เข้าสู่ระบบVaelaColoquei a mão de Ezra em minha cintura e ele congelou. Disse meu nome, baixo, perigoso, quase dor. Mandei que ficasse. Ele lembrou que Rhonan estava olhando. Não era Rhonan. A magia podia usar aquilo. Que usasse a verdade, então. Senti a respiração de Ezra contra minha têmpora quando ele ficou atrás de mim, não como dono, não como substituto, mas como presença viva. A mão dele na minha cintura era quente, grande, contida. O polegar, sem querer ou querendo demais, roçou a seda sobre minha pele. Meu corpo respondeu com uma onda baixa de calor. O espelho brilhou de azul. Você me traiu. Inclinei a cabeça. Não. Eu sobrevivi.A mão de Ezra tremeu. Cobri seus dedos com os meus e acrescentei que agora eu escolhera. O rosto de Rhonan no espelho abriu a boca. Por um instante, a voz que saiu não era dele. Era Morvan. Escolhas são correntes quando sabemos onde prender. Ezra puxou-me para trás antes que o espelho explodisse. Vidro estilhaçou para fora. Ele girou o corpo e me cobriu com o pr
VaelaRhonan apareceu no vidro como uma lembrança envenenada. Alto, ombros largos, cabelos claros caindo sobre a testa, belo e pálido, como se a morte tivesse aprendido a imitar nobreza. Os olhos dele, antes calorosos em minha memória, agora brilhavam com azul doentio. Minha esposa, disse. Permaneci imóvel. Rhonan nunca usaria aquele tom. A imagem sorriu e acusou que eu o esquecera rápido. Ezra rosnou. O som foi baixo o bastante para ser controlado e fundo o bastante para fazer a chama da vela inclinar. Cuidado, ele disse. O espelho virou os olhos para ele. Ezra Varlock. O exilado. O amigo que deixei viver. A mão de Ezra fechou ao lado do corpo.Ele disse que aquilo não era Rhonan. A imagem inclinou a cabeça. Não? Lembrava-se do túnel, do sangue no pulmão, do peso de Ezra no ombro enquanto o tirava da cela. Lembrava-se de mim chorando sem som quando percebi que ele não voltaria. Senti minha respiração falhar. O detalhe era real. Odiei que fosse. Ezra olhou para mim. Não para o espelho
VaelaO espelho começou a respirar antes de chamar meu nome. Eu estava sentada na beirada da cama, ainda vestida de preto, os cabelos presos frouxamente na nuca, a pele marcada pelo cansaço de uma noite em que os mortos haviam falado demais e os vivos fingido coragem por tempo suficiente. A lua entrava pela janela alta em lâminas frias, cortando o quarto em partes: a cama intocada, a bacia de água escura sobre a mesa, minhas luvas abandonadas sobre uma cadeira, a camisa de Ezra jogada no encosto como uma confissão indecente. Ele estava junto à porta. Não por distância. Por hábito.Ezra Varlock sempre se posicionava onde pudesse ver a saída, a janela e a mulher ao mesmo tempo. Mesmo sem armadura formal, mesmo com a gola aberta, mesmo com a pele ainda guardando o calor da última vez que minhas mãos haviam descido por seu peito, ele parecia preparado para matar o mundo se o mundo entrasse sem permissão. Eu deveria achar isso primitivo. Achava. Também achava perigosamente belo. Perguntei
SeleneEstou aqui porque você mandou. A frase entrou no quarto como uma rendição perigosa. Perguntei e se eu mandasse ajoelhar. Darius não hesitou. Ajoelhou. O movimento foi lento, pesado, deliberado. Darius Varek, Alfa da Lua Sangrenta, de joelhos no meu quarto, sem plateia, sem prova, sem lei antiga. Apenas ele. Apenas eu. Apenas uma ferida querendo decidir se sangrava ou ardia. Senti o impacto no corpo inteiro. A loba dentro de mim rosnou de satisfação. Odiei o quanto gostei. Disse que não fizesse parecer bonito. Darius ergueu os olhos. Para ele não era bonito. Era verdadeiro.Verdade também podia ser manipulação. Então me use contra mim, se precisar. O desejo passou por mim como lâmina quente. Cuidado, Alfa. Minha voz saiu baixa, rouca. Ele percebeu. Estou tentando. Tentar não era o bastante. Então me diga onde coloco as mãos. Olhei para as mãos dele. Grandes. Marcadas. Capazes de quebrar ossos e de parar a um centímetro de mim quando eu dizia não. Lembrei delas em meu corpo com p
SeleneEu disse entre, e Darius ficou imóvel. Disse meu nome, não como recusa, mas como quem toca uma lâmina para ter certeza de que ainda corta. Mandei que entrasse, não confessasse pecados. A mandíbula dele se moveu. Perguntou se eu tinha certeza. Aquilo acendeu uma faísca cruel em mim. Agora pergunta? Os olhos dele fecharam por uma fração. Golpe recebido. Quando abriram, havia dor. E vontade. E aquele esforço feroz de não tomar nada que eu não desse. Sim, respondeu. Agora pergunto. Abri mais a porta. Ele entrou. O quarto pareceu diminuir. Não porque avançasse. Parou a dois passos da porta, as mãos ao lado do corpo, o olhar preso em mim como se cada movimento precisasse de autorização escrita na pele.Fechei a porta devagar. O som do trinco foi pequeno, íntimo, perigoso. Darius respirou fundo. Sentiu meu cheiro. Eu vi. Seus olhos escureceram. A mão esquerda fechou, soltou, fechou de novo. O lobo sob sua pele se moveu, não contra mim, mas por mim, animal imenso obrigado a sentar dian
SeleneA porta fechada respirava Darius. Era ridículo. Madeira não devia respirar, não devia guardar o calor de um homem do outro lado, nem transformar um corredor inteiro em extensão do corpo dele. Mas eu estava deitada no quarto, sob lençóis frios demais para a pele acesa, e cada inspiração que vinha de fora parecia atravessar a fresta inferior da porta, rastejar pelo chão e subir por minhas pernas como uma lembrança que não pedia licença. Darius estava ali. No corredor. Guardando meu sonho. Guardando-me sem entrar. Obedecendo. Isso deveria me acalmar. Em vez disso, enfurecia, porque a presença dele não precisava de toque para alcançar lugares onde ainda havia dor.O vínculo reconhecia o cheiro dele antes da mágoa erguer muralhas. Sangue limpo. Lobo. Noite. Culpa. Desejo contido até virar febre. Era uma tortura refinada, quase cruel: o homem que me rejeitou agora parado do lado de fora como sentinela, e minha loba, traidora deslumbrada, roçando por dentro das costelas com uma única







