Companheiros Temporários, Desejos Permanentes

Companheiros Temporários, Desejos Permanentes

By:  LuxieUpdated just now
Language: Portuguese
goodnovel18goodnovel
Not enough ratings
30Chapters
5views
Read
Add to library

Share:  

Report
Overview
Catalog
SCAN CODE TO READ ON APP

O Alfa me beijou como se odeiasse o quanto me desejava. A boca dele tomou a minha com violência, despedaçando a única regra que tínhamos combinado. Sem beijos. Sem sentimentos. Apenas para reprodução. — Não se apaixone por mim, Lisa — ele alertou, com a voz áspera contra a minha pele. Eu ri, sem fôlego e amargurada. Eu sabia exatamente o que era para ele. Um contrato. Um corpo. Um meio de conseguir um herdeiro. Algo que ele poderia usar e descartar enquanto voltava para a companheira a quem realmente pertencia. Isso nunca deveria ser sobre amor. Mas o toque dele reescreveu minha determinação, e quanto mais perto eu chegava de dar a ele o que ele queria, mais eu percebia que o verdadeiro perigo não era a gravidez. Era o que sobraria de mim quando tudo isso terminasse.

View More

Chapter 1

Capítulo 1

Meu pai estava transando com a secretária quando empurrei a porta do escritório dele. Estalos úmidos e gemidos preenchiam o ambiente enquanto ele se movia contra ela, sobre a mesa.

Minha mãe tinha passado três horas na frente do fogão, apertando os olhos para ler uma receita que já tinha memorizado anos atrás. Ela embalou o almoço do meu pai e me fez prometer que o veria comer, já que ele estava sempre ocupado. Ele também tinha deixado o celular em casa.

Nunca esperei entrar e encontrá-lo dobrado sobre a mesa, com a calça de lã embolada nas coxas, penetrando profundamente a secretária.

A cena me deu vontade de vomitar.

Aquele era o homem que tinha prometido passar mais tempo em casa naquele fim de semana para o jantar de aniversário de trinta anos de casamento.

A secretária olhou em direção à porta, arregalando os olhos. Ela arfou, e o rosto dela ficou vermelho de culpa.

— Puta merda, Lisa... — murmurou ela.

Meu pai se virou, arfando e suando, sem nem subir as calças.

— Lisa, espera...

Não fiquei para ouvir. Corri pelo corredor, apertei o botão do elevador e deixei os gritos dele para trás assim que as portas se fecharam.

Cheguei ao carro, enfiei a chave na ignição e acelerei pela rodovia, costurando o trânsito do meio-dia antes que o choque me atingisse de vez.

Foi quando senti o celular dele no bolso da minha jaqueta. Parei o carro no acostamento, peguei o aparelho e tentei a data de aniversário dele.

Acesso negado.

A data do casamento deles.

Acesso negado.

Digitei o nome da minha mãe.

O celular desbloqueou.

Aquilo doeu ainda mais. Ele usava o nome dela como chave para guardar seus segredos.

Abri as mensagens dele. A conversa com a secretária se estendia por meses, cheia de fotos tiradas à noite e fantasias sexuais detalhadas. Continuei rolando a tela enquanto as datas retrocediam até o ano passado.

Digitei "divórcio" na barra de pesquisa. Os resultados apareceram instantaneamente.

[O advogado disse que podemos finalizar os papéis antes do fim da primavera. Mal posso esperar para finalmente ficar com você do jeito certo.]

Já estávamos em meados de abril.

Apertei o celular com força enquanto rolava a tela.

[Falei com o corretor hoje. A casa deve vender rápido. Assim que terminar, você pode se mudar para o lugar novo comigo. Um recomeço.]

Ele não estava apenas deixando minha mãe. Ele estava vendendo a casa. Minha mãe e meu irmão, James, não teriam para onde ir.

Pela lei da alcateia, o homem chefe da família era o dono da propriedade. Acabaríamos nos alojamentos assistenciais na margem do território.

Outra mensagem:

[As crianças vão se adaptar. Lisa tem vinte anos. James tem dezessete. Talvez isso ensine um pouco de humildade a eles. Viveram de boa demais às minhas custas.]

Minha visão embaçou enquanto eu tirava capturas de tela. Ele era o Beta da alcateia. Negaria tudo se não houvesse provas.

Dirigi de volta ao escritório, deixei a lasanha esfriando e o celular no balcão da recepção e saí antes que a recepcionista pudesse falar nada.

Quando cheguei ao carro, meu celular vibrou no porta-copos.

[Mãe: Querida, você pode pegar minha receita no caminho de volta? A farmácia ligou.]

Encarei a mensagem. A visão da minha mãe vinha piorando há uma década. Ela estava legalmente cega, incapaz de ver o rosto dos próprios filhos com clareza sem lentes fortíssimas. Ela tinha sido enfermeira no hospital da alcateia, uma carreira que amava, mas teve que se afastar quando a perda de visão tornou o trabalho perigoso.

