INICIAR SESIÓNVivian estava em frente ao espelho, com o cabelo em caracóis soltos e o corpo escultural num vestido vermelho rubi que faria qualquer um parar para a admirar mais uma vez.
"Vivian, onde estás? Vamos chegar atrasados..." Estas foram as últimas palavras que disse antes de ficar hipnotizado pela beleza, que era Vivian.
"Oh, cala-te, já estou vestida", disse ela, olhando para Adrian, mais bonito do que nunca. "Vamos mesmo ou vais ficar a olhar para mim assim?"
"Só me pergunto como é que alguém consegue estragar um vestido tão caro", disse, franzindo o sobrolho.
"Assim como eu fico a pensar como é que arruinou a minha vida inteira num dia." Ela passou por ele e saiu porta fora.
Vivian perguntava-se como é que Adrian conseguia continuar a agir como um idiota. Nem sequer considerou os sentimentos da família quando se casou com ela.
Então, ela lembrou-se de que ele não tinha família para além da irmã, que estava na faculdade do outro lado do país. A notícia da morte dos pais de Adrian num acidente de aviação, há dez anos, foi destaque em todos os jornais.
Vivian estava no ensino básico na altura. Ela esforçava-se ao máximo para passar o dia sem levar uma detenção. Chegou a casa e encontrou a mãe, que ajudava o pai a cozer um bolo. Eles cantavam alegremente.
"Cheguei", disse Vivian, pousando a mochila à porta e correndo para a cozinha.
"Olá, meu amor", disse a mãe, colocando o bolo no forno.
"Como correu o teu dia, querida?", perguntou o pai.
"Foi mais ou menos", respondeu ela, encolhendo os ombros.
"Aumenta o volume da TV", disse a mãe de Vivian, lavando as mãos.
Vivian aumentou o volume e viu o repórter a dar as notícias.
"O bilionário Alexander Stone e a sua mulher, Tabatha Stone, morreram num acidente de avião juntamente com outras 30 pessoas. O seu testamento foi oficialmente encontrado no quarto de Alexander. Todas as suas propriedades foram deixadas ao seu primeiro e único filho, Adrian Stone...", disse o repórter.
Vivian parou de ouvir e perguntou-se como teria sido perder um dos pais, quanto mais os dois. Não sabia que a mãe nunca mais voltaria a casa dois anos depois de ela ter regressado da escola.
Vivian saiu das suas dolorosas memórias quando Adrian entrou no carro.
Ele esteve ao telemóvel durante toda a viagem, e Vivian, a quem poderia ligar? Não conhecia mais ninguém além de Stacy e do seu pai.
Ela ia falar com Stacy assim que tivesse um pouco de privacidade.
"Chegámos", disse Adrian assim que o carro parou.
"Eu sabia", respondeu Vivian, com desdém.
"Sabeva mesmo?" Havia um ar de divertimento estampado no seu rosto.
"Se não o tivesse feito, tê-lo-ia dito?", perguntou ela sarcasticamente.
"Estás cheia de surpresas, Vivian Cross", disse.
"Não me chamem assim", resmungou ela enquanto entravam no estúdio.
"Relaxa, querida", disse ele, seguindo-a.
"Quantas vezes tenho de te dizer para parares de me chamar assim?", virou-se dramaticamente.
"Quer mesmo que eu responda a essa pergunta?", disse, encarando-a.
"Não ousaria. Este é um lugar público", sorriu ela.
"Queres apostar?", disse, segurando-a pela cintura.
"Aposto", respondeu ela.
Puxou-a para o que parecia ser uma casa de banho.
"Privado o suficiente para ti?", disse com um sorriso malicioso.
"Qualquer pessoa podia entrar aqui", disse ela, sentindo a adrenalina a correr-lhe pelas veias.
"Há uma coisa chamada fechadura, querida, mas para manter as coisas interessantes, vou deixar a porta aberta." Ele sorriu.
Ele levantou-lhe o vestido com as mãos.
"Queria foder-te até perderes a cabeça..." As mãos dele estavam nas coxas dela. "Mas... eu votei contra. Não quero que fiques distorcida nas fotografias." Ele puxou-lhe o vestido para baixo.
"Covarde." – disse ela enquanto saía, esperando que ele a puxasse de volta por algum motivo estranho.
Ele não fez isso.
