Cicatrizes de um Amor ao Sol

Cicatrizes de um Amor ao Sol

last updateLast Updated : 2026-09-15
By:  Leti DBUpdated just now
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Cem reais foram suficientes para transformar um beijo em uma aposta. O problema é que Dorian Eisenberg nunca aceitou participar dela. Aos vinte e três anos, Mariana Beckham ainda acredita em grandes amores, mesmo carregando marcas deixadas por perdas que mudaram sua vida. Estudante de Relações Públicas, romântica, impulsiva e perigosamente sincera, ela observa Dorian há mais de um ano — e deseja beijá-lo muito antes de ele sequer saber seu nome. Dorian, aos trinta e cinco, é pediatra, empresário e herdeiro de uma fortuna. Reservado, controlador e acostumado a separar sexo de intimidade, passou mais de uma década sem beijar uma mulher na boca. Até Mariana. Na festa de noivado dos melhores amigos, uma provocação de cem reais circula entre os homens. Dorian recusa. Mariana não sabe de nada. O primeiro beijo é escolha dela. O segundo é escolha dele. Quando a verdade vem à tona, porém, a atração dá lugar à desconfiança. E os cem reais logo se tornam o menor dos problemas. Entre provocações, ciúmes, mensagens de madrugada, desejo, viagens e uma intimidade que nenhum dos dois planejava, Mariana começa a atravessar as barreiras de um homem que transformou o controle em sobrevivência. Mas amar também significa enfrentar luto, segredos, afastamentos e escolhas capazes de deixar novas cicatrizes. Algumas perdas não têm conserto. Algumas palavras não podem ser recolhidas. E algumas marcas permanecem para sempre. Entre culpa e perdão, queda e redenção, Mariana e Dorian precisarão descobrir se amar é suficiente para escolher um ao outro novamente. Porque algumas marcas a vida impõe. Outras são escolhidas. E, diante de um pôr do sol sobre o mar, uma tatuagem poderá representar tudo o que as cicatrizes não conseguiram destruir: a possibilidade de perdoar, recomeçar e finalmente voltar ao sol.

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Chapter 1

O homem que nunca me viu

MARIANA

O ônibus arrancou antes que eu encontrasse um lugar para sentar.

Nenhuma novidade.

Agarrei a barra de metal com uma das mãos e prendi a mochila contra o corpo com a outra, tentando não cair sobre a senhorinha sentada ao meu lado. Ela me esquadrinhou dos tênis aos fios de cabelo antes de voltar a encarar a janela.

Esquadrinhar: examinar alguma coisa nos menores detalhes.

Era exatamente o que ela estava fazendo.

Provavelmente julgando minhas escolhas de vestimenta. Não a culpei. Eu também desconfiaria de alguém com tão pouco equilíbrio e um estilo tão questionável.

Minha calça preta estava um pouco desbotada nos joelhos, a camisa branca tinha sido passada às pressas e os cabelos castanho-escuros, presos em um rabo de cavalo, começavam a escapar por causa do vento que entrava pelas janelas abertas.

Pelo menos meus óculos estavam limpos.

Um acontecimento raro.

Eu os havia limpado duas vezes antes de sair, como se enxergar melhor pudesse facilitar aquela noite.

Não facilitaria. Eu so queria que alguma coisa boa acontecesse naquela noite.

O ônibus entrou em uma curva e fui obrigada a apertar os dedos ao redor da barra. A pulseira do relógio deslizou alguns centímetros pelo meu pulso.

Meus olhos encontraram o relevo das letras cicatrizadas. Sem querer.

KEY.

Meu estômago contraiu.

Puxei o relógio para cima quase no mesmo instante, mas já era tarde demais.

Algumas lembranças não precisavam de convite.

Bastava uma fresta.

Uma música tocando ao longe.

Caixas espalhadas pelo chão.

Minha mãe andando de um lado para o outro.

Uma voz dizendo que sentiria saudade.

E então—

Não.

Apertei os dedos ao redor da barra.

Não naquela noite.

Havia coisas que eu conseguia manter guardadas desde que não tentasse abrir a porta.

KEY continuava sendo exatamente isso.

Uma chave que eu não pretendia abrir. Apenas esconder.

O ônibus freou com força, jogando meu corpo para a frente. Firmando os pés no chão, consegui não atropelar ninguém.

Vitória.

A senhorinha tornou a olhar para mim.

— Está tudo bem — murmurei.

Não sabia se respondia a ela ou a mim mesma.

O ônibus estava abafado. O vento das janelas trazia cheiro de asfalto quente, poeira e combustível. Santa Maria parecia cozinhar sob o verão, e eu ainda passaria horas trabalhando com uma camisa de manga comprida e um sorriso educado no rosto.

Consultei o horário no celular.