Ela acreditava que o marido era seu protetor.

Fiquei sentada no carro, observando o sol começar a se pôr.

A vida inteira usei meus pais como o padrão perfeito de amor. E ele esteve calculando a própria saída enquanto ela preparava as refeições favoritas dele.

Meu celular vibrou de novo. Era minha melhor amiga, Sasha.

[Sasha: Não se esqueça da reunião obrigatória da alcateia hoje à noite.]

Eu tinha ouvido os boatos sobre negociações de aliança com os Lycans de Silver Creek, mas não tinha me importado. Agora, a mensagem especificava a presença obrigatória de todas as fêmeas não marcadas.

Respondi:

[Descobri que meu pai está tendo um caso. Ele vai vender a casa e colocar a gente para fora.]

[Sasha: O QUÊ??? Me liga AGORA.]

[Eu: Não posso. Explico mais tarde.]

Passei horas dirigindo pelas terras da alcateia. Quando minha mãe perguntou onde eu estava, disse que a Luna Catherine precisava de ajuda com algumas tarefas.

Ao cair da noite, cheguei ao centro comunitário. Minha cabeça latejava. Do lado de dentro, o salão estava lotado. O Alfa Marcus e a Luna Catherine estavam no palco com seus conselheiros.

Mais de cinquenta mulheres sem companheiro ocupavam as cadeiras. Encontrei Sasha. Ela segurou minha mão, com o olhar preocupado.

— Você está bem? — sussurrou ela.

Não disse nada.

O Alfa Marcus deu um passo até o microfone. O salão ficou em silêncio.

— O Alfa Cameron de Silver Creek concordou com uma aliança conosco — disse ele. — Em troca, eles exigem um acordo temporário com uma fêmea sem companheiro.

Sussurros se espalharam.

— A companheira dele não pode ter filhos. Ele precisa de um herdeiro. Por isso, está solicitando um contrato de um ano.

A Luna Catherine deu um passo à frente.

— O contrato é vinculativo. A voluntária se mudará para Silver Creek, conceberá e gestará o filho do Alfa. Após o nascimento, a criança fica lá. A fêmea retorna para casa.

Uma onda de choque tomou o salão.

— Em troca — disse o Alfa Marcus —, a voluntária receberá cuidados médicos completos, proteção e compensação financeira.

— Quanto? — perguntou uma garota.

— Quinhentos mil tokens. Pagos em parcelas — respondeu a Luna Catherine.

O salão explodiu em falatório.

Quinhentos mil tokens era o suficiente para comprar uma pequena propriedade e viver com conforto pelo resto da vida.

— Isso é loucura — sussurrou Sasha, inclinando-se no meu ouvido. — Eles querem que alguém seja uma incubadora paga para um Lycan e depois simplesmente entregue o bebê?

Ela tinha razão. Era um negócio frio. Mas a compensação era tentadora o suficiente para comprar uma casa para minha mãe em nome dela, pagar pelos tratamentos médicos ou contratar um assistente em tempo integral para quando ela perdesse a visão completamente. Pagaria a melhor faculdade para James. Nunca mais teríamos que implorar à alcateia por um lugar para dormir.

Meu celular vibrou. Era um áudio da minha mãe. Levei o aparelho ao ouvido.

A voz dela estava embargada, pesada de choro.

— Lisa... seu pai acabou de chegar em casa. Ele está arrumando uma mala. Disse que quer o divórcio... que esteve infeliz por anos.

Ouvi o momento em que ela perdeu o fôlego, um som entrecortado e doloroso.

— Ele disse que a casa é dele. O dinheiro também. Me deu trinta dias para arrumar um lugar. Lisa, eu não tenho nada. Não sei para onde nós vamos.

A gravação cortou com o som de uma porta batendo ao fundo.

Fiquei encarando o encosto da cadeira à minha frente. Tudo o que eu precisava fazer era abrir mão de um ano. Conceber. Gestar. Dar à luz. Ir embora.

Sasha se inclinou para mim de novo.

— Por que alguém faria isso? Gerar o filho de um estranho e simplesmente ir embora?

— Eu vou fazer — falei.

Sasha encarou meu rosto. Ela soltou uma risada nervosa.

— O quê? Você ouviu o que eles disseram? Você tem que dar à luz e simplesmente entregar o bebê para um homem que nem conhece.

— Eu ouvi.

— Lisa — disse ela, agarrando meu bíceps com força, cravando os dedos. — Isso não é um trabalho. É o seu corpo. Você não pode simplesmente...

— Eu preciso do dinheiro, Sasha. Preciso salvar a minha mãe.

Sasha me olhou como se eu fosse uma estranha. Ela abriu a boca para protestar de novo, mas as palavras morreram na garganta dela.

Ignorei o olhar dela e ergui a mão bem alto no ar.

Expand
Next Chapter
Download

Latest chapter

More Chapters

To Readers

Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.


No Comments
30 Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status