Compartir

Um pouco de diversão...

last update Fecha de publicación: 2025-04-05 08:57:47

Alexandre Ridell

   Depois de muitas idas e vindas com várias assistentes que não dava em nada, decidi seguir o conselho do meu amigo e diretor financeiro, Estevão e eu mesmo iria entrevistar as candidatas para o cargo de minha assistente. Acionei o RH da empresa e abrimos um processo seletivo interno e externo. Eu precisava de alguém capacitado para ocupar o cargo da Magali que havia se aposentado. Ela trabalhou para o meu pai por longos anos quando a empresa não era nem sombra do que se tornou hoje. Sempre eficiente e muito discreta, a Magá, como todos gostavam de chamá-la, se tornou fundamental em minha rotina profissional.

   Me lembro quando me formei em engenharia civil e comecei a trabalhar na pequena empresa do meu velho, o tempo passou rápido e não deixou nada no lugar. A pequena construtora se tornou um conglomerado de empresas, onde atuamos no ramo da construção civil, incorporadora e imobiliária. Todos os dias quando adentro o grupo Ridell situado em um prédio de 20 andares em uma das principais e mais nobres avenidas de São Paulo sei que venci e só lamento por não ter meu pai ao meu lado para ver tudo o que eu consegui construir ao longo dos anos.

   Meu pai, um homem forte e ativo, foi lentamente consumido pelo câncer, uma batalha que transformou não apenas a vida dele, mas também a minha. A dor da perda me motivou a assumir a responsabilidade de manter a empresa, enfrentando desafios e superando obstáculos até construir um império. Toda a minha trajetória de superação é um reflexo do amor e respeito que eu sinto pelo meu pai.

   Anos depois me vi envolvido em uma paixão intensa, pela Raissa Vilela. Uma bela modelo que se tornou o centro do meu mundo. Eu me entreguei completamente a essa relação. Acreditei que o amor dela por mim era verdadeiro, eu cedia a todos os seus caprichos. Quando decidi pedir Raíssa em casamento, eu imaginava um futuro ao lado dela, repleto de felicidade e realizações. Fiz uma reserva em um dos melhores restaurantes da cidade. Seria o cenário ideal para o pedido . Em momento algum eu cogitei a hipótese de ser rejeitado. Sempre compartilhamos os planos de uma vida juntos.

   A rejeição dela me devastou. Me ajoelhei aos seus pés próximo a nossa mesa, mas a frieza com que ela recusou o meu pedido e me deixou sem olhar para trás, foi um golpe duro para mim. Eu me vi exposto aos olhares curiosos e crueis dos outros. Algumas pessoas me olharam com pena, enquanto me levantava tentando digerir o que havia acabado de acontecer. Era como se outra mulher tivesse sido colocada em minha frente.

   Inconformado eu tentei buscar por respostas e fui até o apartamento da Raissa. Lá a verdade se revelou de forma ainda mais dolorosa. Com toda a frieza ela afirmou que há bastante tempo não compartilhava dos mesmos sentimentos que eu. Que precisava focar em sua carreira e que não adiaria mais o nosso término. Alguns dias depois surgiram os rumores sobre seu envolvimento com Ramon Perez, um modelo da sua agência, o que só intensificou a minha dor. Foi necessário eu retirar a venda dos meus olhos e sentir o gosto amargo da traição.

   As peças desse quebra cabeça sempre estiveram à minha disposição, mas eu cego de paixão não queria enxergar. Os olhares furtivos entre eles, as ligações em horários estranhos não eram apenas suspeitas infundadas, mas sim sinais de que a relação entre nós já havia desmoronado. Logo ela partiu para a Europa, sem hesitação e sem olhar para trás. Eu precisei enfrentar a realidade, que apesar de todo o amor que eu sentia, ela nunca foi a minha parceira de verdade, era tudo um jogo de interesse. Desde então carrego essa mágoa em meu coração, que  não me permite me envolver sentimentalmente com outra mulher.

   Raíssa me magoou profundamente. Deixou marcas dolorosas em meu coração. Jamais vou permitir ser manipulado e feito de trouxa novamente. Por muito tempo eu engoli meu orgulho e fingi para minha família e amigos que aquilo não me afetava mais, eu precisava erguer a cabeça e seguir em frente. Minha vingança seria meu império e o meu sucesso. Desde então, comecei a sair com algumas mulheres aleatoriamente. 

   Abandonei a pilha de papeis sobre a minha mesa e caminhei em direção a grande janela da minha sala. Era meio da tarde e eu já estava entediado de ter que lidar com tantos contratos.  Meu celular vibrou sobre a mesa, quando dei uma olhada, reconheci o número do  meu amigo Pedro.

– E aí Alexandre! A voz do Pedro ecoou animada do outro lado da linha. – Tenho certeza que você está precisando relaxar, meu amigo! Já é sexta-feira.

– Eu sei Pedro, mas estou atolado de trabalho. Sem uma assistente, tudo fica ainda mais complicado. Suspirei passando as mãos pelo meu cabelo.

– Ah, deixa disso! Tem um bar recém-inaugurado aqui perto. Hoje a noite vai ter karaokê! Vamos nos divertir um pouco.

– Karaokê? Sério? Arqueei uma sobrancelha e um sorriso involuntário surgiu em meu rosto. – Eu não me vejo cantando nem no chuveiro, Pedro.

– Vai por mim! Você vai se divertir, eu prometo. E quem sabe você descobre um novo talento? Pedro insistiu, sua voz cheia de empolgação.

– Ok, ok… Eu hesitei um pouco olhando para a tela do computador mas decidi ceder. – Mas só porque você me prometeu que vai ser divertido.

– Isso! Te vejo mais tarde! Prepare-se para brilhar meu amigo!

   Desliguei o telefone balançando a cabeça com um sorriso. Talvez um pouco de diversão fosse exatamente o que eu estava precisando. Pensei decidido, que talvez aquela noite não fosse ser ruim. Um ambiente descontraído, bebidas e mulheres era tudo que eu precisava. Encerrei meus trabalhos e caminhei com passos decididos em direção ao elevador que me levaria para a garagem subterrânea.

   Ao chegar na minha cobertura me servi de uma dose generosa de uísque,  e aproveitei para observar a paisagem noturna através das grandes janelas da minha cobertura. As luzes da cidade à noite pulsavam em um ritmo frenético. Aquela noite prometia muito mais do que eu pude imaginar.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A nova assistente para o CEO desiludido    Nossa história de amor jamais terá fim...

    Jaqueline Estevão estava empolgado, falando com brilho nos olhos, aquele brilho típico de pai coruja.— Gente, vocês não têm ideia de como a Aurora está esperta! Disse ele, rindo. — Agora aprendeu a esconder as chupetas. A Malu quase enlouqueceu procurando uma ontem!Todos riram, e Malu balançou a cabeça, fingindo indignação.— E ele ainda acha graça! Respondeu ela, sorrindo. — Antes de sair, enchi meus sogros de recomendações. Escrevi até um bilhete com os horários de cada coisa.Alexandre, ao meu lado, sorriu divertido e apertou minha mão sobre a mesa.— Com a Jaqueline foi quase isso. Antes de deixar os gêmeos com seus pais, ela fez um manual completo. Eu nunca vi nada igual.— Organização é tudo. Respondi, rindo.A conversa foi interrompida pela volta triunfal de Caio e Edu, vindos da pista de dança com drinks coloridos nas mãos. O som da música alta vibrava do outro lado da área VIP, que estava lotada e cheia de energia.— Olha só, minha diva! Gritou Caio, me apontando o dedo com

  • A nova assistente para o CEO desiludido    Aquela noite foi o começo de tudo...

    Jaqueline O som das risadinhas de Otávio e Olívia ecoavam pelo jardim. Eu estava sentada em um dos bancos próximos ao playground da casa do meu pai, observando os dois correrem de um lado para o outro, completamente encantados com o escorregador e o balanço novo.Meus olhos se encheram de ternura ao ver o Edgar, ou melhor, meu pai ali, todo envolvido com os netos. Ajoelhado na grama, ele ajudava a Olívia a subir no escorregador enquanto o Otávio o chamava para empurrá-lo no balanço. O riso dele era solto, leve, de um homem que reencontrou um novo sentido na vida.Senti um toque suave em meu ombro. Era a Helena.— Ver ele assim é uma das melhores coisas da vida, não é? Disse ela, sentando-se ao meu lado.— É sim… Respondi emocionada. — Acho que nunca o vi tão feliz.— Nem eu. Ela sorriu. — Esses pequenos trouxeram luz pra ele.Logo fomos chamadas para o almoço. A mesa estava linda, repleta de pratos. Lorenzo, no colo da Isadora, fazia uma bagunça deliciosa com a colher, tentando alcanç

  • A nova assistente para o CEO desiludido    Gratidão...

    Alexandre Três anos depois…Os gêmeos estão crescendo rápido demais. Às vezes me pego observando cada um deles e pensando em como o tempo tem passado depressa. É impressionante como, mesmo tão pequenos, já têm personalidades tão distintas.O Otávio, por exemplo, é puro espírito de liderança. Determinado, curioso, sempre o primeiro a descobrir o que há atrás de uma porta, dentro de uma gaveta ou embaixo do sofá. Onde ele vai, a Olívia está logo atrás, risonha, observadora, às vezes mais cautelosa, mas não menos decidida. É engraçado ver como ela o segue por todos os cantos, como se o irmão fosse uma espécie de herói particular.A Jaqueline adora brincar dizendo que apenas alugou a barriga, e eu sempre rio disso. Mas quando olho pra eles, vejo tanto dela quanto de mim. Os cabelos negros, é verdade, puxaram a mim, mas o sorriso, aquele jeitinho doce de dobrar a cabeça quando estão curiosos, é todo dela.Charlie, o gato que dei de presente pra Jaqueline no ano passado, é outro capítulo à

  • A nova assistente para o CEO desiludido    Nada a pedir, só agradecer...

    Estevão O carro já estava ligado e o motorista nos aguardava. O ar estava leve, cheio daquela alegria doce que veio depois do nosso grande dia.Helena foi a primeira a nos abraçar, com os olhos marejados e o sorriso orgulhoso.— Cuidem-se, meus amores. E aproveitem cada minuto. Ela acariciou o rosto da Malu, como quem ainda tinha dificuldade de acreditar que a menina se transformou em mulher e estava casada.Malu, rindo e chorando ao mesmo tempo, apertou a tia forte.— Eu te ligo assim que chegarmos, prometo.Em seguida, foi a vez do Alexandre e da Jaqueline. Ele, com aquele ar protetor de irmão, me olhou sério antes de abrir um sorriso sincero.— Cuida bem dela, Estevão. Vamos esperar ansiosos pelo retorno dos nossos futuros vizinhos.— Pode deixar, meu amigo. Respondi, apertando a mão dele. — Nossa casa já está pronta. Vai ser ótimo.Jaqueline abraçou a Malu com carinho.— Vocês merecem essa nova fase. E Nova York vai ser inesquecível.Caio, como sempre, chegou por último, animado.

  • A nova assistente para o CEO desiludido    Os bebês...

    JaquelineDois meses depois…Estava sentada na poltrona do quarto dos bebês, com o meu pequeno Otávio no colo, quando o Alexandre entrou, segurando a Olívia com tanto cuidado que me fez sorrir. Ela dormia tranquila, o rostinho sereno encostado no peito dele, e eu podia jurar que ele prendia até a respiração para não acordá-la.O quarto estava suave, iluminado apenas pela luz amarelada do abajur e pelo som leve da nossa nova rotina: o respirar dos bebês, o ranger suave da poltrona, e o meu coração batendo acelerado de tanto amor.Otávio mamava com vontade, e eu não contive a risada. — Olha pra isso, Alexandre… ele parece um bezerrinho de tão esfomeado.Ele me olhou e riu baixinho, sentando-se ao meu lado. — Filho de quem é, né? Respondeu com aquele tom provocador que eu tanto conhecia.— Ei! Brinquei, fingindo estar ofendida, e ele soltou um riso mais aberto, daqueles que me desarmavam completamente.Ficamos um tempo em silêncio, apenas observando. Alexandre alisava com o polegar o br

  • A nova assistente para o CEO desiludido    O parto...

    Alexandre Cheguei em casa depois de mais um longo dia de trabalho. O jardim estava ainda mais bonito, com o perfume das flores misturado ao cheiro de casa.E lá estava ela.Jaqueline, de pé, me esperando com um sorriso. A barriga enorme, linda, como se fosse o mais precioso símbolo do amor que nos une.— Olha só quem resolveu me esperar. Murmurei, me aproximando.Ela sorriu de lado, colocando a mão sobre o ventre.— A gente sentiu sua falta.Abracei-a com cuidado, sentindo o calor do corpo dela e aquele perfume que já era o meu lar. Beijei seus lábios, depois me inclinei um pouco, repousando as mãos sobre a barriga.— E aí, meus dois amores, como estão? Falei baixo, sorrindo enquanto acariciava. — Vocês estão cuidando direitinho da mamãe?Ela riu.— Estão treinando pra virarem ginastas, acho eu.— Assim mesmo, filhos de Ridell, cheios de energia. Respondi brincando, ainda com as mãos sobre a barriga.— Meus pais estão na cozinha. Avisou. — Minha mãe acabou de tirar um bolo do forno.

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status