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A esposa indesejada do magnata
A esposa indesejada do magnata
Autor: Alice Lima

Um

Autor: Alice Lima
last update Fecha de publicación: 2026-07-14 11:08:57

A primeira coisa que Catarina Sullivan percebeu naquela manhã foi a dor de cabeça insuportável.

Antes mesmo de abrir os olhos, tudo parecia fora do lugar.

Tentando se espreguiçar, sentiu um peso sobre o corpo.

Não era só a dor na cabeça; havia alguma coisa prendendo-a.

Teria seu irmãozinho amarrado seus braços?

Cat forçou os olhos a se abrirem e notou que o quarto estava na penumbra.

Tentou se soltar e percebeu um braço masculino sobre si.

Aquele era seu empecilho.

Fechou novamente os olhos e os apertou com força. Só então os abriu outra vez.

Não estava sonhando.

Havia um homem em sua cama!

Catarina Sullivan não dividia a cama com homens!

Sua mãe a ensinara a valorizar a si mesma e a não dormir com um homem com quem não fosse casada.

Ela mal havia beijado!

Aos vinte anos, toda a sua experiência com o sexo oposto se resumia a brincadeiras bobas da adolescência, que resultaram em alguns beijinhos em garotos tão inexperientes quanto ela.

E aquilo fazia muito tempo!

Desde que seu pai se casara novamente, sua vida era apenas trabalho.

Não saía para dançar nem para se divertir como as garotas da sua idade.

Estava sempre muito ocupada ou cansada demais.

Cat empurrou o braço do sujeito, e ele rolou para o outro lado.

Só então tentou se sentar e descobrir o que estava acontecendo.

Não conseguiu.

O mundo ainda girava, e sua cabeça parecia prestes a explodir.

Deitada na cama, com o pânico começando a surgir, fez uma varredura do cômodo com seus olhos míopes.

Não conseguia enxergar direito.

Não conseguia nem mesmo saber se estava em seu quarto.

Mas, com certeza, não estava.

Cat nunca levaria um homem para lá.

Alguma coisa estava errada.

- Pensa, Cat. O que aconteceu?

Resmungou para si mesma e começou a forçar a mente a explicar aquilo.

Não foi possível.

Sua memória era um borrão.

Tateou ao lado em busca do celular e acabou encontrando os óculos.

Suspirando aliviada, Cat olhou para o quarto e percebeu que era uma suíte de hotel, mas não do hotel onde trabalhava.

O lugar era mais sofisticado.

A cortina blackout impedia que o sol entrasse pela janela.

A pouca luz vinha do banheiro.

Forçou-se a respirar profundamente quando tudo voltou a girar à sua volta.

Aos poucos, sua cabeça pareceu encontrar o equilíbrio, e ela se permitiu olhar o homem ao seu lado.

Não foi possível ver muito.

Ele estava de costas para ela, mas tinha ombros largos e cabelos escuros.

Não o reconheceu.

Ela estava na cama com um estranho!

Com um gemido que expressava mais desespero do que dor, tentou levantar e sair dali.

Não fazia ideia de como ou quando fora parar naquele quarto.

Teria sido armação de Mercedes?

Ou teria sido Lupita?

Sua madrasta e sua irmã mais velha não suportavam dividir a casa com ela.

Já a teriam expulsado se a propriedade não fosse a única coisa que Cat possuía.

A casa fora um presente de seu avô materno, e ninguém podia expulsá-la.

Isso não significava que elas não pudessem arrumar problemas para ela.

Se o estranho fosse alguém levado por uma delas, com certeza seria algum criminoso ou um velho nojento.

Não fazia muito tempo que ela ouvira Mercedes comentar que o Sr. García, chefe de seu pai, estava à procura da quinta esposa.

Ninguém sabia exatamente o que acontecera com as quatro anteriores, mas todas morreram de forma estranha.

Cat olhou para as costas do sujeito mais uma vez.

Não era o Sr. García.

Era alguém jovem.

Alguém que, com certeza, se exercitava e não vivia na ociosidade.

Menos mal.

Mas poderia ser um bandido.

Ou um assassino.

O mais provável era que fosse um estuprador.

O medo a dominou, e ela se arrastou até o banheiro.

Precisava se vestir e sair dali.

Fosse aquele lugar onde fosse.

Cat caminhou com dificuldade.

Sentia dores por todo o corpo.

Teria sido estuprada?

No banheiro, começou a procurar marcas de violência.

Não encontrou sinais de agressão física nas partes visíveis do corpo, e aquilo lhe causou ainda mais ansiedade.

Cat não era esse tipo de mulher.

Como podia ter dormido com alguém que nem conhecia?

Teria perdido a memória?

Não conseguia imaginar o que havia feito, nem qualquer outra coisa.

O gosto amargo na boca poderia significar que ingerira álcool?

Teria se embriagado e cometido tamanha loucura?

Ou teria sido drogada por uma das mulheres da família?

Daquelas duas ela esperava qualquer coisa, inclusive ser dopada e colocada em um quarto de hotel com um criminoso.

O vestido cinza não se parecia com nenhuma roupa sua, a menos que realmente tivesse perdido as lembranças por alguma razão.

Um bordado com a logomarca de um hotel chamou sua atenção.

Não era do lugar onde trabalhava.

Pelo menos, não do trabalho de que se lembrava.

Vestiu-se e percebeu o quanto a parte inferior do vestido ficava justa em seu quadril, enquanto a parte superior estava folgada.

Mercedes sempre zombara de seu corpo desproporcional.

Lupita ria, dizendo que ela nunca encontraria um marido.

Agora, estava com alguém em um quarto e, pelo que sentia, certamente não era mais virgem.

Uma lágrima escorreu por seu rosto, seguida de muitas outras.

Por um longo tempo, permitiu-se chorar pela perda.

Quando suas emoções se acalmaram, saiu do banheiro e procurou suas coisas.

Precisava encontrar o celular e descobrir o que havia acontecido.

Necessitava saber se sua família armara tudo aquilo para tomar sua única herança.

Estaria seu pai envolvido?

Desde que sua mãe lhe confidenciara que o pai amava a ex-namorada muito mais do que amava as duas, Cat se sentia insegura em relação a ele.

Seu pai mudara muito depois que Mercedes voltara a fazer parte de sua vida.

Luiz Fernando era agora um homem amargo e irritado.

Não se parecia em nada com o pai que ela conhecera quando sua mãe ainda era viva.

Na mesinha de cabeceira, bem ao lado de onde estivera deitada, havia um papel.

Quando leu o que estava escrito, soltou um grito.

Estava casada!

Aquele papel era uma certidão de casamento.

Como aquilo havia acontecido sem que ela se lembrasse de nada?

- O que foi?

O homem desconhecido havia acordado!

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Último capítulo

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