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Capítulo 06

Autor: Camila Nunes
last update Data de publicação: 2026-07-30 16:49:52

༺ Alejandro de La Vega ༻

Eu ainda encarava o papel sobre a minha escrivaninha com um desprezo profundo. A audácia daquele verme era algo impressionante. O pai de Dafne realmente acreditava que tinha algum peso, ou poder de barganha, contra a família De la Vega.

Era cômico, se não fosse absurdamente irritante. Um fracassado atolado em dívidas, achando que podia nos encurralar no nosso próprio território.

A porta do escritório se abriu de golpe, quebrando o silêncio pesado da biblioteca. Meus quatro irmãos entraram em fila, cada um trazendo no rosto a tensão daquela manhã.

— Qual é o pânico, Alejandro? — Santiago foi o primeiro a falar, cruzando os braços e encostando a estrutura larga contra a estante de livros antigos. O tom avermelhado dos seus cabelos parecia faiscar sob a luz da janela. — O sujeito da portaria disse ser urgente.

— O cozinheiro aqui teve que largar o café da manhã na metade — Dante resmungou, puxando uma das cadeiras de couro e se acomodando, ainda com as mangas dobradas. — Espero que seja algo relevante.

— A garota já acordou? — Mateo perguntou, ajeitando os óculos no rosto com a serenidade habitual, embora seu olhar revelasse a preocupação médica. — Ela parecia bastante debilitada ontem à noite. O estresse emocional pode causar estragos sérios se não for controlado.

— Ela está comendo. Deixei o prato servido na cozinha — Dante respondeu de prontidão, lançando um aviso silencioso no ar. — E, claro, querendo fugir, lógico. A menina é arisca.

— Deixem a garota de lado por um segundo — Diego interveio, a voz grave sobressaindo enquanto permanecia perto da lareira apagada, observando o movimento dos seguranças do lado de fora. — Se o Alejandro chamou os cinco aqui, não é para discutir o cardápio ou o estado de saúde dela. O que aconteceu?

Pousei os envelopes de pasta parda sobre a madeira nobre da mesa e me reclinei na poltrona, entrelaçando os dedos.

— O pai da Dafne e o velho Vicente mandaram uma ameaça formal.

Santiago soltou uma gargalhada curta e sem humor algum.

— Aqueles dois idiotas falidos? O que eles pensam que podem fazer contra nós?

— Eles juram que têm cartas na manga — continuei, mantendo o tom controlado, focado no problema. — Disseram que, se não entregarmos a garota até o final do dia, vão acionar os contatos que possuem na Polícia Federal e na imprensa regional. A narrativa já está pronta: vão espalhar que a Dafne foi sequestrada pelos De la Vega, mantida em cárcere privado sob violência. Estão dispostos a arrastar o nome da nossa família pelo lamaçal para nos forçar a ceder.

O ambiente no escritório mudou em uma fração de segundo. A fumaça invisível do conflito tomou conta da sala.

— Mas que petulância desgraçada! — Santiago explodiu, dando um passo à frente com a fúria estampada na testa. A mão dele desceu instintivamente para a cintura, onde a coronha da arma ficava oculta sob o paletó. — Eu pego três homens agora mesmo, vou até a propriedade daquele desgraçado e resolvo essa piada no tiroteio. Quebro as pernas do pai dela, dou um tiro na cabeça do velho Vicente e enterro ambos no meio do mato. Quero ver quem vai falar com a imprensa depois que estiverem debaixo da terra!

— Abaixe a bola, Santiago — ordenei de imediato, erguendo a mão para conter o ímpeto violento do meu irmão. — A gente não resolve uma ameaça pública com execução escancarada no meio da rua. Não somos capangas da esquina. Se você matar esses dois agora, só vai dar aos jornais exatamente a prova de sangue que eles precisam para acabar com o nosso império comercial.

— E você quer fazer o quê? Ficar sentado esperando o oficial de justiça bater na porta com uma ordem de busca? — Santiago esbravejou, os braços agitados no ar. — Aqueles vermes tocaram no nosso nome!

— Controlamos a polícia — declarei, encarando cada um deles com a frieza que o meu cargo exigia. — E nós compramos a imprensa. Antes que o pai dela consiga discar o número de qualquer repórter, eu já terei bloqueado todas as contas bancárias dele, cassado as licenças das empresas do Vicente e comprado a folha de pagamento do delegado responsável pelo distrito. Vou sufocá-los financeiramente e politicamente até que eles não tenham dinheiro nem para pagar o ar que respiram. A violência bruta é o último recurso de quem não tem cérebro.

