FAZER LOGIN༺ Dafne Aslan ༻
As palavras de Alejandro caíram sobre mim como uma rocha pesada. O ar no meu peito pareceu sumir de repente, queimando os pulmões. Olhei para a cara de cada um daqueles homens altos e imponentes no escritório, sentindo uma onda fria de pavor subir pelas minhas pernas e tomar conta de todo o meu corpo. — Não! — gritei, dando dois passos desordenados para trás até que minhas costas colidiram contra a madeira fria da porta. — Vocês não têm o direito de me trancar aqui! Eu não sou um bicho para viver atrás de cortinas fechadas! Ninguém vai mandar em mim nessa vida, nunca mais… — Você vai fazer exatamente o que mandei, Dafne — Alejandro rebateu imediatamente, a postura rígida e o tom cortante, sem dar um milímetro de espaço para discussão. — Se você der um passo para fora dessa casa, meu nome e a minha família viram alvo de um escândalo. Não permito que ninguém coloque o Império De la Vega em risco. — Quer saber o que eu acho? — Santiago deu um passo à frente, a presença intimidadora fazendo o espaço parecer minúsculo. — Garota, você devia agradecer por estar viva dentro desta mansão. Lá fora o seu pai está querendo vender o seu corpo para um velho nojento, e você aqui fazendo escândalo porque queremos proteger a sua pele. Se tiver que te trancar na chave em um quarto, garota, eu mesmo tranco. A raiva me subiu à cabeça, mas o medo de ser trancada de novo me sufocou. Minha respiração virou um chiado curto e rápido. O ambiente começou a girar devagar, as paredes do escritório parecendo se fechar ao meu redor. — Chega, vocês dois! — Mateo interveio, calmo, firme e cortando o clima pesado da sala. Ele se colocou entre mim e os outros. — Vocês estão estressando a garota. Dá para ver a metros de distância que ela está no limite físico e emocional. — Ela precisa entender como as coisas funcionam aqui — Alejandro resmungou, embora tenha dado um passo para trás. Tentei rebater, puxar o ar para gritar com eles de novo, mas minha voz engasgou na minha garganta. Um calor estranho começou a subir pelo meu pescoço, deixando minha pele pelando. Minhas pernas fraquejaram, os joelhos tremendo tanto que precisei me apoiar na maçaneta da porta para não desabar no chão. O cansaço da fuga, a dor dos arranhões no meu corpo e o estresse acumulado desses dias de horror cobravam o preço de uma vez só. — Dafne? — Mateo deu dois passos rápidos na minha direção, o semblante mudando na hora. — Não encosta em mim… — sussurrei, sentindo minha vista embaçando nas bordas. — Você está queimando de febre — ele disse, ignorando o meu protesto fraco ao segurar meu cotovelo com firmeza para me apoiar. O toque das mãos dele era surpreendentemente frio contra a minha pele quente. — Diego, pega a minha maleta no quarto. Dante, traz uma jarra de água fria e uma toalha limpa. Agora. Os dois irmãos saíram do escritório sem questionar. Mateo me guiou devagar até o sofá de couro no canto do cômodo, ajudando-me a sentar. Tentei empurrar o peito dele, mas meus braços pesavam como chumbo. — Fica calma e respira devagar — ele instruiu, puxando uma banqueta baixa para sentar bem na minha frente. Mateo abriu a maleta que Diego trouxe logo em seguida. A precisão dos movimentos dele era cirúrgica, quase fria, mas a atenção que dedicava a cada detalhe do meu rosto fazia meu coração disparar no peito por razões totalmente diferentes da raiva. Ele pegou o aparelho para aferir a pressão e envolveu meu braço com o manguito. — A sua pressão está nas alturas e a febre subindo rápido devido a alguma infecção nos ferimentos da sua queda — ele explicou diretamente, tirando o estetoscópio dos ouvidos. — A partir de agora, quem manda na sua rotina sou eu. Você vai para o quarto, deitar e não vai levantar daquela cama para nada até eu autorizar. — Eu não preciso de um médico… — tentei rebater, embora a tontura me impedisse de manter a cabeça ereta. — Precisa sim — ele me interrompeu sem erguer a voz, mas impondo uma autoridade rígida que não deixava margem para dúvida. — Os cortes nas suas costas e nos seus braços precisam ser limpos e desinfectados imediatamente. Se você não cuidar disso agora, vai parar em um CTI com uma infecção generalizada. Entendeu? Fiquei em