Inicio / Máfia / A virgem e o Mafioso Cruel / Capítulo 01- O peso de cada dia

Compartir

A virgem e o Mafioso Cruel
A virgem e o Mafioso Cruel
Autor: Lara Silva

Capítulo 01- O peso de cada dia

Autor: Lara Silva
last update Fecha de publicación: 2026-07-28 02:34:40

A madrugada ainda envolvia a pequena cidade italiana quando o despertador antigo, apoiado sobre a cômoda desgastada, rompeu o silêncio da casa com um toque baixo e insistente.

Laura despertou imediatamente.

Não havia espaço para mais alguns minutos de descanso. Havia muito tempo que ela aprendera que a vida não esperava por ninguém.

Sentou-se na cama estreita e respirou fundo por alguns segundos. O corpo ainda reclamava do cansaço acumulado da semana anterior. As costas doíam, as pernas pareciam pesadas e os olhos ardiam pelas poucas horas de sono. Mesmo assim, levantou-se.

A casa era simples.

Os móveis eram antigos, alguns herdados dos avós, outros comprados em brechós ao longo dos anos. As paredes claras já apresentavam pequenas rachaduras, e o piso de cimento conservava o frio característico das primeiras horas da manhã.

Era um lar humilde.

Mas era ali que existiam todas as lembranças felizes que Laura ainda possuía.

Ela caminhou em silêncio até o pequeno banheiro, prendeu os longos cabelos negros em um coque desajeitado, lavou o rosto com água gelada e seguiu para a cozinha.

Colocou a chaleira sobre o fogão.

Enquanto a água aquecia, separou cuidadosamente os comprimidos da mãe em um pequeno recipiente plástico. Conferiu os horários escritos em um caderno, algo que fazia todos os dias, várias vezes ao dia, por medo de esquecer qualquer detalhe.

Quando o chá ficou pronto, colocou tudo sobre uma bandeja.

Respirou fundo antes de seguir para o quarto.

A porta estava entreaberta.

A claridade fraca do abajur iluminava o rosto abatido de sua mãe.

A doença havia roubado quase tudo dela.

Os cabelos, antes longos e castanhos, haviam caído durante o tratamento. O rosto estava magro, a pele extremamente pálida e as mãos, antes fortes, agora pareciam frágeis como papel.

Mesmo assim, quando ouviu os passos da filha, abriu lentamente os olhos e sorriu.

Um sorriso pequeno.

Fraco.

Mas cheio de amor.

— Já acordou, meu anjo? — perguntou com a voz rouca.

Laura retribuiu o sorriso, escondendo toda a preocupação que carregava dentro do peito.

— Já. Trouxe seu chá.

Ajudou a mãe a sentar-se devagar, ajeitou os travesseiros atrás de suas costas e entregou a xícara cuidadosamente.

Esperou até que ela tomasse o primeiro gole.

Depois lhe entregou os medicamentos.

Só então respirou aliviada.

— Dormiu melhor esta noite?  Perguntou.

— Um pouco...

Laura sabia que era mentira. As dores aumentavam a cada dia.E isso a consumia por dentro.Sentou-se na beira da cama e segurou delicadamente a mão da mãe entre as suas.

— Hoje recebo o pagamento da semana. Vou passar na farmácia antes de voltar para casa.

— Laura...

A Laura ergueu os olhos.

— Não compre todos aqueles remédios de novo.

Ela sorriu de forma triste.

— A senhora precisa deles.

— Você também precisa viver.

Aquelas palavras doeram mais do que qualquer outra coisa.

Viver.

Ela quase havia esquecido como era isso.

Toda a sua rotina girava em torno de trabalhar, cuidar da mãe, pagar contas e torcer para que o dinheiro fosse suficiente até o final do mês.

Não existiam festas .Não existiam viagens.

Não existiam sonhos. Somente responsabilidade.

Laura acariciou o rosto da mãe.

— Quando a senhora melhorar, nós vamos fazer aquela viagem para o litoral de que sempre falou.

A mulher sorriu, emocionada.

— Você ainda acredita nisso?

— Claro que acredito.

Mentiu.

Sabia que o tratamento já não fazia o efeito esperado.

Mas jamais permitiria que a mãe percebesse o quanto tinha medo de perdê-la.

Depois de ajudá-la a deitar novamente, cobriu seu corpo com o cobertor fino e depositou um beijo demorado em sua testa.

— Volto antes do anoitecer.

— Deus te proteja, minha filha.

— E cuide da senhora enquanto eu estiver fora.

Pegou a bolsa surrada, conferiu se havia dinheiro suficiente para a passagem de ônibus e saiu de casa.

O vento frio da manhã fez alguns fios de cabelo escaparem do coque.

Ela caminhava depressa pelas ruas ainda vazias, observando as primeiras lojas abrirem as portas.

Alguns padeiros organizavam os pães nas vitrines.

O aroma de café recém-passado espalhava-se pelo ar.

Por alguns segundos, Laura desejou poder entrar em uma cafeteria, sentar-se tranquilamente e esquecer dos problemas.

