LOGINEle tinha idade para ser meu tutor, poder para destruir os meus inimigos e apenas um segredo: desejava-me na sua cama." Com apenas vinte e um anos, a minha vida ruiu. Traída e expulsa de casa pelo meu ex-namorado, vi-me sem teto e sem rumo no meio da tempestade. Foi então que a minha melhor amiga me estendeu a mão, oferecendo-me abrigo na mansão da sua família. O que eu não esperava era encontrar Arthur Vance. Aos quarenta e cinco anos, Arthur é o CEO mais temido e implacável do país. Frio, autoritário e dolorosamente atraente, ele governa o seu império com mão de ferro — e a sua própria casa com regras inquebráveis. A primeira regra? Eu deveria manter a distância. Mas o destino tem um sentido de humor perverso. Entre olhares roubados nos corredores escuros da mansão e toques proibidos que desafiam toda a lógica, a tensão entre nós torna-se insustentável. Arthur tenta resistir, mas o desejo supera a razão. Ele jura proteger-me de todos os que me fizeram mal... mas a que preço? Agora, vivo num jogo perigoso onde cada encontro secreto pode destruir a minha amizade e onde a minha salvação está nas mãos do homem mais proibido de todos. Será que um amor nascido do segredo e da obsessão sobreviverá quando a verdade vier à tona?
View MoreA chuva forte batia contra o para-brisas do táxi com uma violência assustadora. O som das gotas a estalar no vidro era a única coisa que preenchia o silêncio pesado dentro do carro, além dos meus próprios soluços contidos.
Eu olhava para a minha mala pequena no banco ao lado. Tudo o que eu possuía no mundo estava ali dentro. Três peças de roupa, alguns documentos e a minha dignidade destruída. Apenas duas horas antes, eu achava que tinha uma vida perfeita. Tinha um namorado, um teto e um futuro planejado. Mas tudo ruiu no segundo em que abri a porta do apartamento do Marcos e o vi na nossa cama com outra mulher. E não era uma mulher qualquer. Era a própria prima dele. Quando os confrontei, tremendo de choque, o Marcos nem sequer se deu ao trabalho de se cobrir. Olhou para mim com um desprezo que congelou o meu sangue. — Vai embora ou quer que te ponha na rua à força, Clara? — disse ele, com uma gargalhada fria. — Tu nunca passou de uma garota morta de fome que eu acolhi por pena. Olhe para ti. Não tem nada, não é nada. Ele atirou as minhas coisas pela janela fora, debaixo da chuva forte. Eu recolhi o que pude do chão enlameado, com os vizinhos a olharem e a murmurarem, enquanto o meu coração se partia em mil pedaços. Eu não tinha para onde ir. A minha mãe tinha falecido há dois anos e eu não tinha contato com mais nenhum familiar. Naquele momento de desespero total, no meio da rua e encharcada até aos ossos, a minha única salvação foi ligar para a minha melhor amiga da faculdade, a Beatriz. A Beatriz era tudo o que eu não era: rica, mimada, mas com um coração de ouro. Assim que ouviu o meu choro ao telefone, ela não hesitou. — Clara, fica onde está! Vou mandar um táxi buscar-te agora mesmo. Vem morar comigo para a mansão do meu pai. Nem pense em dizer que não! E era assim que eu ali estava. O táxi reduziu a velocidade ao aproximar-se de uns portões gigantescos de ferro fundido. Ao lado do portão, uma placa de bronze brilhava sob a iluminação fraca: Residência Vance. Os portões abriram-se lentamente e o carro avançou por uma estrada de calçada cercada por árvores enormes. Ao fundo, erguia-se uma mansão imponente de arquitetura clássica. Luzes amareladas saíam das janelas altas, mas a casa transmitia uma aura intimidadora. Quase perigosa. O táxi parou em frente à entrada principal. A chuva diminuíra um pouco, mas o vento frio da noite fez-me tremer instantaneamente. A minha roupa colava-se ao corpo e o meu cabelo estava completamente encharcado. Antes que eu pudesse bater à porta, ela abriu-se de par em par. A Beatriz apareceu, correndo na minha direção com uma toalha felpuda nas mãos. — Clara! Meu Deus, olha para ti! — exclamou ela, envolvendo a toalha nos meus ombros e puxando-me para dentro do hall de entrada. — Aquele desgraçado do Marcos vai pagar por isto, eu juro-te! Como é que ele teve a coragem de te fazer uma coisa dessas? O aquecimento do interior da casa fizeram-me tremer ainda mais. O hall era gigantesco, com um teto alto, um lustre de cristal majestoso e uma escadaria dupla de mármore que subia para o segundo andar. Tudo ali gritava riqueza e poder. — Obrigado, Bia... Eu nem sei como te agradecer — disse eu, com a voz falhada, tentando segurar as lágrimas. — Prometo que é só por uns dias. Assim que arranjar um trabalho, eu saio. — Deixa de bobagens, Clara! Tu vai ficar o tempo que for preciso. A casa é enorme, quase ninguém vive aqui