Home / Romance / A noiva substituta do Ceo / Acordo de casamento

Share

Acordo de casamento

Author: Nena
last update Petsa ng paglalathala: 2025-01-04 03:06:56

 Caleb

O sol invadia a sala de jantar da mansão Belmont como um lembrete cruel de que aquele café da manhã não seria apenas uma refeição. Sentado à mesa impecavelmente posta, tentei focar no aroma do café, no pão fresco… qualquer coisa que me distraísse do olhar controlado do meu pai.

Bernardo Belmont, mesmo aos 68 anos, parecia mais uma estátua de comando do que um homem comum. Sempre ereto, sempre vestindo um terno perfeitamente alinhado — até dentro de casa. Ele nunca relaxava. Nunca deixava de ser o patriarca. Minha mãe, Vitória, estava ao seu lado. Linda, elegante, com aquele ar quase etéreo que ela mantinha mesmo depois dos sessenta. Mas ali, ao lado dele, parecia sempre uma coadjuvante resignada.

Do outro lado da mesa, meu irmão Nicolas mal prestava atenção. Magro, distraído, vivia no próprio mundo, mexendo no celular como se aquilo tudo não o envolvesse. E, até aquele momento, eu achava que não envolvia mesmo.

Então, veio o golpe:

— Você precisa se casar, Caleb. Está na hora de ter um herdeiro. A dinastia Belmont precisa continuar.

Engoli o café com dificuldade. Já tínhamos tido essa conversa. Várias vezes. E eu sempre deixava claro que não estava interessado. Mas meu pai nunca ouvia.

— Não estou te perguntando se quer. Estou dizendo que vai acontecer — ele insistiu.

Quando deixei a mesa, empurrando a cadeira com mais força do que queria, eu estava fervendo por dentro. Queria fugir daquilo. Mas ele não deixou.

Horas depois, invadiu meu escritório como se fosse dele — o que, tecnicamente, era.

— Você vai se casar — ele repetiu, como se fosse uma ordem de contrato.

E então jogou a bomba:

— Já fechei um acordo com os Monteiros.

Minha cabeça girou. Casamento arranjado? Em pleno século 21?

— Pai, isso é loucura. Você não pode decidir minha vida assim.

— Não estou pedindo sua permissão, Caleb. Estou garantindo o futuro da família.

A gota d’água veio quando ele ameaçou tirar tudo de mim. A empresa. A herança. O nome. Tudo.

Eu estava prestes a sair da sala quando vi sua expressão mudar. Ele levou a mão ao peito, os olhos perdendo o foco. Cambaleou na cadeira.

— Pai?

Corri até ele. Era estranho ver aquele homem — o mesmo que me tratava como um soldado — tão frágil.

— Vai ficar tudo bem, pai — eu disse, mesmo sem acreditar.

Chamei ajuda. Um médico. Um milagre. Qualquer coisa.

Naquele instante, algo dentro de mim cedeu. Pela primeira vez, eu o vi como um homem. Não como o chefe. Não como o imperador da dinastia Belmont. Só um pai. Um velho pai tentando segurar tudo com as próprias mãos.

E eu não sabia mais se queria herdar esse império… ou fugir dele.

****

Meu pai estava dente, e naquele momento eu não tinha mais o que fazer, eu precisava me casar para realizar o seu sonho de ser avô.

***

Caleb

A vista da sacada do hotel era magnífica, mas eu mal conseguia prestar atenção. Estava a trabalho em Londres, lidando com investidores, mas minha cabeça não saía de São Paulo. Mais especificamente, daquela conversa com meu pai.

Meu celular vibrava em cima da mesa. Peguei o aparelho, esperando que fosse uma mensagem de algum dos diretores, mas era apenas um lembrete irritante. Encontro com a Srta. Monteiro – 20h.

Suspirei, esfregando o rosto.

— Droga...

Eu não tinha tempo para voltar a tempo desse encontro. E para ser sincero, não estava com a mínima vontade de ir.

A ideia de conhecer minha futura esposa por meio de um contrato arranjado parecia absurda. Mas se eu faltasse, sabia que Bernardo usaria isso contra mim. Ele estava louco para me empurrar essa responsabilidade.

Foi então que uma ideia estúpida — e talvez genial — me ocorreu.

Rolei os contatos do celular até o nome do meu irmão. Liguei, e ele atendeu no terceiro toque.

— Caleb?

— Nicolas. Preciso de um favor.

— Hum… Isso nunca é bom. — A voz dele soou hesitante. — O que foi?

