Share

3

last update publish date: 2023-05-02 05:55:10

Alguns anos depois

Carmem observava sua pequena brincando com as flores do jardim, momentos de paz tão raros mas significativos na vida triste da jovem mãe. Com dezessete anos, Carmem passou por situações inimagináveis para uma mulher tão jovem passar. Cenas de ciúmes constantes, obsessão, perseguições e toda sorte de assédio, só de pensar na forma que o homem de confiança de Negrini a olhava um medo descomunal crescia no seu peito.

Flávio sempre muito ciumento e obcecado não permitia que Carmem saísse e até a pequena Cassandra ou Alessa como Negrini a nomeou sofria com o ciúme sem medidas que o pai tinha de sua mãe. Três anos sofrendo deixaram Carmem amedrontada, temerosa e triste tentando entender porque não morreu naquela noite junto com seus pais e seu grande amor mas a vida era assim e não podia mudar nada.

Negrini apareceu no jardim irritado, ela simplesmente esperou a sessão de xingamentos começar, com o tempo ela parou de tentar se defender e passou a escutar as acusações calada sem dizer como aquilo era absurdo ou sem sentido.

– Matteo me contou que estava de conversa com o jardineiro, acha que sou algum idiota ou que vou aceitar ser corno, sua imunda?

Ela tentou compreender porque Matteo não parava de insistir nessa loucura de ser seu amante, mas o fato dele tentar e não conseguir o atormentava ao ponto de inventar mentiras deixando Negrini mais louco e ciumento. Carmem se levantou pegando a pequena nos braços, Flávio tentou alcançá-la mas não conseguiu, antes de chegar até ela, Carmem conseguiu ir para o quarto se trancando dentro dele.

– Si no fuera por ti, mi vida estaría muerta. Estos demonios terminarán matándome com estas acusaciones sin sentido. (Se não fosse por você, minha vida, estaria morta. Esses demônios vão acabar me matando com essas acusações sem sentido.)

Alessa olhava a mãe tão amada por ela sem entender porque sofria tanto mesmo sendo a melhor mãe do mundo, beijou seu rosto carinhosamente e a abraçou como se pudesse assim tirar as dores de sua mãe.

– Cassandra ama a mamá (Cassandra ama a mamãe)

A maneira agressiva de agir de Negrini assustava a pequena que não entendia as violências gratuitas contra sua mãe mesmo tão pequena, Alessa percebia como tudo aquilo era absurdo. A rotina de mãe e filha era de total terror principalmente a noite quando Flávio saia de si, enlouquecido de ciúmes procurando por Carmem para abusar dela.

– Abra essa porta, sua imunda, estou avisando se não abrir vou trepar com você na frente da sua cria. É isso que você quer?

– ¡No, Flavio! (Não, Flávio!)

Carmem colocou Alessa no berço pedindo pra fechar os olhos e não fazer barulho pensando que assim logo dormiria. Ela foi até a porta abrindo calmamente, assim que entrou no quarto, Negrini bateu em seu rosto deixando uma marca vermelha em sua face, as lágrimas saiam sem controle dos seus olhos mas não pelo tapa e sim por ele querer violentá-la na frente da menina.

– Quando vai parar de falar essa língua m*****a que é o espanhol, não chamei uma professora para ensinar italiano a você, suja? Vou receber Patrício e seu filho aqui, não quero que me passe vergonha falando a língua dos meus inimigos, entendeu?

– Sí ... Quero dizer, sim, entendi.

– Ótimo! Agora tire a roupa, quero você a noite inteira, Carmem, não imagina a falta que sinto da sua boceta, minha vagabunda.

Ela olhou para ele desesperada, ao contrário do que pensou, Alessa não dormiu, estava no berço olhando sua mãe. A pequena pensava que poderia proteger a pessoa que mais amava mas não poderia mesmo se quisesse.

– Não, a niña ainda está acordada. Por favor, aquí no.

Flávio segurou o rosto dela com força beijando sua boca como um devasso, Carmem tentou afastá-lo mas sem sucesso, naquela noite por diante, Negrini a estuprou na frente de Alessa, a menina jamais esqueceu da violência e brutalidade que ele tocava sua mãe e com o tempo não só Carmem se tornou atormentada mas também sua filha ao presenciar os abusos deixando marcas profundas em suas mentes, que sempre estariam ali vivas enlouquecendo ambas.

 

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Alessa Nos caminhos da loucura e do destino   Epílogo

    Alguns anos depoisBárbara – Porque vocês estão me olhando assim? Vocês são minhas amigas ou o que? É sério, estou muito ansiosa, preciso de conselhos. – Tio Dante e tio Henrique vão matar o Miguel, depois tio Romeu vai matar seu pai e seu padrinho, enfim, será uma tragédia. Sara é sempre muito objetiva igual a tio Nuno, isso me irrita muito, mas ela tem uma certa razão, Miguel vai me pedir em casamento e conhecendo meu pai e padrinho Henrique, tudo pode acontecer. Iolanda está rindo junto com Cássia, Leandra parecia preocupada com outra situação mas não queria dizer o que era, mas tenho certeza que tem haver com Valentim estar aqui no Brasil. – Leandra, diga alguma coisa? – Conversou com tia Alessa? Ou contou para seu irmão pelo menos? Meu irmão é louco por você, e não deve se preocupar com nada, é só um pedido de casamento, não é como se ninguém soubesse que vocês namoram. Bom, meus pais sabem, e seus pais e seu padrinho também, qual o medo, Bárbara? Estava pirando atoa, é cla

