavelmente porque foi drogada.
- Você me drogou? Mas por quê? O que eu fiz? Eu nem o conheço!
- Não, eu não a droguei! Por que eu faria isso?
- Como vou saber? Não o conheço!
- Não me conhece ou está fingindo?
- Você é alguma celebridade ou algo assim? Eu não assisto à TV, não tenho tempo! Eu trabalho bastante e...
- E?
- Eu deveria estar em meu trabalho. Onde estamos?
- Acredito que em Las Vegas. Você não lembra de vir à cidade do pecado?
- Não! O que eu faria em um lugar como esse? Eu moro em Pahrump! Nunca saí de lá.
- Ok. Vamos descobrir o que aconteceu. E pode apostar que, se você estiver envolvida nisso, eu vou acabar com a sua vida!
O olhar desesperado dela o fez lembrar da cama suja de sangue.
Doía pensar que ele pudesse ter violentado alguém, que tivesse forçado uma mulher ao sexo, mesmo que ainda fosse difícil acreditar que cometeria tal crime com uma mulher tão sem atrativos. Mas, como não lembrava de nada, não podia se culpar.
Iria investigar e descobrir se a garota havia armado para enredá-lo no casamento.
E quem mais estivesse envolvido naquela trama nefasta.
Se ela tivesse culpa, ele a destruiria sem pensar duas vezes!
Uma batida na porta chamou sua atenção.
A luz da manhã entrou pelas frestas da velha cabana, e Cat acordou com a cabeça doendo e o enjoo voltando.Sua avó fazia o café da manhã no velho fogão, e o cheiro de ovos a levou correndo para o lado de fora.Cat se abaixou atrás da cabana e vomitou tudo o que havia em seu organismo.Depois, cambaleou até o riacho e lavou o rosto.Sua avó se aproximou com um olhar preocupado.- Está tudo bem?- Enjoo. Achei que já tivesse passado dessa fase.- Bom, então é melhor comer algo leve. Há muitas frutas por aqui.- Vou ficar um tempo aqui, respirando o ar puro. Tem algum problema?- Não, pode ficar tranquila. Mas é sempre bom ficar de olho.- Certo.Cat passou boa parte da manhã à beira do riacho.Sua avó sugeriu que elas tomassem banho enquanto a água do córrego não estava muito fria, e toda aquela situação primitiva a fez sentir ainda mais saudade de casa.Era possível perceber que sua avó estava apta a essa situação, mas Cat ainda não conseguia sequer fazer suas necessidades tranquilamen
A escuridão da noite causava um pouco de medo.Seu primo poderia mandar parar o carro em qualquer lugar e matá-lo.Ninguém saberia, a não ser que Dante e Allan os estivessem seguindo ao longe.Mas ele não viu nenhum farol na retaguarda desde que saíram do bar.Sua esperança era que os outros estivessem com os faróis apagados.Por um longo tempo, eles foram sacudidos até chegarem à entrada da propriedade.Apenas uma luz jazia acesa ao longe.- Sua esposa está lá na casa. Assine e pode ir buscá-la.- Acha que sou tolo?- Não. Mas é isso ou o meu amigo aqui vai meter um tiro em sua cabeça.- Vamos até lá e, se alguma coisa tiver acontecido com Cat, você nunca terá a minha assinatura!- Não. Você assina aqui e pode ir encontrá-la.- Já disse que não vou fazer nada disso, Hugo!- Ok. Você e o sujeito armado vão até a casa e, quando chegar lá, você assina e pode ficar à vontade com a sua esposa!Noah olhou para o seu primo.Havia tensão ali, e ele desconfiou que Hugo não queria ir até a cas
