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Capítulo 08

Autor: Camila Nunes
last update Fecha de publicación: 2026-07-30 16:51:25

༺ Santiago de La Vega ༻

O sangue fervia nas minhas veias a ponto de fazer as minhas têmporas pulsarem. Aquele barulho de vidro estourando e os estalos secos de tiros no nosso território eram uma afronta que eu não pretendia deixar passar sem lavar o chão com o sangue dos responsáveis.

Empunhei a pistola com firmeza, sentindo o peso familiar do metal frio na palma da mão, e marchei rápido pelos corredores da mansão. O som dos alarmes cortava o dia de um jeito estridente, mas tudo o que eu conseguia escutar era a batida descontrolada do meu próprio instinto de caça.

Quem quer que fossem os desgraçados que tiveram a coragem de atirar contra a nossa casa, iam se arrepender amargamente de terem nascido. Pisei no saguão de entrada e deparei com um cenário de combate.

Nossos seguranças estavam posicionados atrás das colunas de mármore, devolvendo os disparos na direção dos portões. O cheiro de pólvora queimada tomava conta do ar.

— Que porra está acontecendo aqui? — bradei, me encostando na parede ao lado do chefe da guarda e espiando pela fresta da porta principal.

— Eles não estão tentando entrar pelo saguão, senhor Santiago! — o homem gritou para se fazer ouvir por cima do barulho dos tiros. — Isso aqui é só uma cortina de fumaça. Uma equipe secundária cortou a cerca dos fundos e avançou para a área dos campos!

Girei sobre os calcanhares no mesmo segundo em que Diego surgia na escadaria, os ombros largos cobertos por uma jaqueta de couro pesada e o semblante fechado com uma fúria sombria.

— Os estábulos, Santiago! — Diego rosnou, ajustando o aperto na arma que segurava. — Aquele bando de covardes está ateando fogo na estrebaria dos campos.

Uma labareda alaranjada cortou o ar lá fora, iluminando a fumaça densa que começava a subir do lado dos pastos. Aquilo foi a gota d’água. Mexer com o nosso nome já era uma sentença de morte, mas mexer com os nossos animais na nossa própria terra era assinar um atestado de tortura.

— Vamos lá para fora agora! — ordenei, sentindo o sorriso sádico despontar no meu rosto. — Hoje esses infelizes vão aprender como a gente resolve as coisas no campo.

Corremos em disparada pela saída lateral, cortando o gramado molhado pelo orvalho da noite. A fumaça escura trazia o cheiro forte de palha queimada e gasolina. No meio da penumbra, consegui identificar quatro homens armados correndo perto das cercas de madeira, com galões de combustível nas mãos e gargalhadas debochadas no rosto.

— São capangas do pai da garota… — Diego rosnou ao meu lado, aumentando a passada. — Tiveram a audácia de meter fogo no estábulo dos cavalos de raça.

— Deixa os ratos comigo! Pega os animais! — gritei.

Ergui o braço e disparei três vezes seguidas sem hesitar. O primeiro capanga tombou de joelhos no barro com um buraco no peito antes mesmo de entender de onde vinha o ataque. Os outros três pararam em choque, tentando erguer as armas, mas eu já estava sobre eles como um predador faminto.

Cheguei no segundo sujeito com um golpe seco de coronhada direto no nariz, ouvindo o estalo gostoso do osso se partindo. O homem caiu gemendo, e eu não perdi tempo: firmei o pé sobre o peito dele e dei um tiro no joelho do infeliz para garantir que não sairia do lugar.

— Quem mandou vocês aqui, seu bosta? — chutei a cara do terceiro que tentava se arrastar pela grama, pegando o sujeito pelo colarinho e o prensando contra a cerca de madeira.

— O... o velho mandou mandar um recado! — o homem gaguejou, cuspindo sangue e tremendo dos pés à cabeça sob a força do meu braço.

Enquanto eu dava uma lição sangrenta naquele verme, descarregando minha raiva em socos que moíam a carne dele, Diego avançou direto para a estrutura de madeira que começava a ser tomada pelas labaredas. Os relinchos desesperados dos cavalos de raça ecoavam de dentro do estábulo em chamas.

— Diego, essa merda vai desabar! — gritei, largando o capanga desacordado no chão e correndo na direção do fogo.

Diego ignorou o aviso. Ele se atirou contra a porta de madeira maciça, que estava emperrada pelas travas de ferro, usando a força bruta dos seus ombros para arrombar a estrutura de uma vez só. A madeira cedeu com um estrondo.

Sem hesitar um segundo, meu irmão se enfiou no meio da fumaça densa e do calor escaldante.

Avancei atrás dele, cobrindo o nariz com a manga do casaco. O fogo se alastrava rapidamente pelo teto, jogando faíscas para todos os lados.

— Pega a baia da esquerda! — Diego instruiu com a voz rouca devido à fumaça, puxando as rédeas do primeiro garanhão assustado e guiando o animal para fora com uma autoridade impressionante.

Aproximei-me da segunda baia, destravando a tranca de ferro quente que queimou a palma da minha mão. O cavalo negro rinchava alto, erguendo as patas dianteiras em pânico.

Segurei a cabeçada com firmeza, puxando o animal com força para longe das vigas que começavam a ceder.

— Vamos! Sai daí! — empurrei o garanhão para fora do portão, tossindo forte pelo ar tóxico.

Conseguimos colocar todos os animais para fora no gramado antes que a parte central do telhado desabasse em uma chuva de brasas e faíscas. Nós dois caímos na grama, puxando o ar puro do dia para os pulmões, com os rostos sujos de fuligem e o suor escorrendo pela pele.

Os capangas que ainda conseguiam andar já tinham escapado pelo matagal, correndo desesperados para salvar a própria pele.

— Você está inteiro? — Diego perguntou, apoiando as mãos nos joelhos enquanto recuperava o fôlego.

— Meus braços estão queimando, mas vou sobreviver — respondi, cuspindo a poeira preta no chão e me levantando devagar. O sangue quente na minha cabeça não havia diminuído nem um pouco. — Essa porra não vai ficar assim. Vai ter volta, e será muito pior.

Diego concordou com um aceno rígido de cabeça, encarando o estábulo destruído pelo fogo.

Caminhei de volta até a cerca, onde deixara o último capanga desacordado, para ver se o sujeito ainda respirava.

Ao me aproximar do corpo estirado na lama, notei um pedaço de papel amassado e sujo de graxa preso sob a fivela do cinto do homem.

Abaixei-me e puxei a folha.

O bilhete trazia uma caligrafia torta e apressada, escrita com tinta preta grossa. As palavras eram diretas e carregadas de um desespero ridículo:

“Entreguem a minha filha ou vou acabar com tudo o que vocês têm. Este é o meu último aviso.”

Encarei aquelas linhas por alguns segundos, sentindo uma mistura de nojo e divertimento sombrio tomar conta do meu peito. Soltei uma risada alta e debochada que ecoou pelo campo queimado, amassando o papel na minha mão até virar uma bolinha insignificante.

— Mas que petulância desgraçada… — murmurei para mim mesmo, olhando na direção da estrada escura. — Esse filho da puta não faz a menor ideia com quem está mexendo. Ele quer uma guerra? Pois ele acabou de arrumar uma.

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