INICIAR SESIÓN
A primeira coisa que Catarina Sullivan percebeu naquela manhã foi a dor de cabeça insuportável.
Antes mesmo de abrir os olhos, tudo parecia fora do lugar.
Tentando se espreguiçar, sentiu um peso sobre o corpo.
Não era só a dor na cabeça; havia alguma coisa prendendo-a.
Teria seu irmãozinho amarrado seus braços?
Cat forçou os olhos a se abrirem e notou que o quarto estava na penumbra.
Tentou se soltar e percebeu um braço masculino sobre si.
Aquele era seu empecilho.
Fechou novamente os olhos e os apertou com força. Só então os abriu outra vez.
Não estava sonhando.
Havia um homem em sua cama!
Catarina Sullivan não dividia a cama com homens!
Sua mãe a ensinara a valorizar a si mesma e a não dormir com um homem com quem não fosse casada.
Ela mal havia beijado!
Aos vinte anos, toda a sua experiência com o sexo oposto se resumia a brincadeiras bobas da adolescência, que resultaram em alguns beijinhos em garotos tão inexperientes quanto ela.
E aquilo fazia muito tempo!
Desde que seu pai se casara novamente, sua vida era apenas trabalho.
Não saía para dançar nem para se divertir como as garotas da sua idade.
Estava sempre muito ocupada ou cansada demais.
Cat empurrou o braço do sujeito, e ele rolou para o outro lado.
Só então tentou se sentar e descobrir o que estava acontecendo.
Não conseguiu.
O mundo ainda girava, e sua cabeça parecia prestes a explodir.
Deitada na cama, com o pânico começando a surgir, fez uma varredura do cômodo com seus olhos míopes.
Não conseguia enxergar direito.
Não conseguia nem mesmo saber se estava em seu quarto.
Mas, com certeza, não estava.
Cat nunca levaria um homem para lá.
Alguma coisa estava errada.
- Pensa, Cat. O que aconteceu?
Resmungou para si mesma e começou a forçar a mente a explicar aquilo.
Não foi possível.
Sua memória era um borrão.
Tateou ao lado em busca do celular e acabou encontrando os óculos.
Suspirando aliviada, Cat olhou para o quarto e percebeu que era uma suíte de hotel, mas não do hotel onde trabalhava.
O lugar era mais sofisticado.
A cortina blackout impedia que o sol entrasse pela janela.
A pouca luz vinha do banheiro.
Forçou-se a respirar profundamente quando tudo voltou a girar à sua volta.
Aos poucos, sua cabeça pareceu encontrar o equilíbrio, e ela se permitiu olhar o homem ao seu lado.
Não foi possível ver muito.
Ele estava de costas para ela, mas tinha ombros largos e cabelos escuros.
Não o reconheceu.
Ela estava na cama com um estranho!
Com um gemido que expressava mais desespero do que dor, tentou levantar e sair dali.
Não fazia ideia de como ou quando fora parar naquele quarto.
Teria sido armação de Mercedes?
Ou teria sido Lupita?
Sua madrasta e sua irmã mais velha não suportavam dividir a casa com ela.
Já a teriam expulsado se a propriedade não fosse a única coisa que Cat possuía.
A casa fora um presente de seu avô materno, e ninguém podia expulsá-la.
Isso não significava que elas não pudessem arrumar problemas para ela.
Se o estranho fosse alguém levado por uma delas, com certeza seria algum criminoso ou um velho nojento.
Não fazia muito tempo que ela ouvira Mercedes comentar que o Sr. García, chefe de seu pai, estava à procura da quinta esposa.
Ninguém sabia exatamente o que acontecera com as quatro anteriores, mas todas morreram de forma estranha.
Cat olhou para as costas do sujeito mais uma vez.
Não era o Sr. García.
Era alguém jovem.
Alguém que, com certeza, se exercitava e não vivia na ociosidade.
Menos mal.
Mas poderia ser um bandido.
Ou um assassino.
O mais provável era que fosse um estuprador.
O medo a dominou, e ela se arrastou até o banheiro.
Precisava se vestir e sair dali.
Fosse aquele lugar onde fosse.
Cat caminhou com dificuldade.
Sentia dores por todo o corpo.
Teria sido estuprada?
No banheiro, começou a procurar marcas de violência.
Não encontrou sinais de agressão física nas partes visíveis do corpo, e aquilo lhe causou ainda mais ansiedade.
Cat não era esse tipo de mulher.