silêncio, totalmente vulnerável sob o olhar azul e atento dele. Era perturbador como Mateo conseguia me dominar sem erguer o tom de voz ou usar a violência. Ele exercia um controle silencioso, disfarçado de cuidado médico, que me deixava sem defesas. Ele pegou um frasco de antisséptico e uma gaze, aproximando-se para limpar um corte profundo na minha linha do pescoço. Quando o líquido gelado tocou a ferida, soltei um gemido baixo e encolhi os ombros. Mateo nem piscou, mantendo as mãos firmes enquanto limpava cada milímetro da minha pele ferida, a respiração dele roçando na minha bochecha. — Dói, né? — ele murmurou bem perto do meu ouvido. — Vai doer menos se você parar de lutar contra quem está tentando te salvar. Alejandro e Santiago continuavam parados perto da mesa, observando a cena em um silêncio tenso. O ambiente ainda cheirava a conflito, uma mistura de perigo e proteção que me deixava completamente confusa. Mateo terminou o curativo, guardou os materiais e aplicou uma injeção rápida no meu braço para baixar a febre antes que eu pudesse reclamar. — Pronto. A medicação vai fazer efeito em alguns minutos. Agora o Dante vai te acompanhar até o quarto e... O som ensurdecedor de um tiro do lado de fora cortou a fala dele ao meio. O vidro de uma das janelas superiores da biblioteca estilhaçou em mil pedaços, espalhando poeira e poeira de cristal pelo tapete. Instintivamente, Mateo me puxou pelo pescoço, jogando meu corpo para baixo contra o estofado do sofá e cobrindo minha cabeça com o próprio corpo. Mais três estampidos secos ecoaram pelo vale, seguidos pelo som estridente dos alarmes de emergência da propriedade disparando por todos os lados. — Mas que porra é essa? — Santiago berrou, sacando a arma da cintura em um movimento rápido e destravando o gatilho com um estalo seco. Seu virou uma máscara de pura fúria. — Quem é o filho da puta que tem a audácia de entrar atirando na nossa propriedade? — Todos no chão! — Alejandro gritou, tirando sua própria arma da gaveta da escrivaninha e se posicionando perto do batente da porta, o semblante sombrio. — Diego, pega a equipe dos portões! Dante, tira a Dafne daqui e leva para o bunker dos fundos agora! O caos tomou conta da mansão em questão de segundos. O ar voltou a sumir do meu peito, mas dessa vez não era pelo pânico da crise. O perigo real acabou de bater na porta dos De la Vega, e eu sabia, no fundo da minha alma, que aquela violência veio atrás de mim.༺ Dafne Aslan ༻Santiago está parado no batente, apoiado na madeira com os braços cruzados sobre o peito largo. O olhar dele passa de mim para Mateo, fixando-se na proximidade perigosa entre nós dois e na caixa de primeiros socorros esquecida sobre a cama. Um sorriso sombrio e perigoso surge no canto dos seus lábios.— Olha só para o nosso médico certinho — Santiago provoca, com uma ironia venenosa que faz a espinha arrepiar. — Veio cuidar do curativo da garota ou resolveu aproveitar a oportunidade, Mateo?Mateo se levanta da cama de pulo, ajeitando a armação dos óculos enquanto assume uma postura defensiva na minha frente.— Pense bem no que fala antes de falar bobagem, Santiago — Mateo rebate, mantendo a voz fria, embora os punhos fechados ao lado do corpo entreguem a sua irritação. — A Dafne se cortou na cozinha e eu só estava tratando o ferimento.— Ah, claro — Santiago caminha para o interior do quarto com passos lentos e ameaçadores de um predador, ignorando completamente a res
༺ Dafne Aslan ༻Alguns dias se passaram desde aquela grande confusão que tive com o meu próprio pai na entrada da propriedade. Mas sei perfeitamente que essa não vai ser uma batalha fácil. Alejandro me informou hoje cedo que Joseph dobrou o reforço de homens armados na fazenda. Sei melhor do que ninguém que isso é puro desespero da parte dele.Enquanto corto alguns pedaços de frutas frescas para fazer uma salada na cozinha, uma lembrança antiga e dolorosa vem à minha mente. Minha mãe andava completamente desesperada pelos cantos da casa naquela época.Eu tinha apenas dez anos quando presenciei uma discussão terrível entre os dois na sala, escondida atrás da cortina.“Meu pai segurava uma pasta cheia de papéis, tentando obrigar minha mãe a assinar os documentos de qualquer jeito.— Você vai assinar essa porcaria agora mesmo, mulher! — ele esbravejava, puxando o cabelo dela com violência enquanto a encostava contra a parede. — Vai assinar nem que seja preciso morrer para isso.Minha mã