"Não precisas de fingir que não queres isto, Vivian. Não me queres." disse Adrian.
"Eu não estou a fingir." Ela continuou a andar.
"Então porque é que não está a falar comigo cara a cara? Porque é que está a ir embora?" Ele disse.
"Porque já estou farto de ti. E este é apenas o primeiro dia." Ela virou-se para encará-lo.
"É exatamente essa a questão... tornar a sua vida um inferno", disse.
Ela riu-se e aproximou-se.
"Só estás a querer dizer o mesmo que eu. És um completo idiota. Nem sequer consegues fazer uma mulher feliz, quanto mais ter uma esposa. Nem sequer arranjaste uma esposa, por isso ameaçaste-me para que eu me casasse contigo", bufou. "Nem sei onde está o meu pai."
"Ele está no Dubai com o bilião de dólares com que fechei o negócio", sorriu Adruan.
"Uau, então compraste-me por um bilião de dólares?"
"Exatamente, fui enganada. Tu não vales tudo isso", ironizou.
"Então devolvO olhar entre eles era intenso. Os olhos de Adrian pareciam prontos para devorar Vivian de todas as formas possíveis. E Vivian fitava-o, desafiando-o a fazer o que lhe passava pela cabeça. Abraçou-a pela cintura, num gesto de pura possessão.
Então, uma mulher com uma prancheta aproximou-se.
"Desculpem, Sr. e Sra. Cross, a vossa sessão fotográfica." Ela sorriu.
"Ah, sim." – disse Adrian, soltando-a.
"A nossa sessão fotográfica." – disse Vivian com um sorriso.
Foram conduzidos a uma sala de fotografia incrível.
"Por favor, sente-se, Sr. Cross." disse o fotógrafo.
Adrian sentou-se com as pernas bem abertas e os dois primeiros botões da camisa desabotoados.
"Agora sente-se no colo dele, Sra. Cross." instruiu o fotógrafo.
Olharam-se durante cerca de um minuto antes de Vivian obedecer.
"Agora olhem-se nos olhos um do outro." disse o fotógrafo.
Eles olharam-se. Penetraram um no outro, como se estivessem a arder nas suas almas.
"Excelente."a-me e peça o seu dinheiro de volta", disse ela, franzindo o sobrolho enquanto se aproximava dele.
O som da porta da frente se abrindo fez Vivian se sentar na cama.Ela estava encarando o mesmo ponto na parede do quarto havia quase vinte minutos, tentando não olhar para o celular. Desde que o escândalo havia começado, o aparelho não parava de vibrar, e toda vez que a tela acendia, uma nova onda de ansiedade tomava conta dela.No fim, ela acabou desligando o aparelho.Não aguentava mais uma manchete.Mais uma fotografia.Mais um desconhecido dizendo a ela o que estava acontecendo em seu casamento.A porta lá embaixo se fechou.— Vivian?A voz de Adrian.Ela fechou os olhos por um instante.Ele estava em casa.Alguns segundos depois, ouviu seus passos subindo as escadas. Eram rápidos, quase apressados, e ela percebeu que ele estava procurando por ela.— Vivian?— Estou aqui em cima.Sua voz saiu mais baixa do que pretendia.Os passos ficaram mais altos.Então Adrian apareceu na porta.Ele ainda estava com a roupa de trabalho, mas a gravata estava frouxa, e seu cabelo parecia ter sido
Adrian Cross estava tendo uma boa manhã.Pela primeira vez, ele havia acordado sem o celular tocando ao lado de sua cabeça. Tomara café da manhã com a esposa, beijara sua testa antes de sair de casa e prometera voltar cedo o suficiente para jantar com ela.Mais importante ainda, ele realmente pretendia cumprir essa promessa.Não passaria o dia inteiro enterrado em reuniões. Não ficaria sentado em seu escritório até a meia-noite enquanto Vivian esperava por ele em casa. E certamente não permitiria que outra emergência empresarial roubasse o pouco tempo que finalmente decidira dedicar à família.Sua família.Às vezes, o pensamento ainda lhe parecia estranho.Mas da melhor maneira possível.Adrian saiu do elevador no andar executivo, ajustando as abotoaduras enquanto caminhava em direção ao escritório.— Bom dia, senhor Cross.— Bom dia.— Bom dia, senhor.— Bom dia.Ele cumprimentava os funcionários sem diminuir o passo, mantendo a mesma expressão tranquila de todos os dias. Seus segura
