INICIAR SESIÓN
Para Vivian, entrar sorrateiramente na festa de um bilionário foi surpreendentemente fácil. O problema era sair.
Vivian mordeu o lábio enquanto tentava sair sem ser notada. Ela dava goles na sua margarita, como faziam os ricos. Sentia que isso a ajudava a misturar-se. Não queria atrair a atenção daqueles... Predadores.
Desceu as escadas apressadamente, tentando não prender o vestido alugado em nada.
Caminhou rapidamente por um corredor pouco iluminado, rezando para que a porta levasse a uma saída.
"Aquela miúda nem sabia dançar pole dance..." Ouviu uma voz vinda também pelo corredor.
Precisava de ser rápida.
Praticamente correu pelo corredor. Esbarrou com alguém que vinha em sentido contrário.
"Desculpe", disse, tentando esquivar-se e seguir para o outro lado.
Puxou-a pelo braço.
"É assim que se pede desculpa?" A sua voz grave ressoou.
Vivian ergueu o olhar. Era Adrian Cross. Adrian Cross, com os seus 1,85m. Adrian Cross, o solteiro mais cobiçado em quase todas as capas de revista. A paixão secreta e a fantasia proibida de todos.
Adrian Cross, sempre envolvido em algum escândalo amoroso, o bilionário que nunca conseguia manter as mãos longe de alguém, era a pessoa com quem ela tinha esbarrado. Amaldiçoou-se mentalmente, rezando para que aquela situação terminasse o mais rápido possível.
"Como assim? Pedi literalmente desculpa", resmungou Vivian.
"Esbarrou em mim", disse.
"E então...? O que mais quer ouvir de mim?" Vivian franziu o sobrolho.
"Conheço-te?", perguntou.
"Não é óbvio que não?"
"Como é que entrou nesta festa?" Encarou-a nos olhos verdes.
"Com um convite, obviamente."
"Não brinque comigo. Como é que entrou? Eu conheço todos os convidados." O aperto dele no seu braço intensificou-se.
Usou a outra mão, que segurava a margarita, para entornar um pouco no fato de Adrian.
"Sua vadia", disse ele com uma raiva contida.
"É o que se ganha por agir como um completo cafajeste com uma senhora", disse ela quase num sussurro.
"Uma senhora?", riu-se. "És daquelas analfabetas que mal conseguem comprar comida, ladra experiente que rouba nos supermercados. Simplesmente infiltraste-te numa festa para a qual nem sequer foste convidada... e dizes-te uma senhora?" Ele riu-se novamente.
Aquelas palavras atingiram Vivian em cheio. Ela sabia que não era ninguém, mas sabia que nunca se rebaixaria a roubar. Preferia trabalhar horas e horas para garantir comida na mesa para si e para o seu repugnante pai.
"Não me conheces", disse ela, tentando manter a calma.
"Ah, então deixa-me adivinhar...", esboçou um sorriso sarcástico. "És uma daquelas vadias que só querem ser fodidas e pagas?" Ele sorriu. "Teria começado assim, querido." Ele sorriu e ergueu-lhe o queixo.
Vivian sentiu vontade de vomitar. Ela deu-lhe uma palmada na mão, tirando-a do seu queixo.
"És maluco se pensas que eu sou uma dessas mulheres. Mesmo que fosse, quem disse que eu ia querer ter relações contigo? Seu pervertido." – disse ela amargamente. "Eu nem sequer gostaria de ser apanhada morta na cama com alguém como tu, sem a mínima consideração."
"Sabe com quem está a falar?" Ele inclinou a cabeça.
"Ah, já sei. O cafajeste internacional, Adrian Cross. Ou o senhor quer esclarecer-me mais? O homem que acabou de demonstrar cinquenta tons de estupidez só porque alguém esbarrou nele? Ou o homem que diz ser solteiro, mas adora dormir com mulheres diferentes? Diga-me, Cross. Qual deles?" Ela sorriu.