Me joguei na cadeira e estiquei as pernas, encarando o teto.

— Lembra do acordo ridículo que o pai fez? O casamento arranjado?

— Lembro. — Ele riu do outro lado. — Você ainda tá fugindo disso?

— Sim. E agora preciso que você vá no meu lugar.

— O quê?!

Afastei o telefone do ouvido com a reação dele.

— Não é grande coisa. Só apareça no encontro e diga que é você, mas está lá para me representar.

— Caleb, isso é loucura.

— Não precisa fazer nada além de sentar e conversar. Só quero que ela saiba que eu tenho interesse, mesmo que seja de longe.

Nicolas riu de novo, mas dessa vez nervoso.

— E se ela perceber que eu não sou você?

— Ela nunca me viu pessoalmente. Além disso, nós têmos o mesmo sobrenome. Não tem erro.

Ele hesitou, e eu sabia que estava quase o convencendo.

— Cara, eu não acho que isso vai dar certo…

— Nicolas… — Apertei a ponte do nariz, já irritado. — Me faz esse favor. Se você fizer, eu fico te devendo uma. E você sabe que não dou favores à toa.

Houve um silêncio do outro lado. Eu o conhecia bem. Nicolas adorava ter vantagem sobre mim.

— Tá bom, tá bom. Eu vou.

Sorri.

— Sabia que podia contar com você.

— Mas se isso der errado, eu vou te jogar na fogueira, Caleb.

— Isso não vai acontecer.

Desliguei o telefone, me sentindo mais leve.

Agora, pelo menos, eu tinha um problema a menos para lidar.

Patuloy na basahin ang aklat na ito nang libre
I-scan ang code upang i-download ang App

Pinakabagong kabanata

  • A noiva substituta do Ceo    Fim

    Caleb Dois anos passaram.Quando eu falo isso em voz alta, parece simples demais para tudo que a gente viveu. Dois anos desde o pior medo da minha vida. Dois anos desde o fundo do poço. Dois anos desde o dia em que eu achei que nunca mais ia respirar direito. E mesmo assim… aqui estamos.Lucas e Isabela vão fazer quatro anos.Quatro.Eu ainda lembro deles cabendo no meu antebraço, dormindo em qualquer lugar, dependendo da gente para tudo. Agora eles correm pela casa, brigam por brinquedo, dão risada alta, fazem perguntas sem parar e têm opiniões fortes sobre absolutamente tudo. Principalmente sobre bolo.Eles estão empolgados com o aniversário como se fosse um evento mundial. Contam os dias no calendário, perguntam se vai ter bexiga, se os amiguinhos vão, se o bolo vai ser grande, se podem escolher a roupa. A casa virou um caos delicioso.E, pela primeira vez em muito tempo, caos não significa medo.Significa vida.Pamela está diferente. Mais leve. Não perfeita, não intocável, mas ma

  • A noiva substituta do Ceo    Já tinham se passado três meses.

    PamelaJá tinham se passado três meses.Três meses podem parecer pouco quando alguém fala em voz alta, mas para mim foi como atravessar uma ponte longa demais. Cada dia teve peso, teve silêncio, teve lembrança. Não foi um “pronto, passou”. Foi um processo lento. De respirar fundo. De aprender a relaxar de novo. De aceitar que a vida continuava.Daniel continuava preso.Os advogados disseram que a condenação estava próxima. Ele e os comparsas dele. As provas eram muitas, claras, diretas. Não existia espaço para dúvida. A justiça estava caminhando, e isso me dava uma sensação estranha de segurança misturada com tristeza.Segurança porque meus filhos estavam protegidos.Tristeza porque ele era meu irmão.Ainda é difícil dizer isso em voz alta.Meu irmão.Não é só uma palavra. É sangue. É origem. É algo que eu descobri tarde demais e da pior forma possível. Às vezes eu me pego pensando em como teria sido se tudo fosse diferente. Se ele tivesse chegado na nossa vida de outra maneira. Se el