Dezessete minutos de atraso.

Perfeito.

Marcelo havia pedido que toda a equipe chegasse antes das seis. A recepção começaria às sete e, até lá, precisávamos conferir mesas, taças, guardanapos, iluminação e uma quantidade absurda de detalhes que os convidados jamais perceberiam.

Esse era o segredo de um evento bem organizado: ninguém percebia o nosso trabalho.

Como estudante de Relações Públicas, eu deveria achar aquilo fascinante.

Na faculdade, eventos envolviam planejamento, comunicação, posicionamento, experiência e imagem.

Na prática, envolviam fornecedor atrasado, convidado exigente, funcionário perdido, decoração diferente da solicitada e problemas criados semanas antes que, por algum motivo, precisavam ser resolvidos em quinze minutos.

Ainda assim, eu gostava.

Gostava do movimento.

Gostava de observar um salão vazio se transformar em alguma coisa completamente diferente em poucas horas.

E gostava, principalmente, daquela satisfação estranha de resolver um problema antes que alguém percebesse que ele tinha existido. E assim as noites passavam como um pulo.

Eu começara naquela casa de festas ajudando no atendimento, mas, depois de alguns trabalhos, Marcelo me colocou como supervisora de equipe. Minha função era acompanhar a montagem, conferir decoração, orientar o pessoal, conversar com bar e cozinha e garantir que cada parte do evento acontecesse mais ou menos no horário planejado.

O "mais ou menos" era importante.

Eventos ensinavam humildade.

Naquela noite, eu seria responsável pelo maior dos dois salões gerais.

Não precisava passar a festa inteira carregando bandejas, embora ajudasse no que fosse necessário quando alguma parte da operação começava a desandar.

Meu verdadeiro trabalho era impedir que chegasse a esse ponto.

Marcelo pagava uma diária melhor pela supervisão e eu dificilmente recusava quando ele me chamava.

Não porque minha conta bancária estivesse literalmente vazia.

Eu tinha uma reserva.

Uma reserva que havia decidido tratar como se não existisse.

Tocá-la significaria gastar aos poucos alguma coisa que eu não pretendia reconstruir tão cedo, então preferia pagar minhas despesas com o que conseguia ganhar trabalhando.

Era uma escolha.

Às vezes, uma escolha inconveniente.

Mas ainda não podia fazer diferente.

Uma das poucas regras de Marcelo era não comentar valores com os colegas. Ele nunca explicara exatamente o motivo, mas, pelas respostas atravessadas que recebia quando o assunto aparecia, eu desconfiava que não ganhávamos todos a mesma coisa.

Eu parecia estar entre os mais bem pagos.

Preferia interpretar aquilo como reconhecimento.

Marcelo Antunes era exigente, mas eu realmente havia conquistado sua confiança. Além dos três salões da casa de festas, ele mantinha uma equipe temporária para eventos realizados em hotéis, empresas e residências.

Quando precisava de gente, normalmente publicava os horários disponíveis no grupo.

Ultimamente, porém, começara a me chamar diretamente antes de oferecer o trabalho aos outros.

Eu dizia a mim mesma que era porque chegava no horário, trabalhava bem e não perdia a cabeça quando algum imprevisto caía no meu colo.

Era uma explicação confortável.

E eu já havia aprendido que nem toda pergunta levava a uma resposta que valia a pena conhecer.

Minha curiosidade, contudo, continuava intacta quando envolvia vinhos, lugares que eu nunca tinha conhecido e, ocasionalmente, a vida amorosa de alguma celebridade bonita.

Todo mundo precisava ter pelo menos um interesse questionável.

A UFSM estava em férias, o que me permitia aceitar mais trabalhos naquele período. Quanto mais eu conseguisse ganhar em janeiro e fevereiro, menos precisaria me preocupar quando as aulas retornassem e meu tempo voltasse a ser dividido entre faculdade, bolsa e eventos.

Aquela diária pagaria mercado, transporte e algumas despesas da semana.

Bom o suficiente.

Quando finalmente desci do ônibus, o sol ainda iluminava os prédios, embora já começasse a perder força. Percorri os dois quarteirões restantes em passos rápidos.

Meus pés já reclamavam dentro dos tênis, e uma gota de suor escorreu pelas minhas costas antes mesmo de eu chegar.

A casa de festas ocupava quase toda a esquina.

O tamanho se explicava pelos três salões independentes em seu interior.

O primeiro era dedicado exclusivamente às festas infantis, com brinquedos, decoração colorida e um espaço preparado para crianças.

Os outros dois possuíam estrutura mais neutra e podiam ser transformados para casamentos, aniversários, formaturas, confraternizações ou praticamente qualquer coisa que o orçamento do cliente permitisse imaginar.

Naquela noite, eu trabalharia no maior deles.

Por fora, o prédio era relativamente discreto.

Por dentro, era o tipo de lugar onde ninguém precisava perguntar quanto alguma coisa custava.

O ar-condicionado me atingiu assim que entrei no salão, trazendo junto o cheiro das flores recém-cortadas, madeira encerada e alguma coisa amanteigada que vinha da cozinha.

A decoração daquela noite seguia branco, verde e dourado. Arranjos altos de rosas e folhagens ocupavam algumas mesas, velas menores cercavam os centros de mesa e luzes quentes refletiam nos copos ainda vazios.

Bonito.

Caro.

E cheio de coisas perfeitamente posicionadas que alguém inevitavelmente deslocaria antes das nove.

Pendentes de vidro espalhavam reflexos dourados pelo salão. Flores brancas ocupavam o centro das mesas e os talheres estavam alinhados com tamanha precisão que tive medo de respirar perto deles.

— Até que enfim, Mari — disse Alexia assim que me viu entrando pela área de serviço. — Achei que você fosse desistir.

— Pensei nisso quando o ônibus parou pela décima vez.

— E por que não desistiu?

Tirei a mochila do ombro.

— Porque minha dignidade não paga minhas despesas.

Ela riu.

— Dramática.

— Realista.

Alexia apontou para o vestiário.

— Marcelo já perguntou por você.

— Claro que perguntou.

Troquei os tênis pelos sapatos de trabalho, ajeitei a camisa e prendi novamente os cabelos diante do espelho.

Quando ergui os braços, o relógio deslizou outra vez.

Puxei-o imediatamente de volta.

Depois abri as mãos.

As linhas antigas atravessavam minhas palmas em marcas mais claras que o restante da pele. Algumas quase desapareciam quando eu esticava os dedos.

Outras não.

Fechei as mãos.

Não precisava pensar naquilo.

Não naquela noite.

Nas duas horas seguintes, supervisionei o que a equipe já havia montado, conferi taças, reposicionei cadeiras, acompanhei a chegada das bebidas e ouvi três opiniões diferentes sobre como os guardanapos deveriam ser dobrados.

Quando os convidados começaram a chegar, meu corpo inteiro já parecia convencido de que eu estava trabalhando havia doze horas.

Mesmo assim, sorri.

Era para isso que estavam pagando.

A festa cresceu aos poucos.

Perfumes caros se misturaram ao cheiro das flores e da comida. Saltos tocaram o piso polido. Taças se encontraram em brindes enquanto eu atravessava o salão indo do palco até a copa, depois da copa até o bar, depois do bar até uma mesa onde alguma coisa inevitavelmente havia dado errado.

E foi em uma dessas travessias que eu o vi.

Diminuí os passos.

Ele estava próximo a uma das janelas, acompanhado por três homens e duas mulheres.

Todos estavam muito bem vestidos, mas meus olhos foram diretamente para ele.

Não foi apenas por ser bonito.

Embora isso definitivamente não atrapalhasse.

Foi a presença. Aquela presença de mover pessoas ao seu favor, ao seu redor, quando e como, bem entendesse.

Alto demais para desaparecer em qualquer grupo, usava um terno escuro que parecia ter sido feito especificamente para aquele corpo. Os cabelos loiros, quase claros demais sob a iluminação dourada, estavam presos para trás.

A camisa branca contrastava com a pele levemente bronzeada e deixava ainda mais evidente o tamanho dos ombros. Não usava gravata. Os primeiros botões estavam abertos de um jeito aparentemente casual que, nele, provavelmente tinha exigido zero esforço e causava problemas para o restante da população feminina.

Mesmo à distância, notei os ombros largos, o rosto perfeito, mãos segurando um copo.

E a tranquilidade.

Ele não fazia nada especial.

Não gesticulava mais do que os outros.

Não falava mais alto.

Não parecia tentar chamar atenção.

A atenção simplesmente se organizava ao redor dele.

Era irritante.

E um pouco fascinante.

Se alguém me dissesse que ele havia escapado de alguma campanha absurdamente cara de perfume masculino com temática de deus nórdico, eu provavelmente acreditaria.

— Mariana.

Pisquei.

A voz de Marcelo me trouxe de volta.

— O pessoal teve um imprevisto na cozinha. Dá uma olhada, por favor?

— Claro.

Ele acompanhou meu olhar por um segundo.

Meu rosto esquentou.

— Eu estava conferindo o salão.

Marcelo ergueu uma sobrancelha.

— Sim claro, percebi.

— Cozinha?

— Cozinha.

Assenti e continuei andando.

Nem pensar que eu voltaria a olhar.

Resolvi o problema da cozinha, conferi uma mesa e respondi à pergunta de uma convidada sobre o espumante.

Só depois de me afastar percebi que não fazia ideia do que havia respondido.

Olhei novamente.

Pensando bem, uma segunda olhada não poderia causar nenhum desastre.

O homem permanecia quase no mesmo lugar. Um dos amigos falava com as mãos enquanto ele escutava com uma expressão levemente entediada.

Havia alguma altivez nele.

Não exatamente arrogância.

Era mais a postura de alguém acostumado a entrar em um ambiente sem precisar provar que pertencia àquele lugar.

Uma mulher de vestido vermelho tocou seu braço.

Ele abaixou o rosto para ouvi-la.

Uma sensação pequena e completamente inconveniente apertou meu estômago.

Claro.

Aquela devia ser exatamente o tipo de mulher que acompanhava homens como ele.

Elegante.

Alta.

Segura.

Absurdamente cara.

O vestido parecia feito sob medida, a maquiagem permanecia intacta apesar do calor e ela segurava uma taça de espumante pela haste como alguém que provavelmente nunca tinha precisado beber refrigerante diretamente da garrafa.

Olhei para minha própria bandeja.

Nem pensar que eu estava me comparando.

Pensando bem...

Estava.

E perdendo feio.

Silicone. Loira. Monossilábica.

Provavelmente não havia passado vinte minutos discutindo com um ônibus.

Balancei a cabeça para mim mesma.

Ridículo.

Eu nem sabia o nome dele.

Vi quando ele aceitou uma bebida e ficou alguns minutos segurando o copo sem provar. Quando soltou os cabelos, passou os dedos pelos fios e tornou a prendê-los. Quando sorriu para alguma coisa dita por um dos amigos.

O sorriso mudou seu rosto inteiro.

Até então, parecera distante.

Quando sorriu, ficou mais jovem.

E perigosamente mais bonito.

Se aquele homem sorrisse daquele jeito diretamente para mim, havia grandes chances de eu esquecer qualquer palavra com mais de duas sílabas.

Não que isso fosse acontecer.

Quando alguém como ele falaria com alguém como eu?

Nunca.

Foi pouco depois que ouvi seu nome.

— Os Eisenberg vieram — comentou uma das funcionárias ao meu lado.

Virei o rosto.

— Eisenberg?

Ela apontou discretamente com o queixo.

— Dorian Eisenberg. A loira de azul é a Amália, irmã dele. Eles são gêmeos. Vi os dois numa revista semana passada.

Olhei novamente.

Dorian Eisenberg.

O nome definitivamente combinava com ele.

Elegante.

Forte.

E inconvenientemente memorável.

Repeti mentalmente, como se existisse alguma utilidade em decorar o nome de um homem que provavelmente sairia daquele salão sem nunca perceber que eu estivera nele.

— E eles são...? — perguntei.

Ela me olhou como se eu tivesse acabado de admitir que não sabia quem era o presidente do país.

— Você não conhece os Eisenberg?

— Deveria?

— Mariana.

— Isso não respondeu.

Ela riu.

— Depois eu te explico.

Antes que pudesse perguntar qualquer coisa, alguém me chamou.

Voltei ao trabalho.

Algum tempo depois, quando consegui parar próximo ao bar, Dorian já não estava perto da janela.

Procurei-o pelo salão antes que pudesse me impedir.

Encontrei-o perto da saída.

Uma mulher de vermelho estava com ele.

Ela segurava o próprio casaco enquanto Dorian dizia alguma coisa aos amigos. Então ele colocou a mão nas costas dela, num gesto íntimo o suficiente para que minha imaginação não precisasse trabalhar muito.

Dorian abriu a porta para que ela passasse.

Saiu logo atrás.

Observei os dois desaparecerem.

A noite deles seria, sem dúvida, muito mais interessante que a minha.

E por algum motivo isso me irritou.

Só um pouco.

Uma quantidade perfeitamente aceitável para alguém que nunca havia trocado uma palavra com ele.

Não deveria ter sentido absolutamente nada.

Eu não conhecia Dorian Eisenberg.

Talvez o tivesse observado porque ele parecia pertencer completamente àquele lugar.

Talvez porque eu soubesse que não pertencia.

Baixei os olhos para a bandeja que segurava. A superfície prateada devolveu uma versão distorcida do meu rosto, dos óculos e dos fios de cabelo que já haviam escapado novamente do rabo de cavalo.

Muito coerente.

— Mariana, precisamos de você na mesa seis.

— Já vou.

Tentei esvaziar a mente, a expressão facial e voltei ao trabalho.

Naquela noite, Dorian Eisenberg deixou a festa acompanhado por outra mulher.

Não perguntou meu nome.

Não encontrou meu olhar.

Não percebeu nenhuma das vezes em que passei perto dele.

Para Dorian, eu não existia.

O problema era que, a partir daquela noite, ele tinha começado a existir um pouco demais para mim.

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