"Vai arrepender-se de cada palavra que disse aqui." O maxilar dele contraiu-se. — Ah, é? Poupe-me aos detalhes. — Ela sorriu ameaçadoramente. — Deixe-me dizer ainda mais... — disse, tentando pensar. Nunca casaria com um homem tão egocêntrico, que vive no seu próprio mundo, a fazer sexo com várias mulheres e sem se importar com quem pisa. "Tenho pena da mulher que vai casar contigo." Ela entornou o resto da margarita em cima do fato dele. "Com licença, preciso de ir a algum lado." Ela contornou-o e continuou pelo corredor com o coração acelerado. Tirou a mola do cabelo.
O vento tocou-lhe no rosto quando ela encontrou a saída algumas curvas depois. Tirou o telemóvel da mala e ligou à sua melhor amiga, Stacy.
"Então... como correu a festa...?" Ela parecia animada.
"Foi divertido... até não conseguir encontrar a saída, esbarrar no Adrian Cross e discutir com ele também." Mordeu o lábio enquanto chamava um táxi.
"Amiga, fizeste o quê?" Parecia que ela tinha deixado cair o telemóvel.
Vivian narrou tudo quando chegou a casa.
"Ai... porque é que não "Lamento ter ido àquela festa." Vivian procurou a chave de casa na mala.
"Se eu fosse a si, não me arrependeria. Já estaria na cama com ele neste momento." Ela deu a sua risadinha despreocupada.
"Amiga, depois ligo-te. Cheguei, não quero acordar o papá." – disse Vivian ao abrir a porta.
"Claro, não há problema." Ela respondeu.
Ao entrar, tudo o que queria era esquecer Adrian, o seu maxilar incrível e a sensação da mão dele no seu queixo.
Ela foi para o meu quarto e deitou-se na cama durante algum tempo. Esperava que o dia seguinte fosse menos dramático. Mas mal sabia ela que aquele era apenas o início dos problemas.te segui?" Stacy parecia prestes a desabar em lágrimas a qualquer momento.
O som da porta da frente se abrindo fez Vivian se sentar na cama.Ela estava encarando o mesmo ponto na parede do quarto havia quase vinte minutos, tentando não olhar para o celular. Desde que o escândalo havia começado, o aparelho não parava de vibrar, e toda vez que a tela acendia, uma nova onda de ansiedade tomava conta dela.No fim, ela acabou desligando o aparelho.Não aguentava mais uma manchete.Mais uma fotografia.Mais um desconhecido dizendo a ela o que estava acontecendo em seu casamento.A porta lá embaixo se fechou.— Vivian?A voz de Adrian.Ela fechou os olhos por um instante.Ele estava em casa.Alguns segundos depois, ouviu seus passos subindo as escadas. Eram rápidos, quase apressados, e ela percebeu que ele estava procurando por ela.— Vivian?— Estou aqui em cima.Sua voz saiu mais baixa do que pretendia.Os passos ficaram mais altos.Então Adrian apareceu na porta.Ele ainda estava com a roupa de trabalho, mas a gravata estava frouxa, e seu cabelo parecia ter sido
Adrian Cross estava tendo uma boa manhã.Pela primeira vez, ele havia acordado sem o celular tocando ao lado de sua cabeça. Tomara café da manhã com a esposa, beijara sua testa antes de sair de casa e prometera voltar cedo o suficiente para jantar com ela.Mais importante ainda, ele realmente pretendia cumprir essa promessa.Não passaria o dia inteiro enterrado em reuniões. Não ficaria sentado em seu escritório até a meia-noite enquanto Vivian esperava por ele em casa. E certamente não permitiria que outra emergência empresarial roubasse o pouco tempo que finalmente decidira dedicar à família.Sua família.Às vezes, o pensamento ainda lhe parecia estranho.Mas da melhor maneira possível.Adrian saiu do elevador no andar executivo, ajustando as abotoaduras enquanto caminhava em direção ao escritório.— Bom dia, senhor Cross.— Bom dia.— Bom dia, senhor.— Bom dia.Ele cumprimentava os funcionários sem diminuir o passo, mantendo a mesma expressão tranquila de todos os dias. Seus segura