  • Alessa Nos caminhos da loucura e do destino   119

    Último capítuloAlessa– Cassandra, porque estou vomitando e tendo enjoos? O que fizemos? – El doctor dijo que no podía pasar, Alessa, que no podíamos tener más bebés. ¡Perdóname! (O médico disse que não podia acontecer, Alessa, que não podíamos gerar mais bebês. Me perdoe!) Lembro quando o médico disse que Bárbara seria nossa única filha pois não poderíamos gerar bebês, ele explicou que tínhamos problemas no útero e nos ovários mas nunca entendi bem. O bebê não é de Jarbas, disso tenho certeza, não deveria ter concordado com Cassandra naquele dia, foi bom, mas agora não sei como proceder. – Estamos grávidas de novo, é de Dante. – ¡Sí, lo siento, soy um idiota, um gran imbécil! No sé qué decir, hermana, solo te pido que me perdones, por favor. (Sim, sinto muito, eu sou uma idiota, uma grande imbecil! Não sei o que dizer, irmã, somente peço que me perdoe, por favor.) – Você não toma jeito, Cassandra, a vontade que tenho é de não perdoar você mas vamos ser mães, não podemos ficar br

  • Alessa Nos caminhos da loucura e do destino   118

    Alessa A despedida sempre é muito triste. Minha mãe e meu pai não vieram mas não fico surpresa em relação a isso, acredito que um dia tudo pode ser mudado mesmo quando parece ainda incerto. Sandro, Violeta, Milene, Cristóvão, Aurélio, Alejandra, Catarina, Ágata, Hermes, Graciela, Lídia e Cecilia vieram se despedir junto com as crianças. Bárbara abraçou todos os primos e amiguinhos como se ela soubesse que não voltaria tão cedo, Henrique está aqui também, ele fez questão de nos buscar, trouxe a escritura do sítio que vou viver com minha pequena, o lugar agora é meu. Sinto que vou poder recomeçar de um jeito que me fará recuperar tudo que perdi. – Prima, sabe que a porta da minha casa está aberta para você, pode voltar quando quiser. E por favor, não deixe de nos dar notícias e se precisar de qualquer ajuda não se sinta envergonhada em me procurar. – Sandro está certo, amiga, estamos aqui por você e para você, essa partida não é o fim. Sentiremos muitas saudades mas entendemos que

  • Alessa Nos caminhos da loucura e do destino   117

    Para tristeza de muitos e alegria de alguns, o livro de Alessa está chegando ao fim. Alessa – Prima, antes de você entrar em casa, devo avisar que tia Carmem está na sala. Estou avisando porque Cristóvão está a distraindo com Juan e uma conversa sobre comida, mas você sabe como meu marido não vai conseguir segurá-la por muito tempo. Estava chegando em casa quando Milene e Aurélio me impediram de entrar em casa, meu primo Aurélio colocou um rastreador no meu celular apenas por segurança por isso sabia que estava chegando aqui, sei que fez por proteção, ele gosta de se antecipar a todo mundo. – Jarbas também está aqui, não é? – Sim, veja bem, priminha: a situação é bem complicada, tia Madalena está com Bárbara mas você sabe como tudo isso é delicado. O que acha de fazermos um passeio? É só até eles irem embora. – Não, Aurélio, não sou uma criminosa para fugir de ninguém. Em algum momento eles vão precisar saber que vou embora, ficar escondendo isso é absurdo e sem sentido. Vou ent

  • Alessa Nos caminhos da loucura e do destino   116

    Dante Fazia tanto tempo que não dançava, a última vez foi em uma festa de aniversário da senhora Albertini, depois não tive outras oportunidades, na realidade, dançar me fazia lembrar de Heloísa, nos últimos momentos de sua vida miserável em meio aos delírios alucinantes dela, Heloísa dançava em seu quarto, o lugar tinha um cheiro horrível de sujeira e urina mesmo assim meu pai ainda ia lá, não sei se para comprovar que a enlouqueceu ou para ter certeza que ainda estava viva. Fontana, vamos dançar, vem dançar comigo. Heloísa, venha tomar um banho, quero que descanse agora. Você não dormiu a noite inteira e ainda quer dançar? Estou mandando que venha. Você não quer dançar? Tudo bem, eu danço sozinha. Eu me sinto tão solitária. Você poderia deixar o Dante dançar comigo, ele é um bom dançarino, eu que ensinei ele. – Dante, está tudo bem? Você não quer dançar? Me lembrar dela depois de compreender como fui um demônio durante tanto tempo é doloroso, Heloísa morreu em completa tristez

  • Alessa Nos caminhos da loucura e do destino   115

    Cassandra – Porque? Quer me usar, é isso? De verdade não consigo entender o motivo. Dante ficou bem abalado com minha proposta mas preciso esclarecer a ele o real motivo dela.– Alessa nunca concordou com meu amor e minha paixão por você, na verdade, ela tem razão. Por mais que o ame com todas as forças do meu coração, é idiotice pensar que podemos recuperar o que foi destruído. Mas uma vez nessa vida não ficaremos juntos e está tudo bem, não estou cobrando nada de você e nem quero usá-lo como fez comigo muitas vezes mas se estou aqui é por sua causa, cada ação minha desde do dia que previ sua vinda até mim para salvar sua vida e até aquele maldito julgamento é por você e para você. Mas estou cansada de viver presa ao passado terrível que tivemos, só está nas suas mãos a minha liberdade. Dante não imagina como estamos ligados, vidas e vidas tentando desesperadamente ficar juntos mas sem sucesso, quero poder seguir sem olhar para trás. Preciso deixá-lo ir como também me permitir seg

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status