༺ Alejandro de La Vega ༻Seguro o pulso de Joseph com a mão direita, apertando o osso da junta dele até ver o desgraçado franzir o rosto de dor. Encaro esse sujeito com um ódio que queima no peito.Jamais permitiria que qualquer tipo de agressão contra a Dafne acontecesse na minha frente. Meus irmãos se aproximam pelas minhas costas, formando uma barreira viva.Santiago, Mateo, Diego e Dante parecem dispostos a qualquer coisa para quebrar a cara desse sujeito nojento ali mesmo, sem importar quem está olhando.— Você não vai levá-la para lugar nenhum daqui — aviso, soltando a mão dele com um empurrão seco. — Ela declarou claramente que não deseja ir e que não permanece no nosso domínio por obrigação.Joseph massageia o punho avermelhado, me medindo da cabeça aos pés com a cara fechada.— Alejandro, não é? Esse é o seu nome — ele rebate, tentando aparentar uma coragem que não possui. — Fique fora disso. A conversa e a pendência são entre mim e a minha filha.— Sinto muito, senhor Joseph
༺ Dafne Aslan ༻Continuo observando meu pai com a mandíbula travada, tomada por uma fúria ardente que consome meu peito ao ver até onde vai a coragem dele de expor minha vida na imprensa.Mas não deixarei ele sair daqui com um sorriso vitorioso. A repórter se aproxima com o microfone e os olhos brilhando de pura curiosidade, percebendo que a pauta do dia acabou de tomar um rumo completamente inesperado.O cinegrafista ajusta o enquadramento na minha direção enquanto as viaturas da polícia mantêm os giroflex ligados atrás da multidão.— Então absolutamente tudo o que o seu pai falou aqui na frente das câmeras é uma mentira? — a repórter questiona, buscando confirmação. — Você não está sendo mantida em cárcere privado por essa família?— Eu não estou sendo sequestrada por ninguém — respondo com firmeza, encarando a lente da câmera. — Na verdade, estou sendo impecavelmente bem cuidada por esses homens. Acabei sofrendo um grave acidente na estrada justamente quando fugia do meu próprio pa
༺ Dafne Aslan ༻Estou lendo um livro que Mateo trouxe da cidade especialmente para mim. Era uma comédia romântica clichê. No começo, achei a história meio boba e sem graça, mas, aos poucos, o enredo acabou me prendendo de um jeito gostoso, fazendo o tempo passar sem que eu percebesse.De repente, barulhos altos de discussão vindos do pátio cortam a paz do meu quarto. Me levanto da cama de pulo e vou até a janela. Ao puxar a cortina para ver, me deparo com uma equipe de repórteres cheia de câmeras, viaturas da polícia e o meu próprio pai no centro do tumulto.Não acredito que ele estava fazendo isso, descendo a um nível tão baixo. Mas eu não sei por que eu não me surpreendo. Ele deve estar realmente muito desesperado. A audácia desse homem me faz travar a mandíbula de pura raiva.Como ele tem a audácia de continuar enfrentando homens poderosos que já sabem de todas as suas sujeiras? Recuso-me a ficar trancada assistindo ao circo. Saio do quarto furiosa e desço as escadas a passos largo
༺ Dante de La Vega ༻ Observo Dafne se alimentar em silêncio, sentado na beirada da cama enquanto ela saboreia cada pedaço do café da manhã que preparei. Foi a primeira vez que vi essa garota quebrar totalmente a muralha de durona que carrega desde que pisou nesta casa. O choque com a verdade sobre o pai com certeza a levou ao limite de aguentar tudo sozinha. Quando ela termina finalmente a refeição, me aproximo e recolho a bandeja prateada com o prato e os utensílios. Entrego um copo de água fresca para ela e aproveito para me inclinar, deixando um beijo carinhoso e demorado na sua testa. — Descansa mais um pouco, passarinha — recomendo com voz amena. — Você continua meio fraca devido a todo esse estresse. Ela somente concorda com um gesto leve de cabeça, permanecendo sentada na cama. Seguro a bandeja com firmeza e caminho até a saída do quarto. — Voltarei mais tarde com o seu almoço — aviso, dando um último olhar na sua direção antes de puxar a porta. Fecho a porta devagar e si







