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Michelle
Assim que Michelle acordou, sentiu seu corpo muito leve, apesar de que, dentro de sua cabeça, parecia que existia uma manada de elefantes correndo desesperadamente em busca da comida mais saborosa do mundo, que no caso, seria ela mesma, mas a sensação era muito boa, até a dor naquele momento parecia ser prazerosa.
Michelle percebeu que estava nua, e quando olhou para o lado viu que Rodrigo estava deitado – também nu e com um sorriso de felicidade extrema.
Parece que a noite foi boa para alguém... – pensou ela.
Michelle pensou que Rodrigo estava tendo um sonho muito bom, afinal, ele tinha um leve sorriso sem–vergonha em seu rosto – mas Rodrigo estava fingindo o sono.
Pela primeira vez em toda sua vida, Michelle se sentia suja, não por ter transado com um estranho – isso ela já tinha feito inúmeras vezes –, mas por ter se drogado pela primeira vez, Michelle matou todos os seus princípios...
Ferir somente não tinha sido o suficiente para uma vida inteira...
Michelle chorou muito trancada no banheiro, sentou no chão frio de mármore, encostando–se à porta e ficou ali pelo menos meia hora chorando desesperadamente. Ficou pensando no que seu pai faria naquele momento, era a primeira vez que se metia numa encrenca e não tinha ninguém para ajudá–la.
O desespero tomou conta dela.
No quarto, Rodrigo estava se sentindo ótimo – seu plano perfeito começou a dar certo –, seus negócios agora iriam despontar com o apoio de Antônia. Michelle era o seu pé–de–meia para uma vida tranquila e bem-sucedida no tráfico, ninguém jamais desconfiaria dele.
Michelle ficou pensativa ali no banheiro. Ela descobriu que Rodrigo tinha razão com relação ao sentimento, por um momento se sentiu muito melhor – consideravelmente melhor –, estava nas nuvens, sentiu–se viva novamente, mas agora...
Ela se sentia um lixo como ser humano...
Por precisar de algo que iria destruí–la para se sentir melhor, de um jeito ou de outro, Michelle sentia que estava acabando com sua vida de qualquer maneira.
Michelle percebeu que tinha chegado a uma encruzilhada, tinha dois caminhos a percorrer naquele momento – os dois eram becos sem saída. Poderia continuar sua vida sem o pai – mas não imaginava como iria fazer isso –, ou, começar uma nova vida, dependente de tóxicos para ajudá–la a ter confiança em si mesma, a mesma confiança que seu pai dava a ela todos os dias.
Ela saiu do banheiro e deu de cara com Rodrigo – completamente nu –, ela percebeu como era pequeno seu membro – se é que poderia chamá–lo de membro – e deu um leve sorriso.
Deve ter uns nove centímetros, talvez um a mais, ou, um à menos, sei que tamanho não é documento, mas esse ai... deixa para lá... se foi bom para ele, foi bom pra mim também... Assim espero...
Rodrigo estava preparando mais uma carreira de cocaína.
O sorriso dele era encantador...
Perigoso na verdade... – pensou Michelle.
Michelle percebeu que estava começando a entregar sua alma para aquele rapaz sedutor que acabara de conhecer, não estava apaixonada, e dificilmente se apaixonaria por ele, já que seu sorriso era encantador, mas também era malévolo... ela se sentiu mais uma Eva se entregando à sedução da serpente no paraíso.
Rodrigo a abraçou carinhosamente e a beijou, ele disse que ficou apaixonado por ela desde o primeiro momento em que a viu.
Michelle deu um sorriso querendo acreditar, mas ela sabia que era mentira, seus olhos de alguma maneira descarada diziam – gritavam desesperadamente – isso para ela.
Ela o acompanhou até sua cama – onde estava deitado um prato em cima com a carreira de cocaína preparada para eles.
Michelle sentiu um frio percorrer por todo o seu corpo. Sua alma gritava para ela não fazer aquilo, mas sentiu corpo ser atraído por aquilo como um imã.
Agora ela sabia como Eva se sentia quando viu o fruto proibido...
Michelle queria sentir novamente aquela sensação de liberdade, de ver um mundo diferente, ganhava asas para voar em um céu maravilhoso, sem limites, tudo naquele momento era um belo horizonte que não tinha pressa para ir embora.
Michelle novamente fez um show particular para Rodrigo.
Ele se deleitava vendo–a correr de um lado para outro – como uma barata tonta, ou uma galinha cacarejando, correndo atrás de seus pintinhos –, Rodrigo nem esperou que a loucura dela passasse, a puxou de volta para a cama e voltaram a transar loucamente.
Como da outra vez, Michelle não se lembrou de absolutamente nada do que fizera com ele naquele quarto – mesmo que se lembrasse, ela tinha certeza que, indiscutivelmente, se decepcionaria.
No dia seguinte, Michelle acordou quase ao meio–dia, mas dessa vez estava sozinha. Ela percebeu que Rodrigo tinha deixado um pequeno bilhete com seu telefone e, embaixo do bilhete tinha mais um pequeno papelote de cocaína.
