MasukMatteo Giordano Tinha se passado quase dois dias sem nenhuma notícia da Carmen, e eu já estava prestes a perder completamente o controle. O desespero arranhava minha garganta como lâminas, consumindo cada resquício da minha lucidez. Até agora, nenhum sinal do paradeiro de Rosa e Martina Gonzalez. As buscas continuavam intensas, mas a falta de respostas estava me enlouquecendo. A polícia já havia ido à residência da família com um mandado de prisão preventiva para Mário Gonzalez, que permanecia detido enquanto as investigações avançavam sem trégua. — Eu não aguento mais ficar sem notícias da minha filha! — ouço dona Dolores lamentar na sala, aos prantos, enquanto é amparada amorosamente por Maísa. — O que quer que aquelas malucas queiram fazer... que, ao menos devolvam a minha filha, viva ou morta... — a voz dela morre em um soluço dilacerante. — Não fale uma coisa dessas, dona Dolores! A Carmen está viva, eu sinto! — afirmo com tom ríspido e desesperado, tentando convencer a ela
Matteo Giordano Desci para a área administrativa do hotel e exigi que me disponibilizassem uma sala privativa. Precisava de um centro de comando para controlar o caos antes que eu perdesse o controle de vez. Minha mandíbula doía de tanto tensionar os dentes. A raiva e o desespero duelavam dentro de mim, transformando a sensação de triunfo pelo contrato recém-assinado em um cinza amargo. — Senhor Matteo, nossos homens estão prontos para sair em busca da senhorita Carmen. Só basta nos dizer por onde começarmos — Javier entrou na sala, o terno impecável contrastando com sua expressão abatida e envergonhada. — Tudo bem, Javier. Mas mude essa cara de culpado — ordenei, mantendo o tom firme apesar do nó no peito. — Você não tem culpa por ter perdido o rastro dela. — Eu deveria ter deixado alguém de prontidão caso ela precisasse sair... — ele insistiu, mantendo o olhar baixo, corroído pelo dever não cumprido. — Ainda assim, a Carmen deveria ter entrado em contato e esperado por escolta
Carmen Gonzalez Eu estava trancada em um quarto escuro, com as mãos e os pés firmemente amarrados. O frio do chão de cimento penetrava minha pele, aumentando meu desespero a cada segundo. Não consigo me perdoar por ter sido tão irresponsável. Eu devia ter esperado por Javier ou por alguém que ele designasse para me acompanhar. Ele sempre fez isso desde que as ameaças e os conflitos com a minha família começaram. Acreditei ingenuamente que o curto percurso entre a cobertura onde moro com o Matteo e o Hospital San Gerônimo não ofereceria perigo. Pensei que ficaria segura no apartamento da Clara assim que saíssemos de lá. Seria apenas uma noite de garotas para conversarmos, mas acabei transformando tudo em um verdadeiro martírio. Ninguém perceberia minha ausência até o amanhecer. Hoje é o dia mais importante para o Matteo, o dia em que ele finalmente assinará o contrato de fusão pelo qual tanto trabalhou. Eu deveria estar ao seu lado, celebrando sua vitória, e, no entanto, estou aq
Matteo Giordano Após o ápice de tensão na sala de reuniões, os contratos foram finalmente assinados e a fusão histórica foi sacramentada. O grande dia chegou... Consegui consagrar a Albatroz entre as maiores potências da aviação mundial, honrando o homem que me inspirou por toda a vida: Vittorio Giordano. Superadas as formalidades e as saudações entre os executivos, seguimos a passos firmes em direção ao auditório para a coletiva de imprensa oficial. Caminho com postura ereta e imponência, ajustando o abotoamento do paletó enquanto o espocar contínuo dos flashes ilumina a minha entrada. Subo ao púlpito, apoio as mãos espalmadas sobre a bancada e varro o recinto com um olhar firme e dominador, silenciando os jornalistas instantaneamente. — Senhoras e senhores... Hoje não marcamos apenas a assinatura de um contrato bilionário entre a Albatroz e a Sky — inicio, a voz firme ecoando potente pelos alto-falantes. — Hoje, nós redefinimos os rumos da aviação comercial global, cravando o
Matteo Giordano A sala de reuniões caiu em um silêncio sepulcral, tão denso que era possível ouvir a respiração descompassada dos presentes. O rosto do meu tio perdeu a cor instantaneamente, empalidecendo como um cadáver pego no flagra. Alguns conselheiros trocavam olhares perplexos e inquietos, mas ninguém ousava abrir a boca para contestar a postura impagável de Ettore Valentini. Um alívio indescritível inundou o meu peito ao perceber que a exigência não se tratava do cancelamento da fusão, mas sim da ruína do homem que tentou me destruir. Ainda assim, o conselho da Albatroz precisava formalizar e aprovar o afastamento, e eu sabia que alguns daqueles velhos ratos jogavam no time de Miguel. — Pois bem... Expus claramente as minhas exigências para selarmos esta negociação bilionária — Ettore insiste, a voz afiada como lâmina, cutucando a ferida aberta. — No entanto, vejo que os senhores parecem hesitantes em se manifestar — ele completa, apoiando os punhos sobre a mesa e varren
Carmen Gonzalez Percebi o quanto Matteo saiu apreensivo para o trabalho hoje cedo. Enquanto não resolvêssemos todas essas pendências que sufocam nossas famílias, não teríamos paz. Resolvi organizar algumas pendências do meu consultório e passei a manhã e boa parte da tarde imersa nesses compromissos. Lembrei-me de que precisava ligar para minha mãe e saber como ela e Maísa estavam... Esperava do fundo do coração que tivessem dormido bem e acordado mais calmas. — Olá, madre! Como vocês estão? — cumprimento-a assim que a chamada é atendida. — Carmen, minha filha! Eu já estava prestes a te ligar... Acordamos bem e tivemos um dia agradável, mas a Martina esteve aqui e fez um escândalo pavoroso lá fora. — A Maísa está inconsolável e tem um rapaz, que disse ser irmão do Matteo, aqui tentando acalmá-la — minha mãe relata, a voz trêmula. — E o que a Martina queria criando confusão aí no hotel?! — questiono, sentindo uma pontada de raiva ao tentar entender as atitudes da minha outra mei







