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Capítulo 07

Autor: Camila Nunes
last update Data de publicação: 2026-07-30 16:50:41

༺ Dafne Aslan ༻

As palavras de Alejandro caíram sobre mim como uma rocha pesada. O ar no meu peito pareceu sumir de repente, queimando os pulmões.

Olhei para a cara de cada um daqueles homens altos e imponentes no escritório, sentindo uma onda fria de pavor subir pelas minhas pernas e tomar conta de todo o meu corpo.

— Não! — gritei, dando dois passos desordenados para trás até que minhas costas colidiram contra a madeira fria da porta. — Vocês não têm o direito de me trancar aqui! Eu não sou um bicho para viver atrás de cortinas fechadas! Ninguém vai mandar em mim nessa vida, nunca mais…

— Você vai fazer exatamente o que mandei, Dafne — Alejandro rebateu imediatamente, a postura rígida e o tom cortante, sem dar um milímetro de espaço para discussão. — Se você der um passo para fora dessa casa, meu nome e a minha família viram alvo de um escândalo. Não permito que ninguém coloque o Império De la Vega em risco.

— Quer saber o que eu acho? — Santiago deu um passo à frente, a presença intimidadora fazendo o espaço parecer minúsculo. — Garota, você devia agradecer por estar viva dentro desta mansão. Lá fora o seu pai está querendo vender o seu corpo para um velho nojento, e você aqui fazendo escândalo porque queremos proteger a sua pele. Se tiver que te trancar na chave em um quarto, garota, eu mesmo tranco.

A raiva me subiu à cabeça, mas o medo de ser trancada de novo me sufocou. Minha respiração virou um chiado curto e rápido. O ambiente começou a girar devagar, as paredes do escritório parecendo se fechar ao meu redor.

— Chega, vocês dois! — Mateo interveio, calmo, firme e cortando o clima pesado da sala. Ele se colocou entre mim e os outros. — Vocês estão estressando a garota. Dá para ver a metros de distância que ela está no limite físico e emocional.

— Ela precisa entender como as coisas funcionam aqui — Alejandro resmungou, embora tenha dado um passo para trás.

Tentei rebater, puxar o ar para gritar com eles de novo, mas minha voz engasgou na minha garganta. Um calor estranho começou a subir pelo meu pescoço, deixando minha pele pelando.

Minhas pernas fraquejaram, os joelhos tremendo tanto que precisei me apoiar na maçaneta da porta para não desabar no chão. O cansaço da fuga, a dor dos arranhões no meu corpo e o estresse acumulado desses dias de horror cobravam o preço de uma vez só.

— Dafne? — Mateo deu dois passos rápidos na minha direção, o semblante mudando na hora.

— Não encosta em mim… — sussurrei, sentindo minha vista embaçando nas bordas.

— Você está queimando de febre — ele disse, ignorando o meu protesto fraco ao segurar meu cotovelo com firmeza para me apoiar. O toque das mãos dele era surpreendentemente frio contra a minha pele quente. — Diego, pega a minha maleta no quarto. Dante, traz uma jarra de água fria e uma toalha limpa. Agora.

Os dois irmãos saíram do escritório sem questionar. Mateo me guiou devagar até o sofá de couro no canto do cômodo, ajudando-me a sentar. Tentei empurrar o peito dele, mas meus braços pesavam como chumbo.

— Fica calma e respira devagar — ele instruiu, puxando uma banqueta baixa para sentar bem na minha frente.

Mateo abriu a maleta que Diego trouxe logo em seguida. A precisão dos movimentos dele era cirúrgica, quase fria, mas a atenção que dedicava a cada detalhe do meu rosto fazia meu coração disparar no peito por razões totalmente diferentes da raiva.

Ele pegou o aparelho para aferir a pressão e envolveu meu braço com o manguito.

— A sua pressão está nas alturas e a febre subindo rápido devido a alguma infecção nos ferimentos da sua queda — ele explicou diretamente, tirando o estetoscópio dos ouvidos. — A partir de agora, quem manda na sua rotina sou eu. Você vai para o quarto, deitar e não vai levantar daquela cama para nada até eu autorizar.

— Eu não preciso de um médico… — tentei rebater, embora a tontura me impedisse de manter a cabeça ereta.

— Precisa sim — ele me interrompeu sem erguer a voz, mas impondo uma autoridade rígida que não deixava margem para dúvida. — Os cortes nas suas costas e nos seus braços precisam ser limpos e desinfectados imediatamente. Se você não cuidar disso agora, vai parar em um CTI com uma infecção generalizada. Entendeu?

Fiquei em silêncio, totalmente vulnerável sob o olhar azul e atento dele. Era perturbador como Mateo conseguia me dominar sem erguer o tom de voz ou usar a violência. Ele exercia um controle silencioso, disfarçado de cuidado médico, que me deixava sem defesas.

Ele pegou um frasco de antisséptico e uma gaze, aproximando-se para limpar um corte profundo na minha linha do pescoço. Quando o líquido gelado tocou a ferida, soltei um gemido baixo e encolhi os ombros. Mateo nem piscou, mantendo as mãos firmes enquanto limpava cada milímetro da minha pele ferida, a respiração dele roçando na minha bochecha.

— Dói, né? — ele murmurou bem perto do meu ouvido. — Vai doer menos se você parar de lutar contra quem está tentando te salvar.

Alejandro e Santiago continuavam parados perto da mesa, observando a cena em um silêncio tenso. O ambiente ainda cheirava a conflito, uma mistura de perigo e proteção que me deixava completamente confusa.

Mateo terminou o curativo, guardou os materiais e aplicou uma injeção rápida no meu braço para baixar a febre antes que eu pudesse reclamar.

— Pronto. A medicação vai fazer efeito em alguns minutos. Agora o Dante vai te acompanhar até o quarto e...

O som ensurdecedor de um tiro do lado de fora cortou a fala dele ao meio. O vidro de uma das janelas superiores da biblioteca estilhaçou em mil pedaços, espalhando poeira e poeira de cristal pelo tapete.

Instintivamente, Mateo me puxou pelo pescoço, jogando meu corpo para baixo contra o estofado do sofá e cobrindo minha cabeça com o próprio corpo. Mais três estampidos secos ecoaram pelo vale, seguidos pelo som estridente dos alarmes de emergência da propriedade disparando por todos os lados.

— Mas que porra é essa? — Santiago berrou, sacando a arma da cintura em um movimento rápido e destravando o gatilho com um estalo seco. Seu virou uma máscara de pura fúria. — Quem é o filho da puta que tem a audácia de entrar atirando na nossa propriedade?

— Todos no chão! — Alejandro gritou, tirando sua própria arma da gaveta da escrivaninha e se posicionando perto do batente da porta, o semblante sombrio. — Diego, pega a equipe dos portões! Dante, tira a Dafne daqui e leva para o bunker dos fundos agora!

O caos tomou conta da mansão em questão de segundos. O ar voltou a sumir do meu peito, mas dessa vez não era pelo pânico da crise. O perigo real acabou de bater na porta dos De la Vega, e eu sabia, no fundo da minha alma, que aquela violência veio atrás de mim.

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