Pela primeira vez em semanas, Adrian acordou sem procurar o celular.Era uma coisa pequena.Quase insignificante.Mas, para um homem que passara as últimas semanas verificando os e-mails antes mesmo de abrir completamente os olhos, aquilo era praticamente um milagre.Seu celular estava na mesa de cabeceira, vibrando a cada poucos segundos.E-mails.Chamadas perdidas.Mensagens de sua assistente.Um lembrete sobre uma reunião marcada para as nove da manhã.Outro lembrete sobre uma reunião marcada para as onze.E uma mensagem de seu diretor financeiro pedindo que ele analisasse um documento antes da tarde.Adrian ignorou tudo.Em vez disso, virou a cabeça na direção da mulher que dormia ao seu lado.Vivian estava encolhida debaixo do cobertor, com os cabelos espalhados pelo travesseiro. Uma das mãos repousava sob sua bochecha, enquanto a outra estava confortavelmente apoiada sobre a barriga.Ela parecia tranquila.Adrian sorriu.Ele não conseguia se lembrar da última vez em que acordara
Vivian mal havia dormido.Mesmo depois de guardar o celular, ela não conseguia tirar aquelas mensagens da cabeça.A foto.O número desconhecido.A estranha insistência de que ela precisava saber alguma coisa sobre Adrian.E, mais importante, a maneira como a pessoa que havia enviado as mensagens parecia determinada a fazê-la desconfiar do próprio marido.Ela odiava aquilo.Odiava saber que um estranho podia lhe enviar uma única fotografia e deixá-la acordada, deitada ao lado do homem que amava, se perguntando se havia algo sobre ele que não sabia.Não era justo.Principalmente porque Adrian já vinha agindo de maneira estranha havia semanas.Ele trabalhava até tarde. Mal dormia. Às vezes, chegava em casa com uma aparência de quem não havia comido o dia inteiro e, sempre que ela perguntava o que estava acontecendo, ele dizia que era apenas trabalho.Vivian entendia que o trabalho dele era exigente.Entendia que administrar uma empresa não era fácil.Mas ela era sua esposa.Não queria se
A casa parecia estranhamente silenciosa naquela noite.Vivian estava sentada na sala havia quase uma hora, fingindo assistir à televisão.Na verdade, ela não estava assistindo.Seus olhos estavam fixos na tela, mas sua mente estava em outro lugar.A cada poucos minutos, ela olhava para o relógio.Depois, para o celular.Em seguida, para a porta da frente.E então voltava a olhar para a televisão.Adrian havia dito que chegaria tarde.De novo.A essa altura, ela estava quase se acostumando com aquilo.Quase.As últimas semanas haviam mudado tudo.Adrian estava trabalhando constantemente.Mal dormia.Estava sempre cansado.Às vezes, chegava em casa depois da meia-noite.Outras vezes, só voltava pela manhã.E sempre que Vivian perguntava o que estava acontecendo, ele dava a mesma resposta.Trabalho.Negócios.Reuniões.Nada sério.Estava tudo bem.Mas Vivian não acreditava que estivesse tudo bem.Não completamente.Alguma coisa estava incomodando Adrian.Ela simplesmente não conseguia de
No começo, Vivian achou que aquilo aconteceria apenas uma vez. Uma noite estranha. Uma reunião até tarde. Uma ligação não atendida. Uma manhã em que Adrian chegou em casa parecendo exausto e carregando o leve cheiro de um perfume que não era dele. Ela disse a si mesma que provavelmente havia uma explicação. Prometeu a si mesma que não tiraria conclusões precipitadas. E, nos dias seguintes, tudo pareceu normal. Quase. Adrian foi trabalhar na manhã seguinte, depois de finalmente conseguir dormir um pouco. Ele não mencionou o perfume novamente. Vivian também não. Ela queria mencionar. Várias vezes. Mas sempre que olhava para ele, lembrava de como ele parecia cansado naquela manhã. Então ficou em silêncio. Talvez não tivesse sido nada. Talvez ela tivesse exagerado. Talvez o perfume realmente tivesse vindo de alguém no jantar de negócios. E talvez aquilo tivesse sido o fim. Até três noites depois. Vivian estava sentada na sala, mexendo no celular, quando Adrian entrou.







