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KiviaAo sair do hospital, senti a tensão que tomava conta de Kairon e fiquei apreensiva. Dividir a companheira não era algo comum entre os lobisomens, muito menos para um macho poderoso como ele.Kairon me conduzia silenciosamente pelo estacionamento, com a mandíbula travada e o olhar determinado. Eu, por minha vez, prestava atenção em cada um de seus gestos. Era um hábito que havia adquirido durante os anos de escravidão: observar cada movimento sutil para antecipar as reações do meu mestre, da Regina e dos lobos superiores. Assim, conseguia evitar surras desnecessárias.Meu carro havia ficado na estrada, junto aos guerreiros, quando eu partira para socorrer Raniel. Por isso, havia enviado o endereço do hospital de Garras de Gelo ao meu pai, pedindo que fosse me buscar lá. Disse a Kairon que fizera isso por ser mais perto, mas a verdade era outra. Eu não queria presenciar nele a mesma reação de medo que vira no rosto de Raniel quando conhecera Kairon.Ele abriu a porta do passageiro
Kivia Quando chegamos ao consultório de Jamile, nos sentamos lado a lado nas cadeiras diante de sua mesa. Kairon mantinha minha mão firmemente entre as suas, como se temesse que eu pudesse escapar a qualquer momento. Jamile, por sua vez, tinha um brilho nos olhos e um sorriso contido no canto dos lábios. Aquela expressão era suspeita demais para o meu gosto. — Primeiro, quero parabenizar vocês dois. Nunca torci tanto para um casal se acertar na vida! Cheguei até a fazer uma promessa à deusa, sabiam? Não consegui continuar séria. Soltei uma risadinha e me inclinei para a frente, curiosa. — Amiga, prometeu o quê? Jamile ergueu as sobrancelhas, alternando o olhar entre mim e Kairon, que parecia tão interessado na resposta quanto eu. — Que, na união pública de vocês, eu passaria sete dias no Templo da deusa Selene, cuidando dos jardins sagrados e cumprindo os rituais de purificação ao amanhecer. Sem reclamar, sem fugir e sem usar meus conhecimentos médicos como desculpa para escapar
Kivia O pequeno cubículo pareceu ficar ainda menor com a aura de Kairon se espalhando pelo ambiente, mas eu já tinha exigido demais dele por hoje. Levantei-me da cadeira e caminhei até ele com um gingado provocante. Perto daquele macho, eu me sentia confiante o suficiente para brincar com seu ciúme. Encostei-me em seu peito forte e ergui o rosto para encará-lo, fazendo meu melhor biquinho manhoso. — Lobinho, estou toda dolorida... Acho que você pegou pesado demais comigo na última hora. — Fiz um carinho distraído em seu peito, tentando conter um sorriso travesso. — Agora me diz, com um lobo como você na minha cama, por que diabos eu ia querer outro? Ele estreitou os olhos e inclinou a cabeça para me observar. Um vinco surgiu em sua testa, mas logo desapareceu, dando lugar a um sorriso lento e convencido. — Claro, companheira. Afinal, gozei tantas vezes dentro de você que provavelmente já está carregando uma ninhada minha em vez de um único filhote. Minhas pernas bambearam, e ele
Mikael Trancado no meu escritório, sem conseguir prestar atenção verdadeiramente em nenhum documento. A imagem de Kivia tinha grudado na minha mente. Ela ainda não era a sombra do que era, esquelética e cheia de cicatrizes, estava longe de ser aquela minha lobinha doce e gentil. Mas cada vez que ela me desafiava eu conhecia a sensação dolorida do mesmo dia que a perdi, eu quiz abraça-la desde o primeiro dia. Sentir seu cheiro novamente e uma tortura deliciosa, eu ansiei tanto por senti-lo novamente. Peguei a garrafa de vinho elfico- o único que embebeda seres sobrenaturais, e tomei. Já estava bêbado o suficiente. quando subi para o meu quarto e vi Lia deitada com uma camisola fina de seda, ela lembrava tanto a Kivia quando nos unimos, mas agora tinhamos tabtas lembranças nossas. Ela me sustentou na hora que estava caído. Ela ajudou minha filha nos primeiros passos. Fez da minha casa um lar. Tomei um banho eu sabia que ela estava acordada e esperando por mim, beijei a
Lia Coloquei Naissa na cama e, por alguns segundos, fiquei admirando o quartinho iluminado pelas pequenas luzes de fadas que havíamos decorado juntas. Cada detalhe guardava um pedacinho de nós, e vê-la adormecer ali sempre despertava em mim uma mistura de ternura e saudade. Desde que Kivia partira, cuidar de Naissa havia se tornado minha responsabilidade. Mikael estava sempre ocupado com suas inúmeras obrigações e, sem perceber, eu acabara assumindo muito mais do que apenas a rotina da pequena loba. Soltei um suspiro, afastei uma mecha de cabelo do rostinho adormecido e ajeitei a coberta sobre seu corpinho. Então, inclinei-me para depositar um beijo delicado em sua testa. — Boa noite, minha lobinha... — sussurrei, sorrindo ao vê-la se aconchegar no travesseiro. Aquela não deveria ser a minha vida. Nunca imaginei que acabaria dedicando meus dias a cuidar da filha de outra mulher com o macho que amava, muito menos que precisaria me contentar com um lugar tão incerto ao lado dele. M
Kivia Ele pareceu um pouco desapontado, e me encolhi ligeiramente, incomodada com a culpa que começou a pesar no meu peito. Não era minha intenção magoá-lo. — Não faça essa cara. Somos companheiros destinados. Eu sei que sua regra era não se envolver emocionalmente, mas peço que reconsidere. Me dê uma chance de conquistar você de verdade. Fiquei em silêncio, sem saber o que responder. Ele havia interpretado minha expressão de uma maneira completamente diferente. — Kairon, eu não consigo sentir um vínculo de almas entre nós. É claro que tivemos um cio muito bem satisfeito, mas não é bom misturarmos as coisas. E que história é essa de nó? Mudei de assunto deliberadamente. Ele comprimiu os lábios em uma linha fina, e seu olhar escureceu. Apesar disso, não insistiu. Pegou minha mão e a levou até nossa junção. Na base de seu membro, as duas protuberâncias ainda estavam inchadas, embora começassem a diminuir de tamanho dentro do meu corpo. — Os lobos reais são os mais próximos de fer