O céu estava escurecendo, e Cat já sentia o pavor percorrendo cada osso de seu corpo.Maria Catarina continuava caminhando, e agora Cat tinha a certeza absoluta de que elas estavam andando em círculos.Ela marcou uma árvore para confirmar seu pensamento, e lá estava a árvore outra vez.- Vovó? Estamos perdidas?- Não. Continue andando e faça silêncio.- Mas é que…- Calada!Cat engoliu em seco e reprimiu o choro, mas não foi possível evitar as lágrimas que insistiam em escorrer por seu rosto.O sol se pôs, e a escuridão na mata a impedia de ver um palmo à sua frente.Sua avó parou por um instante, e ela quase caiu por cima dela.- De-desculpe…- Shhh.Por alguns instantes, sua avó ficou parada e, depois do que pareceu ser um longo tempo, retirou uma lanterna do cesto e clareou o caminho, voltando a caminhar.Nas últimas horas, ela caminhava mais lentamente e com mais dificuldade.As duas tinham feito muitas paradas para descansarem, e Cat temia acabar morrendo na floresta, atacada por
Cat estava pegando sua mochila quando ouviu o som de carros se aproximando da casa.O plano de fuga parecia ter se perdido.Correu até a cozinha em busca de sua avó e a encontrou saindo do minúsculo quarto que ocupava nos fundos da casa.- Tem alguém chegando. E agora?- Espera aí, que vou olhar.Cat sentia seu coração disparado.Sua única chance de fugir não podia terminar assim.Sua avó voltou com aparente tranquilidade.- São os soldados aliados que vieram proteger a mansão.- Então, o que faremos?- Vamos sair. Eles estão ocupados se organizando para a possível invasão. Não vão reparar na gente!- Vovó, não é muito arriscado?- E daí? Não quer mais sair daqui? Ficar também é! Quando as metralhadoras começarem a trocar tiros, não vai ter nada seguro!Catarina nunca viu nada daquilo e estava realmente com medo.Correu de volta ao quarto e pegou sua mochila.Sua avó estava com dois cestos grandes e entregou-lhe um deles.- Vamos fingir que estamos indo coletar frutas. A mata está che
Hugo conseguiu sinal do celular na cidade e ligou para Noah.- Hugo! Seu maldito! Onde está minha esposa?- Relaxe, primo. Ela está bem. Está se divertindo muito aqui.- Já chega, seu idiota! Eu já preparei a documentação. Traga minha esposa de volta, e é melhor que você não tenha tocado em um fio de cabelo dela!- Não me interesso por mulheres feias.- Você está com o maldito do Frank, e ele é…- O Frank muito menos. A sua esposa está segura. Nenhum de nós iria para a cama com aquela mulher. Agora escute bem: você vai trazer a documentação aqui. Não vou voltar para os EUA até estar com a posse das ações. Entendeu?- Sim. Estou a caminho. E não precisa mandar a localização, porque eu vou te achar até no inferno!A ligação foi encerrada, e Hugo sentiu medo.Como Noah poderia achá-lo se nem ele sabia exatamente onde estavam?Frank tinha ido até um bordel local, um lugar em que ele já estivera antes e que atendia a qualquer um de seus pedidos absurdos.Hugo perambulou pela cidade e ficou
Cat acompanhou sua avó até a horta.Ali, as duas poderiam conversar sem serem ouvidas.Hugo estava irritado e desconfiado.Frank não parecia se preocupar com nada.O sujeito exigiu um almoço farto e delicioso.Catarina se ofereceu para ajudar sua avó e, apesar de Hugo reclamar, o amigo falou que não havia problema e que era melhor deixá-la fazer o que quisesse.- Se você quiser mantê-la trancada no quarto, ela pode acabar tendo ideias de fuga que vão nos trazer problemas. Deixe que ela trabalhe. Isso vai fazê-la relaxar com as empregadas e não tentará nada.- Não confio no pessoal daqui e muito menos nessas mulheres!- Essas mulheres trabalham para o meu tio, e ele deixou a propriedade sob a responsabilidade delas. Isso mostra que elas são confiáveis!- Elas te deixam ficar aqui como dono, e você nem mesmo tem a permissão de seu tio!- Cala a boca! Eu te ajudei, e você está enchendo minha paciência! Quer que eu te entregue para a polícia?Hugo ficou em silêncio e saiu para o quarto.E







