MasukEntrei na sala e o meu sangue ferveu instantaneamente ao ver ambos sentados à vontade no sofá, enquanto os olhos dos dois seguiam descaradamente cada movimento da Lívia, que se encontrava a arrumar a mesa da sala de jantar vestida apenas com uma saída de praia translúcida que deixava adivinhar na perfeição as curvas do seu biquíni cor de vinho. — Façam o enorme favor de tirar os olhos de cima da minha esposa neste exato momento — rosnei com uma raiva assassina na voz, assustando os dois palhaços. — Nós não estamos a olhar para nada de mais, homem! — mentiu o Lucas, levantando-se sobressaltado do sofá. — Tu nem avisaste que já tinhas regressado da lua de mel, viemos saber de ti através de uma publicação da tua mãe nas redes sociais. — E por que raio é que eu vos daria satisfações da minha vida conjugal? Eu não sou casado com nenhum de vocês — retorquui, revirando os olhos enquanto os cumprimentava contrariado. — Mas afinal, o que é que vos traz à minha casa a esta hora? — Viemos alm
Capítulo 86 — O Churrasco dos Intrusos e a Fúria de um Marido Invejoso 17:30 Sexta-feira Passei a mão trémula pelo rosto, completamente exausto após uma reunião de diretoria estressante que parecia não ter fim. Estava a morrer de fome e com uma vontade louca de me pirar dali para fora. A Lívia não me tinha mandado uma única mensagem o dia todo, o que por si só já era um indicador alarmante; apostava que ela tinha passado o dia a inventar algum projeto culinário desastroso na cozinha ou simplesmente a ignorar a minha existência com aquela classe irritantemente atrevida que só ela tem. E por falar nela, a verdade nua e crua é que eu já não estou a conseguir controlar minimamente os meus ciúmes. A toda a santa hora, o que me apetece fazer é agarrar a Lívia, trancá-la no nosso quarto, enchê-la de beijos e recusar-me a soltá-la tão cedo. No entanto, em hipótese alguma posso permitir que este sentimento me consuma por dentro; tenho de banir e excluir qualquer réstia de paixão que teime em
Enviei uma mensagem rápida à minha cunhada a avisar da minha chegada, e minutos depois vi-a a correr na minha direção pelo meio dos estudantes com um sorriso de orelha a orelha. — Minha salvadora oficial! — exclamou ela, atirando-se aos meus braços num abraço apertado. — Aqui tens o teu precioso caderno. Espero não ter demorado muito a chegar — entreguei-lhe o objeto. — Demoraste o tempo ideal, obrigada mesmo, Lívia! Salvaste-me a pátria. Mas diz-me uma coisa... Estás linda, por sinal, mas não estás a morrer de calor com essa calça comprida num dia de sol destes? Fiz uma careta dramática, cruzando os braços. — Nem me fales nisso! O teu querido irmão encasquetou na cabeça que a minha saia estava curta demais e ordenou-me que trocasse de roupa. Tive de ceder para não estragar o meu plano mestre de o fazer comer na minha mão mais tarde. A Clara soltou uma gargalhada cristalina, abanando a cabeça. — Tu és incorrigível, Lívia! Só mesmo tu para aguentares as manias de perseguição do R
Capítulo 28 — O Resgate da Mala, o Tropeço da Calça e a Visita dos Intrometidos 24 de Março — 08:45 Sexta-feira Despertei sobressaltada com o som estridente e contínuo do meu telemóvel a vibrar furiosamente sobre a mesinha de cabeceira. Estiquei a mão a tatear o ar, paguei o aparelho e atendi a chamada de rompante com a voz ainda embasada pelo sono, sem sequer me dignar a verificar quem chamava. — Alô? — resmunguei. — Oi, Lívia! Desculpa imenso acordar-te a esta hora, sei que é cedo... — a voz da Clara ecoou do outro lado da linha, soando visivelmente agitada e ansiosa. — Não tem mal de espécie nenhuma, Clara. Aconteceu alguma coisa grave? — sentei-me de imediato no colchão, sobressaltada. — Eu esqueci-me completamente de um caderno de apontamentos vital no meu apartamento, e agora estou numa aflição tremenda porque não consigo falar com os meus pais e o telemóvel do Rafael está fora de área. É absolutamente impossível para mim sair da faculdade neste momento para ir buscá-lo, ma
No entanto, antes de o meu pai atravessar a porta para o exterior, ele agarrou-me subitamente pelo braço e puxou-me à força para um canto isolado do hall, longe dos ouvidos dos Alencar. — Olha bem para mim, Lívia — sibilou ele com a voz grossa e ameaçadora. — Não te esqueças por um segundo sequer do motivo real pelo qual estás metida nesta casa: é para unires as nossas empresas e garantires o futuro da família. Trate de engravidar o mais depressa possível para termos uma aliança comercial inquebrantável para o resto da vida. Fervendo de indignação, arranquei o meu braço da mão dele com um puxão seco e encarei-o com ódio puro. — Tu podes esquecer essa ideia estúpida de uma vez por todas, Eduardo! Eu não vou servir de incubadora para os teus negócios corruptos, e muito menos vou pôr um filho no mundo só para garantir as tuas tramoias financeiras! Se estás tão desesperado por ter um neto que sirva de moeda de troca, obriga o Bruno a assumir essa responsabilidade, porque comigo vais bat
Assim que os pratos principais foram concluídos, levantei-me de imediato para ajudar a recolher a mesa. A Helena prontificou-se a acompanhar-me à cozinha para organizar a travessa da sobremesa. — Está tudo bem contigo, minha querida? Senti que estiveste extremamente desconfortável e tensa durante todo o almoço de hoje — perguntou ela com genuína preocupação, pousando a mão carinhosa sobre os meus ombros. — Está tudo bem, Helena, peço imensa desculpa por este ambiente desagradável. Eu simplesmente não aprecio que se toque neste tipo de assuntos familiares delicados em público, e o meu pai tem o dom irritante de ser invasivo. Agradeço a vossa paciência com eles. — Não precisas de pedir desculpa por absolutamente nada, Lívia. Eu compreendo perfeitamente o teu lado. O teu pai tem uma personalidade forte e tradicional, é natural que manifeste ansiedade por ver a família crescer. Tenta relaxar e não leves a mal, sim? — sorriu ela, reconfortante. Assenti com a cabeça, agradecendo mentalm







