Mag-log inNão consegui dormir.Ayla finalmente havia adormecido.Os gêmeos também.Fiquei sentado próximo à janela, observando os três.Minha família.A palavra ainda parecia estranha.Bonita.Perigosa.Meu olhar foi até Aren.Os pequenos olhos dourados haviam sido a primeira coisa que me fez compreender.Não havia dúvida.Ele carregava meu sangue.Mas Liora...Era ela quem me preocupava.A pequena lua crescente nas costas.E a estrela.A marca que eu conhecia desde criança.A marca que minha mãe me mostrou quando eu ainda era um garoto, explicando que aquele símbolo pertencia apenas aos descendentes diretos do nosso sangue.Nunca havia visto aquela marca em outra pessoa.Até aquela noite.— Não pode ser...Darius havia dito aquilo várias vezes.Eu também havia pensado.Mas agora, olhando para minha filha, já não conseguia fingir que era impossível.Alguma coisa havia unido nossas duas linhagens.E alguém sabia disso.---Saí do quarto sem fazer barulho.Darius estava esperando no corredor.— V
A porta se fechou depois que Darius saiu.Mas as palavras dele permaneceram no quarto.Três alcateias haviam rompido a aliança.E tudo por causa dos meus filhos.Olhei para Kael.Ele continuava parado perto da janela, de costas para mim.Seu corpo estava rígido.Conhecia aquela postura.Era a mesma que ele assumia quando tentava controlar alguma coisa dentro de si.— Kael.Ele não respondeu.— Venha aqui.Dessa vez, ele se virou.A expressão dele ainda carregava a frieza do Rei, mas seus olhos procuraram imediatamente os bebês.— Eles acabaram de nascer — falei. — Não podem começar uma guerra por causa deles.— Não será por causa deles.Ele caminhou até a cama.— Será por causa do que eles representam.Franzi a testa.— O que isso significa?Kael se sentou ao meu lado.— Significa que algumas alcateias estavam apenas esperando uma oportunidade para desafiar minha autoridade.— E nossos filhos deram essa oportunidade.Ele ficou em silêncio.A palavra nossos ainda parecia estranha e bon
A primeira coisa que senti ao acordar foi o peso. Meu corpo inteiro parecia pesado. As pernas doíam, minhas costas estavam cansadas e até respirar profundamente parecia exigir esforço. Mas havia outra coisa. Um silêncio diferente. Abri os olhos devagar. Por alguns segundos, não reconheci o quarto. Então ouvi um pequeno som. Um resmungo. Virei o rosto. Kael estava sentado em uma poltrona ao lado da cama. E tinha um bebê em cada braço. Fiquei olhando. Ele parecia completamente concentrado. O menino estava enrolado em uma manta clara, dormindo tranquilamente contra seu peito. A menina estava no outro braço, com uma das mãozinhas fechadas ao redor do dedo dele. Kael olhava para os dois como se estivesse diante de algo que não conseguia compreender. Sorri. — Você está acordado há quanto tempo? Ele levantou os olhos. — Não sei. Minha voz saiu rouca. — Você dormiu? — Um pouco. — Mentira. Um sorriso apareceu no canto de sua boca. — Talvez. Observei os dois bebês. —
Eu ainda não conseguia entender. Meu corpo estava exausto. Meus braços tremiam depois de horas de dor. Mas nada se comparava ao que acontecia dentro da minha cabeça. Olhei para o pequeno menino nos braços de Kael. Os olhos dourados. Depois para a menina, tão pequena, com a lua crescente nas costas. Minha marca. Meu coração disparou. E então aconteceu. Uma dor atravessou minha cabeça. Levei a mão à testa. — Ayla? — Kael chamou. Fechei os olhos. E a lembrança veio. Não como antes. Não fragmentada. Não como um sonho. Inteira. A floresta. A chuva. A noite. Eu correndo entre as árvores. Rindo. Minha mão presa à de um homem. Kael. Era ele. Eu sabia. Eu me virei enquanto corria. Vi seu rosto. Seus olhos dourados. O sorriso que eu não conseguia esquecer. — Você está demorando! Minha própria voz ecoou na lembrança. Kael riu. — Você não sabe nem para onde está indo. — Não preciso saber. Continuei correndo. Ele me puxou de volta. Caí contra seu peito. E e
Eu não conseguia respirar. Meu olhar permanecia preso ao pequeno corpo nos braços de Lysandra. O menino chorava. Um choro forte, indignado, vivo. Mas eram os olhos que me destruíam. Dourados. A mesma cor que eu via no espelho todas as manhãs. A mesma cor que pertencia à minha família havia gerações. A mesma cor que nenhum outro membro das alcateias possuía. Meu coração bateu violentamente. — Não... A palavra saiu quase sem som. Darius estava atrás de mim. — Kael... Levantei uma mão. Não queria ouvir. Não ainda. Porque, se alguém dissesse em voz alta aquilo que eu estava pensando, tudo mudaria. Olhei novamente para o menino. Ele abriu os olhos. Dourados. Fixos em mim. Meu lobo reagiu imediatamente. Não houve dúvida. Nenhuma hesitação. Uma certeza brutal atravessou meu corpo. Meu filho. Fechei os olhos. Não. Não podia ser. Ayla estava olhando para mim, exausta, confusa. — Kael... Eu não conseguia responder. Porque havia outra criança. A menina. Lysand
Kael não respondeu. Seus olhos permaneceram presos aos meus, mas alguma coisa havia mudado neles. Eu ia insistir. Ia exigir uma resposta. Mas uma dor atravessou meu ventre. Levei imediatamente as duas mãos à barriga. — Ah... Kael se aproximou. — Ayla? A dor aumentou. Dessa vez, não era como as outras. Era forte. Profunda. Meu corpo inteiro ficou tenso. — Kael... Ele segurou meus braços. — O que está acontecendo? Tentei respirar. — Acho que... Outra contração veio. Fechei os olhos e apertei a mão dele. — Acho que eles estão chegando. A expressão de Kael mudou completamente. — Agora? Consegui apenas assentir. Ele me segurou antes que minhas pernas cedessem. — Chamem Lysandra! A voz dele ecoou pelo corredor. Dois guardas correram imediatamente. — Agora! Tudo aconteceu rápido demais. Lysandra chegou correndo. Assim que me examinou, seu rosto ficou sério. — O parto começou. — Mas ainda não está na hora — consegui dizer. — Eu sei. Ela olhou para Kael. —







