Mag-log inO corredor do departamento de Direito parecia mais longo do que nunca. As vozes dos alunos ecoavam pelas paredes, mas Sophia quase não ouvia nada. Caminhava rápido, com os livros pressionados contra o peito, tentando controlar a respiração, mas a mente estava em caos absoluto.A cena da lanchonete ainda queimava na cabeça. Annabelle, com aquele sorriso fácil, os saltos batendo no chão, se inclinando demais ao falar com Pietro… E ele, impassível, cordial, aceitando o convite."Almoço. Conversar sobre a semana acadêmica." Ela repetia mentalmente, e cada vez que a frase voltava, sentia o estômago afundar. Um nó de raiva e insegurança se formava no peito, crescendo a cada passo."Ridículo. Eu nem tenho o direito de sentir isso." — pensou, mordendo o lábio inferior, tentando conter o peso da emoção. — "Ele é meu professor. Eu não posso… não devo…".Mas a mente racional não conseguia vencer o coração.Quando entrou na sala de aula, a respiração estava presa na garganta. Alguns alunos já co
De volta à lanchoneteO cheiro de café fresco se espalhava pelo ar, misturado ao som dos talheres batendo, conversas abafadas e risadinhas discretas entre as mesas da pequena lanchonete do campus. O ambiente sempre tinha aquela aura acolhedora, mas, para Sophia, cada detalhe parecia distante, enevoado, como se estivesse presa em outro lugar, um lugar onde só existiam ela e Pietro.Sentada de frente para Anne Marie, ela tentava manter o foco na amiga, fingindo que acompanhava o ritmo da conversa, mas a mente estava inquieta, pulsando com lembranças que se recusavam a desaparecer.Lembrava da noite ardente com Pietro no apartamento dele, na maneira ousada que agiu com ele, nas mensagens trocadas depois. Por Deus, ela não devia, mas estava apaixonada pelo seu professor de direito penal. No início, era fácil justificar. Na boate, eram dois estranhos, dois corpos se encontrando, nada além disso. Mas agora… não eram mais dois estranhos. Ele era seu professor de Direito Penal, e ela… apenas
Pietro Vincenzo FerraraO corredor do departamento estava mais silencioso do que o normal naquela manhã. O barulho de passos apressados e vozes dos alunos ao longe parecia vir de outra dimensão, porque, para mim, o mundo inteiro se resumia a uma única expectativa: ela.Cheguei cedo, mais cedo do que precisava. Talvez porque uma parte de mim ainda acreditava que, se a visse primeiro, conseguiria controlar a situação. Mas, no fundo, eu sabia que era mentira. Não havia controle onde Sophia estava envolvida. Não mais.Me encostei à parede, segurando a pasta de anotações com força, o sobretudo estava pendurado no antebraço, o corpo pesado de uma tensão que não cedia desde a noite anterior. A falta de sono ardia nos olhos, os músculos latejavam, mas nada me cansava mais do que pensar nela. Cada detalhe. Cada lembrança. Cada limite que nós dois tínhamos foi rompido.Fechei os olhos por um instante, tentando acalmar o ritmo descompassado da minha respiração. Mas, em vez de silêncio, veio a le
Meu coração disparou tão forte que parecia que todo o corredor podia ouvir. Engoli seco, tentando parecer calma, mesmo que por dentro tudo estivesse em chamas. Anne percebeu imediatamente minha tensão e, com aquele jeito dela de quem sempre sabe mais do que deveria, soltou minha mão, cruzou os braços e me observou com um sorriso divertido, como se estivesse assistindo a um episódio particularmente interessante da minha vida. Aposto que, na mente dela, Annabelle sabia de tudo… inclusive sobre Pietro.— Claro, professora. — respondi, tentando manter a postura e soando mais firme do que realmente estava.Annabelle, porém, sorriu de um jeito inesperado, um sorriso sereno, acolhedor, que não carregava nenhuma das intenções que eu imaginei por um instante. Isso fez meu corpo relaxar… pelo menos por alguns segundos.— Gostaria de convidá-la para ser minha monitora este semestre. — disse com um tom firme, mas caloroso.Pisquei algumas vezes, surpresa.— Sério? Eu?— Sim. — ela confirmou com u
Sophia Jones O som ritmado dos meus saltos ecoava pelo corredor principal da universidade, acompanhando a pressa dos meus próprios pensamentos. Eu ainda sentia no corpo os resquícios da noite anterior, como se cada passo carregasse lembranças que eu preferia manter escondidas. A noite com Pietro tinha deixado marcas que não estavam apenas na minha pele, mas também no meu fôlego, no meu jeito de olhar o mundo.Respirei fundo, ajeitando a alça da bolsa no ombro, tentando parecer normal. Mas como parecer normal depois daquilo? Depois de sentir o peso do corpo dele contra o meu, o toque firme, a voz baixa no meu ouvido, a forma como ele me dominou e me deixou querendo mais.Entrei na lanchonete do campus, e o aroma de café recém-passado me envolveu imediatamente. Meu olhar percorreu o ambiente até encontrar Anne Marie sentada numa das mesas perto da janela, mexendo no celular. Assim que me viu, ela sorriu largo e levantou a mão, acenando como quem esperava ansiosa pela minha chegada.— F
O sol atravessava as cortinas do quarto de Pietro, riscando o chão com listras douradas. Ele piscou devagar, sentindo o peso confortável da preguiça da manhã. A noite anterior ainda estava presente no corpo e, principalmente, na memória. Um sorriso quase imperceptível surgiu em seus lábios quando flashes de pele, respiração e toques vieram à mente.Se espreguiçou, levantou-se devagar e foi até o banheiro. A água quente da ducha desceu pelos ombros largos, relaxando cada músculo tenso, e o vapor começou a embaçar o espelho. Ele apoiou uma mão na parede, fechando os olhos por alguns segundos, como se quisesse lavar não só o corpo, mas também a mente.Foi então que o toque insistente da campainha ecoou pelo apartamento. Três toques rápidos e decididos. Pietro suspirou e riu sozinho, balançando a cabeça. Só havia uma pessoa que apareceria tão cedo e com tanta determinação.— Ah… só pode ser ela… — murmurou, desligando o chuveiro.Pegou a toalha, enxugou o corpo rapidamente e amarrou-a na







