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Capítulo 34: O Teste do Brooklyn

last update Data de publicação: 2026-07-17 04:29:53

​O carro parou diante da pequena cantina italiana no Brooklyn, um local que o GPS do motorista mal reconhecia. A vizinhança era o oposto do luxo asséptico de Manhattan: havia vida nas calçadas e o cheiro de manjericão e massa fresca saindo pelas janelas abertas.

​Nicholas desceu do veículo, ajeitando as mangas da camisa de linho. Ele parecia deslocado, uma torre de elegância sóbria em meio ao asfalto desgastado, mas, ao ver Maya hesitar no banco de trás, ele estendeu a mão com uma naturalidade
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  • Além do Contrato    Capítulo 80 — O silêncio que guardava os sonhos

    O caminho de volta para a mansão de Long Island foi feito em silêncio. Nicholas dirigia com as mãos firmes no volante, mas o olhar perdido na estrada revelava que a mente dele estava longe — naquele escritório, nas palavras de Elias, na notícia que abalara as fundações de tudo o que acreditavam. Maya, sentada ao seu lado, observava a paisagem passar pelas janelas: as árvores altas, as casas afastadas, o céu que começava a ganhar tons de âmbar com o entardecer. A mão dela repousava sobre a barriga, e a cada movimento suave do bebê, sentia um misto de força e apreensão.— Ele vai mesmo — disse ela, mais para si mesma do que para ele, revendo na memória a forma como Augusto saíu da sala. — Não esperou nem mais um minuto. — Ele já deve estar a caminho — respondeu Nicholas, com a voz baixa e pensativa. — Mandou preparar o jato particular assim que saímos do escritório. Disse que não pode esperar nem mais uma noite para ver o irmão. Quarenta anos esperando foi tempo demais. Maya assentiu,

  • Além do Contrato    Capítulo 79 — O estranho que conhecia seu rosto

    O escritório do andar mais alto do edifício Alencar era amplo, com paredes de vidro que revelavam o horizonte inteiro de Manhattan. Mas naquela tarde, ninguém prestava atenção à vista. O ar estava carregado de uma tensão que fazia o tempo parecer correr mais devagar. Augusto estava sentado atrás da escrivaninha de madeira escura, com as mãos entrelaçadas sobre a superfície polida, a postura rígida de quem se prepara para enfrentar algo que evitou por décadas. Nicholas estava de pé ao lado dele, com os punhos cerrados e o olhar atento, como um leão protegendo o seu território. Maya permanecia um pouco mais ao lado, sentada em uma poltrona de couro, com a coluna ereta e a mão entrelaçadas repousada com firmeza sobre a perna. A porta se abriu sem que ninguém batesse, e um homem entrou. Ele era alto, ombros largos e postura ereta. Os cabelos castanhos-escuros, curtos e bem cuidados, emolduravam um rosto de traços firmes e marcados, com um queixo decidido e olhos escuros, profundos e ate

  • Além do Contrato    Capítulo 78 – Novas sombras, velhas raízes

    Os dias que se seguiram foram os mais tranquilos que Nicholas e Maya haviam conhecido desde o início de tudo. A mansão de Long Island parecia finalmente ter encontrado a sua verdadeira alma: risadas baixas ecoavam pelos corredores, o sol entrava sem medo pelas janelas abertas, e o silêncio, quando vinha, era de paz, não de tensão ou ameaça. As notícias sobre a prisão de Helena, Gustavo e Brigitte haviam dominado os noticiários por dias, mas aos poucos o burburinho foi diminuindo, dando espaço a outras histórias. O mundo parecia ter seguido em frente — mas Nicholas sabia que, no fundo, as raízes antigas raramente morrem de uma só vez. Naquela manhã de terça-feira, o sol brilhava com uma intensidade suave sobre o jardim que descia até a praia. Maya estava sentada sob a sombra de um carvalho antigo, com uma mão apoiada sobre a barriga já mais pronunciada e um livro aberto sobre o colo. Os cabelos soltos balançavam levemente com a brisa, e havia uma expressão serena em seu rosto que faz

  • Além do Contrato    Capítulo 77 – O calor depois da tempestade

    A noite caiu sobre Long Island com uma calma que não se sentia ali havia meses. O vento do oceano soprava suave pelas janelas entreabertas da suíte principal, trazendo o aroma salgado e fresco do mar, e as luzes da casa estavam baixas, criando uma penumbra acolhedora que envolvia tudo como um cobertor quente. Depois que Augusto se despediu e os últimos funcionários se retiraram para os seus quartos, Nicholas e Maya ficaram sozinhos. O silêncio da casa não era mais pesado ou cheio de ameaças invisíveis. Era um silêncio de paz, de alívio, de quem finalmente pode respirar fundo sem medo de o que vem pela frente. Maya estava de pé diante da grande janela de vidro, olhando para as luzes distantes da costa que piscavam no horizonte. Vestia apenas um robe de seda leve, com os cabelos soltos caindo sobre os ombros, e a mão repousava de forma natural e protetora sobre a curva da barriga, onde o bebê se mexia devagar, como se também sentisse que o perigo havia passado. Nicholas aproximou-se

  • Além do Contrato    Capítulo 76: A Armadilha Que Virou Contra Eles

    A manhã seguinte começou com um silêncio tenso na mansão de Long Island. O vento soprava forte do oceano, sacudindo as folhas das árvores e fazendo as cortinas da suíte principal dançarem suavemente perto da janela aberta. Maya estava sentada na poltrona de vime perto da lareira, com uma xícara de chá de gengibre nas mãos, mas seus olhos estavam fixos no celular que repousava sobre a mesa de centro. Ha pouco mais de dez minutos, ela havia recebido uma mensagem de um número desconhecido, com um texto curto e gélido que fizera seu sangue correr mais frio do que o vento da manhã: “Cuidado com a enfermeira que vai hoje. Ela vai trocar a sua medicação. Eles querem fazer você perder o bebê.” Maya leu e releu aquelas palavras, sentindo o coração bater descompassado no peito. Não sabia quem havia enviado — talvez alguém da equipe de Brigitte que se arrependeu, talvez uma pessoa com a consciência pesada que decidiu avisá-la antes que fosse tarde. Mas uma coisa era certa: a mensagem parecia

  • Além do Contrato    Capítulo 75: O Tempo e a Ameaça

    Três semanas se passaram desde o anúncio que calou a alta sociedade de Nova York. O outono chegou a Long Island pintando as árvores de tons de ouro, vermelho e cobre, e o vento que soprava do oceano agora trazia um frescor que anunciava o inverno. Na barriga de Maya, a vida crescia devagar e firme — já era possível notar uma curva suave sob os vestidos mais largos, e os primeiros movimentos leves, como pequenas borboletas se mexendo por dentro, começavam a fazer os olhos de Nicholas se encherem de uma alegria que ele nunca imaginou ser capaz de sentir. Naquela manhã de sábado, o sol entrava pelas janelas da suíte principal com uma luz dourada e suave. Nicholas estava sentado na beira da cama, com uma expressão de concentração absoluta no rosto, enquanto passava loção hidratante com extremo cuidado sobre a barriga de Maya. Ela ria baixinho, com a cabeça apoiada nos travesseiros, observando a dedicação quase religiosa dele. — Você sabe que não precisa fazer isso todas as manhãs, não

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