Como podia ter dormido com alguém que nem conhecia?
Teria perdido a memória?
Não conseguia imaginar o que havia feito, nem qualquer outra coisa.
O gosto amargo na boca poderia significar que ingerira álcool?
Teria se embriagado e cometido tamanha loucura?
Ou teria sido drogada por uma das mulheres da família?
Daquelas duas ela esperava qualquer coisa, inclusive ser dopada e colocada em um quarto de hotel com um criminoso.
O vestido cinza não se parecia com nenhuma roupa sua, a menos que realmente tivesse perdido as lembranças por alguma razão.
Um bordado com a logomarca de um hotel chamou sua atenção.
Não era do lugar onde trabalhava.
Pelo menos, não do trabalho de que se lembrava.
Vestiu-se e percebeu o quanto a parte inferior do vestido ficava justa em seu quadril, enquanto a parte superior estava folgada.
Mercedes sempre zombara de seu corpo desproporcional.
Lupita ria, dizendo que ela nunca encontraria um marido.
Agora, estava com alguém em um quarto e, pelo que sentia, certamente não era mais virgem.
Uma lágrima escorreu por seu rosto, seguida de muitas outras.
Por um longo tempo, permitiu-se chorar pela perda.
Quando suas emoções se acalmaram, saiu do banheiro e procurou suas coisas.
Precisava encontrar o celular e descobrir o que havia acontecido.
Necessitava saber se sua família armara tudo aquilo para tomar sua única herança.
Estaria seu pai envolvido?
Desde que sua mãe lhe confidenciara que o pai amava a ex-namorada muito mais do que amava as duas, Cat se sentia insegura em relação a ele.
Seu pai mudara muito depois que Mercedes voltara a fazer parte de sua vida.
Luiz Fernando era agora um homem amargo e irritado.
Não se parecia em nada com o pai que ela conhecera quando sua mãe ainda era viva.
Na mesinha de cabeceira, bem ao lado de onde estivera deitada, havia um papel.
Quando leu o que estava escrito, soltou um grito.
Estava casada!
Aquele papel era uma certidão de casamento.
Como aquilo havia acontecido sem que ela se lembrasse de nada?
- O que foi?
O homem desconhecido havia acordado!
A luz da manhã entrou pelas frestas da velha cabana, e Cat acordou com a cabeça doendo e o enjoo voltando.Sua avó fazia o café da manhã no velho fogão, e o cheiro de ovos a levou correndo para o lado de fora.Cat se abaixou atrás da cabana e vomitou tudo o que havia em seu organismo.Depois, cambaleou até o riacho e lavou o rosto.Sua avó se aproximou com um olhar preocupado.- Está tudo bem?- Enjoo. Achei que já tivesse passado dessa fase.- Bom, então é melhor comer algo leve. Há muitas frutas por aqui.- Vou ficar um tempo aqui, respirando o ar puro. Tem algum problema?- Não, pode ficar tranquila. Mas é sempre bom ficar de olho.- Certo.Cat passou boa parte da manhã à beira do riacho.Sua avó sugeriu que elas tomassem banho enquanto a água do córrego não estava muito fria, e toda aquela situação primitiva a fez sentir ainda mais saudade de casa.Era possível perceber que sua avó estava apta a essa situação, mas Cat ainda não conseguia sequer fazer suas necessidades tranquilamen
A escuridão da noite causava um pouco de medo.Seu primo poderia mandar parar o carro em qualquer lugar e matá-lo.Ninguém saberia, a não ser que Dante e Allan os estivessem seguindo ao longe.Mas ele não viu nenhum farol na retaguarda desde que saíram do bar.Sua esperança era que os outros estivessem com os faróis apagados.Por um longo tempo, eles foram sacudidos até chegarem à entrada da propriedade.Apenas uma luz jazia acesa ao longe.- Sua esposa está lá na casa. Assine e pode ir buscá-la.- Acha que sou tolo?- Não. Mas é isso ou o meu amigo aqui vai meter um tiro em sua cabeça.- Vamos até lá e, se alguma coisa tiver acontecido com Cat, você nunca terá a minha assinatura!- Não. Você assina aqui e pode ir encontrá-la.- Já disse que não vou fazer nada disso, Hugo!- Ok. Você e o sujeito armado vão até a casa e, quando chegar lá, você assina e pode ficar à vontade com a sua esposa!Noah olhou para o seu primo.Havia tensão ali, e ele desconfiou que Hugo não queria ir até a cas
O céu estava escurecendo, e Cat já sentia o pavor percorrendo cada osso de seu corpo.Maria Catarina continuava caminhando, e agora Cat tinha a certeza absoluta de que elas estavam andando em círculos.Ela marcou uma árvore para confirmar seu pensamento, e lá estava a árvore outra vez.- Vovó? Estamos perdidas?- Não. Continue andando e faça silêncio.- Mas é que…- Calada!Cat engoliu em seco e reprimiu o choro, mas não foi possível evitar as lágrimas que insistiam em escorrer por seu rosto.O sol se pôs, e a escuridão na mata a impedia de ver um palmo à sua frente.Sua avó parou por um instante, e ela quase caiu por cima dela.- De-desculpe…- Shhh.Por alguns instantes, sua avó ficou parada e, depois do que pareceu ser um longo tempo, retirou uma lanterna do cesto e clareou o caminho, voltando a caminhar.Nas últimas horas, ela caminhava mais lentamente e com mais dificuldade.As duas tinham feito muitas paradas para descansarem, e Cat temia acabar morrendo na floresta, atacada por
Cat estava pegando sua mochila quando ouviu o som de carros se aproximando da casa.O plano de fuga parecia ter se perdido.Correu até a cozinha em busca de sua avó e a encontrou saindo do minúsculo quarto que ocupava nos fundos da casa.- Tem alguém chegando. E agora?- Espera aí, que vou olhar.Cat sentia seu coração disparado.Sua única chance de fugir não podia terminar assim.Sua avó voltou com aparente tranquilidade.- São os soldados aliados que vieram proteger a mansão.- Então, o que faremos?- Vamos sair. Eles estão ocupados se organizando para a possível invasão. Não vão reparar na gente!- Vovó, não é muito arriscado?- E daí? Não quer mais sair daqui? Ficar também é! Quando as metralhadoras começarem a trocar tiros, não vai ter nada seguro!Catarina nunca viu nada daquilo e estava realmente com medo.Correu de volta ao quarto e pegou sua mochila.Sua avó estava com dois cestos grandes e entregou-lhe um deles.- Vamos fingir que estamos indo coletar frutas. A mata está che
Hugo conseguiu sinal do celular na cidade e ligou para Noah.- Hugo! Seu maldito! Onde está minha esposa?- Relaxe, primo. Ela está bem. Está se divertindo muito aqui.- Já chega, seu idiota! Eu já preparei a documentação. Traga minha esposa de volta, e é melhor que você não tenha tocado em um fio de cabelo dela!- Não me interesso por mulheres feias.- Você está com o maldito do Frank, e ele é…- O Frank muito menos. A sua esposa está segura. Nenhum de nós iria para a cama com aquela mulher. Agora escute bem: você vai trazer a documentação aqui. Não vou voltar para os EUA até estar com a posse das ações. Entendeu?- Sim. Estou a caminho. E não precisa mandar a localização, porque eu vou te achar até no inferno!A ligação foi encerrada, e Hugo sentiu medo.Como Noah poderia achá-lo se nem ele sabia exatamente onde estavam?Frank tinha ido até um bordel local, um lugar em que ele já estivera antes e que atendia a qualquer um de seus pedidos absurdos.Hugo perambulou pela cidade e ficou
Cat acompanhou sua avó até a horta.Ali, as duas poderiam conversar sem serem ouvidas.Hugo estava irritado e desconfiado.Frank não parecia se preocupar com nada.O sujeito exigiu um almoço farto e delicioso.Catarina se ofereceu para ajudar sua avó e, apesar de Hugo reclamar, o amigo falou que não havia problema e que era melhor deixá-la fazer o que quisesse.- Se você quiser mantê-la trancada no quarto, ela pode acabar tendo ideias de fuga que vão nos trazer problemas. Deixe que ela trabalhe. Isso vai fazê-la relaxar com as empregadas e não tentará nada.- Não confio no pessoal daqui e muito menos nessas mulheres!- Essas mulheres trabalham para o meu tio, e ele deixou a propriedade sob a responsabilidade delas. Isso mostra que elas são confiáveis!- Elas te deixam ficar aqui como dono, e você nem mesmo tem a permissão de seu tio!- Cala a boca! Eu te ajudei, e você está enchendo minha paciência! Quer que eu te entregue para a polícia?Hugo ficou em silêncio e saiu para o quarto.E







