Compartir

Alexander

Autor: Viih Felix
last update Fecha de publicación: 2025-10-28 07:40:09

Alexander Narrando

Norah apareceu na manhã seguinte. Eu ainda estava na cama, de mau humor e sem paciência pra ninguém.

Ela entrou no quarto como se o clima pesado não a afetasse. Jaleco branco, cabelo preso num coque improvisado e aquele mesmo sorriso de ontem.

— Bom dia, Sr. William. Pronto pra começarmos? — perguntou, com uma voz calma demais pro meu gosto.

— Não. — respondi seco, sem nem olhar pra ela.

Ela puxou uma cadeira e sentou ao meu lado, como se tivesse todo o tempo do mundo.

— Eu imaginei que diria isso. Mas vim mesmo assim.

Revirei os olhos.

— Então já pode voltar. Não preciso disso.

— Precisa, sim — ela respondeu, sem se abalar. — E quanto antes começarmos, melhor pro seu corpo.

Cruzei os braços e encarei o teto.

— Meu corpo já era doutora. Aceita logo isso.

Ela se levantou, foi até a janela e abriu a cortina, deixando o sol entrar. A claridade me irritou.

— Fecha isso, caramba! — reclamei.

— Você precisa de luz. — Ela se virou pra mim. — Viver no escuro não vai te ajudar a andar de novo.

Soltei uma risada irônica.

— Andar de novo? A senhora não leu o laudo, não? A medicina já desistiu de mim.

Ela me olhou séria.

— Eu não disse que vai voltar a andar. Eu disse que precisa viver.

Fiquei em silêncio. As palavras dela ficaram ecoando na minha cabeça, mas eu não queria dar o braço a torcer.

— Só faz o que tem que fazer e vai embora — falei, por fim. — Não quero conversa.

— Certo. — Ela se aproximou. — Então vamos começar com algo simples. Só quero avaliar sua postura.

— Não quero ser avaliado.

— E eu não pedi sua autorização para fazer o meu trabalho — respondeu, firme. — Agora, por favor, mantenha as costas retas.

A ousadia dela me deixou sem reação. Mas obedeci, meio contrariado. Ela colocou as mãos nos meus ombros, ajustou minha posição e observou meus movimentos com atenção.

— Dói aqui? — perguntou, pressionando um ponto na lombar.

— Dói tudo. — respondi com raiva.

Ela respirou fundo.

— Então é por isso que eu tô aqui. Pra tentar diminuir essa dor.

Não respondi. Fiquei olhando pra frente, tentando ignorar a presença dela.

Norah pediu que eu respirasse fundo, puxando o ar pelo nariz e soltando pela boca devagar. Ela se aproximou com aquele jeito calmo, as mãos firmes, mas suaves, e começou a massagear meus ombros tensos. Os toques eram leves no começo, só pra esquentar a musculatura, depois mais firmes, precisos, descendo pelas costas até a lombar, depois ela pegou um óleo, e começou a massagear minhas pernas, e foi subindo pelas coxas, cada movimento calculado. Senti um alívio imediato, uma leveza que eu não sentia fazia tempo, mas me recusei a demonstrar. Fechei os olhos por um instante e pensei em como era bom sentir algo além da dor constante que me acompanhava.

— Está doendo? — ela perguntou, num tom tranquilo, sem parar o movimento das mãos.

— Tá, e não tá adiantando de nada — respondi seco, tentando afastar qualquer sinal de que eu estava gostando.

Norah apenas sorriu de leve e continuou. Passou o óleo nas mãos e foi para a parte das costas, onde a tensão se acumulava. Os dedos dela pressionavam os pontos certos, às vezes doía, mas era uma dor boa, daquelas que aliviam. Eu sentia cada toque percorrendo o corpo como se ela estivesse despertando algo adormecido em mim. Ela pediu pra eu tentar mover o braço direito, mas o máximo que consegui foi um leve tremor.

— A paralisia é nas pernas, você não sabe de nada. Pode parar.

Ela ignorou o que eu disse e continuou, firme. As mãos desciam devagar, o toque dela era ao mesmo tempo técnico e humano, como se ela realmente se importasse. Isso me irritava e me confundia. No fim, quando terminou, ela limpou o excesso de óleo e me olhou com aquele sorriso tranquilo.

— Vai doer mais um pouco antes de melhorar, Sr. William. Mas vai melhorar.

Virei o rosto pra janela, fingindo não ouvir. Só queria que ela fosse embora, antes que eu me acostumasse com aquele toque.

No fim da sessão, ela guardou os equipamentos e disse:

— Amanhã volto no mesmo horário.

— Não precisa — retruquei.

— Eu volto mesmo assim. — sorriu. — E um dia você vai agradecer por isso.