  • A noiva substituta do Ceo    Pequenos surtos

    CalebEssa semana passou devagar demais para mim.Por fora parecia que tudo estava voltando ao normal. Eu ia para a empresa, respondia e-mails, assinava papéis, falava com funcionários. Mas por dentro… era como se eu ainda estivesse preso naquele dia. Naquela ligação. Naquele galpão vazio. Naquele medo sufocante.Eu não contei para muita gente, mas fui ao psicólogo duas vezes nessa semana.Duas.E não foi por vontade. Foi porque eu percebi que não estava bem.Eu estava tendo pequenos surtos. Nada gritante, nada que alguém de fora olhasse e falasse “ele está mal”. Mas eu sabia. Pamela sabia. Eu ficava irritado do nada, perdia o foco, às vezes minha respiração acelerava só de ouvir um telefone tocar alto. Teve um dia que um carro freou forte na rua e eu congelei inteiro.Meu corpo reagia antes da minha mente.Os sonhos eram piores.Toda noite, sem falhar, eu sonhava que eles eram sequestrados de novo. O cenário mudava, mas a sensação era a mesma. Eu corria. Eu gritava. Eu chegava sempre

  • A noiva substituta do Ceo    Uma semana depois...

    PamelaJá tinha passado uma semana.Sete dias podem parecer pouco quando a gente olha no calendário, mas dentro de mim parecia que tinham sido meses. Meu corpo ainda acordava cansado, minha cabeça ainda demorava para entender que tudo tinha acabado. Às vezes eu levantava de madrugada só para ir até o quarto das crianças e confirmar que elas estavam ali. Respirando. Seguras. Vivas.Essa semana foi estranha. Silenciosa demais. Não tinha mais telefone tocando de madrugada, não tinha polícia entrando e saindo, não tinha gente falando ao mesmo tempo. Só a casa… e o eco do que aconteceu.Eu ainda sentia medo.Mas agora era um medo diferente. Não era mais pânico. Era como uma sombra que me seguia, mas já não me engolia.Lucas e Isabela estavam bem. O Lucas voltou a rir alto quando brincava. A Isabela ainda estava mais grudada em mim do que o normal, mas isso não me incomodava. Pelo contrário. Eu deixava. Eu queria que ela se sentisse segura. Eu queria que eles dois sentissem que nada no mund

  • A noiva substituta do Ceo    FORAM PRESOS

    Caleb Eu acordei antes do despertador. Na verdade, eu quase não dormi de verdade. Meu corpo descansou, mas minha cabeça ficou em alerta a noite inteira, como se ainda estivesse esperando algum barulho estranho, algum telefone tocar, alguma notícia ruim.Abri os olhos devagar.A primeira coisa que fiz foi olhar para o lado.Pamela dormia de lado, com o cabelo espalhado no travesseiro. A respiração calma, profunda. O rosto finalmente em paz. No meio da cama, Lucas e Isabela estavam largados de um jeito torto, cada um encostado em nós, como se ainda precisassem ter certeza de que estávamos ali.Fiquei alguns segundos só olhando.Essa cena simples… era tudo.Saí da cama com cuidado, quase em câmera lenta, para não acordar ninguém. O chão estava frio sob meus pés. Peguei a camiseta jogada na cadeira e vesti em silêncio.Fui até a cozinha.Coloquei água para ferver, preparei o café, peguei uma caneca. O cheiro começou a se espalhar e, pela primeira vez em muitos dias, não senti aquele nó n

  • A noiva substituta do Ceo    isso é tudo que eu preciso.

    Pamela Eu acordei assustada, como se alguém tivesse me puxado para fora de um buraco fundo. O coração disparado, a respiração curta, o corpo inteiro suado. Por um segundo, eu não sabia onde estava. O quarto parecia escuro demais, silencioso demais. Meu peito doía.O pesadelo ainda estava grudado em mim.No sonho, eu corria. Corria sem sair do lugar. Gritava os nomes dos meus filhos, mas minha voz não saía. As paredes da casa iam se fechando, o chão sumia, e eu sentia aquele medo antigo, conhecido, aquele pavor que eu achei que nunca mais ia sentir. Eu via as mãozinhas deles se afastando de mim, e eu não alcançava.Acordei com um soluço preso na garganta.Levei alguns segundos para entender a realidade. Para sentir o colchão. O lençol. O ar entrando e saindo do meu peito. Então eu mexi os braços.E senti.Lucas estava agarrado ao meu lado esquerdo, com a perna jogada por cima da minha coxa. A cabeça pesada encostada em mim, a respiração quente, tranquila. Isabela estava do outro lado,

Higit pang Kabanata
Galugarin at basahin ang magagandang nobela
Libreng basahin ang magagandang nobela sa GoodNovel app. I-download ang mga librong gusto mo at basahin kahit saan at anumang oras.
Libreng basahin ang mga aklat sa app
I-scan ang code para mabasa sa App
DMCA.com Protection Status