Mas esse era um luxo que não podia se permitir.

Seguiu em direção ao hotel mais luxuoso da cidade.

Um lugar frequentado por empresários, políticos, artistas e pessoas que viviam em um mundo completamente diferente do seu.

Assim que entrou pela porta de serviço, vestiu o uniforme impecavelmente passado.

Prendeu novamente os cabelos.

Colocou o crachá.

E, naquele instante, Laura desapareceu.

Ali dentro ela deixava de ser uma jovem cheia de sonhos.

Era apenas mais uma funcionária.

Mais uma entre tantas.

As horas passaram rapidamente.

Ela limpou quartos, trocou lençóis, organizou suítes, serviu café, recolheu bandejas e ouviu inúmeras reclamações de hóspedes que sequer se davam ao trabalho de olhar em seu rosto.

Ainda assim, manteve o sorriso educado durante todo o expediente.

Quando finalmente recebeu autorização para ir embora, o relógio já marcava o início da noite.

Ela caminhava pelos corredores silenciosos dos fundos do hotel, um caminho pouco utilizado pelos hóspedes.

Seu único pensamento era chegar logo à farmácia.

Precisava comprar os remédios da mãe antes que fechasse.

Foi então que um som estranho interrompeu seus passos.

Um som seco e abafado.

Como um tiro disparado através de um silenciador.

Laura parou imediatamente.

Seu coração acelerou, ela olhou para os lados.

O corredor estava completamente vazio.

Por alguns segundos pensou em ignorar.

Talvez tivesse sido apenas algum objeto caindo.

Mas então ouviu outro ruído.Um corpo pesado atingindo o chão.

Seu estômago revirou. Ela respirou fundo.

Sem conseguir controlar a curiosidade, aproximou-se lentamente da porta entreaberta de uma das salas reservadas.

Cada passo parecia mais pesado que o anterior.

Quando chegou perto o suficiente, olhou discretamente pela pequena fresta.

E o mundo pareceu parar. Um homem estava caído no chão.

Imóvel.Uma mancha escura começava a se espalhar lentamente sob seu corpo.

À frente dele, outro homem permanecia completamente parado.

Vestia um terno italiano sob medida.As luvas negras escondiam as mãos que ainda seguravam uma pistola equipada com silenciador.

Uma fina fumaça escapava lentamente do cano da arma.Mas não foi aquilo que fez Laura prender a respiração.

Foi o rosto dele frio, Impassível.

Como se tirar uma vida fosse apenas mais um compromisso de sua agenda.

Não havia culpa.Não havia arrependimento.

Nem sequer um vestígio de emoção.Então, como se percebesse exatamente onde ela estava, ele ergueu a cabeça.

Os olhos cinzentos encontraram os dela através da fresta da porta.O tempo pareceu congelar.

Laura esqueceu como respirar.

E, naquele instante, sem dizer uma única palavra, Vincenzo Moretti soube que havia uma testemunha.

E Laura compreendeu, tarde demais, que sua vida jamais voltaria a ser a mesma.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A virgem e o Mafioso Cruel    Capítulo 31-A guerra interna

    Vincenzo permaneceu no escritório por mais alguns minutos, tentando convencer a si mesmo de que precisava apenas terminar o trabalho.Mas não conseguia.Seus olhos percorriam os documentos sobre a mesa, enquanto sua mente insistia em voltar para o jardim.Laura sentada naquele banco.Sozinha.Com os olhos cheios de lágrimas.Ele fechou os olhos por um instante.Por que aquilo o incomodava tanto?Era uma pergunta simples.E, ainda assim, Vincenzo não conseguia encontrar uma resposta que considerasse aceitável.Ele já havia visto pessoas chorarem antes.Muitas.Homens implorando pela própria vida.Mulheres desesperadas.Famílias destruídas pelas consequências de decisões que ele mesmo havia tomado.Nada daquilo costumava afetá-lo.Ele observava.Tomava suas decisões.E seguia em frente.Então por que as lágrimas de Laura permaneciam em sua cabeça?Vincenzo abriu os olhos e encarou a escuridão do lado de fora da janela.— Isso é ridículo... — murmurou para si mesmo.Passou a mão pelos ca

  • A virgem e o Mafioso Cruel    Capítulo _ 30 Não se atreva.

    Vincenzo permaneceu alguns segundos em silêncio, olhando para Laura.Ele não perguntou o que havia acontecido.Os olhos marejados dela já diziam o suficiente.Vincenzo aproximou-se devagar.Parou diante dela e segurou seu rosto delicadamente, fazendo com que levantasse os olhos.— Olhe para mim.Laura obedeceu.Ele examinou seu rosto por alguns segundos.— Você está bem?Ela hesitou.— Agora estou.Vincenzo sustentou o olhar dela por mais alguns segundos.Então estendeu a mão e segurou a dela.Seus dedos se entrelaçaram aos dela.Só depois virou-se para a mulher.Ela ainda estava parada alguns passos atrás.Vincenzo caminhou até ela sem pressa.Parou diante dela.A mulher tentou manter a postura.— Vincenzo...Ele a observou por alguns segundos.— Você passou dos limites.A mulher respirou fundo.— Eu apenas—— Não precisa se justificar.A voz dele era baixa e firme.— O que aconteceu aqui não deveria ter acontecido.Ela abaixou os olhos por um instante.— Talvez eu tenha sido um pouc

