LOGINDamian parou na porta do quarto do hospital.Os olhos dele encontraram os de Serafina, cheios de lágrimas, carregando aquela dor que fez seu peito apertar ainda mais de culpa. Ironicamente, aquela dor era a única coisa que ainda os unia e, ao mesmo tempo, a que os afastava.Ele ficou ali parado, com as mãos sobre a cadeira de rodas, sem saber se deveria avançar ou não, se ela o queria ali ou não e, caso avançasse, o que deveria fazer.Do outro lado, Serafina continuava olhando para ele. Uma parte dela não queria vê-lo, não queria que ele se aproximasse, mas outra parte queria que ele a abraçasse, que a confortasse, que chorassem juntos por aquela dor e perda.Amélia segurava a mão da filha, mostrando que estava ali para qualquer coisa, enquanto encarava Damian com um olhar claramente hostil.Antes que qualquer um se movesse ou tomasse uma decisão, mais alguém apareceu na porta.Emílio olhou para dentro do quarto, curvou a cabeça em respeito a Serafina e baixou o olhar. Logo em seguid
— Então... — Damian perguntou antes mesmo que os médicos pudessem falar. — A minha esposa e o nosso bebê... eles vão ficar bem?O médico olhou para Damian por alguns segundos. A expressão tensa do homem fez com que o coração de Damian apertasse antes mesmo de ouvir a resposta.— A senhora Serafina está bem. Conseguimos estabilizá-la. Quanto ao bebê... — o médico fez uma breve pausa, parecendo escolher as palavras. — Eu sinto muito, senhor Falconi, mas ela sofreu um aborto espontâneo.Damian permaneceu imóvel.Não houve uma reação imediata. Nenhum grito, nenhuma expressão de raiva, nenhum movimento brusco. Apenas ficou olhando para o médico, com o rosto praticamente inexpressivo, como se aquelas palavras tivessem chegado até ele, mas ainda não tivessem encontrado um lugar dentro de sua mente.Aborto.A palavra continuou ecoando enquanto ele tentava compreender o que acabava de ouvir.O bebê. O filho deles, não estava mais ali.A obstetra aproximou-se, percebendo que ninguém parecia ca
Dorian caminhou rapidamente pelo corredor. Ao reconhecer um médico que conhecia, aproximou-se imediatamente buscando informações.Mas, antes que o outro pudesse responder, Dorian percebeu aquela presença impossível de ignorar.Seu olhar moveu-se naquele direção, e encontrou os olhos azuis cravados nele, com a mesma sombra que havia neles da última vez que se viram.O olhar de quem podia e queria o fazer desaparecer com um estalar de dedos.Os dois ficaram se encarando por um longo tempo, e nenhum deles recuou.Logo o outro elevador se abriu, e dele saíram Amélia e Frederico, apressados, com Amélia trazendo lágrimas nos olhos.— A minha filha, onde está a minha filha?! — ela perguntou ao se aproximar deles, olhando para Damian com o mesmo olhar que lhe dera quando o viu depois do acidente.— Amélia, se acalme — Anastásia aproximou-se com a voz calma.— Como posso me acalmar? Eu falei com a minha filha há uma hora e ela parecia bem, e agora me dizem que ela deu entrada na emergência? —
Serafina olhou para a fina linha de sangue que escorria por sua perna e, por alguns segundos, pareceu não conseguir compreender o que estava vendo. Então seus olhos se arregalaram em pânico. O rosto perdeu a pouca cor que ainda tinha, e as lágrimas começaram a cair. Quando ergueu os olhos para Damian, havia apenas Medo e desespero em sua expressão.— Damian... — A voz saiu fraca e falha, como um pedido de socorro.No mesmo instante, Damian avançou rapidamente até ela, segurou seu corpo e a tomou nos braços, ignorando a própria cadeira de rodas enquanto a erguia com todo o cuidado que conseguia, acomodando-a em seu colo. Serafina agarrou-se à camisa dele com uma mão, as lágrimas rolando, mantendo a outra mão sobre o ventre enquanto outra onda de dor atravessava seu corpo.— Meu bebê... — murmurou entre lágrimas. — Damian... o bebê...— Vai ficar tudo bem — ele respondeu, embora sua própria voz denunciasse a tensão. — Vamos para o hospital, aguenta firme.Damian saiu do quarto carrega
Damian voltou ao salão e seus olhos buscaram por Serafina, mas não a encontrou. Então, foi até Bianca.— Maninho, a reunião acabou?— Hum. Onde está a Serafina?— Ela estava cansada, então falei para ir ao quarto descansar um pouco.— Ela reclamou de algo?— Não. Quer dizer... Ela ficou um pouco pálida antes de sair, mas disse que era só cansaço.Damian franziu o cenho e, sem fazer mais perguntas, seguiu para o quarto para ver como ela estava.Assim que chegou, encontrou o ambiente vazio: os saltos dela estavam ao lado da cama, sobre o tapete, e o celular jogado no chão.Ele olhou para o aparelho, instintivamente moveu-se até ele e o apanhou.Mas, antes que pudesse abri-lo, ouviu o som da porta do banheiro sendo aberta.Ao levantar o olhar, encontrou Serafina parada na entrada, apoiada ao batente. Estava pálida, com os olhos inchados, o nariz avermelhado e uma expressão completamente abatida, mas fitava-o com um olhar duro e fixo.Damian moveu rapidamente sua cadeira até ela, tomado p
— Mais alguma coisa? — Caetano perguntou no final da reunião.Os homens trocaram olhares. Ninguém respondeu.— Sendo assim, então a reunião está encerrada.Caetano se preparava para levantar quando viu a mão de um dos homens se erguer.Era Alessandro, seu sobrinho mais velho.— Don... Acho que há um assunto que ainda não foi discutido.Caetano parou.— E qual seria?O homem olhou para os demais, que pareciam já saber o que ele mencionaria, e demorou o olhar em Riccardo, que assentiu discretamente, incentivando-o a continuar.— E quanto à sucessão?A sala mergulhou num silêncio e, quase instantaneamente, todos os olhares se viraram para Damian, esperando sua reação.Alessandro voltou a olhar para o Don com expressão segura.— Creio que este é um assunto que precisa ser discutido.Caetano manteve a expressão séria e impassível sobre o sobrinho.Riccardo olhou para outro homem na sala, que no mesmo instante se pronunciou.— Eu concordo. Creio que, tendo em conta a situação atual, devemos







