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Capítulo 1

Author: Taty F.S
last update Petsa ng paglalathala: 2024-05-18 07:22:52

NATÁLIA

Meu nome é Natália Monteiro.

Tenho vinte e oito anos e, até seis meses atrás, acreditava que minha vida estava finalmente entrando nos trilhos.

Eu morava em um pequeno apartamento com a minha mãe, Rebeca. Não era um lugar luxuoso, mas era o nosso lar. Entre aquelas quatro paredes estavam as melhores lembranças da minha infância, os almoços de domingo, as conversas antes de dormir e todos os abraços que me fizeram sentir segura durante a vida inteira.

Então ela se foi. Um infarto fulminante levou minha mãe de mim sem qualquer aviso. Desde aquele dia, nunca mais fui a mesma.

Ela era tudo o que eu tinha.

Nunca conheci meu pai. Sempre que perguntava sobre ele, minha mãe mudava de assunto. Com o tempo, aprendi a respeitar seu silêncio, embora a curiosidade nunca tivesse desaparecido.

Cresci apenas com ela.

E, sinceramente, nunca senti falta de mais ninguém. Minha mãe sempre conseguiu ser mãe e pai ao mesmo tempo. Foi ela quem me ensinou a nunca desistir. Quem dizia que a honestidade era o bem mais valioso que uma pessoa podia ter.

Quem me convenceu a cursar Administração, acreditando que aquele diploma abriria muitas portas. Ela estava errada ou talvez o mundo tivesse mudado. Porque, seis meses depois da sua morte, eu ainda não havia conseguido um emprego.

As economias estavam praticamente no fim. O aluguel estava atrasado. As contas de água, luz e internet se acumulavam sobre a pequena mesa da cozinha. Todas as manhãs eu acordava cedo, imprimia mais alguns currículos e saía batendo de porta em porta.

Sempre recebia a mesma resposta.

— No momento não estamos contratando.

Ou...

— Entraremos em contato.

Nunca entravam.

Naquela manhã, eu saía de mais uma entrevista frustrada.

A gerente sequer olhou meu currículo por mais de alguns segundos.

— Você tem experiência como secretária executiva?

Balancei a cabeça.

— Não, mas...

Ela nem me deixou terminar.

— Infelizmente estamos procurando alguém experiente.

Sorriu por educação.

— Boa sorte.

Boa sorte.

Eu já estava cansada de ouvir aquelas duas palavras.

Atravessando a calçada, apertei a pasta contra o peito e respirei fundo para impedir que as lágrimas escapassem. Não podia me dar ao luxo de desabar no meio da rua.

Continuei caminhando sem rumo por alguns minutos.

Passei em frente a vitrines que exibiam roupas que eu jamais conseguiria comprar. Cafeterias lotadas de pessoas sorrindo. Escritórios onde homens e mulheres entravam apressados para mais um dia de trabalho. Enquanto isso, eu só queria uma oportunidade.

Uma única oportunidade.

Quando finalmente cheguei ao apartamento, joguei a bolsa sobre o sofá e tirei os sapatos. O silêncio daquele lugar ainda me machucava.

Antes, minha mãe sempre estava ali. Assistindo televisão, preparando café, ou reclamando porque eu deixava livros espalhados pela sala.

Agora só existia silêncio.

Abri a geladeira. Uma garrafa de água. Alguns ovos. Meio pacote de pão. Era tudo o que restava.

Suspirei.

Sentei-me à mesa da cozinha e abri uma pequena caixa onde guardava todas as contas da casa. Passei os olhos pelos envelopes e senti meu coração apertar. O aluguel estava atrasado há quase um mês, a conta de luz venceria em três dias e a de água logo seguiria o mesmo caminho. Restavam poucas notas na minha carteira e algum dinheiro na conta bancária, insuficiente para me manter por muito tempo.

Respirei fundo, tentando afastar o desespero que insistia em tomar conta de mim.

Levantei-me e caminhei lentamente até o quarto da minha mãe. Desde que ela partiu, eu não tivera coragem de mudar nada. As roupas continuavam cuidadosamente dobradas no guarda-roupa, seu perfume ainda descansava sobre a cômoda e o porta-retrato da minha formatura permanecia exatamente no mesmo lugar.

Peguei a fotografia entre as mãos.

Na imagem, minha mãe sorria orgulhosa enquanto me abraçava.

Lembrei-me das palavras que ela dizia naquele dia.

— Você vai conquistar o mundo, minha filha. Nunca deixe ninguém dizer que você não é capaz.

Um sorriso triste surgiu em meus lábios.

— Eu estou tentando, mãe... Eu juro que estou.

As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto antes que eu pudesse contê-las. Fazia seis meses que ela havia partido, mas a dor continuava tão intensa quanto no primeiro dia.

Enxuguei o rosto e devolvi a fotografia ao lugar.

Desistir não era uma opção.

Se eu perdesse aquele apartamento, perderia também o último lugar onde ainda conseguia sentir a presença da minha mãe. Cada canto daquela casa guardava uma lembrança dela, e eu faria qualquer coisa para preservar tudo aquilo.

Foi nesse instante que meu telefone começou a tocar.

Olhei para a tela.

Marina.

Um pequeno sorriso surgiu em meu rosto.

Ela era minha melhor amiga desde a faculdade.

Atendi imediatamente.

— Oi, Marina.

— Nat! Finalmente você atendeu!

Pela animação da voz dela, imaginei que tivesse alguma novidade.

— Aconteceu alguma coisa?

— Sim! E acho que você vai gostar.

Sentei-me no sofá.

— Estou ouvindo.

— Lembra da empresa onde eu trabalho?

Franzi a testa por alguns segundos.

— O Grupo Almeida?

— Isso!

Meu coração acelerou.

Todo mundo conhecia aquela empresa.

Era uma das maiores construtoras do país.

— O que tem?

— A secretária do novo presidente foi demitida hoje cedo.

Arregalei os olhos.

— Sério?

— Sim. O departamento de Recursos Humanos acabou de abrir uma seleção urgente para contratar outra pessoa.

Meu coração começou a bater mais rápido.

— Mas... eu nunca trabalhei como secretária executiva.

— Eu sei.

— Então não tenho chance.

— Para de pensar assim.

A voz de Marina saiu firme.

— Você é formada em Administração, é organizada, inteligente e aprende rápido. Além disso, eles estão com urgência. Talvez estejam dispostos a contratar alguém sem experiência.

Mordi o lábio.

Era arriscado criar expectativas.

Mesmo assim...

Aquela parecia ser a primeira oportunidade de verdade que surgia em meses.

— Você acha mesmo que eu deveria tentar?

— Tenho certeza.

Sorri pela primeira vez em muitos dias.

— Como faço para me candidatar?

— Venha para cá amanhã cedo. Eu mesma entrego seu currículo ao RH.

Fechei os olhos por um instante.

Talvez...

Só talvez...

Aquela ligação fosse exatamente o recomeço pelo qual eu tanto havia rezado.

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