No bilhete estava escrito que, aquela era uma pequena amostra grátis, mas era só ligar para ele a qualquer horário que traria mais para ela – afinal, agora ela era VIP.
Michelle por um momento sentiu–se como se estivesse sendo aprisionada – mas a sensação que sentia durante aqueles poucos minutos era indescritível...
Liberdade total...
Michelle decidiu arriscar, afinal, já tinha perdido tudo aquilo que mais importava em sua vida mesmo, a única família que ela tinha tido na vida era o seu pai, e agora nem isso ela tinha mais.
A única coisa que vinha em sua mente, eram as asas enormes e o membro pequeno de Rodrigo.
Pelo menos ele me deu asas para voar... – pensou Michelle com um sorriso no rosto.
EpílogoMichelle estava no restaurante ansiosa, ela sabia que aquela noite seria o dia do pedido de casamento, Ari não conseguia se conter nas últimas semanas, ela também não, afinal, agora já era uma doutora, Ari um advogado que estava já ganhando um bom nome no meio jurídico, mas muitas coisas tinham acontecido além deles. Ari chegou e lhe deu um beijo. –– Aconteceu alguma coisa? Michelle não sabia muito o que dizer. –– Sinto que nossos caminhos estão saindo do que planejamos. –– Pensei que era o único que tinha reparado. –– Você sabe que te amo, não é mesmo? –– N&a
49AntôniaO casamento entre Antônia e Cícero não poderia ter sido mais lindo, o sítio dele estava repleto de convidados ilustres, artistas famosos, grandes empresários e tudo o mais. Antônia estava deslumbrante em seu vestido branco de cetim, entrou abraçada com Phillip, ele a elogiou muito, se Antônia não o conhecesse tão bem, ela diria que ele estava flertando com ela, mas como bons amigos, ela apenas agradeceu. A cerimônia foi presidida pelo pastor Gil – pastor da igreja que Ari e Michelle frequentavam –, e logo depois Antônia e Cícero também passaram a frequentar. O pastor Gil falou sobre I Coríntios 13, onde o apóstolo Paulo fala sobre o amor, não teve quem não se sentisse emocionado com o serm&atil
48AriUm dia antes do julgamento de Rodrigo, Ari foi visitá–lo. –– Não acha que é muita impertinência sua vir até aqui? – disse Rodrigo num tom sarcástico. –– Só gostaria de saber por que disso tudo... Porque eu? Porque a Michelle? Rodrigo deu uma gargalhada, a mesma que tirou o sono inúmeras vezes de Ari. –– Tenho os meus motivos, moleque, mesmo assim, você era apenas a cereja no bolo, minha vingança não tinha nada a ver contigo... você era apenas um bônus para me divertir, eu gostava da sua ousadia, queria ver até onde você iria, mas o que tinha que fazer mesmo, fiz e não me arrependo. Rodrigo foi julgado e condenado h&aacu
46Ari e MichelleAri comprou as alianças de noivado sem falar nada a ninguém, estava tão irradiante que nem prestou atenção que estava sendo seguido por Rodrigo e um de seus capangas. –– É hoje que eu pego esse safado – disse Rodrigo ensaiando aonde atiraria em Ari. –– É isso mesmo chefe, vamos pegar esse cara. Ari guardou a caixinha com as alianças no bolso esquerdo de sua calça Armani – que ganhou de seu chefe – todo feliz da vida quando foi abordado por Rodrigo. Rodrigo o levou até seu carro, pegou as alianças do bolso de Ari e disse: –– Para um pé–rapado, até que ele tem bom gosto – mostrando as alianças para
45AntôniaAntônia e Cícero voltaram a se encontrarem naturalmente, uma visita aqui, outra coincidência ali, parecia que aqueles quase trinta anos jamais tivessem existido, eram muitos encontros, desencontros, despedidas e fugas que Antônia já não estava entendendo mais nada. Marcelino – ela já não o chamava mais de padre – sumiu do mapa, ela até queria contar a verdade para ele, afinal, se ele tinha um filho, deveria saber, mas ninguém mais ouviu falar dele. Cícero contou que era dono de um hospital muito importante – Hospital St. Filipo – que assim que Antônia se casou, ele voltou para a faculdade e se formou entre os melhores, mas cada esforço dele fazer uma carreira bem-sucedida se tornava em vão quando conversava com a Leide, já que Ant&oc
44AntôniaTodos choraram muito no enterro, foi algo muito comovente, apenas uma pessoa em especial não tinha ido ao enterro – o padre Marcelino – mas como a Leide não era católica nem nada, ninguém deu muita importância para aquilo. Infelizmente aquele enterro estava desenterrando algo na vida de Antônia, alguém que há mais de vinte e cinco anos ela não via... Cícero. Eles mal se falaram, ele parecia que não tinha mudado nada, o que fez Antônia se sentir com dezoito anos novamente.Antônia jamais imaginou que descobriria algo sobre a sua melhor amiga. No testamento ela deixou tudo o que tinha para o seu filho – Rennan – e tinha deixado uma carta em especial para ela. A carta dizia o seguinte:






