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A queda de uma luna: Até o regresso da honra.
A queda de uma luna: Até o regresso da honra.
ผู้แต่ง: Charlene C.

Capítulo 1 O ataque

ผู้เขียน: Charlene C.
last update วันที่เผยแพร่: 2026-08-11 21:13:10

⚠️ Atenção: este livro contém gatilhos.

Kivia

Abro os olhos, amaldiçoando o fato de não ter morrido durante a noite.

Por alguns segundos, permaneço imóvel, encarando o teto escuro. Uma parte de mim torce para que tudo seja apenas um pesadelo. Que, quando eu fechar os olhos novamente, vou acordar em minha antiga casa, com o cheiro do café vindo da cozinha e os sons da minha filha enchendo o ambiente.

Mas a dor está aqui.

Sempre está.

Desço da cama com dificuldade. Meus pés mal tocam o chão quando uma pontada atravessa minhas pernas. Seguro a beirada do colchão para não cair.

Hematomas de diferentes tons cobrem minha pele. Alguns recentes, outros já começando a desaparecer. Minha loba tenta curá-los, mas até ela parece cansada.

Hoje faz exatamente três anos que meu tormento começou.

Três anos.

Parece uma eternidade.

Eu já fui uma Luna respeitada.

Já fui uma mãe amorosa.

Já fui uma fêmea amada.

Agora?

Sou apenas um troféu de guerra.

Um objeto que alguém ganhou depois de destruir tudo o que eu conhecia.

Os renegados invadiram minha alcateia.

Ainda consigo ouvir os gritos daquela noite.

O barulho de portas sendo arrombadas. O cheiro de sangue. Os rosnados que vinham de todos os lados.

Meu companheiro me alcançou pelo elo mental segundos antes de eles entrarem em nossa casa.

Esconda-se. Leve Naissa. Agora.

Nossa filha tinha apenas três meses.

Corri com ela nos braços, apertando seu pequeno corpo contra o meu peito. Ela começou a chorar, assustada com o barulho.

— Shhh... mamãe está aqui.

Abri o guarda-roupa e coloquei minha pequena entre as roupas. Cobri seu corpinho com um cobertor e beijei sua testa.

Meu coração estava tão acelerado que mal conseguia respirar.

Fechei as portas.

E aquela foi a última vez que toquei minha filha.

Voltei para a sala.

E meu mundo desabou.

Mikael estava caído no chão.

Havia um enorme ferimento aberto em seu peito, e o sangue escorria por sua pele, formando uma poça sob seu corpo.

Um renegado estava sobre ele.

Suas garras estavam levantadas, prontas para atravessar sua garganta.

— Não!

Avancei sem pensar.

Agarrei seus pulsos antes que ele atacasse. Minhas unhas se transformaram em garras, e golpeei seu rosto uma, duas, três vezes.

Eu não sentia dor.

Não sentia medo.

Só ódio.

Queria matá-lo.

Queria arrancá-lo de perto de Mikael.

Mas outros renegados surgiram atrás de mim.

Mãos agarraram meus braços.

Lutei como uma louca.

Chutei. Mordi. Gritei.

— MIKAEL !!

Foi a última coisa que consegui dizer antes de ser arrastada para fora de casa.

Ouvi seu nome ecoar na minha mente enquanto me levavam para longe.

Ninguém veio atrás de mim.

Ninguém me salvou.

Durante dias, fui arrastada de um acampamento para outro. Meus pés sangravam, minha roupa estava coberta de poeira e o corpo inteiro doía.

Mas nada doía tanto quanto não saber o que havia acontecido com minha família.

Todas as noites, eu fechava os olhos e via Mikael no chão.

Depois via Naissa.

Minha pequena, sozinha dentro daquele guarda-roupa.

— Naissa... — sussurrava, abraçando os joelhos contra o peito. — Mamãe vai voltar.

Eu precisava acreditar nisso.

Precisava.

Mas, a cada amanhecer, estávamos mais longe de casa.

Até que finalmente me levaram diante do Alfa dos renegados.

Dois homens seguravam meus braços enquanto eu permanecia ajoelhada diante dele.

Olhei ao redor.

Guardas por todos os lados.

Nenhuma saída.

Levei a mão ao pescoço, procurando o elo com Mikael.

Silêncio.

Tentei novamente.

Nada.

Meu coração começou a bater descontroladamente.

E se ele estivesse morto?

E se ninguém tivesse encontrado Naissa escondida?

Fechei os olhos com força para impedir as lágrimas.

Pensei em seu rostinho.

No cheiro de sua pele.

Queria voltar.

Queria pegá-la nos braços e dizer que tudo ficaria bem.

Mas eu estava ali.

Sozinha.

Ajoelhada diante de um estranho.

Com as mãos sujas de sangue e terra e sem saber se algum dia voltaria para casa.

Naquela época, eu tinha apenas uma certeza:

Eu precisava sobreviver.

Três anos depois, continuo respirando.

Mas já não sei se isso significa estar viva.

Porque hoje eu sou apenas...

um troféu de guerra, uma escrava.

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