— Nisso o Alejandro está coberto de razão — Mateo concordou, ajustando a postura. — Um escândalo desse nível nos tribunais travaria todas as nossas operações na cidade. Precisamos de discrição.

— Discrição com gente baixa não funciona — Diego resmungou, encarando o teto. — Mas sufocar o bolso deles é um bom começo para causar desespero.

Um ruído quase imperceptível vindo da entrada me fez interromper a linha de raciocínio. A porta da biblioteca, que deveria estar completamente selada, mantinha uma pequena fresta aberta. O reflexo no espelho lateral revelou a sombra de uma figura pequena parada do lado de fora.

Um sorriso contido surgiu no canto do meu rosto.

— Suponho que a princesa está ouvindo tudo.

No mesmo instante, os quatro se viraram na direção do batente. A surpresa durou apenas um segundo. Em vez de correr ou tentar se esconder, como qualquer pessoa sensata faria ao ser pega espionando homens perigosos, a porta foi empurrada de vez. Ela pisou no escritório.

Estava ofegante, o peito subindo e descendo com rapidez, suas bochechas coradas pelo esforço ou pelo pavor de ter escutado aquela conversa sombria. A alça da mochila continuava presa ao seu ombro; a postura ereta demonstrava uma coragem que não combinava com a dimensão do seu corpo frágil.

— Eu não quero trazer problemas para vocês — ela disparou sem vacilar, a voz firme apesar do tremor visível nas mãos. — Estou indo embora. É sério. Esse problema é meu, a dívida é minha e o meu pai é responsabilidade minha. Eu não pedi para ser salva e não vou deixar que a vida de vocês seja arruinada devido a uma sujeira da minha família.

Dei a volta na grande mesa de madeira com passos lentos, sentindo a atenção de todos os meus irmãos cravada naquela cena. A audácia dessa garota era fascinante. Diante do perigo, em vez de se encolher, ela tentava nos encarar de frente.

Parei a poucos centímetros dela, dominando o espaço com a minha altura. O perfume suave da sua pele, misturado ao cheiro do café da manhã, preencheu o ar entre nós.

— Você acha mesmo que pode simplesmente pegar essa mochila e cruzar o nosso portão? — perguntei, abaixando a cabeça para alinhar meu olhar ao dela.

— Devo ir! — ela insistiu, dando um passo para trás, embora a parede atrás dela limitasse qualquer fuga. — Vocês viram o que eles estão dispostos a fazer! Eles vão destruir a reputação de vocês, vão trazer a polícia e virar esta cidade do avesso até me levarem de volta.

— Ninguém vai te levar a lugar nenhum, Dafne — declarei com uma autoridade que não admitia contestação. — O seu pai não tem poder aqui dentro, e o velho Vicente é apenas um cadáver financeiro caminhando. Você não vai embora porque eu não vou permitir.

— Você não manda em mim! — ela rebateu com altivez, encarando os meus olhos sem pestanejar. — Eu não sou sua propriedade!

— A partir do momento em que você pisou nesta casa, a sua segurança e a imagem da minha família viraram a mesma — aproximei-me mais um passo, bloqueando qualquer rota de saída. — Se eles descobrirem que você está aqui, o circo está armado. Por isso, a partir de hoje, as regras mudaram.

Olhei por cima do ombro dela para os meus irmãos, que observavam a discussão em silêncio, absorvendo a minha decisão.

— Você não vai sair desta propriedade — decretei, voltando a atenção para o rosto assustado dela. — Na verdade, você não vai nem chegar perto das janelas desta mansão. Cada cortina deste lugar permanecerá fechada para você. Se um único fotógrafo ou segurança do seu pai pegar o reflexo do seu rosto por meio de um vidro, a guerra começa. Você fica no miolo da casa, sob os meus olhos e sob a custódia dos meus irmãos.

Dafne piscou várias vezes, o ar escapando dos seus lábios entreabertos diante daquela ordem radical. O conflito estampado na sua cara dizia que ela preferia enfrentar o próprio pai a aceitar aquele tipo de controle. E era exatamente essa resistência que tornava impossível deixá-la ir.

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