MANUAL DE COMO CONQUISTAR UM PÂTISSIER

MANUAL DE COMO CONQUISTAR UM PÂTISSIER

last updateLast Updated : 2026-09-15
By:  sLunnyUpdated just now
Language: Portuguese
goodnovel16goodnovel
Not enough ratings
2Chapters
3views
Read
Add to library

Share:  

Report
Overview
Catalog
SCAN CODE TO READ ON APP

Strangers to lovers • Slow burn • Tutor x Aluna • Grumpy x Sunshine • Found family • Rica x trabalhador • Fake proximity • Eles abrem uma confeitaria • Casamento no final Íris de Albertim sempre teve tudo — menos liberdade. Filha de uma família rica de São Paulo, sua vida sempre foi decidida por terceiros. Inclusive sua entrada na prestigiada Le Cordon Bleu, onde ela deveria “aprender algo útil” antes de assumir os negócios da família. O problema? Íris não sabe cozinhar. Nem o básico. Do outro lado da cozinha está Guilherme de Almeida, veterano do último módulo de confeitaria. Talentoso, sarcástico e completamente focado em terminar o curso e abrir sua própria confeitaria, ele não tem tempo — nem paciência — para uma garota mimada. Mas tudo muda quando os pais de Íris fazem uma proposta irrecusável: pagar a Guilherme para ser o tutor particular dela. O que começa como um acordo frio e calculado rapidamente se transforma em algo perigoso — risadas inesperadas, olhares demorados, mãos que se tocam mais do que deveriam. E, no meio de receitas, açúcar e caos… eles descobrem que algumas coisas não podem ser ensinadas. Principalmente a como amar.

View More

Chapter 1

PRÓLOGO

 

Eu devia ter percebido antes. Devia ter entendido nos silêncios, nas respostas curtas, nos atrasos que nunca tinham explicação, nas vezes em que ele olhava o celular e sorria sem me contar o motivo. Mas eu não percebi. Ou talvez tenha percebido e escolhido ignorar, porque é mais fácil fingir que está tudo bem do que aceitar que alguém que você ama está lentamente te empurrando para fora da própria vida. Eu seguro a porta de vidro da doceria enquanto o sino toca acima da minha cabeça, aquele som delicado e irritantemente feliz, completamente incompatível com o nó que se forma no meu estômago desde que minha melhor amiga insistiu para a gente vir até aqui, dizendo que eu precisava sair, espairecer, parar de “criar paranoia”. Eu entro, respirando o cheiro doce e enjoativo de açúcar, chocolate e baunilha, e é irônico como tudo parece bonito demais — vitrines impecáveis, bolos decorados como obras de arte, luz quente, pessoas sorrindo — como se aquele lugar fosse feito para histórias felizes, e não para o tipo de cena que eu estou prestes a presenciar.

— Vai dar tudo certo — Annahí murmura ao meu lado, apertando meu braço com leveza, como se pudesse me ancorar no chão — Você tá exagerando, Íris.

Eu queria acreditar nela. Queria muito. Mas algo dentro de mim já está gritando, um instinto bruto, incômodo, impossível de ignorar, e ele fica mais alto quando meus olhos percorrem o salão e param — travam — em uma mesa no fundo, perto da janela, onde o sol da tarde b**e direto, iluminando perfeitamente duas pessoas que não deveriam estar juntas daquele jeito. Meu coração não quebra de uma vez. Ele racha devagar, como vidro sob pressão.

Ele está ali.

E não está sozinho.

Minha respiração falha antes mesmo de eu conseguir pensar direito. Meu corpo simplesmente reage, como se tivesse vontade própria, e eu começo a andar na direção deles, cada passo mais pesado do que o anterior, como se eu estivesse me afundando em algo invisível. Annahí tenta me segurar.

— Íris… espera…

Mas eu já vi. Já entendi. Não tem mais como desver.

Ele está inclinado para frente, sorrindo daquele jeito que eu conheço tão bem — ou achava que conhecia — e a mão dele está sobre a dela. Não é um toque casual. Não é amizade. Não é nada inocente. E ela… ela ri, j**a o cabelo para o lado, perfeita, impecável, exatamente como todo mundo descreve. A garota mais cobiçada do bairro. Aquela que nunca perde. Aquela que sempre leva o que quer.

E agora… é ele.

