Possuída Pelo Pai da Minha Melhor Amiga

Possuída Pelo Pai da Minha Melhor Amiga

last updateLast Updated : 2026-09-30
By:  Iris MarquesaUpdated just now
Language: Portuguese
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Ele tinha idade para ser meu tutor, poder para destruir os meus inimigos e apenas um segredo: desejava-me na sua cama." Com apenas vinte e um anos, a minha vida ruiu. Traída e expulsa de casa pelo meu ex-namorado, vi-me sem teto e sem rumo no meio da tempestade. Foi então que a minha melhor amiga me estendeu a mão, oferecendo-me abrigo na mansão da sua família. O que eu não esperava era encontrar Arthur Vance. Aos quarenta e cinco anos, Arthur é o CEO mais temido e implacável do país. Frio, autoritário e dolorosamente atraente, ele governa o seu império com mão de ferro — e a sua própria casa com regras inquebráveis. A primeira regra? Eu deveria manter a distância. Mas o destino tem um sentido de humor perverso. Entre olhares roubados nos corredores escuros da mansão e toques proibidos que desafiam toda a lógica, a tensão entre nós torna-se insustentável. Arthur tenta resistir, mas o desejo supera a razão. Ele jura proteger-me de todos os que me fizeram mal... mas a que preço? Agora, vivo num jogo perigoso onde cada encontro secreto pode destruir a minha amizade e onde a minha salvação está nas mãos do homem mais proibido de todos. Será que um amor nascido do segredo e da obsessão sobreviverá quando a verdade vier à tona?

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Chapter 1

A Tempestade e o Homem Frio

A chuva forte batia contra o para-brisas do táxi com uma violência assustadora. O som das gotas a estalar no vidro era a única coisa que preenchia o silêncio pesado dentro do carro, além dos meus próprios soluços contidos.

Eu olhava para a minha mala pequena no banco ao lado. Tudo o que eu possuía no mundo estava ali dentro. Três peças de roupa, alguns documentos e a minha dignidade destruída.

Apenas duas horas antes, eu achava que tinha uma vida perfeita. Tinha um namorado, um teto e um futuro planejado. Mas tudo ruiu no segundo em que abri a porta do apartamento do Marcos e o vi na nossa cama com outra mulher. E não era uma mulher qualquer. Era a própria prima dele.

Quando os confrontei, tremendo de choque, o Marcos nem sequer se deu ao trabalho de se cobrir. Olhou para mim com um desprezo que congelou o meu sangue.

— Vai embora ou quer que te ponha na rua à força, Clara? — disse ele, com uma gargalhada fria. — Tu nunca passou de uma garota morta de fome que eu acolhi por pena. Olhe para ti. Não tem nada, não é nada.

Ele atirou as minhas coisas pela janela fora, debaixo da chuva forte. Eu recolhi o que pude do chão enlameado, com os vizinhos a olharem e a murmurarem, enquanto o meu coração se partia em mil pedaços.

Eu não tinha para onde ir. A minha mãe tinha falecido há dois anos e eu não tinha contato com mais nenhum familiar. Naquele momento de desespero total, no meio da rua e encharcada até aos ossos, a minha única salvação foi ligar para a minha melhor amiga da faculdade, a Beatriz.

A Beatriz era tudo o que eu não era: rica, mimada, mas com um coração de ouro. Assim que ouviu o meu choro ao telefone, ela não hesitou.

— Clara, fica onde está! Vou mandar um táxi buscar-te agora mesmo. Vem morar comigo para a mansão do meu pai. Nem pense em dizer que não!

E era assim que eu ali estava. O táxi reduziu a velocidade ao aproximar-se de uns portões gigantescos de ferro fundido. Ao lado do portão, uma placa de bronze brilhava sob a iluminação fraca: Residência Vance.

Os portões abriram-se lentamente e o carro avançou por uma estrada de calçada cercada por árvores enormes. Ao fundo, erguia-se uma mansão imponente de arquitetura clássica. Luzes amareladas saíam das janelas altas, mas a casa transmitia uma aura intimidadora. Quase perigosa.

O táxi parou em frente à entrada principal. A chuva diminuíra um pouco, mas o vento frio da noite fez-me tremer instantaneamente. A minha roupa colava-se ao corpo e o meu cabelo estava completamente encharcado.

Antes que eu pudesse bater à porta, ela abriu-se de par em par. A Beatriz apareceu, correndo na minha direção com uma toalha felpuda nas mãos.

— Clara! Meu Deus, olha para ti! — exclamou ela, envolvendo a toalha nos meus ombros e puxando-me para dentro do hall de entrada. — Aquele desgraçado do Marcos vai pagar por isto, eu juro-te! Como é que ele teve a coragem de te fazer uma coisa dessas?

O aquecimento do interior da casa fizeram-me tremer ainda mais. O hall era gigantesco, com um teto alto, um lustre de cristal majestoso e uma escadaria dupla de mármore que subia para o segundo andar. Tudo ali gritava riqueza e poder.

— Obrigado, Bia... Eu nem sei como te agradecer — disse eu, com a voz falhada, tentando segurar as lágrimas. — Prometo que é só por uns dias. Assim que arranjar um trabalho, eu saio.

— Deixa de bobagens, Clara! Tu vai ficar o tempo que for preciso. A casa é enorme, quase ninguém vive aqui além de mim, dos empregados e do...

A Beatriz calou-se subitamente. A sua expressão mudou de preocupação para uma rigidez respeitosa.

Nesse mesmo segundo, o som de passos firmes e pesados ecoou no topo da escadaria de mármore.

Um arrepio estranho e elétrico percorreu a minha espinha antes mesmo de eu olhar para cima. O ar no hall pareceu ficar mais pesado, carregado de uma pressão invisível.

— Beatriz. Quem é a visita a esta hora da noite?

A voz era profunda, grave e arrastada. Tinha um tom de autoridade tão natural que me fez engolir em seco involuntariamente.

Levantei os olhos e vi.

No topo da escada estava um homem. Ele vestia um terno cinzento-escuro perfeitamente cortado, sem gravata, com os primeiros botões da camisa branca desabotoados. O seu cabelo curto tinha reflexos prateados nas fontes, incrivelmente charmoso. Ele aparentava ter cerca de quarenta e cinco anos, mas o seu corpo emanava uma força e um vigor que fariam qualquer homem mais jovem parecer insignificante.

Aquele era Arthur Vance. O pai da minha amiga. O CEO cujo rosto estampava as capas de revistas de negócios por todo o país. Um homem conhecido pela sua falta de piedade nos negócios e pela sua vida pessoal estritamente privada.

Os seus olhos, de um cinzento tão claro que pareciam lâminas de gelo, desceram lentamente pela escadaria até pousarem em mim.

Ele olhou para o meu cabelo molhado, para a toalha enrolada nos meus ombros e para as minhas roupas encharcadas que se moldavam às curvas do meu corpo. O seu olhar demorou-se ali por uma fração de segundo a mais do que o socialmente aceitável. Uma faísca de algo sombrio e indecifrável passou pelos seus olhos antes de ele voltar a encarar a filha.

— Pai, esta é a Clara, a minha colega de faculdade de quem te falei — explicou a Beatriz, ajeitando a postura. — O namorado dela foi um monstro e expulsou-a de casa no meio da tempestade. Ela não tinha para onde ir, por isso eu disse que ela podia ficar no quarto de hóspedes.

Arthur desceu os primeiros degraus com uma calma calculada. Cada passo dele parecia ecoar diretamente dentro do meu peito. A presença dele era esmagadora. Ele trazia consigo um perfume amadeirado e caro que preencheu o espaço entre nós.

Quando ele chegou ao fundo da escada, parou a poucos passos de mim. Ele era muito mais alto do que eu. Tive de inclinar a cabeça para trás para o encarar.

— Uma estranha na minha casa, sem o meu consentimento prévio — disse ele, olhando-me fixamente. A sua voz não demonstrava raiva, apenas um controle absoluto. — Sabe perfeitamente que não gosto de surpresas, Beatriz.

— Por favor, Sr. Vance... — interrompi , com a voz tremendo ligeiramente, incapaz de suportar a ideia de ser o motivo de uma discussão. — A culpa foi minha. Eu posso ir para um hotel ou...

— Com que dinheiro? — interrompeu ele, num tom frio, mas não cruel. Os seus olhos cinzentos desceram para a minha pequena mala no chão. — Tu está encharcada, tremendo de frio e sem um teto. Não digas bobagens.

Ele deu um passo na minha direção. O ar entre nós pareceu aquecer subitamente. Arthur ergueu a mão e, por um segundo, pensei que ele me ia tocar. O meu coração disparou descontroladamente no peito. No entanto, ele apenas segurou na ponta da toalha que estava escorregando do meu ombro e voltou a puxá-la para cima, cobrindo-me.

O toque dos seus dedos roçou acidentalmente na pele nua do meu pescoço. Foi um contato de um milissegundo, mas pareceu uma descarga elétrica que me fez arfar baixinho.

Arthur hesitou. O olhar dele voltou aos meus olhos, mais escuro agora, como se ele próprio tivesse sentido aquela faísca. A sua mandíbula travou-se por um instante.

— Tu fica — declarou ele, com a voz um tom mais baixa, quase num sussurro imperioso. — A Beatriz vai te levar para o quarto e te dar roupas secas. Mas deixa uma coisa bem clara na tua cabeça, Clara.

Ele pronunciou o meu nome de uma forma que fez o meu estômago dar uma reviravolta.

— Na minha casa, existem regras — continuou ele, dando um passo atrás e recuperando a sua postura distante. — Eu trabalho até tarde no meu escritório e não tolero ruídos ou distrações. Não te cruzes no meu caminho.

— Eu... eu percebi, Sr. Vance. Muito obrigada — murmurei, de olhos arregalados.

Ele não respondeu. Apenas deu meia-volta e caminhou em direção a um corredor escuro no fundo do hall. A porta pesada do seu escritório fechou-se com um baque seco, ecoando por toda a mansão.

Soltei o ar que nem sabia que estava a prender.

— Desculpa por ele, Clara — suspirou a Beatriz, pegando na minha mala. — O meu pai é assim mesmo. Um viciado em trabalho e um bocado frio. Mas não te preocupes, ele quase nunca sai do escritório. Vamos, vou te mostrar o teu quarto.

Enquanto subia as escadas atrás da Beatriz, olhei para trás uma última vez, na direção da porta fechada do escritório de Arthur Vance.

A minha pele ainda formigava no local onde os dedos dele tinham tocado. Eu devia estar pensando na traição do Marcos, no meu futuro incerto e na vergonha de estar ali. Mas a única coisa que conseguia fixar na minha mente era a imagem dos olhos cinzentos do pai da minha amiga a devorarem-me em silêncio.

Eu não sabia disso ainda, mas ao entrar naquela casa, tinha acabado de fugir de um pesadelo para cair direto nas garras de uma tentação muito mais perigosa.

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