LOGINAmélia estava no quarto de Serafina, arrumando a cama e organizando algumas coisas dentro do armário. Desde que soube que a filha poderia receber alta logo, decidiu preparar tudo para que ela voltasse para casa. Não queria que Serafina retornasse à mansão dos Falconi depois de tudo o que havia acontecido. Queria que, quando ela saísse do hospital, encontrasse um lugar onde pudesse descansar sem que ninguém lhe dissesse o que deveria fazer, e não a pressionasse com coisas absurdas.A porta se abriu, e Frederico entrou. Ele parou ao ver a esposa mexendo nas coisas da filha e franziu o cenho.— O que você está fazendo?Amélia nem sequer se virou.— Arrumando o quarto da minha filha para recebê-la quando ela tiver alta.Frederico fechou a porta atrás de si e caminhou alguns passos para dentro do quarto.— Você ainda está com isso? Já conversamos sobre esse assunto. A Serafina é casada e vai continuar na casa do marido.Amélia virou-se lentamente para ele, segurando uma peça de roupa nas m
“Eu quero ir embora desse lugar. Para sempre. Por favor. Me ajude a sair daqui.”Dorian ouviu a voz de Serafina do outro lado, apertando o celular em suas mãos. Sua expressão estava séria, e sua voz saiu sem hesitar.— Está bem. Hoje à noite, eu vou tirar você desse lugar.Serafina ficou em silêncio do outro lado, como se não esperasse uma resposta tão rápida, ou, como se estivesse hesitando.Dorian continuou.— Não precisa se preocupar com nada. Eu vou tomar todas as precauções. Agora descanse. Eu cuidarei de tudo e entrarei em contato quando chegar a hora. Entendeu?— Uhum... Professor, obrigada.— Eu disse que você podia contar comigo para tudo. Agora descanse.A ligação encerrou, e Dorian continuou encarando a tela.Já sabia do envenenamento, o que apenas o tinha deixado mais apreensivo; e agora, vê-la pedir por sua ajuda havia sido a gota de água. Precisava tirar ela de lá a qualquer custo.Ele entrou nos contatos do aparelho e discou para um número.Antes do segundo toque, o out
Damian permaneceu em silêncio por alguns segundos. O olhar de Serafina sobre ele não vacilou.— Eu perdi o nosso filho, e você não ficou aqui comigo para falar sobre isso! E agora eu descubro que fui envenenada, que alguém causou o aborto, e você já sabia disso e não me disse nada? Você continuou me evitando e escondendo coisas de mim depois de tudo isso?!Serafina segurou a voz para não desabar no choro, mas não pôde conter as lágrimas que já rolavam livremente.— Esse bebê também era seu! E você não estava aqui quando eu soube que ele se foi, não estava aqui para me dizer o que realmente aconteceu... Você... Você sequer se importava com esse bebê? Ou... Ou, assim como eu e esse casamento, para você ele também era um fardo que você foi obrigado a aceitar?!Damian apertou o punho sobre o braço da cadeira e fechou a cara, antes de mover a cadeira até a cama, ficando ao lado dela. — Você e esse bebê são as únicas pessoas com as quais eu me importo! — Então por que não esteve aqui?!
— E-envenenada?! — Amélia repetiu, em choque, olhando para os Falconi.— Ah, vocês não sabiam? — Delara perguntou, surpresa. — me desculpe, eu pensei que o Damian já tivesse contado a vocês. Serafina sentiu seu coração acelerar, em choque demais para dizer algo.— Vocês... Vocês envenenaram a minha filha?— Querida, não foi assim. Esse bebê era muito esperado por todos nós. O Damian já está lidando com isso e investigando. Logo o culpado será encontrado e ficará tudo bem.— Ficará tudo bem?! — Amélia levantou a voz. Frederico tentou acalmar a esposa tocando em seu braço, mas foi imediatamente repelido. — A minha filha foi envenenada dentro da vossa casa, e vocês vêm aqui dizer que vai ficar tudo bem? Já não foi suficiente terem causado a morte da Josefina, agora querem tirar a vida da minha outra filha também?— Amélia... — Frederico tentou mais uma vez conter a esposa.— Não! — ela levantou a voz, encarou Delara e logo pousou seu olhar sobre Caetano. — Este maldito contrato acaba a
Delara e Riccardo chegaram ao escritório de Caetano e bateram à porta antes de entrarem. Caminharam até a mesa onde o Don estava sentado, encarando o papel em suas mãos.— Todos já se foram — disse ela, sentando-se na cadeira à frente. Riccardo sentou-se ao seu lado. — Normalmente, os encontros costumam levar dias, mas, por causa do incidente de ontem, tivemos que encurtar, estavam todos muito preocupados com a Serafina.— É, foi uma pena aquilo ter acontecido justo no meio do encontro — Riccardo acrescentou.— Querido, o que acha de amanhã irmos ao hospital ver como a Serafina está? Afinal, ela perdeu o nosso neto e deve estar arrasada. Devemos ir lá ver como ela está depois desse acidente.Caetano levantou os olhos do papel lentamente.— Não foi um acidente.— O-o quê?Caetano pousou o laudo médico lentamente sobre a superfície da mesa.— O Damian me enviou isso mais cedo.Riccardo pegou o documento e não precisou ler muito para entender do que se tratava. Seu rosto ficou pálido, co
Damian encarou a folha de papel em sua mão, apertando-a com tanta força que os dedos ficaram brancos enquanto a raiva subia vertiginosamente.Então... alguém havia envenenado Serafina e causado a morte de seu filho...A princípio, ele havia ordenado que aquele exame fosse feito para confirmar se o aborto realmente tinha sido causado pela briga da. Talvez para atenuar sua própria culpa, ou para verificar se havia algum outro motivo para tudo ter acontecido tão rápido, ou talvez fosse seu instinto que não acreditava em coincidências, e no facto de tudo aquilo ter acontecido justo naquela festa.No entanto, nenhuma dessas hipóteses o fizera sequer cogitar um envenenamento. Afinal, quem seria insano o suficiente para envenenar a esposa dele em sua própria casa?!O relatório toxicológico ficou amassado em sua mão.Seu olhar frio e negro ergueu-se para o médico.— Ela não deve saber sobre isso.O clínico prontamente assentiu.Damian moveu sua cadeira e saiu da sala, acompanhado por Emílio.