Eu paro na frente da mesa. Eles demoram um segundo para perceber que eu estou ali. Um segundo longo demais. Um segundo suficiente para me destruir.

— Sério? — minha voz sai mais baixa do que eu esperava, quase um sussurro, como se não fosse forte o suficiente para sustentar o que está acontecendo — Sério mesmo?

Ele levanta o olhar. Não há culpa. Não há surpresa. Não há nada.

Só… indiferença.

— Íris — ele diz meu nome como se fosse um inconveniente, como se eu fosse um problema que apareceu na hora errada — Não era pra você estar aqui.

Eu solto uma risada sem humor, sentindo algo quente subir pelo meu peito, uma mistura de dor, vergonha e raiva.

— Não era pra eu estar aqui? Eu sou sua namorada.

A garota ao lado dele cruza as pernas devagar, me analisando de cima a baixo com um leve sorriso no canto da boca, como se estivesse assistindo a uma cena interessante, mas não particularmente importante. Eu odeio o quanto ela parece confortável.

— Ex-namorada — ele corrige, simples, direto, como se estivesse falando sobre trocar de roupa — Eu só não tinha te contado ainda.

Ainda.

A palavra ecoa dentro da minha cabeça como um estalo.

— Você tá brincando comigo, né? Você me trouxe aqui semana passada. Você disse que me amava.

Ele suspira, passando a mão pelo cabelo como se estivesse cansado.

— Íris, você complica tudo. Sempre foi assim. Drama demais. Intensidade demais. Eu só… cansei.

Cansou.

De mim.

— E resolveu me trair? Na frente de todo mundo?

Ele dá de ombros.

— Não é traição se eu já não queria mais estar com você.

A garota ri baixo, e aquilo é o suficiente para terminar de me despedaçar.

— Você é patética. Sério. Ainda não tinha percebido?

Eu não lembro de decidir sair. Meu corpo só se move. Eu me viro antes que as lágrimas caiam, antes que eles vejam o quanto isso está me destruindo, e começo a andar rápido, quase correndo, ignorando Annahí chamando meu nome atrás de mim, ignorando o sino da porta, ignorando tudo. O ar lá fora b**e no meu rosto com força, mas não é suficiente para aliviar a pressão no meu peito. Eu não consigo respirar direito. Eu não consigo pensar. Eu só quero sair dali, desaparecer, arrancar aquele momento da minha memória.

Eu dou alguns passos rápidos, enxugando as lágrimas com as costas da mão, sem nem perceber para onde estou indo, até que…

Eu bato.

Forte.

Meu corpo colide com algo sólido, quente, firme, e o impacto me faz perder o equilíbrio por um segundo. Mãos seguram meus braços, impedindo que eu caia. Eu sinto. Sinto o corpo dele. Sinto a força. Sinto o calor.

— Ei — cuidado — uma voz masculina diz, baixa, firme.

Mas eu não paro. Não olho. Não fico.

Eu me solto rápido, praticamente me arrancando do toque dele.

— Desculpa — murmuro, sem realmente me importar, e continuo andando.

Eu não vejo o rosto dele. Não sei quem é. Não quero saber. Tudo que eu sinto é aquele breve contato, aquele segundo em que alguém me segurou quando eu estava prestes a cair, e ainda assim… eu ignoro.

Porque naquele momento, eu não quero ser salva.

Eu quero desaparecer.

Eu não sei como chego em casa. Não lembro do caminho, dos semáforos, das pessoas, de nada. Só lembro de abrir a porta, subir as escadas e entrar no meu quarto como se fosse o único lugar onde eu ainda posso me desmontar sem testemunhas. Eu fecho a porta atrás de mim e então… tudo desaba.

Eu não choro bonito. Não é silencioso. Não é delicado. É feio, alto, descontrolado. Eu me jogo na cama, enterrando o rosto no travesseiro, como se isso fosse capaz de abafar a dor, mas não é. Nada é. Cada palavra dele volta, repetindo, repetindo, repetindo, como uma tortura.

Patética.

Cansado.

Ex-namorada.

Eu aperto os olhos com força, como se pudesse apagar aquilo.

— Eu odeio… — minha voz sai quebrada, falhando no meio — Eu odeio isso.

O cheiro doce ainda está na minha roupa, no meu cabelo, na minha pele, e isso só piora tudo. Eu sinto vontade de arrancar tudo de mim, como se pudesse tirar aquela memória junto.

— Eu odeio doceria… eu odeio confeitaria… eu nunca mais quero pisar em um lugar desses — repito, agora com mais força, como se transformar isso em regra pudesse me proteger de qualquer coisa que envolva açúcar, amor ou qualquer promessa que no final só vira decepção.

O tempo passa sem forma, sem ritmo, sem sentido, até que batidas leves interrompem o vazio em que eu me afundei, e mesmo sem vontade nenhuma de responder, mesmo querendo desaparecer completamente, a porta se abre do mesmo jeito, porque nesse mundo nem o meu silêncio é respeitado.

— Íris? Podemos entrar? — a voz da minha mãe vem suave demais, cuidadosa demais, e isso me irrita mais do que qualquer coisa.

Meu pai aparece logo atrás dela, sério, firme, decidido como sempre, e eu já sei, antes mesmo de qualquer palavra, que aquilo não é uma visita, é uma decisão.

— Eu não quero conversar — digo, virando o rosto, tentando limpar as lágrimas rápido demais.

Eles trocam um olhar. Eu conheço aquele olhar.

— Nós precisamos falar com você — meu pai diz, sem rodeios.

Eu solto uma risada fraca, amarga.

— Engraçado… porque eu acabei de ser humilhada em público.

Minha mãe se aproxima, sentando na cama, e segura minha mão, mesmo quando eu não quero.

— Justamente por isso. Você precisa focar em algo importante agora.

Algo dentro de mim já se contrai.

— Eu não preciso de nada…

— Nós te matriculamos — meu pai interrompe — No curso de pâtissier da Le Cordon Bleu.

O mundo para.

Literalmente.

— O quê?

— Você começa em breve. É o melhor curso. Vai te fazer bem.

Eu começo a rir, mas não tem graça nenhuma.

— Eu acabei de dizer que eu odeio confeitaria.

— Você não sabe o que quer — ele responde — E por isso decidimos por você.

Aquilo dói de um jeito diferente, mais fundo, mais antigo, mais permanente, como se não fosse só sobre hoje, mas sobre tudo, sobre sempre, sobre nunca ter tido escolha de verdade.

Eu puxo minha mão de volta devagar, olhando para eles como se estivesse vendo duas pessoas completamente estranhas, sentindo o peito apertar, a garganta fechar, e uma certeza se formar, pesada, sufocante, impossível de ignorar, de que a minha vida nunca foi realmente minha, de que tudo sempre foi decidido por eles, moldado por eles, imposto por eles, e eu só… aceitei.

— Eu odeio vocês — digo, baixo, sem gritar, sem força, mas com toda a verdade que ainda resta dentro de mim, e mesmo assim parece ecoar alto demais no quarto.

Eles não respondem, não tentam justificar, não tentam consertar, porque não precisam, porque na cabeça deles isso já está resolvido, já está certo, já está feito, e qualquer dor minha é apenas um detalhe insignificante no meio de algo maior que eles decidiram por mim, e isso só torna tudo ainda mais pesado, mais difícil de respirar, mais impossível de aceitar.

A porta se fecha atrás deles, e o som é suave, quase delicado, mas dentro de mim ele reverbera alto, marcando um antes e depois que eu não sei como atravessar, e eu fico ali, sentada, imóvel, olhando para nada, tentando entender como em poucas horas eu consegui perder tudo ao mesmo tempo, como se meu relacionamento tivesse desmoronado, minha dignidade tivesse sido arrancada em público e, como se não fosse suficiente, o resto da minha vida tivesse sido redesenhado sem que eu sequer tivesse a chance de dizer uma palavra.

E o pior não é nem o curso, não é nem a obrigação, não é nem o controle — é saber que eu vou ter que voltar para aquele mundo, para aquele cheiro doce que agora me enjoa, para vitrines bonitas que escondem coisas feias, para um ambiente que deveria ser leve, mas que agora carrega o peso do que aconteceu comigo hoje, como se cada detalhe estivesse contaminado pela memória, como se cada bolo fosse um lembrete, cada doce uma provocação, cada aroma uma ferida aberta que ainda sangra.

Doces. Açúcar. Confeitaria. Tudo que eu mais odeio agora… e, de alguma forma cruel, irônica e completamente fora do meu controle, é exatamente lá que minha história está só começando.

Expand
Next Chapter
Download

Latest chapter

More Chapters

To Readers

Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.


No Comments
2 Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status