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Capítulo  86 - Linhas que não deviam ser cruzadas

Author: Krys.Torres
last update publish date: 2026-11-01 23:49:42

Pietro Vincenzo Ferrara

O corredor do departamento estava mais silencioso do que o normal naquela manhã. O barulho de passos apressados e vozes dos alunos ao longe parecia vir de outra dimensão, porque, para mim, o mundo inteiro se resumia a uma única expectativa: ela.

Cheguei cedo, mais cedo do que precisava. Talvez porque uma parte de mim ainda acreditava que, se a visse primeiro, conseguiria controlar a situação. Mas, no fundo, eu sabia que era mentira. Não havia controle onde Sophia estava
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    Pietro Vincenzo FerraraSaí da universidade com a cabeça fervendo. O ar parecia pesado, difícil de respirar, e cada passo que eu dava soava como um eco metálico nos corredores intermináveis. Eu tinha a sensação de que todo o prédio sabia o que havia acontecido na sala de reunião. Talvez fosse paranoia, talvez fosse verdade. O que eu sabia é que as palavras ainda estavam presas na minha garganta, me rasgando por dentro, enquanto eu tentava conter o turbilhão que me consumia.Andava rápido, com as mãos enfiadas nos bolsos do sobretudo e os dedos fechados com tanta força que as unhas começavam a machucar a pele. Era a única forma de segurar a raiva, de manter o corpo sob controle. Mas a minha mente gritava.Na minha cabeça, os nomes vinham como marteladas: Christopher e Daniel. Dois professores experientes, homens com anos de carreira, gente que orienta alunos, assina pareceres, define destinos. Dois homens que, naquele dia, decidiram cochichar feito adolescentes de ensino médio e o assu

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    Laboratório de Química, 15 minutos depoisO corredor estava quase vazio quando Sophia se aproximou da porta do laboratório. As luzes do teto piscavam suavemente, projetando sombras longas no chão. Cada passo que dava soava mais alto do que deveria, como se todo o prédio pudesse ouvir a batida acelerada do coração dela.A mão trêmula segurava os livros contra o peito, e a respiração estava curta, instável. Ela sabia que não deveria estar ali. Sabia que cada passo que dava a empurrava mais fundo em algo perigoso, proibido, impossível de controlar.Mas, no fundo, sabia que não havia mais volta.Quando empurrou a porta, o som suave da madeira ecoou pelo espaço silencioso. O laboratório estava quase escuro, iluminado apenas por uma fileira de lâmpadas no fundo. As bancadas estavam limpas, o cheiro de álcool e produtos químicos misturado ao frio metálico do ar.E ele estava ali.Encostado na bancada mais próxima da janela, com os braços cruzados sobre o peito. Pietro a observava em silêncio

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