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Antônia
Antônia e Cícero voltaram a se encontrarem naturalmente, uma visita aqui, outra coincidência ali, parecia que aqueles quase trinta anos jamais tivessem existido, eram muitos encontros, desencontros, despedidas e fugas que Antônia já não estava entendendo mais nada.
Marcelino – ela já não o chamava mais de padre – sumiu do mapa, ela até queria contar a verdade para ele, afinal, se ele tinha um filho, deveria saber, mas ninguém mais ouviu falar dele.
Cícero contou que era dono de um hospital muito importante – Hospital St. Filipo – que assim que Antônia se casou, ele voltou para a faculdade e se formou entre os melhores, mas cada esforço dele fazer uma carreira bem-sucedida se tornava em vão quando conversava com a Leide, já que Antônia além de ter se casado, tivera duas filhas.
Depois de muitos meses saindo juntos, eles decidiram ficar noivos e se casarem.
Eles anunciaram para toda a família a novidade, o que gerou uma enorme festa.
Naquela noite eles fizeram amor de verdade pela primeira vez.
–– Preciso te confessar algo Cícero – disse Antônia brincando com os pelos no peito de Cícero.
Ele colocou delicadamente seu dedo indicador no queixo dela e ergueu até o ponto de seus olharem se cruzarem afetivamente.
–– Pode falar meu amor...
Ela respirou fundo.
–– Eu te escondi algo... escondi do Paulo, mas quero que tudo dessa vez seja diferente...
Cícero olhou como quem não estava entendendo nada.
–– A Dani é sua filha Cícero, espero que você me perdoe...
–– Perdoar o quê Antônia? – disse ele mostrando o sorriso que ela jamais conseguiu esquecer – você enfim voltou para os meus braços, e me deu a melhor notícia de toda a minha vida, nada no mundo poderia ser mais perfeito que esse momento...
Eles se beijaram e voltaram a fazer amor como dois adolescentes.
No dia seguinte, Dani estava brincando com o pequeno José Bruno no imenso quintal de sua casa, quando Antônia sozinha – ela decidiu que era melhor assim – foi contar a novidade para a filha.
–– Filha será que posso me sentar aqui com você?
A filha estranha a pergunta da mãe.
–– Aconteceu alguma coisa mãe? A senhora parece estranha.
Antônia se sentou, brincou rapidamente com seu netinho.
–– É que preciso te contar algo que escondi a vida inteira...
–– Pode falar mãe... – ela disse sem olhar para a mãe, prestando atenção ao filho engatinhando até o brinquedo.
–– Espero que um dia você possa me perdoar filha – ela respirou fundo –, sabe o Paulo – Dani fez afirmativo com a cabeça – ele não era seu pai...
Dani deu uma gargalhada que nem Antônia imaginava.
–– Estou falando sério minha filha... – disse Antônia humildemente.
–– Mãe... todos têm seus pecados, mesmo que ele realmente não seja meu pai, o considero, pai é aquele que cria e não aquele que faz, se era isso que tanto te tirava o sono todos esses anos, pode voltar a dormir tranquila, eu te perdoo...
Daniela estava com um sorriso cativante enquanto brincava com seu filho.
–– Então você não ligaria se te contasse que estou saindo com seu verdadeiro pai novamente?
Enfim Daniela fez a cara que Antônia esperava desde o começo.
–– A senhora está me dizendo...
–– Isso mesmo filha... Cícero é seu pai.
Antônia contou toda a história sem esconder nada da filha, ao mesmo tempo que Daniela ficou maravilhada, ficou meio apreensiva também.
Antônia disse que Cícero estava louco para que eles enfim fizessem o que era de direito deles fazerem, se abraçarem como uma verdadeira família.
O encontro deles foi inesquecível, repleto de choro, beijos, abraços, sorrisos, eram tantas coisas que uns queriam dizer aos outros que nem falaram nada, o momento dizia por si só.
Por essa, nem mesmo Michelle esperava, ela ficou feliz de saber da verdade, só não imaginava que sua mãe – tão rígida de doutrinas – tinha um passado – negro não era a palavra –, seria algo como encardido – mas ela e Ari ficaram muito felizes com a notícia.