além de mim, dos empregados e do... A Beatriz calou-se subitamente. A sua expressão mudou de preocupação para uma rigidez respeitosa. Nesse mesmo segundo, o som de passos firmes e pesados ecoou no topo da escadaria de mármore. Um arrepio estranho e elétrico percorreu a minha espinha antes mesmo de eu olhar para cima. O ar no hall pareceu ficar mais pesado, carregado de uma pressão invisível. — Beatriz. Quem é a visita a esta hora da noite? A voz era profunda, grave e arrastada. Tinha um tom de autoridade tão natural que me fez engolir em seco involuntariamente. Levantei os olhos e vi. No topo da escada estava um homem. Ele vestia um terno cinzento-escuro perfeitamente cortado, sem gravata, com os primeiros botões da camisa branca desabotoados. O seu cabelo curto tinha reflexos prateados nas fontes, incrivelmente charmoso. Ele aparentava ter cerca de quarenta e cinco anos, mas o seu corpo emanava uma força e um vigor que fariam qualquer homem mais jovem parecer insignificante. Aquele era Arthur Vance. O pai da minha amiga. O CEO cujo rosto estampava as capas de revistas de negócios por todo o país. Um homem conhecido pela sua falta de piedade nos negócios e pela sua vida pessoal estritamente privada. Os seus olhos, de um cinzento tão claro que pareciam lâminas de gelo, desceram lentamente pela escadaria até pousarem em mim. Ele olhou para o meu cabelo molhado, para a toalha enrolada nos meus ombros e para as minhas roupas encharcadas que se moldavam às curvas do meu corpo. O seu olhar demorou-se ali por uma fração de segundo a mais do que o socialmente aceitável. Uma faísca de algo sombrio e indecifrável passou pelos seus olhos antes de ele voltar a encarar a filha. — Pai, esta é a Clara, a minha colega de faculdade de quem te falei — explicou a Beatriz, ajeitando a postura. — O namorado dela foi um monstro e expulsou-a de casa no meio da tempestade. Ela não tinha para onde ir, por isso eu disse que ela podia ficar no quarto de hóspedes. Arthur desceu os primeiros degraus com uma calma calculada. Cada passo dele parecia ecoar diretamente dentro do meu peito. A presença dele era esmagadora. Ele trazia consigo um perfume amadeirado e caro que preencheu o espaço entre nós. Quando ele chegou ao fundo da escada, parou a poucos passos de mim. Ele era muito mais alto do que eu. Tive de inclinar a cabeça para trás para o encarar. — Uma estranha na minha casa, sem o meu consentimento prévio — disse ele, olhando-me fixamente. A sua voz não demonstrava raiva, apenas um controle absoluto. — Sabe perfeitamente que não gosto de surpresas, Beatriz. — Por favor, Sr. Vance... — interrompi , com a voz tremendo ligeiramente, incapaz de suportar a ideia de ser o motivo de uma discussão. — A culpa foi minha. Eu posso ir para um hotel ou... — Com que dinheiro? — interrompeu ele, num tom frio, mas não cruel. Os seus olhos cinzentos desceram para a minha pequena mala no chão. — Tu está encharcada, tremendo de frio e sem um teto. Não digas bobagens. Ele deu um passo na minha direção. O ar entre nós pareceu aquecer subitamente. Arthur ergueu a mão e, por um segundo, pensei que ele me ia tocar. O meu coração disparou descontroladamente no peito. No entanto, ele apenas segurou na ponta da toalha que estava escorregando do meu ombro e voltou a puxá-la para cima, cobrindo-me. O toque dos seus dedos roçou acidentalmente na pele nua do meu pescoço. Foi um contato de um milissegundo, mas pareceu uma descarga elétrica que me fez arfar baixinho. Arthur hesitou. O olhar dele voltou aos meus olhos, mais escuro agora, como se ele próprio tivesse sentido aquela faísca. A sua mandíbula travou-se por um instante. — Tu fica — declarou ele, com a voz um tom mais baixa, quase num sussurro imperioso. — A Beatriz vai te levar para o quarto e te dar roupas secas. Mas deixa uma coisa bem clara na tua cabeça, Clara. Ele pronunciou o meu nome de uma forma que fez o meu estômago dar uma reviravolta. — Na minha casa, existem regras — continuou ele, dando um passo atrás e recuperando a sua postura distante. — Eu trabalho até tarde no meu escritório e não tolero ruídos ou distrações. Não te cruzes no meu caminho. — Eu... eu percebi, Sr. Vance. Muito obrigada — murmurei, de olhos arregalados. Ele não respondeu. Apenas deu meia-volta e caminhou em direção a um corredor escuro no fundo do hall. A porta pesada do seu escritório fechou-se com um baque seco, ecoando por toda a mansão. Soltei o ar que nem sabia que estava a prender. — Desculpa por ele, Clara — suspirou a Beatriz, pegando na minha mala. — O meu pai é assim mesmo. Um viciado em trabalho e um bocado frio. Mas não te preocupes, ele quase nunca sai do escritório. Vamos, vou te