  • A virgem e o Mafioso Cruel    Capítulo 29- O jantar

    A noite terminou tranquila.Depois de tudo o que havia acontecido, Laura finalmente conseguiu descansar.Ela e Vincenzo permaneceram no mesmo quarto. Laura adormeceu primeiro, exausta, enquanto Vincenzo ficou algum tempo acordado, perdido nos próprios pensamentos.A gravidez ainda era uma novidade difícil de assimilar.Não para ele, que já sabia desde o dia anterior, mas para a própria vida que agora começava a tomar uma direção diferente.Na manhã seguinte, Vincenzo despertou cedo.Ainda sonolento, virou o rosto e encontrou Laura dormindo ao seu lado.Permaneceu imóvel.Não a acordou.Apenas ficou ali, observando-a.Os cabelos espalhados pelo travesseiro, o rosto tranquilo e uma das mãos repousando sobre o ventre.Vincenzo desviou os olhos para aquela mão.Ainda não havia nenhuma mudança visível.Mas ele sabia que seu filho estava ali.Seu herdeiro.Aquela mulher lhe daria um filho.Por alguns instantes, Vincenzo se permitiu apenas observá-la.Laura parecia tão vulnerável enquanto do

  • A virgem e o Mafioso Cruel    Capítulo 28- Agora eu epreciso continua

    Vincenzo subiu novamente para o quarto depois de terminar de dar as ordens aos funcionários.Precisava sair.Havia assuntos da organização que não podiam simplesmente ser deixados de lado, mesmo diante de tudo o que acontecera naquela manhã.Entrou em seu quarto, trocou a roupa que usara no hospital e vestiu uma camisa preta, deixando os primeiros botões abertos. Colocou o relógio no pulso e pegou o paletó.Antes de sair, porém, seus passos o levaram até o quarto de Laura.A porta estava entreaberta.Ele parou.Laura estava sentada sobre a cama, encostada na cabeceira.Permanecia completamente perdida em seus pensamentos.Uma das mãos repousava sobre o próprio ventre.Seu olhar estava distante.Vincenzo ficou alguns segundos observando-a.Ainda era estranho pensar que havia uma criança ali.Seu filho.A notícia continuava ecoando em sua mente.Ele entrou.Laura percebeu sua presença, mas não levantou os olhos.— Vou sair.Nenhuma resposta.Vincenzo caminhou até a porta.— Não devo dem

  • A virgem e o Mafioso Cruel    Capítulo 27-O cuidado

    O silêncio permaneceu no quarto.Laura continuava com a mão sobre o ventre.Seus olhos estavam fixos em algum ponto à frente, como se ainda tentasse compreender o que acabara de ouvir.Grávida.Pouco mais de um mês.A palavra parecia não pertencer à sua realidade.Então, de repente, o rosto dela se desfez.As lágrimas começaram a cair.Primeiro algumas.Depois muitas.Laura levou as duas mãos ao rosto e começou a chorar.Não era um choro silencioso.Era um choro profundo, desesperado, carregado de tudo o que havia acontecido nos últimos dias.A morte da mãe.O casamento.A vida que havia perdido.Aquela casa.Vincenzo.E agora uma criança.Seu filho.Uma criança que ela ainda nem conhecia, mas que já carregava dentro de si.— Não...Ela balançou a cabeça.— Não pode ser.O médico permaneceu próximo à cama.— Laura, tente respirar.Ela não conseguia.— Eu não posso...Sua voz falhou.— Eu não posso estar grávida.Vincenzo permaneceu parado.Por fora, não demonstrava absolutamente nada.

  • A virgem e o Mafioso Cruel    Capítulo 26- grávida!

    Vincenzo entrou no quarto algum tempo depois.Laura continuava dormindo.O rosto estava tranquilo agora, embora ainda carregasse as marcas do cansaço e das lágrimas dos últimos dias.Ele fechou a porta atrás de si e permaneceu parado.Por alguns segundos, apenas observou.Os aparelhos ao lado da cama marcavam o ritmo constante da respiração dela.Vincenzo caminhou até a cadeira e se sentou.Seu olhar permaneceu sobre Laura.Aquela mulher havia conseguido fazer algo que ninguém jamais fizera.Entrar em sua cabeça.Permanecer nela.Mesmo quando ele não queria.Mesmo quando tentava se convencer de que ela era apenas uma responsabilidade.Apenas a consequência de uma situação que precisava ser resolvida.Uma testemunha de um crime.Era assim que tudo havia começado.Laura havia visto demais.Sabia demais.E, por causa disso, tinha se tornado um problema para Vincenzo.Naquela época, ele não havia pensado duas vezes antes de usar a única coisa que poderia controlá-la.A mãe.A mulher estav

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status