Quando saiu, fiquei sozinho. E, pela primeira vez, percebi que aquela mulher não ia desistir fácil. Preciso ser mais incisivo.

Minha mãe entrou no quarto com aquele ar decidido que eu já conheço bem. Atrás dela vinha um rapaz alto, com jaleco branco e cara de quem tinha acabado de chegar.

— Filho, esse é o enfermeiro que vai te ajudar a se adaptar melhor — ela disse, ignorando completamente meu olhar de impaciência. Eu só balancei a cabeça, sem vontade de conversar. Pedi pra ele me ajudar a sair da cama e sentar na cadeira de rodas. Fiz questão de deixar claro:

— Só me leva pro banho. Eu tomo banho sozinho, não preciso de babá.

Ele me ajudou com cuidado, me colocou na cadeira e me levou até o banheiro. Assim que a porta se fechou, senti um mínimo de alívio. Gosto de ter esse pouco de privacidade, mesmo que dependa dos outros pra tudo. Depois de alguns minutos, ele voltou, me ajudou a vestir a roupa e me deixou novamente na cadeira, no quarto.

Logo a empregada entrou, equilibrando uma bandeja de café da manhã: suco, frutas, torradas, tudo arrumadinho demais. Olhei desconfiado.

— Quem foi que inventou esse cardápio? — perguntei, cruzando os braços.

— Foi a fisioterapeuta, senhor. A doutora Norah disse que o senhor precisa de uma alimentação mais equilibrada.

Revirei os olhos. Aquela mulher já tava se metendo onde não devia. Primeiro quer mandar no meu corpo, agora na minha comida também. Respirei fundo, tentando conter o nervosismo que crescia.

— Pode tirar isso daqui. E os dois, saiam do meu quarto agora. — Minha voz saiu seca, firme.

Eles se entre olharam, hesitaram por um segundo, mas obedeceram. Assim que a porta se fechou, fiquei encarando o nada, sentindo o peso da solidão e da raiva misturados. Amanhã mesmo eu demito essa fisioterapeuta. Já chega de gente na minha vida.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App
Comentarios (15)
goodnovel comment avatar
Larissa De Jesus
Maravilhoso demais
goodnovel comment avatar
Larissa De Jesus
Eta Alexandre você logo vai tar caidinho por ela
goodnovel comment avatar
Larissa De Jesus
Mais mais mais mais por favor
VER TODOS LOS COMENTARIOS

Último capítulo

  • Além da Dor -:O Recomeço de um Ceo    Alexander

    Último Capítulo - Alexander Narrando Eu nunca vou esquecer o cheiro daquela sala, o frio do ar-condicionado, a luz forte refletindo em tudo, e o som do meu próprio coração batendo tão alto que parecia ecoar dentro de mim.A médica explicou com calma que, por causa de uma pequena complicação no final da gestação da Norah, o mais seguro seria uma cesariana. Eu assenti, confiante nos profissionais, mas por dentro estava em frangalhos. Só uma coisa importava: as duas ficarem bem.Entrei na sala cirúrgica paramentado, sentei ao lado da minha esposa e segurei a mão dela com força.— Vai dar tudo certo, meu amor — eu disse, tentando ser firme, mesmo com os olhos marejados.— Eu sei. — Norah respondeu, respirando fundo. — Ela já vai nascer.Ouvir ela fez meu peito apertar. Minha filha. Minha Emily.O pano azul foi colocado, impedindo que víssemos o procedimento, mas eu estava ali, acordado, presente, sentindo cada segundo como se fosse uma eternidade. O silêncio era cortado apenas por termos

  • Além da Dor -:O Recomeço de um Ceo    Nico

    Penúltimo Capítulo - Nico Narrando Comprei a mansão ao lado da mansão do meu irmão sem pensar duas vezes. Queria Wanda perto da Norah, queria meu filho crescendo cercado de família. Fiz uma reforma pequena, mas cuidadosa. Mudei cores, abri mais luz, deixei tudo com cara de lar. Quando Wanda entrou pela primeira vez e olhou em volta, os olhos dela brilharam.— É perfeita, Nico. — ela disse, emocionada.Naquele instante eu tive certeza de que tinha feito a escolha certa. Não só da casa, mas da mulher com quem decidi dividir a vida.Escolhemos o nome do nosso filho juntos. Drake. Forte, marcante, do jeito que eu imagino que ele vai ser. Quando falamos o nome em voz alta pela primeira vez, pareceu real de verdade. Não era mais um sonho distante, era alguém que já existia.A primeira consulta que fui com a Wanda ficou marcada em mim. Sentamos lado a lado, ela nervosa, eu tentando parecer tranquilo. Quando o médico ligou o aparelho e aquele som ecoou pela sala, eu senti algo que nunca tinh