mostrar o teu quarto. Enquanto subia as escadas atrás da Beatriz, olhei para trás uma última vez, na direção da porta fechada do escritório de Arthur Vance. A minha pele ainda formigava no local onde os dedos dele tinham tocado. Eu devia estar pensando na traição do Marcos, no meu futuro incerto e na vergonha de estar ali. Mas a única coisa que conseguia fixar na minha mente era a imagem dos olhos cinzentos do pai da minha amiga a devorarem-me em silêncio. Eu não sabia disso ainda, mas ao entrar naquela casa, tinha acabado de fugir de um pesadelo para cair direto nas garras de uma tentação muito mais perigosa.O majestoso edifício da Bolsa de Valores de Londres brilhava sob as luzes da noite chuvosa. Executivos de alto padrão, banqueiros internacionais e correspondentes da imprensa econômica de toda a Europa lotavam o auditório privativo do leilão das patentes de tecnologia da antiga Aegis Corp.A atmosfera no ambiente era de pura eletricidade corporativa, mas quando o nosso grupo cruzou as portas de vidro do salão principal, os sussurros cessaram quase que instantaneamente.Entramos formando um triunvirato impecável e intimidador. Arthur caminhava no centro, trajando um terno azul-noite feito sob medida por alfaiates savile row, exalando uma aura de autoridade dominadora e perigosa. Eu estava à sua direita, usando um vestido de alfaiataria preto com detalhes em renda e joias discretas de diamantes, segurando sob o braço a pasta de couro que continha o nosso golpe fatal. Beatriz vinha à sua esquerda, mantendo a cabeça erguida e a postura ereta, apesar do pavor mudo que transparecia no seu o
O céu de Londres nos recebeu com uma chuva fina e uma névoa cinzenta que parecia abraçar os monumentos históricos da cidade. O desembarque na pista privada do aeroporto de Heathrow foi executado com escolta armada de alto nível organizada por Ramos.Três sedãs pretos blindados nos aguardavam para o trajeto até o prestigiado hotel Savoy, às margens do rio Tâmisa.No banco de trás do primeiro veículo, a tensão entre nós três era palpável. Arthur mantinha sua mão firme sobre a minha coxa, os olhos fixos na paisagem fria lá fora. Ao nosso lado, Beatriz olhava obsessivamente para a tela do celular, extremamente pálida e quieta.— O que foi, Beatriz? — perguntou Arthur, a voz cortante quebrando o silêncio do carro. — Você não falou uma palavra desde que saímos do avião.Beatriz deu um salto no banco, sobressaltada, guardando o telefone no bolso do casaco rapidamente.— Nada, pai... — gaguejou ela, sem conseguir sustentar o olhar do CEO. — Só estou nervosa com o leilão e com a mamãe.Arthur
O jato executivo da Vance Enterprises cortava a escuridão sobre o Atlântico Norte a dez mil metros de altitude. Na cabine principal, o zumbido suave dos motores era o único som que quebrava o silêncio denso.Arthur estava de pé junto à mesa de reuniões, sem o paletó, com os punhos da camisa social dobrados até os cotovelos. Ele encarava o mapa das Ilhas Virgens no tablet, a mandíbula trincada e os olhos cinzentos faiscando com a promessa de uma guerra sem tréguas em Londres. A proximidade do confronto com Helena despertava nele um lado ainda mais sombrio e dominador.Caminhei devagar pelo corredor, o tecido do meu robe de seda preta roçando na pele. O cansaço da batalha em Santos ainda pesava nos meus ombros, mas a presença daquele homem agia como um ímã incontrolável sobre mim.— Você não conseguiu dormir — disse baixinho, me aproximando pelas costas dele e envolvendo sua cintura larga com meus braços.Arthur estancou. O calor do corpo dele transbordava pelo tecido fino da camisa. El
Na manhã seguinte, a atmosfera no interior da mansão Vance havia se transformado completamente. O ar carregado de desconfiança e mágoa dos últimos dias deu lugar a uma cumplicidade renovada e inabalável. A reconciliação entre Clara e Beatriz redefiniu o equilíbrio de forças da casa, devolvendo a esperança ao coração do império.Quando Clara e Beatriz desceram juntas a grande escadaria de mármore para o salão de jantar, vestindo trajes elegantes de alfaiataria em tons sóbrios, o som dos saltos altos ressoou em perfeita sintonia. Arthur já as aguardava na cabeceira da mesa de jacarandá, cercado por tablets, dossiês e relatórios impressos do mercado financeiro internacional.Os olhos cinzentos do CEO se ergueram das telas e passaram de Clara para a filha. O olhar atento e analítico do homem de negócios notou instantaneamente a mudança drástica no semblante das duas. A postura defensiva e os olhos marejados de Beatriz tinham sido substituídos por um olhar firme e focado. O canto dos lábio










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