Pela primeira vez em semanas, Adrian acordou sem procurar o celular.Era uma coisa pequena.Quase insignificante.Mas, para um homem que passara as últimas semanas verificando os e-mails antes mesmo de abrir completamente os olhos, aquilo era praticamente um milagre.Seu celular estava na mesa de cabeceira, vibrando a cada poucos segundos.E-mails.Chamadas perdidas.Mensagens de sua assistente.Um lembrete sobre uma reunião marcada para as nove da manhã.Outro lembrete sobre uma reunião marcada para as onze.E uma mensagem de seu diretor financeiro pedindo que ele analisasse um documento antes da tarde.Adrian ignorou tudo.Em vez disso, virou a cabeça na direção da mulher que dormia ao seu lado.Vivian estava encolhida debaixo do cobertor, com os cabelos espalhados pelo travesseiro. Uma das mãos repousava sob sua bochecha, enquanto a outra estava confortavelmente apoiada sobre a barriga.Ela parecia tranquila.Adrian sorriu.Ele não conseguia se lembrar da última vez em que acordara
Vivian mal havia dormido.Mesmo depois de guardar o celular, ela não conseguia tirar aquelas mensagens da cabeça.A foto.O número desconhecido.A estranha insistência de que ela precisava saber alguma coisa sobre Adrian.E, mais importante, a maneira como a pessoa que havia enviado as mensagens parecia determinada a fazê-la desconfiar do próprio marido.Ela odiava aquilo.Odiava saber que um estranho podia lhe enviar uma única fotografia e deixá-la acordada, deitada ao lado do homem que amava, se perguntando se havia algo sobre ele que não sabia.Não era justo.Principalmente porque Adrian já vinha agindo de maneira estranha havia semanas.Ele trabalhava até tarde. Mal dormia. Às vezes, chegava em casa com uma aparência de quem não havia comido o dia inteiro e, sempre que ela perguntava o que estava acontecendo, ele dizia que era apenas trabalho.Vivian entendia que o trabalho dele era exigente.Entendia que administrar uma empresa não era fácil.Mas ela era sua esposa.Não queria se
A casa parecia estranhamente silenciosa naquela noite.Vivian estava sentada na sala havia quase uma hora, fingindo assistir à televisão.Na verdade, ela não estava assistindo.Seus olhos estavam fixos na tela, mas sua mente estava em outro lugar.A cada poucos minutos, ela olhava para o relógio.Depois, para o celular.Em seguida, para a porta da frente.E então voltava a olhar para a televisão.Adrian havia dito que chegaria tarde.De novo.A essa altura, ela estava quase se acostumando com aquilo.Quase.As últimas semanas haviam mudado tudo.Adrian estava trabalhando constantemente.Mal dormia.Estava sempre cansado.Às vezes, chegava em casa depois da meia-noite.Outras vezes, só voltava pela manhã.E sempre que Vivian perguntava o que estava acontecendo, ele dava a mesma resposta.Trabalho.Negócios.Reuniões.Nada sério.Estava tudo bem.Mas Vivian não acreditava que estivesse tudo bem.Não completamente.Alguma coisa estava incomodando Adrian.Ela simplesmente não conseguia de
No começo, Vivian achou que aquilo aconteceria apenas uma vez. Uma noite estranha. Uma reunião até tarde. Uma ligação não atendida. Uma manhã em que Adrian chegou em casa parecendo exausto e carregando o leve cheiro de um perfume que não era dele. Ela disse a si mesma que provavelmente havia uma explicação. Prometeu a si mesma que não tiraria conclusões precipitadas. E, nos dias seguintes, tudo pareceu normal. Quase. Adrian foi trabalhar na manhã seguinte, depois de finalmente conseguir dormir um pouco. Ele não mencionou o perfume novamente. Vivian também não. Ela queria mencionar. Várias vezes. Mas sempre que olhava para ele, lembrava de como ele parecia cansado naquela manhã. Então ficou em silêncio. Talvez não tivesse sido nada. Talvez ela tivesse exagerado. Talvez o perfume realmente tivesse vindo de alguém no jantar de negócios. E talvez aquilo tivesse sido o fim. Até três noites depois. Vivian estava sentada na sala, mexendo no celular, quando Adrian entrou.