  • Além da Dor -:O Recomeço de um Ceo    Norah

    Norah Narrando A noite de núpcias foi tudo o que eu nunca soube que precisava.Passamos nossa primeira noite como marido e mulher na suíte presidencial do Grande Hotel, um empreendimento do meu marido. Assim que a porta se fechou atrás de nós, o silêncio elegante do lugar pareceu nos envolver como um abraço. As luzes suaves refletiam no mármore, as cortinas estavam abertas revelando a cidade iluminada, e por um instante eu só consegui respirar fundo, tentando acreditar que tudo aquilo era real.Alexander se aproximou devagar, como se quisesse gravar cada detalhe daquele momento na memória. Ele segurou meu rosto com as duas mãos, encostou a testa na minha e fechou os olhos.— Você faz ideia do quanto eu te amo? — ele sussurrou, com a voz embargada.— Acho que não. — respondi, sorrindo, sentindo meu coração bater acelerado. — Mas estou disposta a passar a vida inteira descobrindo.Ele riu baixo e me puxou para um beijo calmo, profundo, daqueles que não têm pressa. Não era desejo apress

  • Além da Dor -:O Recomeço de um Ceo    Alexander

    Alexander Narrando Quando as portas da igreja se fecharam atrás de mim, o silêncio tomou conta de tudo. Eu estava de pé, firme, sem muleta, sentindo o chão sob meus pés como se fosse a primeira vez. Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que todos ao redor conseguiam ouvir. Nico estava ao meu lado, também nervoso, mas eu mal conseguia prestar atenção em qualquer coisa que não fosse aquele corredor à minha frente.Então as primeiras notas da música começaram a ecoar.Meu peito apertou.As portas se abriram lentamente, e ali estava ela.Norah.Por um segundo, eu esqueci como se respirava.Ela vinha caminhando com a Wanda, as duas de mãos dadas, mas meus olhos só conseguiam enxergar uma coisa: a mulher da minha vida. O vestido parecia ter sido feito sob medida para a alma dela. Simples e elegante, delicado e forte ao mesmo tempo. O véu emoldurava o rosto mais lindo que eu já vi, e quando nossos olhares se encontraram, ela levou a mão ao peito.Eu vi quando ela percebeu.Sem

  • Além da Dor -:O Recomeço de um Ceo    Nico

    Nico Narrando Acordei com o coração acelerado. Não era medo, era emoção pura. Eu vou me casar com a Wanda, a mulher da minha vida. Passei a manhã inteira ao lado do Alex, meu irmão, que também vai se casar com a Norah. A gente tentou fingir normalidade, mas não tinha como. É um dia grande demais.— Tá nervoso? — ele me perguntou enquanto ajustava a gravata.— Pra caralho — respondi, rindo. — E você?Ele respirou fundo antes de responder.— Tô em paz, mas com o coração disparado.Em um momento mais silencioso, ele se aproximou e falou num tom quase confidencial:— Nico, a muleta? Eu tô usando mais por costume. Já não me apoio nela.Franzi a testa, surpreso.— Como assim?Ele sorriu daquele jeito que só quem tá completamente apaixonado sorri.— Quero fazer uma surpresa pra Norah.Balancei a cabeça, emocionado.— Você tá perdido por essa mulher.— Totalmente — ele respondeu, sem negar.E ali eu percebi: eu também tinha virado um romântico incurável. Quem diria.Nos arrumamos juntos, nu

  • Além da Dor -:O Recomeço de um Ceo    Norah

    Norah Narrando O dia amanheceu diferente. Não foi só o sol entrando pelas janelas da mansão, foi a sensação no meu peito. Chegou o dia do casamento. Eu estava nervosa, claro, mas também aliviada, como se finalmente pudesse respirar depois de tanta coisa vivida. Andar pela casa tentando disfarçar a gravidez estava ficando cada vez mais difícil. Os enjôos já apareciam sem pedir licença, principalmente pela manhã, e eu precisava controlar o rosto, o corpo, tudo.Wanda e eu trocávamos olhares cúmplices o tempo todo. Todos os dias conversávamos escondidas, rindo, às vezes chorando juntas. A barriga dela já começou a despontar, tímida, mas impossível de ignorar para quem conhece aquele corpo desde sempre. A minha ainda está lisinha, discreta, quase um segredo só meu e da minha irmã. Fizemos a ultrassonografia juntas, sentadas lado a lado, segurando a mão uma da outra.— O meu é dois meses mais velho que o seu — ela disse naquele dia, com um sorriso orgulhoso.— E já quer aparecer pro mundo

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status