EpílogoMichelle estava no restaurante ansiosa, ela sabia que aquela noite seria o dia do pedido de casamento, Ari não conseguia se conter nas últimas semanas, ela também não, afinal, agora já era uma doutora, Ari um advogado que estava já ganhando um bom nome no meio jurídico, mas muitas coisas tinham acontecido além deles. Ari chegou e lhe deu um beijo. –– Aconteceu alguma coisa? Michelle não sabia muito o que dizer. –– Sinto que nossos caminhos estão saindo do que planejamos. –– Pensei que era o único que tinha reparado. –– Você sabe que te amo, não é mesmo? –– N&a
49AntôniaO casamento entre Antônia e Cícero não poderia ter sido mais lindo, o sítio dele estava repleto de convidados ilustres, artistas famosos, grandes empresários e tudo o mais. Antônia estava deslumbrante em seu vestido branco de cetim, entrou abraçada com Phillip, ele a elogiou muito, se Antônia não o conhecesse tão bem, ela diria que ele estava flertando com ela, mas como bons amigos, ela apenas agradeceu. A cerimônia foi presidida pelo pastor Gil – pastor da igreja que Ari e Michelle frequentavam –, e logo depois Antônia e Cícero também passaram a frequentar. O pastor Gil falou sobre I Coríntios 13, onde o apóstolo Paulo fala sobre o amor, não teve quem não se sentisse emocionado com o serm&atil
48AriUm dia antes do julgamento de Rodrigo, Ari foi visitá–lo. –– Não acha que é muita impertinência sua vir até aqui? – disse Rodrigo num tom sarcástico. –– Só gostaria de saber por que disso tudo... Porque eu? Porque a Michelle? Rodrigo deu uma gargalhada, a mesma que tirou o sono inúmeras vezes de Ari. –– Tenho os meus motivos, moleque, mesmo assim, você era apenas a cereja no bolo, minha vingança não tinha nada a ver contigo... você era apenas um bônus para me divertir, eu gostava da sua ousadia, queria ver até onde você iria, mas o que tinha que fazer mesmo, fiz e não me arrependo. Rodrigo foi julgado e condenado h&aacu
46Ari e MichelleAri comprou as alianças de noivado sem falar nada a ninguém, estava tão irradiante que nem prestou atenção que estava sendo seguido por Rodrigo e um de seus capangas. –– É hoje que eu pego esse safado – disse Rodrigo ensaiando aonde atiraria em Ari. –– É isso mesmo chefe, vamos pegar esse cara. Ari guardou a caixinha com as alianças no bolso esquerdo de sua calça Armani – que ganhou de seu chefe – todo feliz da vida quando foi abordado por Rodrigo. Rodrigo o levou até seu carro, pegou as alianças do bolso de Ari e disse: –– Para um pé–rapado, até que ele tem bom gosto – mostrando as alianças para
45AntôniaAntônia e Cícero voltaram a se encontrarem naturalmente, uma visita aqui, outra coincidência ali, parecia que aqueles quase trinta anos jamais tivessem existido, eram muitos encontros, desencontros, despedidas e fugas que Antônia já não estava entendendo mais nada. Marcelino – ela já não o chamava mais de padre – sumiu do mapa, ela até queria contar a verdade para ele, afinal, se ele tinha um filho, deveria saber, mas ninguém mais ouviu falar dele. Cícero contou que era dono de um hospital muito importante – Hospital St. Filipo – que assim que Antônia se casou, ele voltou para a faculdade e se formou entre os melhores, mas cada esforço dele fazer uma carreira bem-sucedida se tornava em vão quando conversava com a Leide, já que Ant&oc
44AntôniaTodos choraram muito no enterro, foi algo muito comovente, apenas uma pessoa em especial não tinha ido ao enterro – o padre Marcelino – mas como a Leide não era católica nem nada, ninguém deu muita importância para aquilo. Infelizmente aquele enterro estava desenterrando algo na vida de Antônia, alguém que há mais de vinte e cinco anos ela não via... Cícero. Eles mal se falaram, ele parecia que não tinha mudado nada, o que fez Antônia se sentir com dezoito anos novamente.Antônia jamais imaginou que descobriria algo sobre a sua melhor amiga. No testamento ela deixou tudo o que tinha para o seu filho – Rennan – e tinha deixado uma carta em especial para ela. A carta dizia o seguinte:







